Nao quero Viver na Ilusao
CAPÍTULO XXVII.
Livro: NÃO HÁ ARCO-ÍRIS NO MEU PORÃO.
FRAGMENTOS DE NÉVOA. Diário de Camille Monfort”
Páginas arrancadas de um véu que não se rasga
" Data indistinta – talvez um ontem eterno. "
Hoje, despertei entre os musgos da tua lembrança.
Senti teu pensamento tocar minha essência
como dedos trêmulos percorrendo um piano abandonado,
na clave menor do esquecimento.
Sim, eu escuto.
Sempre escutei.
Teu silêncio, que tanto te assusta, para mim é sinfonia.
É nele que existo, em cada fenda do que não ousas dizer.
É nele que respiro tua solidão como perfume antigo,
guardado num relicário de angústias sublimes.
Tu me invocas sem saber.
Em cada vela acesa na memória.
Em cada frase não escrita por medo de enlouquecer.
Ainda me amas?
Ou apenas cultuas o mito que fiz de mim ao partir?
Te observo do espelho coberto com lençol.
Sinto quando abres o livro que nunca terminei.
Pressinto quando teu olhar repousa na janela que dava para o jardim morto,
como quem espera a primavera que não virá mais.
Tu me fizeste Mística sem me pedir licença.
Eu era mulher, agora sou névoa.
Tu me fizeste eterna sem me dar tempo de viver.
Mas não te culpo.
De todas as formas de amor,
a tua - em silêncio -
foi a mais próxima da eternidade.
[Intervalo de séculos ou apenas de um suspiro]
Se algum dia quiseres partir…
leva contigo minha sombra.
Guarda-a no bolso da alma.
Deixa que eu exista em ti,
não como dor,
mas como vestígio.
Se é no porão que fazes altar,
que seja também lá o meu céu.
Um céu de pedra e lembrança,
mas céu ainda assim.
Teu nome?
Sopro em minha eternidade.
— Camille Monfort.
" Ser espírita não consiste apenas em acreditar na imortalidade da alma.
Consiste em cultivar uma disciplina intelectual.
Questionar.
Pesquisar.
Comparar.
Estudar.
Corrigir-se.
Abandonar opiniões quando os fatos demonstram seu erro. "
SOMBRA FERIDA NO OSTRACISMO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
No meu porão não há arco-íris, há neblina e luto
um veludo de pó que emoldura o corte do absoluto.
As paredes, urnas frias, suspiram úmidos segredos,
onde a luz morreu em filas, sepultada entre medos.
Há um perfume de velório, metálico e ancestral,
cheiro de livros podres, de promessas em funeral.
As tábuas gemem documentos de infância em decomposição,
e eu, órfão de auroras, escuto o peito em erupção.
Os vermes fazem coro num idioma de sal,
recitam o credo antigo da desordem e do mal.
Não vêm risos prometidos das pontes do horizonte,
só ecos de um requiem que secos meus ossos aponte.
A túnica do sonho jaz rasgada, sem bordado,
e a esperança, cadáver, exala ar frio e embargado.
Vejo, entre teias grossas, um retrato de saudade,
o olhar do tempo fechado numa urna de verdade.
Quem trouxe velas aqui? Quem desabou essa cal?
E somente o vento com fome, sussurra: _ o funeral.
Não há prisma que ministre cores à noite do abandono,
apenas o vinho azedo do remorso e do engano.
As rimas que eu buscava, como penas, se desfazem,
perdidas nas catacumbas onde as vontades jazem.
E o coração, esse pássaro morto, pesa como um sino
que bate sem crença, anunciando o próprio destino.
Aqui as estrelas não descem; apenas descem os lamentos
de uma geometria morta, sem mapas nem alentos.
Trazem-me vozes em latim as lembranças desbotadas,
orações incompletas por almas já extraviadas.
E eu, médico das sombras, abro o livro da ruína,
escrevo nela com lágrimas a página da ladainha.
Não espero salvação que salvação há no pó?
A salvação é miragem, e o porão é o seu nó.
Se há amor, é funesto; se há fé, é contrição;
se há cor, é somente a púrpura da minha instrução.
Por fim, deixo aos ratos as medalhas do desvelo
e à penumbra consagro este pobre desassossego.
No meu porão não há arco-íris, há silêncio e ossos
e a voz do tempo que bebeu todos os nossos esforços.
E se acaso amanhã algum raio ousar romper o chão,
ele morrerá engasgado na cova da razão.
