No Silencio da Noite Sinto sua falta

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MINTO
A noite chega trazendo os meus medos
Confusos, diluídos pela idade de profusos segredos,
um galopar voraz a consumir-me olhares,
paisagens tenho, olhares sutis e rápidos nas tardes mornas,
tenho mentiras cambiantes coordenando palavras,
dizem que sei sonhar em forma de sonetos,
sei que minto há muito morreu o deus do olimpo...
esse pégaso pisoteia as pétalas perfumadas
, o passado surge desfolhado e desflorido,
outono das paixões onde passeiam
visagens enrugadas, embrutecidas...
minto é o que me resta
é a minha meta
a vida é linda e infinda
minto porque sou poeta

Inserida por tadeumemoria

OLHOS DE VALLADOLID
Eram de uma noite tão negra
Como se o inverno chorasse
Todas as suas chuvas em suas madrugadas
E eram tão tristes
Como se abrigassem todos os mendigos
E eram melancólicos
Como se chorassem todas as saudades
E eram pobres como as árvores do outono,
Solitários como sua esperança,
Assustados como uma gazela
E eram de uma solidão divina
Não somente de ser só,
Mas de não ser compreendidos

Inserida por tadeumemoria

Acho que a noite é infinita
como o meu amor
e quando penso
que a noite é tão bonita
o dia já chegou
eu acho que te amo
eu acho que te amo,
não sei por quanto tempo
mas já faz tanto tempo
que eu acho
acho, faz mais de trinta anos...

Inserida por tadeumemoria

Mais que ser só e ser sozinho
Ser solitário e ter a solidão
Somente a solidão
E a noite longa
A alongar tudo que é não ter nada
Mais do que isso
É não ter nem um motivo
Pra ter motivo
Pra mudar tal situação
Ah eu nem tenho um olhar
Que olhasse,
Um olhar que falasse
Que ruidasse um ruído
Que ruísse a parede
E descortinasse um horizonte
Por mais horizontal que fosse a solidão...
Se eu tivesse a solidão
Se ao menos eu tivesse a solidão
A solidão é que me tem...

Inserida por tadeumemoria

PANORAMA
A minha janela acolhe os espectros da noite
E eles cantam suas angustias
E eles dançam seus tédios
E eles se perdem em seus passos trôpegos,
Valsam suas ilusões perdidas,
Choram suas saudades
E afogam-se em arrependimentos;
Mendigam êxtases e se esvaem
Na fumaça que embaçam
A razão e a clarevidência;
Recusam-se a morrer,
Recusam-se a viver
E se entulham na madrugada
Como uma peça dantesca.
A minha janela mostra essa hemorragia
Por onde a vida se esvai,
Um panorama mórbido
Onde os loucos mergulham
E trancam suas vidas
Para todas as passagens e vias de luz...

Inserida por tadeumemoria

REVELAÇÃO
Não demora ...
A noite chora uma neblina,
A brisa fria espalha uma melancolia,
Ecoa a ladainha ...
Os sinos já dobraram uma chamada;
A igreja relampeja a fé,
O amor abraça e beija,
E a esperança pra essa dor é a esperança...
Não demora,
Gótica, a catedral ordena...
Badalam os sinos,
Os meninos abalam,
Nossos destinos baladam,
A gente dança e a dança demora,
Não demora o tempo urge,
Acorda a urbe,
O tempo voa,
A solidão povoa
Demônios, fantasmas e monstros,
A certeza dessa incerteza apocalíptica não demora...

Inserida por tadeumemoria

AO ALÉM

Meia noite e meia, de repente um arrepio

Não é febre, não é frio

Sei perfeitamente o que conduz a lua cheia

Essa abstração aos meus medos, alheia

É a intimidade entre mim e o além

Quem sabe os meus segredos

Sabe que um dia eu já morri também

Ah, eu amo vocês!

Vocês que já foram, mas vigiam os meus passos

E os passos que ouço, a cortina que balança...

Os sussurros no ouvido...

