Nem sei quem sou
RAÍZES
Sei de mandioca,
Batata-doce e beterraba
Sei de raízes...
Até que o sol se encolha
Atrás da serra
Até que a boiada atravesse o riacho
Até que a tarde fique morna
E a passarada se aquiete,
Sei que o espantalho vigia o milharal
E que Guilhermina,
Moça velha encalhada,
Sonha com um marido,
Sei que é um perigo
Atravessar o rio na parte mais funda
Pro mode piranhas,
Sei que no canavial
Tem espírito de porco...
Ali morreu meu cunhado
Picado por uma serpente...
Ali conheci beatriz,
Com quem aprendi a gostar de raiz...
Aprendi a colher beterraba,
Batata-doce e mandioca...
Aprendi a contemplar o céu estrelado,
A me proteger de lobisomem e Ets,
A enganar saci pererê
Aprendi que a enxadada
faz a terra girar
Proporcionando madrugadas e auroras
E faz a gente envelhecer...
Mas beatriz também se foi
E hoje olho o gado, o riacho, a serra,
Castigo a terra com a enxada
E a terra gira, gira, gira...
E floresce a vida...
RELEVE
Sei no que pensa
Quando a noite tensa te envolve,
Quando os versículos te comovem,
Quando a vesícula explode,
.Quando a epiglote se recolhe,
E você se engasga com a saliva,
Sei no que você pensa quando é manhã,
.E os vestígios da noite passada,
Na cama desarrumada,
Manchas na coberta, marcas na pele.
Releve: Pelé disse: Love, Love, Love...
Para os ianques num estádio lotado na despedida,
Isso me comove, não somente pela cor da pele...
Mas por ser ele quem é
Mas o que diria pra sua filha
Que só queria ser reconhecida...
Minha nossa senhora aparecida!
Cida abrace Sandra agora, adote
Essa alma e perdoe nossos deuses...
Tão orfãos de consciência...
Tenha paciência,
Pelé disse: Love, Love,Love...
INCERTEZA
Não sei se durma ou sonhe...
Não sei se cante ou coma...
Não sei se olhe ou viva...
Não sei se é tarde pra viver,
Ou viva este entardecer...
Devo querer o amor,
Ou amar este querer...?
Não quero entender a vida
nem sei se posso entendê-la
permeio caminhos tortos
chorando por seus abortos
me inspirando com a lua
me encantando com as estrelas
não quero entender o amor
nem sei se seria capaz...
o amor está bem além
do que me traz satisfação e paz...
RELEVE
Sei no que pensa
Quando a noite tensa te envolve,
Quando os versículos te comovem,
Quando a vesícula explode,
.Quando a epiglote se recolhe,
E você se engasga com a saliva,
Sei no que você pensa quando é manhã,
.E os vestígios da noite passada,
Na cama desarrumada,
Manchas na coberta, marcas na pele.
Releve: Pelé disse: Love, Love, Love...
Para os ianques num estádio lotado na despedida,
Isso me comove, não somente pela cor da pele...
Mas por ser ele quem é
Mas o que diria pra sua filha
Que só queria ser reconhecida...
Minha nossa senhora aparecida!
Cida abrace Sandra agora, adote
Essa alma e perdoe nossos deuses...
Tão órfãos de consciência...
Tenha paciência,
Pelé disse: Love, Love,Love...
Nem é tão tarde assim,
Preguiçosa, a lua, entre nuvens se esconde,
não sei de onde me vem a nostalgia,
não sei de onde me vem o desencanto,
eu canto assim tanta melancolia...
a noite é madrasta dos solitários
não tenho meta, não tenho itinerário
não é tão tarde assim...e a esperança definha
e o vazio de sala quarto e cozinha
silencia risos e promessas
nem é tão tarde assim... e já é tarde...
Não faz assim, vai devagar
tem pena de mim
só sei fazer poema
e tenho ponte de safena
o coração pode nem suportar...
Ela o-olhou pasma, não sei se pelo tamanho; pedi que o beijasse para fomentar intimidade entre sua boca e ele; relutou, havia um certo receio, mas era inegável que havia um magnetismo entre ambos...