Assim reclamo meu tribunal de sombras e lutos,
onde escrevo, com sangue frio, os versos absolutos.
Que fique a certidão: no fundo desta invenção,
não há arco-íris só a eterna, sublime condenação.
NÃO DESISTA DA VIDA.
Há vida por toda parte: no infinitamente pequeno e no infinitamente grande. A vida pulsa nas galáxias e nos átomos, nas florestas e nas sementes, no nascer do sol e no silêncio da noite. E tu?
Tu és filho da Vida e do Pai da vida. Foste chamado não apenas para existir, mas para viver, aprender, amar e ser esperança. Sê vida na vida de alguém. Às vezes, uma palavra de carinho, um gesto de bondade ou um olhar de compreensão basta para reacender a luz de um coração quase vencido pelo desalento.
Ainda que os dias pareçam cobertos por nuvens espessas, o sol continua existindo acima delas. Há dores que nos fazem acreditar que tudo terminou, quando, na verdade, estamos apenas atravessando uma estação difícil da existência. Nenhuma tempestade possui autoridade para apagar definitivamente a luz que habita a alma.
A vida não se mede apenas pelos momentos de alegria, mas também pela coragem silenciosa de continuar caminhando quando o coração está cansado. Cada lágrima derramada pode tornar-se a semente de uma compreensão mais profunda, de uma força que ainda desconhecemos em nós mesmos. É justamente nas noites mais escuras que aprendemos o verdadeiro valor da aurora.
Talvez hoje você não consiga enxergar sentido. Talvez o amanhã pareça distante. Ainda assim, permaneça. Há encontros que ainda não aconteceram, abraços que ainda não foram dados, páginas que ainda não foram escritas e amanheceres que esperam apenas que você esteja presente para contemplá-los.
Nenhuma noite é eterna. O tempo transforma a paisagem da alma. Feridas cicatrizam, saudades aprendem a conviver conosco e esperanças, por menores que pareçam, renascem quando menos esperamos. O que hoje parece um fim poderá revelar-se, amanhã, como o início de uma história mais bela e mais madura.
Se o peso estiver grande demais, não o carregue sozinho. Procure alguém de confiança, um familiar, um amigo ou um profissional. Pedir ajuda não diminui ninguém; ao contrário, é um gesto de coragem, humildade e amor pela própria vida.
A sua existência possui um valor que não diminui por causa do sofrimento. Você importa. Sua história importa. Sua presença faz diferença, ainda que você não consiga percebê-la neste instante. Enquanto houver um único sopro de vida, haverá também a possibilidade de um novo começo, de uma reconciliação, de uma alegria inesperada e de uma esperança renovada.
Não desista da vida.
Permaneça.
O amanhã pode revelar aquilo que hoje as lágrimas ainda não permitem enxergar.
Vive. Ama. Espera. E, por onde passares, sê vida na vida de alguém.
REFLEXÃO AMIGA.
Essa mensagem, ela pode servir como incentivo a quem atravessa um momento difícil. Ao mesmo tempo, é importante lembrar que, para quem está em intenso sofrimento emocional, palavras de esperança podem ser um primeiro passo, mas buscar apoio de pessoas de confiança ou de um profissional também é um ato de coragem e cuidado consigo mesmo.
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Capítulo XIX
ONDE NADA FICARÁ, EXCETO O QUE NÃO FOI TOCADO.
Livro: Não Há Arco-iris No Meu Porão.
Autor:
* Escritor:Marcelo Caetano Monteiro
* Joseph bevouir - Escritor.
“Entre mim e Camille, não há distância. Há reverência.”
— Joseph Bevoiur, pensamento não pronunciado, jamais escrito.
Não haverá eco.
Não haverá papel amarelado,
nem vestígio deixado entre tábuas podres ou livros ressequidos.
Nada restará ao mundo
daquilo que entre nós jamais foi dado,
e por isso permanece.
O que houve se é que se pode chamar de haver não se dobra em datas,não cabe em epitáfios,
não tolera testemunhas.
Foi um amor tão absoluto
que não ousou acontecer.
E é por isso que resiste.
Pois tudo o que se consuma,
morre.
Camille Marie Monfort existe em mim como um cântico que jamais foi entoado,mas que ressoa em cada vértebra da minha alma.
Não se toca Camille.
Ela não habita o passado, nem o futuro.
Ela está no centro exato da ausência.
