Nosso Amor como o Canto dos Passaros
Todos os pais estragam seus filhos. Isso não pode ser evitado. A juventude, como um vidro intocado, absorve as impressões de quem toca nela. Alguns pais sujam, outros racham, alguns estilhaçam infâncias em pequenos pedaços irregulares, impossíveis de reparar.
O povo não merece viver
Como refugiados da sua
Própria nação.
Paz, paz entre as famílias,
Entre os irmãos, entre os amigos,
Entre a comunidade,
Paz para o mundo, paz, tudo
Pede paz.
O religioso ignorante usa Deus como armadura de sua fraca estrutura. Lê sem interpretar, vê sem enxergar.
Não importa o que um homem sofra, mas como ele se comporta no sofrimento. Ó homem, não está em tua mão sofrer ou não sofrer, mas se no sofrimento tua vontade se degrada ou se dignifica.
"Não sejas apressado em condenar outros; como conhe#2;ces aquilo no lugar deles, tu poderias ter resistido a tentação? E
mesmo se fosse assim, Porque deverias tu menosprezar aquele
que é mais fraco do que tu mesmo?"
ALMA GÊMEA
Alma Gêmea...
Chega de repente, como uma luz
para iluminar sua vida
A energia que te faz vibrar
O coração disparado à pulsar
O brilho nos olhos é evidente
O sorriso no rosto é transparente
A certeza de que o amor aconteceu
História de AMOR
que foi vivida e interrompida
A vontade de estar juntos novamente,
a sintonia que se faz presente
AMOR vivido intensamente
São emoções, sentimentos,
que não há como definir,
somente sentir!!
Não é preciso explicar,
o coração entende, sente e transcende!!
Apolo
Vens do fundo desta noite
Como uma aurora vibrante
Trazes-me o sol e o tempo
Doces
Como mel a escorrer
Da memória
Vens do fundo desta noite
E do centro da glória
Lavar-me o olhar
De silêncios e deserto
Desperto
Sou a tua seara em flor
O teu azul do mar
O teu céu
Sou o Apolo que viaja
Nos teus olhos
Ontem parei para pensar como a vida nos faz ser tão egoístas. Queremos tudo e não dar nada.
Queremos ter amor e nunca precisar dizer "Eu te amo"! Queremos ter paz, mas nunca deixamos de criar guerras, preferimos viver de sonhos, mas nunca enfrentar a realidade.
Quando temos um grande amor nas mãos, confiamos tanto em nós mesmos que até esquecemos que ao nosso lado existe uma pessoa que se dedica inteiramente para nos agradar e nos amar, esquecemos e nos enchemos de confiança, e o amor que nos é dedicado acaba sendo sentido somente por uma pessoa, e esta pessoa sofre ao ver que nada fazemos para corresponder este amor tão precioso que nos é oferecido. Condenamos, julgamos, desprezamos e até mesmo matamos este amor com palavras e ao mesmo tempo exigimos sermos amados. Palavras... uma arma poderosa. Se soubermos usá-la temos a possibilidade de ter o mundo. É triste ver um amor constantemente atingido por palavras, que parecem balas perfurando o coração, quem diz, se sente o maior, que tem razão, que tudo que é dito é a mais pura verdade, mas esquece que o motivo de tudo isto é o seu próprio modo de agir. Por que exigimos tanto das pessoas e não fazemos nada para corresponder? Por que só depois de matar um amor com palavras e ações que percebemos que não conseguimos viver sem este amor? Não somos perfeitos, nunca seremos, mas isso não quer dizer que podemos viver errando, temos que lutar contra esta tendência de errar, temos imensas chances de acertar, mas também temos imensas chances de errar, apesar de ser mais fácil o caminho mais curto, e este caminho muitas vezes nos leva ao erro. Nunca se esqueça que quando você tem uma pessoa ao seu lado, ela também tem um coração e também quer viver a vida da melhor forma possível e também quer ser amada. Se você for egoísta e quiser somente ser amado, quando acordar, já vai ser tarde demais. Ninguém é obrigado a amar uma pessoa, portanto, não obrigue uma pessoa a te amar, pois você pode estar tirando a felicidade desta pessoa, talvez a esteja matando aos poucos, mesmo que todos os dias ela te presenteie com um sorriso, temos a capacidade de amar, mas também a capacidade de usar um amor para simplesmente se sentir um pouco melhor.
