Nao quero Viver na Ilusao
Convocado ou não, Deus estará presente.
Frase original em latim: VOCATUS ATQUE NON VOCATUS DEUS ADERIT.
Sem exagero, não há nas bibliotecas deste mundo, não há nos pisos deste chão, não há na lucidez das minhas loucuras e muito menos na imensidão das suas ausências, nada nem ninguém capaz de entender o silêncio dos meus poemas com a mesma delicadeza dos seus olhos. Eles têm o privilégio de ler as entrelinhas de cada verso, e por ali ficar por horas e horas e dias e dias, até adormecerem num sonho confuso e denso – como são os sonhos dos que amam e não podem se entregar. E eles nunca se fecham porque precisam de vida para morrer, e também precisam se alimentar dessa poesia para continuar a brilhar e a sentir saudades e a mentir verdades. Por isso serão sempre densos, tensos e imensos.
Já, meus poemas têm a necessidade de buscar nos seus traços o formato de cada letra e o compromisso de catar em suas mãos as palavras mais imperfeitas – aquelas que nunca foram versificadas – e ver se cada "eu te amo" gritado silenciosamente pelos seus lábios finos consegue me acolher sem dentes, sem me deixar sofrer e só me fazer enxergar o que há de mais belo no amor: aquilo que não se diz. Meus poemas também têm a obrigação de contar nos seus dedos todas as vezes que eu não pude ouvir o tom da sua voz tão deliciada dizer que sente a minha falta. E nesse timbre ficar e respirar por meses e meses e rimas e rimas, até adoecerem num sonho doce e triste – como são os sonhos dos que amam e não encontram ninguém para se entregar. E eles nunca se ausentam por muito tempo porque precisam das migalhas da sua presença, dos pedaços mastigados do seu coração e de alguns goles das suas lágrimas para não secarem, sozinhos, como os pontos finais dos breves romances sem final feliz. Por isso também serão sempre densos, tensos e imensos.
Saiba que também não sei muito bem o que pode sair da boca e dos poros e das mãos e dos olhos de um homem de carne e osso e sangue e sonhos que se permite acreditar na realidade de vez em quando. E mesmo que nada faça sentido. E mesmo que eu não consiga me expressar com as palavras certas. E mesmo que você não interprete da maneira mais simples meus sentimentos mais complicados, meus desejos mais confusos e minhas mais sinceras verdades sobre você, sobre mim, sobre nós; saiba que aqui, em cada página, em cada erro ou palavra, em cada espaço ou entrelinha, em cada ponto e vírgula, estão os meus mais vivos pensamentos, aqueles que pulsam e vibram cada vez que pensam no que não fomos... Não sei como nem quando surgiu a ideia de começar a te escrever.
[página solta de uma carta despedaçada; antônio]
Você seria mais feliz se sorrisse com a sua alegria? Se não dependesse da minha boca para gritar eu te amo, gargalhar eu te amo, soluçar eu te amo, deixar eu te amo ecoar pelos quatro prantos do mundo?
Você seria mais feliz se não precisasse dos meus dentes para arrancar sua dor, se não dependesse dos meus versos para acalmar a folha em pranto, se não precisasse dos meus dedos para fincar sua alegria nesses lábios finos, e deixar as lágrimas engrossarem pros lábios de lá?
Lágrimas
Lágrimas
Lágrimas
Lágrimas
Lágrimas,
Eu seria mais fraco ou talvez menos franco se aceitasse o seu amor como amor e não como pranto. Você nunca me amou. Nunca. “Nunca diga nunca” nunca funcionou. Não funciona para quem vive de poesia. Eu acredito no impossível e nessas coisas que você chama de milagre. Eu sobrevivi a vários milagres: suportar tua ausência é um milagre, secar mil lágrimas é um milagre, viver de poesia é um milagre, um poeta é um milagre, o amor… não!