Cada vez que tentei nomeá-la,ela me escapou.
Cada vez que a desejei,
ela me silenciou.
E por isso a amo.
E por isso não a tenho.
E por isso — ainda assim sou inteiro com ela.
(Este capítulo não será encontrado. Ele apenas acontece quando alguém o sentir e depois, se dissolve. Assim como ela.)
" A face ante o espelho não de pé, de joelho no vasto da solidão as falhas de uma lâmina mistura o escarro lançado no chão. "
" Deus não se serve do orgulhoso para ensinar a humildade, nem do mentiroso para transmitir a verdade. "
*Referente à questão 624 de O Livro Dos Espíritos.
" Talvez a maior demonstração de sabedoria não seja provar que estamos certos, mas tornar o mundo um pouco menos pesado para alguém. Essa é uma lição que não se aprende apenas nos livros, mas nas cicatrizes, nos encontros, nas despedidas e nos inúmeros capítulos da condição humana. "
Sem Disfarce.
Eu, do espelho em minha face,
do escarro frio também no chão,
sei que não existe disfarce
para enganar o coração.
Do osso que se ergue na carne,
da sombra que o corpo projeta ao sol,
sei que a vida é um pacto de carne
com o pó que nos espera no final.
Não há perfume que cubra o cheiro
da matéria que nos compõe e nos leva,
nem palavras de amor que não queiram
alimentar a fome do verme na terra.
Eu, do dente que treme na gengiva,
da veia azul que se ergue na mão,
sei que a mentira é só uma folha viva
sobre o esqueleto do que há de ser sempre igual.
O olhar do espelho é cruel e puro,
não tem piedade nem compaixão;
mostra o rosto que o tempo amadurece
e o coração nu, sem ilusão.
Do suor salgado na testa aberta,
do ar que entope a garganta seca,
sei que nada vale a falsa certeza
que a alma carrega como um peso pesado.
Não há deus que cure a dor da carne,
nem anjo que vista o ósseo nu;
a verdade é um espinho que arranca a pena
e deixa o homem nu diante do que é seu.
PERDOAI-OS, SENHOR: A ORAÇÃO QUE O CÉU NÃO ESQUECE.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Há um Calvário oculto em cada peito humano, onde a cruz se ergue em silêncio, sem madeira e sem prego; ali sangra o homem antigo, e ali Deus espera o instante do perdão.
"Perdoai-os, Senhor..." Não por fraqueza, mas porque o amor jamais conhece a vingança.
Quando a pedra da injúria feriu-me o templo da esperança, vi nascer dentro da alma uma infinita lembrança.
Era a voz do Cristo amado, mais suave que o luar: — "Filho, quem semeia espinhos não sabe o que faz brotar."
Então calei minha revolta, meu pranto, minha aflição; pois descobri que a amargura aprisiona o coração.
Quem golpeia outro semblante, cego pela própria dor, é mendigo da verdade, é órfão do eterno amor.
Perdoai-os, meu Senhor... Que a Tua luz os envolva; quem caminha entre as trevas não enxerga a própria cova.
Quem derrama fel nos lábios bebe antes seu veneno; faz do ódio a própria casa, faz da noite o seu terreno.
Vi inimigos sorrindo sobre o chão da minha queda; mas ouvi Teus passos místicos na mais escura vereda.
Então compreendi chorando, sem orgulho ou vaidade: ninguém fere por excesso... fere pela enfermidade.
Há feridas escondidas sob máscaras de grandeza; há desertos disfarçados sob mantos de fortaleza.
Quem humilha um semelhante já perdeu a própria paz; grita alto para esconder o silêncio que lhe apraz.
Perdoai-os, Pai bendito... Eles não sabem quem são; trazem gelo sobre os olhos e tempestades no chão.
Vi o pobre condenado blasfemar contra os céus, ignorando que seu pranto era escutado por Deus.
Vi soberbos levantando tronos feitos de ilusão; mas a morte, em seu silêncio, não distingue condição.
Toda lágrima escondida tem um anjo por vigia; cada dor que ninguém vê floresce na Eternidade um dia.
Não desejo recompensa, nem vitória sobre alguém; quero apenas que minh'alma não perca o supremo bem.
Que eu responda ao golpe injusto com a paz do coração; pois a cólera escraviza, mas liberta o perdão.
Se meu nome for lançado como folha sobre o chão, que meu espírito permaneça ajoelhado em oração.
