Nao sou a Mulher Perfeita sou eu
Meu pai morreu jovem,
não tive tempo
para conhecer o herói,
eu só tenho isso
para a memória
que foi compartilhado
pelos demais
e o apego à tradição campeira
do Rio Grande do Sul
no meu coração poético.
Bolo de Fubá
com Chocolate
acompanhado
com Café,
Até parece eu
e você,
Um não pode
ao outro faltar,
Somos a própria
alegria de amar.
Não nasci Poetisa
da noite para o dia,
eu morria de raiva
de ler e até de escutar,
até que chegou
a ironia do destino
que me apresentou
a Fernando Pessoa
que fez a raiva passar.
Em seguida veio
"o Alberto Caeiro,
o Alexander Search
e Álvaro de Campos"
que me apresentaram
a outros tantos.
Mais próxima deles
pude conhecer
"o António Mora,
o António Seabra,
o Barão de Teive,
e o Bernardo Soares"
que me levaram
para muitos lugares.
Pelo caminho fui
apresentada "a Carlos Otto
a Charles James Search,
a Charles Robert Anon,
a Coelho Pacheco,
e a Faustino Antunes"
que fizeram entender
que não há segredo
para compreender
e gostar de poesia.
Praticamente íntima
de todos os anteriores,
fui apresentada
a outros senhores
que me levaram
a outros lugares
que jamais pude sonhar.
E assim fui apresentada
"a Frederick Wyatt,
a Frederico Reis,
a Henry More,
a Crosse, a Jean Seul
e Joaquim Moura Costa"
que de maneira amistosa
na mesma mesa ensinaram
que poderia vir a gostar
de muitos outros mais.
A medida que fui
me reencontrando
com todos eles,
fui evoluindo e pedi
para ser apresentada
por cada um deles "a Maria José,
a Pantaleão, a Pêro Botelho,
a Raphael Baldaya, a Ricardo Reis,
a Thomas Crosse e a Vicente Guedes"
que após a minha rotina de preces
passei a incluir a poesia
e encontrei nela muitas benesses.
Tudo entre eu eles aconteceu lento
e rápido ao mesmo tempo,
que a raiva enorme que sentia
sempre que ouvia poesia
por encantamento passou.
As bandeirinhas
da festa junina
se misturam com
as estrelinhas,
tipo eu não sua
e você na minha,
Se não for poesia
não sei o quê é.
Eu gosto de ficar de papo
enquanto preparo o meu
bom Chimarrão Tapado,
Porque não existe nada
que mantenha melhor
um coração tranquilizado.
Não sei se estou tendo
um sonho ou uma premonição,
Eu num passe de mágica
me vi de mãos contigo,
Sim, nós dois sendo
recebidos pelos Bacamarteiros
dançando ao nosso redor
em animada celebração pela união,
existe algo acontecendo
que irá unir o amor e a paixão.
Amazônia em chamas
Eu jurei que não queria
mais neste assunto tocar,
Mas eu me obrigo a falar
porque este é o meu lar,
Como não tenho o poder
de fazer por enquanto
só posso mesmo é falar.
Porque algo me diz que
primeiro nos ensinaram
odiar para depois incendiar,
E num passo adiante
quem sobreviver se
verá obrigado a mudar.
A cada dia fica mais
claro o curso da vida
nesta Pátria por causa
de gente que não
tem jeito e que ainda
não entendeu que
queimar florestas
é a mesma coisa
do que queimar dinheiro.
Uns dizem que desejam
ter os seus nomes
escritos com honra
na História da Humanidade,
Com a Amazônia em chamas
toda a honra se queima
com as matas mesmo
que muita gente não perceba.
Não tem como negar
que os nomes de muitos
estão se escrevendo
com as cinzas e a tinta
da infinita vergonha,
Depois não poderão
reclamar quando forem
lembrados da pior maneira
por não terem tomado
de fato uma real providência.
Existem pessoas que acham
que podem fingir no futuro
que são os verdadeiros criadores,
Eu não tenho espírito fraco
e minha agulha é feita de fogo,
Não serão exitosos quebrando
uma convenção e um acordo.
Não consigo nem
que eu me esforce
ser como uma rocha,
Embora uma rocha
pode ser lapidada
ou esculpida,
Porque no coração
contando com o vento
para fazer rebelião
florescem sempre
Ipês-de-flor-roxa.
Uma flor de Ipê-roxo-anão
caiu na palma da mão,
E eu com a mania de insistir
de não tirar você do coração.
Um Carimbó bem
dançado debaixo
do Ipê entre eu você,
Não é preciso nem
dizer mesmo com
os meus Versos Intimistas
que estamos no Pará
e nós dois juntos somos
só alegrias nascidas
para amar e conviver
nesta sedução que não vai findar.
Você não me diz nenhuma
palavra e eu também não,
é porque um anda embalando
o outro no ninho do coração.
Como o Pau-d'arco deseja
florescer um para o outro
assim sonhamos ser,
e nem o tempo há de deter.
Tudo entre nós tem parecido
uma orquestra afinada
que até anda fazendo música.
Não duvido do encaixe da gente,
e não preciso nem de cronologia:
somos poesia indelevelmente.
Lindo Ipê-roxo nesta São Paulo
cheia de majestade,
Que eu te amo de verdade
não é mais segredo para ninguém,
Os meus Versos Intimistas
falam tudo sobre nós
e que um dia nós estaremos a sós.
Se é poesia eu gosto do que vier
porque não consigo mais conviver
com gente que só sabe ofender,
Se a recíproca for verdadeira
a minha amizade é para a vida inteira.
Sonhas a cada
passo e eu te sonho
a todo o instante
porque não passo,
e contigo levanto
multidões em voo alto.
Eu não preciso gostar
de você e nem você
precisa gostar de mim,
A única coisa que
precisamos mesmo
é nos respeitar
e amar as mesmas coisas
que nos ligam a nossa amada terra,
Você sabe muito bem que poeta
de Versos Intimistas eu sou,
Como o Pau-d'arco-rosa
em floração na Bahia
deixando a ventania
escrever com pétalas
no chão a mais linda poesia.
Não duvide de mim
quando estiver próximo
de chegar a primavera
eu estarei no prelúdio
de chegar unida com ela,
E não haverá eflorescência
maior do que a minha com
aroma de Flor de Laranjeira
e meus Versos Intimistas
cobrindo a nossa terra
para vir sempre um novo poeta.
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