Amor é acontecimento: é o que sobra depois de todo esquecimento. Queria que ele coubesse no que eu vejo em você. Queria que ele soubesse que eu acredito em você. E que você sorrisse todas as manhãs como se quisesse me encontrar todas as noites; e à tardinha também. Dizer que me ama ao som de Jorge Ben, jurar que me quer ao ler Baudelaire. E não só risse para afastar o desespero. E não sorrisse para fingir que o amor te alegra. E não sumisse por temer o que te espera. E assumisse que o que já fomos, já era. E na mesmice dos nossos desencontros, eu me encontro completamente indiferente ao que você sente… Em vão… Em vão… Em vão… Pra onde vão os nossos silêncios quando deixamos de dizer o que sentimos?
Queria que você se sentisse divinamente desumana e um pouco menos culpada. E não fumasse só por se achar bonita em uma fotografia em preto e branco. Eu prefiro encontrá-la mil vezes no desespero de quem ri sozinho em medo e pranto; e amá-la, assim, para sempre e tanto.
Eu sei ser carinhoso, fofo, engraçado, amável...
Mas acho que as pessoas não merecem isso de
mim o tempo todo.
As amizades deveriam ser mais leais...
Gostar de um amigo pelo que ele é...
não pelo o que ele tem a nos oferecer...
Amor...somente amor!
A gente não combina
Mas sempre se deu bem
Feito noite e dia
Quando um vai o outro vem
Se ela me ilumina
Eu ilumino também
Já não me importa, o tempo perdido.
Eu sei, acho que agora me sinto mais vivo.
Talvez, sinto que é hora de estarmos partindo daquí
Já não nos resta mais nada além de nós dois
Hoje acordei pensando em você, lembrei daquela noite que passamos juntos, que não consegui dormir, com VOCÊ do meu lado. Que noite foi aquela, que não sai da minha cabeça? Passo o tempo todo pensando em você.
Não há nada para escrever. Tudo o que você precisa fazer é se sentar em frente de sua máquina de escrever e sangrar.
Nota: O pensamento costuma ser atribuído a Ernest Hemingway, mas não há indícios que confirmem essa autoria. Inclusive, essa atribuição aconteceu muitos anos após a morte do escritor. Acredita-se que o pensamento (a segunda frase da citação acima) tenha sido originado por Red Smith, um jornalista esportivo americano, em 1949. E que tenha surgido a partir de uma frase do escritor estadunidense Paul Gallico no livro “Confessions of a Story Writer” (1946).
...MaisPoema de aniversário
(23:59)
Amanhã o que muda?
O que o faz diferente?
Não adianta querer o posposto,
nem há graça em contar as desgraças.
Há mais gosto no silêncio disposto
e no sonhar com as próprias asas.
Nenhum ano é igual ao outro,
nenhum outro é tão diferente assim.
O dia forja o velho encontro
entre o que julguei e o que fiz de mim.
Zera o relógio, mas não o tempo
quanto dura o agora?
(00:00)... Hoje o que mudou?
O que o fez diferente?
Na frágil eternidade dos momentos felizes,
acha-se o fio, faz-se a história
Não importa o que trazem as cicatrizes,
tudo agora está claro diante da memória.
Foi-se o ontem de ser dois
veio o hoje ser só meu
não sei o que vem depois
tudo é o que se perdeu.
Dói, e já não há ninguém para beijar a ferida, dizer que é dói-dói ou que eu devo ter cuidado. Dói, e já ninguém se importa com o joelho esfolado, com o orgulho ferido. Mamãe já não manda lavar, papai já não fica preocupado, vovó já nem está cá. E dói… Porque agora o mano é grande e já brinca sozinho, porque a mana cresceu e já não brinca. Mamãe esqueceu de avisar que crescer também magoa, que não só os ossos partem, que o coração também chora…
É impossível conhecer uma pessoa sem ambição, sem vontade, que não deseja, que não se preocupa com nada, que não sai em busca de algo, que vive para o nada. As pessoas assim estão quietas em seu lugar: no silêncio da sepultura.
Pessoas vivem depressivas porque não cuidam do essencial que é gostar primeiro de si mesmas e depois de deus...
Sobre o amar.
Amar é bem mais simples do que pode aparentar. Portanto, não complique o natural. Apenas ame!
Simbora para a batalha. Que não nos falte a fé e a confiança em Deus. A claridade dá vida a tudo o que existe através das cores e do brilho que são próprios de cada ser.