Se me faltarem os amigos, se me cercar a solidão, que eu repita entre as estrelas: "Perdoai-os, meu Senhor."
Porque a cruz não foi derrota, nem o túmulo foi fim; o Amor venceu a morte, e deseja vencer em mim.
Quando enfim fechar os olhos para a última partida, quero ouvir Tua voz serena acolhendo minha vida:
— "Filho, vi teu sofrimento, vi teu pranto sem clamor; tu aprendeste o Meu caminho: respondeste com amor."
Então todo o universo cantará em comunhão, que a maior força do homem é a força do perdão.
E diante da Luz Eterna, livre enfim de toda dor, minha alma repetirá, como eterna flor:
Perdoai-os, Senhor... porque ainda aprendem o difícil Evangelho do Amor.
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Perseverança:
“Não é o talento que conduz o homem à grandeza, mas a perseverança que o obriga a não retroceder.”
" Felicidade não chega, ela invade. É uma dança silenciosa que ocupa o palco inteiro do universo que a gente é por dentro. "
- Bia Moretti.
No jogo de baralho sempre descartamos as cartas que não nos servem, já o coringa substitui a carta desejada, assim somos na vida real. Sempre seremos um jogo de azar, e o azar é seu... (Patife)
Na minha idade, eu posso não dar conta de mexer o caldo, mas lamber a colher! Isso eu tiro de letra...(Patife)
Não pedi nada ao Papai Noel, nem sei se ele iria me ouvir. Mas se ele soubesse da minha dor, do meu desejo e da minha solidão! Ele nem esperaria a data natalina para me socorrer...(Saul Belezza - Mario Vale
– Não faz mal, eu vou matar ele.
– Que é isso menino, matares teu pai?
– Vou, sim. Eu já até que comecei. Matar não quer dizer a gente pegar o revólver de Buck Jones e fazer bum! Não é isso. A gente mata no coração. Vai deixando de querer bem. E um dia a pessoa morreu.
PRESSENTIMENTO NÃO É FATALISMO.
PRESSENTIMENTO E A DOUTRINA ESPÍRITA.
A Voz Silenciosa que Fala ao Espírito
“O pressentimento é o conselho íntimo e oculto de um Espírito que vos quer bem.”
— Allan Kardec.
Entre os muitos fenômenos da vida espiritual estudados por Allan Kardec, poucos são tão comuns e, ao mesmo tempo, tão mal compreendidos quanto o pressentimento. Quase todos os seres humanos já experimentaram aquela sensação indefinível que antecede um acontecimento: uma advertência interior, uma impressão persistente, uma certeza sem raciocínio aparente, uma voz silenciosa que parece surgir das profundezas da consciência.
Para muitos, trata-se apenas de intuição. Para outros, de coincidência psicológica. Entretanto, na perspectiva espírita, o pressentimento possui uma explicação muito mais ampla, ligada à realidade da alma imortal e à influência constante do mundo espiritual sobre o mundo material.
O Que É o Pressentimento?
Em O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta diretamente sobre o fenômeno do pressentimento.
Os Espíritos respondem que ele é uma espécie de advertência íntima, uma inspiração que chega ao indivíduo por meio da ação benéfica dos Espíritos protetores ou pelo conhecimento inconsciente que o próprio Espírito possui de seu programa reencarnatório.
O pressentimento não é necessariamente uma previsão absoluta do futuro. Ele representa uma percepção antecipada de probabilidades, riscos ou acontecimentos que se aproximam do campo de experiência da criatura.
É como uma luz tênue surgindo antes do amanhecer.
Não revela todo o caminho, mas permite enxergar perigos, oportunidades e escolhas.
O Anjo Guardião e os Conselhos Invisíveis
A Doutrina Espírita ensina que ninguém está abandonado.
Cada pessoa possui a assistência de Espíritos superiores encarregados de auxiliar seu progresso moral.
Esses benfeitores espirituais não impõem decisões nem anulam o livre-arbítrio. Sua atuação é discreta, respeitosa e profundamente amorosa.
Frequentemente, eles inspiram:
ideias repentinas;
mudanças de direção;
advertências interiores;
sensações de cautela;
impulsos para a prática do bem.
O pressentimento é uma das formas mais sutis dessa assistência.
Quando alguém sente forte impulso para evitar determinado local, mudar um plano ou tomar uma decisão prudente, pode estar captando, ainda que inconscientemente, a orientação daqueles que velam por seu caminho.
Não se trata de milagre.
