Noite
Esta noite não é para aplausos.
É para choro.
É para confissão.
É para decisão.
Quem não morre hoje,
não ressuscita amanhã.
Intensidade atraente que se veste de belas curvas, especialmente à noite — que é quando fica mais à vontade, provocante, com sua sensualidade muito peculiar por não usar a vulgaridade e ainda poder chamar atenção de uma maneira hipnotizante, causando desejo e uma sensação calorosa de muita vitalidade, emocionante como um sonho intenso dentro desta realidade
A sua provocação é feita a partir do silêncio de uma interação sincera de olhares, de batimentos acelerados que desaceleram o tempo e prolongam a temporalidade, então, um fogo de renascimento vai se espalhando, acordando instintos e sentimentos, que resultam em comportamentos atrevidos, acalorados; um momento profundamente aprazível, onde cada detalhe será memorável
Essa expressão intensa é bastante notável para ser ignorada, a sua presença mexe com os pensamentos, a grandeza de uma arte inspiradora, sedutora por sua sutileza, naturalidade, uma sedução que não se limita a sua beleza física, mas também desde a chama da sua essencialidade que é intensificada no ápice da noite, próximo da madrugada, uma das razões da sua personalidade ser tão apaixonante.
Companheira da Noite
Ao longo dos anos, a noite tornou-se minha companheira assídua. Em minha fortaleza — na escuridão silenciosa — pequenas luzes surgem, e eu penso: seriam minhas energias que ainda não conseguiram se dissipar?
Então, como em um passo de mágica, elas me envolvem e me acalentam, embalando-me suavemente até que o sono chegue.
O tempo é uma roda gigante com uma pausa entre o céu e a Terra e faça noite ou dia seguimos em círculos com nossa sina.
Enquanto a lua ilumina a noite, o sol tira um cochilo nas nuvens. Amanhã é a luz do sol que desperta nosso dia e assim segue a vida…
Lu Lena
Uma boa nova
Caminho pela noite fresca sob os reflexos de luz na calçada, nas paredes, nas árvores: figuras modeladas pela minha crença. O que serão essas ilusões? Que verdade guardam? Por que me projeto sobre a realidade e a modelo com as minhas mãos? Por que a necessidade de crer quando a liberdade está roçando as solas dos meus pés?
Os seres nulos
Caminho pela rua velha e escura, como de costume, mas, esta noite é diferente. Posso perceber a vida, os seres em toda a parte. Sob os meus pés, as lajes de pedra, acima de mim, os prédios se elevando no céu cinzento. As árvores se estendendo para me proteger, os postes, segurando a calçada, os homens a gritar no breu, sem nada, sem rumo. Quem me dera eu fosse antes alguém que pudesse ordenar a vida que se esvai, se eu vivesse a redimir o quanto se chorou por não haver consciência daqueles que ninguém nunca deu valor.
O Olhar e a Alma
O homem comum, em sua pressa vã,
Partilha uma noite, o leito e o agora;
E ao ver o brilho da primeira manhã,
Julga saber tudo o que a alma guarda fora.
Contudo, o poeta — senhor do sentir —
Não precisa do tempo, nem do toque profundo;
Basta-lhe o olhar, o silêncio a fluir,
Para ler nos teus olhos o segredo do mundo.
Enquanto um se perde na carne e no rito,
O outro te encontra em um breve clarão;
Pois quem é poeta vê o infinito
Escrito na palma da tua visão.
"O homem comum passa uma noite com uma mulher e acredita conhecê-la integralmente. Já o poeta, basta-lhe um breve olhar nos olhos para desvendar-lhe, enfim, a alma."
No silêncio da noite,
encontro a paz que preciso, para alimentar os meus sonhos e meus delírios. Viajei para minha infância, ela estava encantada em terras verdes matas vales e montanhas . A beirada de um grande rio, uma bela mulher, cabelos muito longo e pretos que reluzia com o brilho da lua. Ela penteava os cabelos me olhava e sorria. Me aproximei ela sumiu , me vi a beira de um penhasco imenso ja ia pular afinal eu tinha asas, eu so queria procurar onde ela estava , mais escutei sua voz que me disse ; não! Não venha, não e sua hora , siga enfrente, saiba que ainda zelo por você. As vezes tenha a impressão que eu pulei do penhasco. Boa noite.
A escrita me encontra na noite, instante em que a melancolia se aproxima e se torna minha mais fiel companhia.
Noite fria, chuva martelando o telhado, vento que uiva nas copas. As ruas estão vazias, a cidade ilumina apenas o que é frio, que não tem vida, não vejo ninguém, como se a cidade tivesse recuado para dentro de si. Caminhar nessa chuva é rasgar-se por dentro, poucos têm estômago para esse abandono.
Perdi a esperança, reencontrei na manhã, a primeira luz trouxe novo ponto de apoio, até a noite mais longa se dobra ao sol, a esperança volta com cada amanhecer.
Há um eco que rasga a montanha, é o som do amor em busca. Nenhuma noite é tão densa que impeça a voz de chegar. O pastor caminha, cansado, mas a fé o guia, mansa, até que o pranto se cala no peito que volta a pulsar.
