Não Tenha Medo de Mim

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Que seja pelo propósito.


Se for para suportar a dor, que ela tenha um propósito.
Se for para renunciar, que seja por um propósito.
Se for para lutar, que seja pela vontade de Deus.
Porque viver sem propósito é apenas existir.
Mas viver para cumprir o propósito do Senhor transforma cada batalha em um passo na direção do destino que Ele preparou.

Se você não vier alegrar a minha sexta-feira,
tenha certeza...
eu serei a alegria
no sábado de alguém.
Não é ameaça,
é amor-próprio.
Quem não valoriza a minha presença,
vai ter que lidar com a minha ausência.

*- Saul Belezza*

Talvez você nunca tenha vivido exatamente aquilo que aconteceu

Existe o que aconteceu.

E existe aquilo que aconteceu dentro de nós depois do que aconteceu.

Embora pareçam a mesma coisa, não são.

Um acontecimento possui fatos. Mas, quando atravessa a consciência humana, recebe interpretação, emoção, memória, significado e narrativa.

Talvez por isso duas pessoas possam atravessar circunstâncias semelhantes e carregar histórias completamente diferentes.

Não vivemos apenas acontecimentos. Vivemos significados atribuídos aos acontecimentos.

E talvez exista aí uma das fronteiras menos percebidas da liberdade humana.

Não conseguimos escolher tudo aquilo que acontece conosco, mas aquilo que aconteceu também não chega ao futuro intacto.

Nós o interpretamos.

E toda interpretação acrescenta alguma coisa ao fato.

Às vezes acrescentamos medo.

Às vezes culpa.

Às vezes esperança.

Às vezes uma sentença.

O acontecimento termina, mas o significado que construímos para ele pode continuar acontecendo durante décadas.

Há fatos que duram minutos e interpretações que duram uma vida.

Talvez algumas pessoas não estejam mais vivendo aquilo que aconteceu.

Estão vivendo aquilo que concluíram sobre si mesmas depois que aconteceu.

Uma rejeição pode terminar.

Mas alguém pode concluir: “não sou suficiente”.

Uma perda pode acontecer.

Mas alguém pode concluir: “não posso mais me permitir amar”.

Um fracasso pode passar.

Mas alguém pode concluir: “não sou capaz”.

Nesse momento, o acontecimento deixa de ser apenas memória.

Transforma-se em identidade.

O passado se torna perigoso quando deixa de ser lembrança e passa a ser argumento contra o futuro.

Talvez seja por isso que compreender a própria história seja diferente de simplesmente recordá-la.

Recordar recupera acontecimentos.

Compreender revisa significados.

E existem significados que precisam ser revisitados porque foram construídos por uma consciência que já não é a mesma que possuímos hoje.

Uma criança interpreta como criança.

Um adolescente interpreta como adolescente.

Uma pessoa ferida interpreta a partir da ferida.

Uma pessoa assustada interpreta a partir do medo.

Mas, anos depois, continuamos algumas vezes obedecendo às conclusões produzidas por versões de nós que já não existem da mesma maneira.

Talvez algumas das verdades que governam nossa vida tenham sido escritas por uma consciência que ainda não possuía condições de compreender aquilo que estava vivendo.

Isso muda muita coisa.

Porque amadurecer não deveria significar apenas acumular novas experiências.

Deveria significar também oferecer uma consciência nova às experiências antigas.

Talvez exista uma espécie de releitura existencial.

Não podemos reescrever o fato.

Mas podemos reler aquilo que o fato passou a significar.

E reler não significa falsificar a história.

Significa impedir que uma interpretação antiga continue possuindo autoridade absoluta sobre uma consciência que amadureceu.

O fato pertence à história. O significado ainda pode pertencer à consciência.

Talvez aí comece uma forma mais profunda de liberdade.

Não a liberdade infantil de acreditar que podemos controlar tudo.

Mas a liberdade consciente de perceber que nem tudo aquilo que aconteceu precisa continuar significando aquilo que um dia significou.

Isso exige discernimento.

Porque consciência percebe.

Mas discernimento revisa.

Sem discernimento, podemos passar a vida protegendo interpretações e acreditando que estamos protegendo verdades.

E existe algo ainda mais profundo.

Também interpretamos a nós mesmos.

Construímos uma narrativa para explicar quem somos.

Selecionamos lembranças.

Destacamos vitórias.

Amplificamos fracassos.

Escondemos contradições.

Criamos coerências retrospectivas.

Depois chamamos essa narrativa de “eu”.

Mas talvez identidade seja menos uma fotografia e mais uma edição permanente.

Somos, em parte, a história que contamos para explicar a história que vivemos.

Se isso for verdade, autoconhecimento não pode significar simplesmente olhar para dentro.

Porque olhar para dentro sem discernimento pode significar apenas encontrar as mesmas interpretações que colocamos lá.

Talvez seja necessário algo além da introspecção.

É preciso desenvolver a capacidade de estranhar a própria narrativa.

