Não se Pede Ninguém em Amizade
Já venci guerras que ninguém soube que existiram. As batalhas invisíveis nos ensinaram a ter compaixão por aqueles que lutam calados.
Não esmoreci quando ninguém viu, fiquei mais forte, força no silêncio é funda e verdadeira, sem aplauso, construí raízes que sustentam, foi ali, no invisível, que me fortalecei.
A fundação do novo eu é um ato inerentemente solitário, pois ninguém, além de nós, detém o mapa dos escombros para reconstruir o alicerce.
O verdadeiro poder é não ter que provar nada para ninguém, exceto para a sua consciência silenciada.
A exaustão existencial é a prova de que lutamos batalhas que ninguém consegue ver, combates travados na calada da mente contra o peso esmagador das expectativas não cumpridas, e o esforço de levantar a cada manhã, quando a gravidade da alma parece maior, é um ato de heroísmo silencioso que ultrapassa qualquer feito público ou medalha de honra. É na quietude desse cansaço que a gente decide, mais uma vez, que a dignidade de existir vale mais do que a facilidade de desistir.
Carrego dentro de mim batalhas que ninguém viu, mas cada uma delas moldou meu peito como ferro aquecido, não pedi para ser forte, fui obrigado pela vida, e mesmo assim aprendi a amar no intervalo das dores, sou testemunha da minha própria ressurreição diária.
O corpo guarda um manual de guerras antigas. Lá estão listadas derrotas que ninguém lê, exceto eu. Cada cicatriz é uma frase do diário que o tempo esqueceu. Volto a esses capítulos com os dedos, procurando cura no toque. E descubro que a linguagem da cura é pequena: atenção e tempo.
A verdadeira liberdade é não precisar provar nada a ninguém, apenas a si mesmo, e viver sob a única régua que importa: a sua paz.
Ninguém se perde de verdade, apenas se encontra em um novo lugar e esse lugar, muitas vezes, é mais fiel à sua essência.
Sofrer não me fez forte, me fez consciente. A força veio depois, quando percebi que ninguém viria me resgatar. Foi ali que descobri que Deus não tira a dor, mas sustenta quem a carrega. E sustentar-se já é um milagre diário.
O amor de Deus é o único que não se intimida com a minha escuridão. Ele entra onde ninguém mais ousa tocar, ilumina onde nem eu quero olhar. Seu silêncio não é ausência, é cuidado que respira devagar. E nesse respiro encontro a força que não sabia possuir.
Meu coração carrega cicatrizes que não conto
a ninguém. Não por vergonha, mas porque algumas dores não cabem em palavras. Elas apenas me lembram do caminho que trilhei.
E por mais tortuoso que tenha sido,
ainda estou aqui.
Quando me olho no espelho, o reflexo traz um mapa antigo. Marcas de batalhas que ninguém viu, trilhas sem sinal. Ainda assim, há um brilho tímido como vela em igreja pequena. A esperança é um resto de luz que insiste em ser farol. Sento-me e soube que, ao menos, sei esperar.
Às vezes o perdão é uma mesa posta para ninguém. A comida está lá, mas faltam mãos para compartilhar. Fico olhando o prato vazio e aprendo sobre abandono. Algumas refeições só alimentam a memória. E ainda assim a mesa insiste em ser hospital de esperanças.
A CULPA
Ninguém assume a culpa
É o total oposto disso,
Todos querem se livrar da culpa
E fazem de tudo para isso.
Eles se esgueiram como podem
Entre um pouco de sorte e simulação,
Esses sujeitos são covardes e ardem
No medo que sentem da revelação.
Ninguém assume a culpa
É o total oposto disso,
Todos querem se livrar da culpa
E fazem de tudo para isso.
As narrativas tentam cercear a realidade
Que fica menos clara, evidente,
Só uma leitura das entrelinhas com sensibilidade
Pode ultrapassar a barreira do aparente.
Ninguém assume a culpa
É o total oposto disso,
Todos querem se livrar da culpa
E fazem de tudo para isso.
A verdade permanece sendo a verdade
Mesmo que a mentira adquira aliados,
Essa certamente é uma obviedade
Que precisa ser lembrada aos culpados.
Ninguém assume a culpa
É o total oposto disso,
Todos querem se livrar da culpa
E fazem de tudo para isso.
Autor William Contraponto
A TUA DOR
Ninguém sente a tua dor,
Ninguém jamais sentiu,
Ninguém sabe como doeu,
Em quais sentidos a dor mexeu.
Ninguém tem a mesma cicatriz,
A exata noção do que viveste,
A cicatrização do teu ferimento,
Ninguém tem a medida, ninguém é você.
Então, eles - quem quer que sejam -
Não entendem, não merecem,
Ser levados em conta,
Nas suas opiniões superficiais.
Desconectadas do contexto único,
Das tuas experiências,
Ninguém é você,
Ninguém jamais será.
William Contraponto
Burocráticos sempre encontram dificuldades, justamente porque ninguém gosta do que é complicado. Quanto mais simples e acessível algo se torna, mais cômodo e funcional fica para todo mundo.
