Ninguem Perde Ninguem
"Para não ficar preso no trânsito, escolha a pista onde não há ninguém que prefere andar na contra mão.”
Nunca vi ninguém voando, nunca vi ninguém sonhando, só vejo pessoas falando e fazendo às mesmas coisas todos os dias.
“Nunca recebi um castigo, porque não faço o mal pra ninguém, mas, também nunca recebi uma bênção, porque nunca fiz o bem para alguém.”
Faço eco das vozes
da irmã, do irmão,
e dos irmãos,
e ouso sem autorização
e sem ser ninguém
para perguntar:
- O General
está bem?
Versejo nas sombras
da limitação real
para perguntar:
- Onde o General está?
Ninguém sabe onde
foi parar o General,
Ouviu ou viu,
Mas insisto
em perguntar:
- O General está vivo?
Não desisto de saber
no deserto de afetos,
tristezas aquarteladas
e absurdo dos séculos.
Para muitos
faltam remédios,
eletricidade
e comida,
Ninguém acredita,
racionaram
a gasolina;
Um salão
em Táchira
aberto
para lembrar
dos inimigos
e traidores
da Pátria,
E a América Latina
em alta rotação.
Da vida dura
nem Honduras
escapa,
A violência
pelos ares contra
os manifestantes
na praça,
É hora de deixar
para trás
essa cultura
de violência.
Não se provoca
para depois
alguém falar
que você
terá de engolir
com Coca-Cola,
Três Oficiais
Generais
da Aviação
optaram sair
pela via
da insubordinação.
Do General dos
meus poemas,
Preso inocente,
Nunca mais
vi uma imagem,
li uma notícia
e não soube mais nada.
Há mais
de um mês
notícias
ninguém tem
do General,
E sequer
se tem noção
do paradeiro;
Se vivo está
ou se está
bem e inteiro.
Ciente disso
não vou parar
de perguntar.
Equilibrar
o espírito,
Respirar fundo,
Adoçar o verbo
e entender
o interior
confuso,
e que nada
é absoluto;
Diante deste
absurdo
o dever
de todos
é buscar
se acalmar.
Ciente disso
não parar
de pedir
para libertar.
Confundem
reivindicar
direitos
com insultar,
Não suporto
tumulto;
Quando
vejo algo
de errado
não paro
nenhum
pouco de falar.
Não escrevo
para agradar
a ninguém,
Para o poeta
escrever já é
a tão almejada
vantagem,
Escrevo para
contar sobre
fatos sem
conexão com
o General,
Mas que fazem
parte do que
vem ocorrendo
na Nação dele;
Porque para ele
só peço mesmo
é a libertação.
Se o quê levou
o General
a prisão foi
uma única
mensagem
em questão,
Já deveriam
ter pedido
ajuda ao relator
da liberdade
de expressão;
A vida pede
de todos nós
desembaraço
e compaixão.
Faço-me eco
da voz da irmã
que nada sabe
do General
há um mês,
Só se sabe que
ele se encontra
incomunicado;
Por favor, mesmo
que as minhas
palavras para ti
nada representem,
Peço que me
ouça gentilmente
e colabore,
Não nos deixe
em dúvida se
ele se encontra
até mesmo
não mais vivo,
Porque mesmo
distante aqui
há um coração
que por ti sente.
Versejar feito
de lama,
água, fogo
e luto,
tentando
entender
porque
nessa vida
ninguém
se previne.
Centenas
de almas
sacrificadas,
para lágrimas
ainda não
inventaram
barragens
de contenção.
Só sei que
dez estrelas
escapuliram
de várias
mãos;
dobraram
os sinos,
caiu a noite
e já não sei
mais o quê
escrever,
só sei que
o meu peito
não para de doer.
Não
convivo
bem com
propaganda
do medo,
Não
entendo
como
ninguém
viu isso
antes,
A vida
está
difícil e das
armas eles
são amantes.
Não
convivo
com
falta de
esclarecimento,
Por parte
de quem
quer que
seja não
aturo algo
semelhante,
Me prendo
ao que
me solta,
sou aquilo
que penso
e a livre
convicção é
o meu cimento.
Não
convivo
com aquilo
que duvido,
Ou é ou
não é,
e que
preste
explicações
ao fisco;
Sendo
assim
quando
não dá
para mudar
os fatos,
Apenas
finjo
que não
existo,
para
não me
perder,
afetar
ou falar
demais,
esperando
sem me
curvar a
tempestade
passar.
Mesmo a pessoa venha se frustrar lá
na frente, ninguém pode ser desestimulado de tentar em nome
da resolução de um sentimento.
A rejeição dói, mas ser mal resolvido no amor dói eternamente.
Indaial
Na confluência do Rio Benedito,
só que ninguém havia te visto,
minha terra de palmeiras indaiá.
No Carijós de hoje já havia
um povoado acolhedor
que receberam o canoeiro e o doutor que foi um confortável apoio
para o grande sonho desbravador.
Na margem esquerda do Rio Itajaí-Açú tu já estava ali sorrindo,
Indaial querida que segue luzindo.
Com a força da imigração alemã, italiana, polonesa e dos caboclos
tu te fizeste distrito e cidade
para um povo gentil e amoroso
em terra catarinense, honra e virtude.
Com força das lavouras da tua gente
e as primeiras culturas de arroz
por mãos italianas nascia
com o seu sonho de liberdade.
Tu és minha Indaial querida,
minha cidade favorita
com essência na independência,
que eu a amo infinita
e que só conhece na sua própria
força o progresso de verdade.
