Nosso Amor como o Canto dos Passaros
Quase Máquina
Às vezes você vive como um robô, e tudo bem! Era o que você queria, né?
Às vezes vêm algumas crises de realidade — o que um robô não sentiria o impacto.
Mas, diferente de um robô, apesar de se assemelhar com um, você é um ser humano. Mesmo que, às vezes, não queira ser.
Então seus sentimentos te sufocam.
Você é barulhenta, menina, mas tão silenciosa.
Cale-se um pouco.
Fale somente o que precisa.
Ela vai te atacar.
E você vai resistir.
Essa briga vai te sufocar.
Você vai ficando sem ar.
Se resistir mais, seu corpo começará a tremer.
Mas as lágrimas...
Ah, as lágrimas... elas não vão cair.
Quanto mais você tentar arrancá-las, mais sufocada você vai se sentir.
Você não queria ser uma máquina?
Não reclame.
Perigo doce
A cada segundo, a magia que você lançou em mim se espalha como fogo lento, invadindo cada canto da minha mente.
A cada segundo, eu te desejo mais perto.
Perto o suficiente para sentir sua pele,
seu calor,
o ritmo da sua respiração misturando-se à minha.
Olhe nos meus olhos — de perto.
Perto o bastante para enxergarmos o universo que existe em cada detalhe.
Me permita te tocar.
Te sentir sem pressa,
sem barreiras,
sem medo.
Já não posso esperar.
Nunca imaginei desejar algo com tamanha urgência.
É insaciável, é desesperado,
é perigoso.
Você despertou em mim algo adormecido.
Você me libertou.
Mas também me expôs.
E agora…
eu estou em risco.
Mas não recuo.
Porque te querer assim me faz me sentir viva.
Sol que Ama a Chuva
Ela era como o sol
As outras estrelas não se igualavam
à luz dela.
Genuinamente feliz.
Seus sentimentos eram poesias,
e pinturas —
fossem elas em seu próprio corpo
ou em uma parede qualquer.
Sua arte era sua beleza,
que era cada vez mais realçada
pelas pinceladas
que ela mesma fazia questão de dar.
Era consciente
de que esculpir seu corpo
doía na alma,
mas ela não tinha medo
de deixar sua obra mais bonita:
seu corpo, seu templo.
Ela não precisava de admiradores;
a própria admiração
já era mais que suficiente.
Sua beleza se assemelhava
às mais lindas rosas,
às mais verdes florestas.
Ela era sol —
mas dias bonitos, para ela,
eram dias nublados,
chuvosos e escuros.
A natureza era sua inspiração,
mas ela morava na cidade,
onde dificilmente era possível
avistar uma árvore.
Ela era como as estações:
alegre, iluminada,
fria, colorida, vasta...
Ela mudou.
Seus interesses ainda são os mesmos,
porém ela se perdeu —
e não é capaz de se encontrar mais.
Ela só quer paz.
Algumas Pessoas São Como Anjos
Acredito que, em vida, existem sentimentos fortes demais
para partirmos sem senti-los ao menos uma vez…
se formos merecedores da verdadeira felicidade,
nem que seja por um segundo.
Algumas pessoas são como anjos em nosso caminho.
E mais bonito do que amar alguém,
é se sentir verdadeiramente amado.
Nem sempre o amor nasce nas melhores circunstâncias,
nem sempre está claro por que o destino decreta
que somos merecedores de tanto.
Mas um dia… alguém me amou.
Um dia eu me senti amada.
Não me senti boba pelas palavras,
nem precisei temer ser quem eu sou.
Alguém amava tudo em mim:
as virtudes, os defeitos — e os via como defeitos,
mas me amava mesmo assim.
É incrível como alguém me amou antes mesmo de me tocar,
e foi paciente…
como só anjos sabem ser.
Um dia, alguém me amou.
E embora os sentimentos não tenham se alinhado,
eu fui feliz.
Porque algumas pessoas são anjos…
e na minha vida, ela foi um.
Ela não tinha coração, apenas um vácuo,
como um espectro inexorável.
Ígneamente abissal, ele surgiu lhe provando sua humanidade.
Com desvelo, a fez colocar a mão sobre o seu peito e sentir as batidas de seu coração,
aquele que habitava seu âmago de forma silente.
Com um vaticínio, a fez acreditar, e sentir,
que a cada batida soava um eflúvio poético, cheio de sentimentos;
junto ao coração dele, se fazia uma melodia de fogo, ardente, sedenta, fatal.
