Nosso Amor como o Canto dos Passaros
É natural, pessoas extraordinárias acreditar em coisas extraordinárias, como é comum pessoas medíocres achar que tudo é medíocre igual a elas.
Sabe aquele dia em que você chega cansado, um dia em que as coisas não saíram como esperado, e de tão exausto você se deita e logo adormece, mas é despertado por alguma algazarra alguns minutos depois…? Pois bem, agora você sabe como eu me sinto quando falam sobre vida após a morte.
Religião é hipótese, quando os supermercados passarem a aceitar um 'Deus lhe pague' como forma de pagamento, então a gente discute a reunião de politica e religião, até lá, à César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
Petite...
É tão engraçado como eu me sentia grande quando ainda não tinha a dolorida obrigação de crescer!
Eu não sei como tudo aconteceu, tampouco quando começou a acontecer. Sei apenas que minha razão, em alguns segundos, sobrepôs-se ao meu coração, e, exatamente nesse pulsar do tempo, eu decidi aceitar o que gritava aos meus olhos. Então, despi-me de você. Não somente da roupa, mas do cheiro, do toque, da voz, da ausência, da presença, enfim, fiquei nua de você. E agora é assim que vou à rua. É assim que fico sozinha, quando estou sozinha. É assim que vou à vida. Vida que um dia eu sonhei contigo, mas por motivos irrelevantes (não para mim), quase me levaram à morte. Por isso decidi viver, ainda que para isso eu saiba que pedaços desse amor continuam jogados pelas mesmas Champs-Élysées e sarjetas que costumávamos passar. Porque era assim, não era? Com você, eu ia do luxo ao lixo, da alegria à tristeza, do prazer à dor, da dor à cura, da cura à loucura, da loucura à sensatez, do céu ao inferno, mas eu ia. Simplesmente ia. Ia a qualquer lugar do mundo porque você estaria lá. Agora não quero mais ir. Agora eu quero ficar. Ficar bem aqui, quietinha, enquanto lá se vão nossos planos, enquanto lá se vai a minha antiga pele, aquela que você tocou. Pouco a pouco também lá se vai a sua imagem se esvaindo da minha mente, juntando-se a esse amor espalhado por aí, quebrado, maltratado e perdido em vias que não se cruzam mais. Amor que eu não quero mais sentir, embora não tenha desistido de amar alguém que não me obrigue a atirar pela janela lembranças de amor na solitária tentativa de me fazer inteira mais uma vez.
É tão engraçado como, mais cedo ou mais tarde, a gente se sente pronta para quebrar a cara outra vez...
Querido Deus, como SOMENTE TU conheces o meu coração, bem que pelo menos de vez em quando poderias fazer uma interpretação extensiva dos meus pedidos...