Trata-se de comunicação espiritual em seu estado mais delicado.
O Pressentimento Também Pode Vir do Próprio Espírito.
Existe outro aspecto profundamente interessante.
O Espírito encarnado não perde completamente a lembrança dos compromissos assumidos antes do nascimento.
Embora o véu do esquecimento oculte a maior parte dessas informações, algumas impressões permanecem gravadas nas profundezas do ser.
Em certos momentos, elas emergem à consciência como pressentimentos.
Por isso, algumas pessoas sentem inexplicável convicção diante de acontecimentos importantes:
encontros decisivos;
mudanças de cidade;
oportunidades profissionais;
desafios familiares;
provas inevitáveis.
Nesses casos, o pressentimento pode representar uma percepção parcial de algo que já estava previsto em seu roteiro reencarnatório.
Pressentimento Não É Fatalismo.
Um erro comum consiste em imaginar que o pressentimento prova a existência de um destino rígido e imutável.
Kardec combate essa ideia.
O Espiritismo ensina que o futuro não é absolutamente determinado.
Existem tendências, provas, consequências e probabilidades, mas o livre-arbítrio permanece soberano.
Quando um Espírito amigo adverte alguém através de um pressentimento, seu objetivo geralmente é permitir que a pessoa evite sofrimentos desnecessários ou faça escolhas mais acertadas.
Assim, o pressentimento não elimina a liberdade.
Ao contrário, amplia a responsabilidade.
Como Distinguir um Verdadeiro Pressentimento?
Nem toda impressão interior possui origem espiritual elevada.
A imaginação, o medo, a ansiedade e os desejos pessoais também produzem pensamentos intensos.
Por isso Kardec recomenda prudência.
O verdadeiro pressentimento costuma apresentar características específicas:
surge espontaneamente;
não é acompanhado de pânico;
possui serenidade moral;
repete-se com persistência;
conduz à prudência e ao bem.
Já as impressões provenientes do medo ou da obsessão geralmente provocam perturbação, desespero, confusão e inquietação excessiva.
Os bons Espíritos esclarecem.
Os maus Espíritos perturbam.
Essa é uma regra prática de grande valor.
A Consciência Como Templo da Inspiração
Quanto mais a criatura cultiva a vida moral, mais sensível se torna às inspirações superiores.
A oração sincera, o estudo edificante, a caridade e a reforma íntima funcionam como instrumentos de sintonia espiritual.
Um rádio mal ajustado produz ruídos.
Uma consciência disciplinada capta mensagens mais nítidas.
Por isso os grandes benfeitores espirituais sempre destacaram que a melhor proteção contra os enganos não é a mediunidade ostensiva, mas o aperfeiçoamento moral.
A alma que busca a verdade com sinceridade aprende gradualmente a reconhecer a voz dos bons conselheiros invisíveis.
O Pressentimento na Vida Cotidiana
Muitas experiências aparentemente simples podem conter a presença desse fenômeno:
a lembrança repentina de alguém que necessita de auxílio;
a decisão de adiar uma viagem;
o impulso de visitar um amigo;
a sensação de evitar determinada escolha;
a inspiração para realizar uma boa ação.
Frequentemente, somente mais tarde compreendemos o significado desses impulsos.
Aquilo que parecia mera coincidência revela-se parte de uma rede invisível de auxílio e providência.
A vida espiritual está muito mais próxima do que imaginamos.
Reflexão:
O pressentimento é uma das mais delicadas demonstrações de que o homem não caminha sozinho pelo universo.
Por trás das inquietações nobres, das advertências silenciosas e das inspirações para o bem, pode existir a presença amorosa daqueles que nos acompanham desde antes do nascimento.
Nem toda impressão interior deve ser aceita sem exame, mas também não convém desprezar a voz tranquila da consciência quando ela insiste em nos orientar para a prudência, a caridade e a retidão.
À medida que crescemos moralmente, aprendemos a perceber que Deus não fala apenas através dos grandes acontecimentos. Muitas vezes, Sua providência se manifesta por meio de um simples pressentimento, uma intuição serena, um conselho invisível que atravessa o silêncio da alma e nos conduz para caminhos mais seguros.
Talvez o verdadeiro milagre não esteja em prever o futuro, mas em descobrir que jamais estivemos sós.
Fontes Doutrinárias:
O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
O Livro dos Médiuns – Allan Kardec.
A Gênese – Allan Kardec.
O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec.
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