Ninguem se Encontra por Acaso
Meus dois pais me tratam muito bem
(O que é que você tem que não fala com ninguém?)
Meus dois pais me dão muito carinho
(Então porque você se sente sempre tão sozinho?)
Meus dois pais me compreendem totalmente
(Como é que cê se sente, desabafa aqui com a gente!)
Meus dois pais me dão apoio moral
(Não dá pra ser legal, só pode ficar mal!)
Somos a versão que quase ninguém vê.
Somos o que dizemos sobre os outros quando eles não estão por perto para ouvir. Somos o resultado das batalhas que travamos em silêncio, dentro de nós mesmos.
Somos, muitas vezes, aquilo que criticamos nos outros, mas praticamos às escondidas. Somos um pouco do que as pessoas enxergam em nós, mas também muito do que escondemos do mundo.
Somos os desejos que guardamos por medo de sermos julgados, os sonhos que não confessamos, os gostos que preferimos manter em segredo.
Somos a forma como enfrentamos os nossos próprios conflitos e, ao mesmo tempo, a maneira como julgamos os conflitos alheios.
No fim, somos um conjunto de luzes e sombras, de verdades e contradições. Conhecer quem realmente somos exige coragem, porque a nossa essência nem sempre está naquilo que mostramos, mas principalmente naquilo que fazemos quando ninguém está olhando.
“Ninguém poderá te defender de você mesmo, porque os maiores tribunais da vida funcionam dentro da própria consciência. E é diante dela que todos nós, cedo ou tarde, precisamos prestar contas.”
“Cada livro que escrevi “destrói” uma versão do leitor, até que não reste ninguém para ler — apenas a Verdade para ser vivida.”
A era da liquidez transformou relações em rascunhos: ninguém quer construir uma história, todos querem apenas editar capítulos que não deram certo. A humanidade ficou tão preocupada em não sofrer que aprendeu a não sentir; tão ocupada em preservar a liberdade que perdeu a capacidade de criar raízes. A liquidez das relações humanas está liquidando a própria humanidade do humano.
Nunca houve tanta facilidade para encontrar pessoas e tanta dificuldade para encontrar presença. A tecnologia aproximou corpos, mas a superficialidade afastou almas. A liquidez das relações humanas criou uma geração que coleciona contatos, mas abandona conexões; que busca intensidade sem profundidade, prazer sem compromisso e amor sem responsabilidade.
Vamos repensar?
Heráclito — “Ninguém entra no mesmo rio duas vezes.”
“Não entramos no mesmo rio duas vezes porque nem o rio nem nós permanecemos iguais. Porém, muitos passam pela vida mudando externamente enquanto permanecem presos internamente às mesmas águas.”
Carlos Eduardo Balcarse
“A sociedade deixou de formar caráter para fabricar personagens. Depois estranha quando ninguém mais sabe quem é.”
Osho dizia que o único sentimento puro, cristalino e intocado em nós é o ódio. Porque ninguém nos ensina o que ele é, nem como lidar com ele. Não existem formas de ódio. Não existem classificações para ele. Ódio maternal, fraternal, ou por amigos. Existe apenas o ódio. E Osho exemplifica isso muito bem quando conclui que, se alguém diz que nos ama, precisa provar. Já se diz que odeia, não é necessário. Somos preparados e ensinados a aceitar o ódio, não o amor.