Perguntar:

Por que interpretei dessa maneira?

Quem me ensinou esse significado?

Essa conclusão ainda faz sentido?

Isso é memória ou sentença?

É característica ou adaptação?

É identidade ou repetição?

É verdade ou apenas uma explicação que se tornou familiar?

Nem tudo aquilo que encontramos dentro de nós nasceu em nós.

Somos atravessados por famílias, culturas, escolas, religiões, relações, traumas, afetos, expectativas e épocas.

Por isso, conhecer-se também significa investigar a procedência daquilo que chamamos de “meu”.

Talvez a pergunta “quem sou eu?” seja insuficiente.

Existe outra anterior:

“De onde veio aquilo que acredito ser?”

E outra ainda mais importante:

“Aquilo que me constituiu precisa continuar me definindo?”

Nesse ponto, consciência encontra autoria.

Autoria não apaga o passado.

Autoria retira do passado o monopólio da continuação da história.

Talvez sejamos simultaneamente consequência e possibilidade.

Consequência daquilo que aconteceu.

Possibilidade daquilo que ainda podemos significar.

E entre uma coisa e outra existe o discernimento.

O discernimento é a distância necessária entre aquilo que aconteceu e aquilo que decidimos continuar acreditando sobre o que aconteceu.

Talvez crescer seja aumentar essa distância.

Não para negar a realidade.

Mas para não confundir realidade com interpretação.

Não para apagar a dor.

Mas para impedir que toda dor se transforme em definição.

Não para esquecer quem fomos.

Mas para compreender que nenhuma versão anterior de nós possui direito adquirido sobre aquilo que ainda podemos nos tornar.

Talvez exista, portanto, uma liberdade anterior à liberdade de escolha.

A liberdade de revisar o significado a partir do qual escolhemos.

Porque escolhas novas produzidas por significados antigos podem continuar reproduzindo destinos semelhantes.

E talvez seja por isso que tantas pessoas mudem de caminhos e continuem encontrando os mesmos lugares.

Não porque o mundo esteja repetindo a história.

Mas porque o mesmo significado continua interpretando mundos diferentes.

Talvez transformação seja justamente quando alguma coisa muda antes da escolha.

Muda aquele que interpreta.

E, quando muda o intérprete, o mesmo acontecimento já não produz necessariamente o mesmo significado.

Por isso, talvez nossa maior possibilidade não seja reescrever o passado.

Isso seria impossível.

Existe algo mais real — e talvez mais poderoso:

podemos impedir que o passado continue escrevendo sozinho aquilo que ainda não aconteceu.

Carlos Eduardo Balcarse
02 de setembro de 2026

“Há quem tenha CONSCIÊNCIA sem ter CIÊNCIA da própria consciência.”

“Não pense para ter razão. Tenha razão suficiente para continuar pensando.”

“Pensar sobre o pensamento não é pensar mais; é permitir que o pensamento tenha menos poder antes de ser examinado.”

Carlos Eduardo Balcarse

"Desejos meus de que você seja muito feliz. Tenha muito sucesso. Esbanje alegria. Esteja sempre em boa companhia...e que venha 2016!"
☆Haredita Angel

"Quando você for deitar, fale com Deus do seu jeito e, ao dormir tenha sonhos grandiosos.
Pois de um Deus grande não espere coisas pequenas....
☆Haredita Angel

⁠A poesia sempre colabora para manter a mente menos sobrecarregada e fazer com que se tenha intimidade com as palavras. Seja um eterno poeta e aprendiz na vida. Aconteça o quê aconteça.

⁠11/02

Tenha orgulho das pequenas
coisas que você faz
para nunca ninguém
te diminuir e roubar a sua paz.

⁠"Não se iluda com falas,
tenha certeza nos gestos!"
Haredita Angel
23.10.22

⁠Não tenha um plano B.

⁠Sonhe, fale e aja com amor,
mesmo que você nunca tenha recebido,
porque mesmo que você não acredite,
um dia o amor virá para ficar na tua vida.

⁠Que nada tenha a capacidade
de fazer com que deixemos
de acreditar no amor,
e fazer com que a gente
desista de crer
que o encontraremos
na travessia da vida.

A inveja não deseja o que o outro tem; deseja que o outro não tenha.

A crise existencial, a exigência desesperada de que a vida tenha um sentido final, é apenas uma falha de processamento. Uma mente finita projeta-se sobre um futuro infinito e exige dele um significado que nunca existiu nem para os deuses. Quem ama a vida vive o presente. A obsessão pelo futuro infinito é uma doença mental.

Tenha paciência: A cicatrização de uma ferida emocional leva tempo.

A pessoa que nunca se contradiz talvez nunca tenha permitido que a realidade a surpreendesse.

"Nenhum regime autoritário teme tanto uma multidão quanto teme um cidadão que não tenha medo de permanecer sozinho.”

O Estado de Direito é a tentativa histórica de impedir que a força tenha a última palavra.