Feche os olhos e sinta a paz, não se julgue inútil
jamais. Como a abelha precisa da flor, o ser humano
de paz e amor ...
Diz o meu nome
pronuncia-o
como se as sílabas te queimassem os lábios
sopra-o com a suavidade
de uma confidência
para que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que aconteça
Porque eu cresço para ti
sou eu dentro de ti
que bebe a última gota
e te conduzo a um lugar
sem tempo nem contorno
Porque apenas para os teus olhos
sou gesto e cor
e dentro de ti
me recolho ferido
exausto dos combates
em que a mim próprio me venci
Porque a minha mão infatigável
procura o interior e o avesso
da aparência
porque o tempo em que vivo
morre de ser ontem
e é urgente inventar
outra maneira de navegar
outro rumo outro pulsar
para dar esperança aos portos
que aguardam pensativos
No húmido centro da noite
diz o meu nome
como se eu te fosse estranho
como se fosse intruso
para que eu mesmo me desconheça
e me sobressalte
quando suavemente
pronunciares o meu nome
Mia Couto, in 'Raiz de Orvalho'
TRES PROFUNDEZAS DA ALMA.
Há emoções que não se anunciam. Elas chegam como uma névoa espessa, silenciosa, cobrindo os contornos daquilo que antes parecia sólido. O coração, então, perde sua linguagem comum e passa a pulsar em um idioma antigo, feito de ausências, reminiscências e pressentimentos. Sentir, nesse estado, já não é apenas reagir ao mundo. É ser atravessado por ele.
O abismo não se abre sob os pés. Ele se revela dentro. É uma fenda íntima, cavada ao longo dos anos por tudo aquilo que foi silenciado, negligenciado, adiado. Ali repousam os afetos não correspondidos, os gestos que não retornaram, as palavras que nunca encontraram voz. Quando o homem olha para esse lugar, ele não vê apenas dor. Ele vê a si mesmo, sem as máscaras que o protegeram e o aprisionaram.
E então surgem as lágrimas. Não como um gesto, mas como uma rendição. Elas descem sem pedir licença, traçando no rosto a cartografia de uma história que não pôde ser dita de outro modo. Cada lágrima é uma ruptura com a rigidez, uma recusa em continuar fingindo força onde só há exaustão. Elas não explicam. Elas revelam.
Há um instante, raro e devastador, em que emoção, abismo e lágrimas se encontram. Nesse ponto, o homem não pode mais fugir. Tudo o que ele evitou o envolve com uma clareza quase insuportável. E ainda assim, há uma estranha dignidade nesse encontro. Porque ali, no fundo mais escuro, algo começa a se reorganizar. Não como consolo fácil, mas como verdade incontornável.
Poucos permanecem nesse lugar sem se fragmentar. A maioria retorna às distrações, às superficialidades que anestesiam. Mas aquele que suporta permanecer, ainda que ferido, descobre uma forma mais austera de existência. Uma vida que não se sustenta em ilusões, mas em consciência.
E quando finalmente as lágrimas cessam, não por ausência de dor, mas por esgotamento do engano, resta um silêncio diferente. Não mais o silêncio do vazio, mas o da compreensão. Um silêncio que não consola, mas sustenta.
Porque há dores que não pedem alívio. Pedem apenas que sejam vividas até o fim. E é nesse fim, tão íntimo quanto inominável, que o ser se reconhece, não como queria ser, mas como verdadeiramente é.
Morro toda noite em busca da inocência da criança, como a águia que busca o renovo pra se manter bela.
Gosto de observar as estrelas. É como se elas olhassem de volta pra mim e, por mais que exista milhões de pessoas no mundo buscando por sua atenção, eu sei que, sempre que eu olhar pra uma estrela, ela me olhará de volta, assim, eu nunca me sentirei só.
Inclino-me a afirmar quase como regra que uma história para crianças de que só as crianças gostam é uma história ruim. As boas permanecem.