Era visceral a sintonia dos dois.
Era indelével aquele momento, jamais algo a faria o esquecer.
Jamais ela imaginaria que aquele sentimento sibilante evoluiria para um sibilo ensurdecedor.
Ele a hipnotizou, sem nem mesmo perceber, a fez acreditar na perenidade, no sentimento eterno, na química permanente, na felicidade.
Ao se encostarem, a luz que crescia, transcenderia qualquer sublime camada que o universo pudesse colocar.
Ela não podia procurá-lo, tocá-lo. Mesmo com o sentimento em crisálida, ela não sabia traduzi-lo em palavras.
Então ela o observava. Mesmo antes de qualquer despertar no seu interior, ela observava, ansiando sentir as energias que em sua volta permaneciam, já que não era capaz de desfrutar de um sentimento próprio.
Ela o enxergava, o via, muito além do que era capaz de se alcançar fisicamente. Ela enxergava sua alma, sentia que era capaz de ver sua luz e sua sombra, sua energia.
Bom, ela não esperava nada, só queria desfrutar da humanidade que ele despertou nela. Nenhuma utopia. Parecia maravilhas. Mas um tormento estava por vir.
A humanidade, sentir, não é só felicidade, paixão, amor — era tristeza, decepção, raiva, ódio também.
Seus sentimentos transbordaram à beira de seu abismo emocional. Sua impulsividade lhe privou de observá-lo. Apesar de seus erros, ele teve sua parcela de culpa.
Ela jamais imaginaria que a perenidade de sua paixão e felicidade, que ele a prometeu de forma tácita, seria perecível após um repentino exílio.
A epifania de que ele era muito mais do que ela imaginava. Ele era mais do que sua paixão lhe permitia enxergar.
Ardiloso, encheu seu coração de névoas. O mesmo coração que antes ele deu cor, ele o dilacerou.
E, como anátema, ele permeou.
A forma como a vida soprou e nos fez colidir, como o destino conspirou para que pudéssemos prevalecer. Como o nosso desequilíbrio perfeitamente equilibrado fez a gente se amar. E, apesar dos pesares, de tão pouco tempo aguardando pela eternidade, estaremos cada vez mais imersas em amor, nessa paixão sublime que, particularmente, está cada vez maior no âmago do meu coração.
Estar com você é um desvaneio. Você é o sonho que minha mente jamais teve a capacidade de sonhar. Já perdi as contas de quantas primeiras vezes você inaugurou em mim. É um sabor único experienciar os universos aos quais você me leva.
Eu te amo de um jeito que jamais amei e que jamais se calaria — porque é grande demais para caber em silêncio.
Eu amo seus olhos; gostaria de mergulhar nos segredos que eles escondem, desvendá-los, descobrir o que já viram e entender o porquê da sua forma de olhar.
Amo suas pintas — e ainda quero contá-las um dia.
Eu amo seu sorriso, principalmente quando ele vem de uma risada sincera.
Amo seus lábios, tão macios… eu permaneceria neles por horas.
Eu amo quando você dá pulinhos e gritinhos de pique de animação; acho que nunca apagarei essas fitas da minha cabeça.
Eu amo suas caretas, principalmente quando surgem do nada e alguém aleatório vê, virando motivo de risadas.
Eu amo quando você me abraça, porque eu amo sua pele, e amo quando ela envolve meu corpo; gostaria que não houvesse fronteiras entre nós.
Eu amo te tocar, porque amo te sentir — e sentir que você é real.
Eu amo absolutamente tudo que faz você ser você, porque eu te olho e permaneço te percebendo.
Me pergunto muito como tudo flui tão bem quando é você. Há algo em você que faz me sentir em um lar, meu corpo desarma, e cede, como se ele tivesse passado a vida inteira se resguardando para algo que finalmente faz sentido.
E você faz sentido, pois o impasse da minha vida entrou em ordem quando você veio se encaixando como a parte mais bonita da minha história.
Eu permaneço ao seu lado com a mesma ternura que recebi, para te agradecer por me fazer sentir um amor tão sincero.
O futuro é incerto, mas a tua marca em mim permanecerá indelével — e essa, entre todas as coisas, é a minha maior certeza.
Uma ação injusta conduz a uma reação de defesa, assim como uma pergunta cretina suscita uma resposta não menos cretina.