São todos os que me amam e se importam comigo

Inserida por tadeumemoria

Depois da meia noite eu não sei quem

Inserida por tadeumemoria

INSÔNIA
Deixe amor que a noite passe silenciosa

E apenas a noite, do que contém a noite,

Do que sustém a noite,

Do que mantém a noite, do que convém a noite

E se esse silencio for bastante pra nós

For constante pra nós, importante pra nós

O silencio da noite nos dará um sinal

Assim se a noite silenciosa se perder

Silenciosamente nos subterfúgios

Das sombras das noites que fomos,

Deixe amor que a noite passe silenciosa

E se perca silenciosa na noite levando consigo

A ansiedade do que não consigo

Além de sussurros e suspiros

Sob a luz dos astros e o enigmático silencio da noite

Que a noite passe silenciosa

Diante da noite que a noite nos propõe...

Inserida por tadeumemoria

A noite é a face obscura da ansiedade

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CORPOS SANTOS
Acho que ainda não é meia noite,
Quem dividiu a noite eu não sei,
Mas está tudo bem silencioso,
Está meio medroso, o carro preto veio...
Todavia eu procuro umas palavras,
Eu procuro umas palavras,
Umas palavras eu procuro.
Além do muro onde me escondo
Um mocho grasna seu agouro fúnebre,
Esse silêncio tenso tem o timbre do mais triste escuro

O carro preto... o carro preto às vezes é prata,
Às vezes é vermelho, as vezes é branco
Para cobrar vem como um raio
Vem como um relâmpago

Acho que ainda não é meia noite e o pipocar da vida
Abrindo feridas em tantos corpos santos;
Jazem no asfalto anjos sem mantos sob a luz da lua
Seus corpos tatuam pra afastar o medo
Eu procuro palavras... eu procuro palavras
Pra descrever a morte

Acho que ainda não é meia noite...
Quem dividiu a noite pra mim ainda é segredo
Nesse contexto. me parece, morrer é muita sorte
E viver não passa que morrer de medo

Inserida por tadeumemoria

A NOITE
Fica de sobreaviso: a lua é uma referência, mas toda a nostalgia, as desilusões, todas as agruras, todas as tristezas então se acentuam; mas especificamente pode não ser essa coisa física, essa metáfora vai muito além de um céu estrelado, penumbra e todas as características que envolvem a noite.
Genilse carrega um saco nas costas; garrafas pet e latinhas, atravessa; a praça e diante da torre do relógio, para e constata meia noite; diante da igreja se benze como se ainda atendesse aqueles temores cristãos que um dia lhe foram ensinados; naquela selva, "amai-vos uns aos outros" parecia algo impossível de se praticar. Ali entre os galhos do velho oitizeiro guardava um colchonete e uns molambos com os quais se cobria; "morava" sob uma marquise onde durante o dia funciona um restaurante, onde sempre lhe sobrava um resto de comida que lhe era entregue por um velho cozinheiro; ali, de uma forma ou de outra ela funcionava como uma espécie de vigia, num momento em que o ser humano perde suas referencias de ser humano e o único laço que os uni é o medo. passará pela cabeça de alguns, ou de muitos, naquele momento crucial do último suspiro em que pensarão; "até que enfim, o
fim dessa eternidade, enfim a morte". temor, pânico e ansiedade é o preço para esse alívio, essa é a noite subjetiva de cada um; a droga é o elo, por paradoxal que possa parecer, a tornar naquele espaço, harmoniosa e suportável psicologicamente essa pressão.
Uma criança correndo em suas lembranças, muitos abraços, beijos, muitos momentos de paz; uma referencia que se perde quase imperceptivelmente e assim se vão o zelo, o cuidado, o carinho, a palavra doce; tudo isso é parte do lado iluminado da vida, o que não é iluminado é penumbra; e quem saberá lidar com suas armadilhas. Genilse tinha uma luz no fim do túnel, naquele momento raríssimo de privacidade, quando estendia seu colchonete, depois de uma breve oração, tirava de uma velha carteira, uma foto três por quatro de uma criança com a pureza dos seus primeiros anos; seu sorriso era um farol iluminando toda aquela noite densa que era sua vida. Era fato corriqueiro e naquela noite era o corpo de Genilse morto; ao seu lado, uma marmita com restos de comida, migalhas pelo chão e uma foto três por quatro de tudo o que era referência de luz. muitos olhavam enquanto o IML fazia o seu trabalho... Genilse vivia imaginando aquela cena de tanto vê-la acontecendo com os outros; imaginara aquela cena, aquilo jamais acontecera, não consigo. Vira muitos morrendo por uma marmita, um pedaço de pão, por qualquer discussão fútil e banal. Naquela noite discutira com outra garota por espaço, pela marmita, acabara dividindo-a mas então decidiu: pegaria o corujão que lhe levaria de volta à Vila Norma; e assim o fez. Três anos depois voltara à praça, agora a passeio com Maria Eugênia, a filha, criada pela avó, agora com sete anos; acenou para alguns entrou na Igreja, rezou e pediu forças aquele ser superior que certamente lhe salvou de muitas mazelas; foi até o restaurante comeu um sanduíche com a filha, agradeceu ao velho cozinheiro e saiu, olhou o velho oitizeiro que ainda guardava alguns colchonetes; anoitecia, mas não havia mais aquela sensação de medo; depois de todas as noites agora tinha uma única certeza; pra quem tem um sinal de luz e acena pra esse sinal, haverá sempre manhãs ensolaradas.