Não quero entender a vida
nem sei se posso entendê-la
permeio caminhos tortos
chorando por seus abortos
me encantando com a lua
fascinado pelas estrelas...
O MONSTRO
Sei do que se passa,
Não sei como mas sei...
E morro de saudade
Nem sei de que
E é por isso que às vezes escrevo
E nem descrevo
Porque nem sei o que é isso
Ás vezes um monstro emerge do lago
E eu tenho medo
Mas me fascina e eu escrevo...
Eu sei que o sofrimento molda a alma
A mágoa deságua o sentimento
E as lágrimas aliviam a dor
O amor suporta todo sofrimento
Perdoa sem guardar ressentimentos
Ressente sem guardar rancor...
deixa eu te olhar só mais um pouco,
ainda sei sonhar e amanhã é sexta-feira
e a minha semana não tem sábado nem domingo
a vida não pode diluir-se assim
como se fossemos abstratos,
e essa paz, essa paz que abriga agora a tua alma,
essa paz tem que ser dividida
deixa eu te olhar e assimilar esse vermelho
porque a minha paz tinha a palidez dos dias invernosos
e a frieza glacial dos polos
deixa eu te olhar, e essa manhã nos teus olhos
clarear os meus caminhos
AO ALÉM
Meia noite e meia, de repente um arrepio
Não é febre, não é frio
Sei perfeitamente o que conduz a lua cheia
Essa abstração aos meus medos, alheia
É a intimidade entre mim e o além
Quem sabe os meus segredos
Sabe que um dia eu já morri também
Ah, eu amo vocês!
Vocês que já foram, mas vigiam os meus passos
E os passos que ouço, a cortina que balança...
Os sussurros no ouvido...
São todos os que me amam e se importam comigo
De alguma coisa eu sei...
num quarto escuro
sem portas e sem janelas eu posso ver estrelas,
mas o que caminha assim, por caminhar somente...
se este mundo é tão grande e este monstro é demente
mas afaga o meu olhar nesta escuridão;
sei que poderemos um dia...
se a luz desse universo encaminhar teus passos
e essa sobrevida se sobrepor a este afago...
o que eu não sei... se algum dia eu souber de algo
quero saber da dor de não saber da dor, da dor de não saber...
se eu sei que num quarto escuro
sem portas e sem janelas eu posso ver estrelas...
num horizonte aberto o que saberei se não puder vê-la?
O que é solidão?
Eu não sei... está tudo tão escuro, tão silencioso.
Saudades?
eu tenho da saudade que eu tinha...
e agora eu não tenho mais.
o que eu sinto agora não tem nome,
não tem referência... é longe do longe,
vazio no vazio, frio no frio e indiferente
Sua referência é referência nenhuma;
solidão? eu não sei...
está tudo tão escuro, tão silencioso
pelo menos até que júpiter cante anunciando a matina...
Eu sei que a noite é só a noite,
é só a noite, é a noite só,
mas a noite é uma eternidade,
uma eternidade, bem maior
que as coisas longas que se alongam
por estradas empoeiradas...
sabe, essas coisas incertas
que só as paixões suportam,
porque mais distantes que as paixões
só as paixões distantes,
só as estradas empoeiradas,
só a noite, só a noite, só a noite só...
Sei o que podemos e o que deve ser feito, mas antes, bem antes... pense, somente pense; nada é mais certo que o amanhã, mas então quando ele chega já não existe mais; é uma ilusão, existe o agora, mas agora... essa ansiedade turva seus horizontes, beleza vai muito além que o superficial, o que vem depois do depois depõe sobre o sorriso ou a lágrima e nada do que se diga se sobrepõe ao que fica calado...
SOBRE AS ESTRELAS CADENTES
E A CADÊNCIA DAS ESTRELAS NO TEU OLHAR
Eu sei que não existe nada
além do que eu sei que não existe.
Passei boa parte da minha
adolescência chorando,
e não sei o porquê.
Eu queria ter aproveitado mais.
Queria que as coisas não tivessem
sido daquele jeito,
e isso parece refletir no presente.
Talvez eu ainda esteja chorando
embaixo do lençol.
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