O receio é a coragem do sábio, mas a valentia é a fraqueza do tolo, assim como a violência é a ruína do homem insano.
A beleza física da mulher é como um delírio aos olhos do homem cansado, mas seu coração pode ser negro como um abismo, e tem o poder de matar até o varão mais astuto ou o guerreiro mais poderoso.
Toda arte tem um autor, e todo autor é um arteiro cheio de arte.
Não existe arte feia, assim como não existe ser humano feio.
Na verdade, o ser humano é a mais bela e perfeita de todas as artes.
Porém, se toda arte tem um autor, todos os autores de todas as artes são
artes do maior de todos os autores: Deus.
A arrogância é como um câncer que devora até te matar, mas o orgulho próprio te ergue da sarjeta e pode te salvar.
A verdade é afiada como uma espada de dois gumes.
Muitos são os que tremem só de ouvir falar seu nome.
A verdade liberta, ela é luz para os que vivem em escuridão;
Mas é treva para os que pensam viver em luz.
Muitos não a suportam, e muitos são os que tateiam a buscá-la.
Os sábios se curvam diante dela e a adoram,
Os tolos cospem nela e a desprezam.
Os sábios quando a ouvem, veem em sua correção um aprendizado,
Os estúpidos quando a ouvem ficam encolerizados.
Não são poucos os que preferiram os fronts a ter que encará-la;
Para eles, a morte era mais suportável que ouvir a verdade.
Ela surge no horizonte como uma tempestade destruidora,
Mas no final é apenas uma brisa de verão, fresca e agradável.
Assim como a infância é bela e inocente como um campo virgem, florido,
A verdade é como uma vasta pradaria verdejante onde cavalgam livres velozes cavalos selvagens.
Para os que a temem, ponham seu escudo.
Para os que a procuram, abram seu coração.
Há mais coragem em falar a verdade que em ouvi-la.
Falar a verdade aos que a odeiam é como adentrar uma arena cheia de leões famintos.
É preciso ser guerreiro para proclamar a verdade,
Porque seus inimigos são como a areia do mar,
E seus seguidores parecem vagar como ovelhas sem pastor.
Luz e escuridão andando lado a lado,
Assim são a verdade e a mentira.
Dois opostos tão próximos e tão distantes.
Tão opostos que nunca poderão se encontrar.
Por que os homens vão à guerra quais feras cedentas por dilacerar?
Porque lhes falta a verdade, vivem sob a tirania da mentira.
E por isto vão à guerra, em busca de libertação.
E a encontram.
Na morte.
Porém, felizes são todos aqueles que a encontram em vida.
E em vida são libertos de seus grilhões.
Porque nem mesmo a morte tem poder sobre a verdade.
Quande em face da morte, o justo sorri diante da escuridão que lhe sobrevém, e vai em paz.
Mas até neste momento, o injusto é atormentado pela culpa, e parte sem alento.
Coragem e covardia são como água e óleo, luz e escuridão, não se misturam, porque são essencialmente opostos.
Tem amigos que eu deixei escapar como água...
mas agora vejo que preciso deles assim como preciso de oxigênio.
Noturnas vidas vazias
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Noites monótonas que se vão
Vazias como minha vida vazia.
Vida vazia que noites devoram...
Noites que devoram minha vida vazia.
Vida vazia que nunca se completa...
Sombria vida vazia que sombrias noites devoram.
Madrugadas lerdas que vem e se vão
Ao som de galos que ao longe anunciam
Auroras furtivas e sem encantos.
Auroras que vem e se vão
Trazendo longos dias tediosos,
Dias que por fim crepusculam
Dando espaço a noites sem nenhum deslumbre.
Oh, vida vazia que me tortura
Dia após dia num incessante penar.
Existência sem graça e sem glamour...
O que me resta então, senão o odor?
Pois teu cheiro permanece em mim,
Lembrança perene que causa dor.
Memória serena que nutre
Tímida esperança de amor.
O autor não pode estar acima de sua obra, assim como o herói não pode ser superior à sua glória, pois ambos são mortais, mas suas contribuições são uma herança perpétua.
Aos olhos do imbecil, as palavras do homem sábio soam como tolice,
mas sua própria idiotice é a cegueira que o guia rumo ao abismo.
Ouvir a voz de um tolo é como escutar o insuportável zumbido de uma mosca. E o toque é tão repulsivo quanto.