Inserida por tadeumemoria

ADEUSES
Ainda não falei sobre os adeuses...
as vezes era noite, as vezes era dia, as vezes eu perdia a noção do tempo,
ou eu ainda não tinha noção de nada...
hoje diria que perdi muitos outonos, que despetalaram as primaveras, ou talvez atordoado... tantos "jabs" me deixassem grogue, e eu olhasse cuidadosamente as dependências farejando qualquer resquício de uma presença, de uma ausência num utensílio numa peça de roupa esquecida. A solidão sempre faz surgir fantasmas pelos corredores, barulhos de passos, sussurros, um grilo impertinente, até que o espelho da penteadeira reflete as lágrimas tardias que não caíram no momento da despedida. Xícaras copos, pratos, colheres e migalhas silenciam o colóquio dos últimos momentos de despedida; fica então, tudo tão quieto, e uma brisa vinda não se sabe de onde sopra fria...

Inserida por tadeumemoria

⁠A CURA
Estive sempre à margem da loucura,
uma depressão tão pura;
a noite que se procura, a cura que se promete, a ternura;
por que não nos olhamos,
por que não nos abraçamos,
por que não dançamos como se estivéssemos sozinhos
eu sei que essa multidão que nos habita é solitária,
com seus olhares perdidos,
com palavras inseguras e desejos indefinidos...
e o que desejamos então? o que desejamos...
exatamente isso, essa coisa inexata
que nos abraça como uma névoa
e nos conduz à gravidade grave
de se permitir acreditar que cair
é o pilar que nos sustenta ou não;
mas o que seríamos sem essa margem de loucura
ou a profundidade dessa depressão;
somos frágeis, mas essa fragilidade é que sustenta e harmoniza
esse universo: aonde mais encontraríamos: amor, paixão e poesia?

Inserida por tadeumemoria

⁠REFÉNS
Até que eu entenda a noite
os morcegos ainda se debatem nos últimos raios da tarde
os tons de um cinza moribundo embaçam silhuetas
e nos velórios ainda se constatam
que os olhos dos mortos estão abertos...
os sonetos procuram suas rimas,
sonolento se declinam os poetas
sobre o silencio obsoletos das palavras;
lacônica a eternidade sintetiza um sorriso, um olhar, um aceno;
obscenos desejos que se enlaçam
até que eu entenda a noite
o vampiro crava as presas na jugular da donzela;
os sinos da catedral anunciam um apocalipse,
o inverno se derrama catastrófico sobre a periferia;
até que se entenda a noite
sob a imensa ilusão do que é imensamente ínfimo
no íntimo qualquer paixão derrama estrelas num olhar
até que se entenda a noite
como um véu que nos conduz ao abismo
e seus mistérios que nos mantém reféns da dor e do prazer

Inserida por tadeumemoria

⁠Salvo: Ter, 08/06/2021 12:38
Aproveite a noite se não for amor, se for amor, aproveite a noite, durma bem e sonhe com os anjos, certamente ela me diria isso; essa pessoa existe e certamente anda por aí pelas praças; contemplando os jardins e fontes e observando os bustos e catedrais. Essa pessoa existe; é romântica e sonhadora, gosta de poesia, deve ter lido muito fotonovela, livrinhos de faroeste e contraespionagem ou talvez não tenha tido essa sorte de alcançar este tempo, mas assistiu muito novelas e deve ter chorado com a dor de seus personagens preferidos e com a saudade deles quando essas novelas se acabavam. A poesia está no seu olhar, nas suas palavras, ela respira poesia e provavelmente chora com certas cenas de filmes, trechos de livros e da vida real e certamente se deprima com a destruição da fauna e da flora. Essa pessoa caminha pelos bosques e se encanta com o canto das aves e sofre com o extermínio dos índios; tem um nome exótico, que nos remeta às lembranças de nascente e poentes, às vertiginosas altitudes que formam vales românticos que sopram brisas suaves nas tardes mornas, silenciosas e aconchegantes, por onde certamente corram boatos de extraterrestres e seus discos voadores reluzentes. Essa pessoa cantarola no banheiro músicas românticas como se fossem trilhas sonoras de momentos inesquecíveis de sua vida ou de momentos que ela imagina no futuro, sonha e sente saudade de pessoas, da ingenuidade do passado, pipas, bolas de gude, petecas, bolas de meia; entes queridos que partiram, dos que foram embora, dos que disseram adeus, dos que sumiram e se perderam na sua indiferença. Você que espera alguém, saiba que essa pessoa existe; você que só aproveita a noite porque ainda não se encontrou nos seus abraços, você que nem sabe que espera porque se acomodou com as garrafinhas de cerveja e administra atitudes agressivas de palavras ríspidas, essa pessoa existe e é alguém que você pode falar dos seus sonhos, dos seus erros dos seus tropeços; alguém que você vai poder olhar nos olhos, e apesar de todo tempo perdido ainda vai te restar uma eternidade para ser vivida, mesmo que só te reste um dia para viver.

Inserida por tadeumemoria

⁠No meio da noite em total solidão, alguém olha as estrelas; esta é a referência de referência nenhuma, quem um dia não ficou no meio da noite olhando estrelas, tentando entender o que se fez ou o que se deixou de fazer. Existe muito mais gente do que se possa imaginar olhando estrelas; metaforicamente, todas as noites alguém olha o seu copo de cerveja, olha o seu uisque, olha o seu vinho, olha o lago, tentando entender as constelações. As noites são tão longas e os mundos tão distantes, por mais que se veleje nas fantasias há um desencontro e os pontos luminosos que vemos foi só um adorno divino num momento de total solidão. As vezes fico assim olhando estrelas, buscando a minha intuição, quem criou tantas luzes quem criou tantos mundos deve viver em total solidão; se vivo solitário nas minhas indagações, se com um simples poema não sou compreendido quem compreenderá tanta imensidão...

Inserida por tadeumemoria

⁠Depois da meia noite
fascinado e encantado
diante do espelho me surpreendo:
"é, eu existo mesmo; mas já se passaram cinco séculos...
cinco séculos!
"Será que eu sou esse Deus de quem tanto falam..."

Inserida por tadeumemoria

⁠As aflições que conduzem a noite trazem a serenidade que nos ensina a esperar...

Inserida por tadeumemoria

⁠não posso mais te olhar como o céu, a noite e as estrelas, agora outra imensidão me preenche e os raios da manhã dourando a tua silhueta na calçada me faz imaginar que o infinito é o espaço ínfimo entre teus olhos, teu sorriso e tua boca... sei que essa viagem é longa e a eternidade é feita de segundos, mas onde estarei na ausência do teu abraço, a eternidade é tão lacônica e a brevidade das ilusões sussurra nas brisas matinais... não posso mais te olhar como um luar que morre nos primeiros raios da manha; este sentir me ensinou pra sempre que pra sempre é sentir assim... as aflições que conduzem a noite trazem a serenidade que nos ensina a esperar, é isso que chamam de esperança. ah, este sentimento esquisito de sentir as estações como se pudéssemos manusear o tempo... o tempo bate portas, colore as florestas, descolore as nossas cãs em busca de horizontes, mas essa ilusão que acolhe nossos olhares é só um tema poético batido, surrado e de validade prestes a vencer. quero caminhar por uma trilha que me conduza sempre a tua presença

Inserida por tadeumemoria