Nao Queira Reviver o Passado
Eu sou uma subjetividade, mas não sei o que sou a não ser naquilo que faço. Porque quando faço algo, eu me "re-conheco", isto é, eu conheço a mim mesmo de novo.
As mulheres não são ácidas porque querem. São apenas seus espinhos tentando afastar a maldade das pessoas. Uma rosa tão singela e delicada, não tem outra forma de se defender se não os espinhos...
Não haveria criatividade sem a curiosidade que nos move e que nos põe pacientemente impacientes diante do mundo que não fizemos, acrescentando a ele algo que fazemos.
Não existe nenhuma fórmula para o sucesso, exceto, talvez, pela aceitação incondicional da vida e do que ela traz.
"De perto, ninguém é normal."
Me lêem, mas não me vêem. Não assim, maquiada e com a pele obstruída em base, pó e blush. A tão famosa pinta acima da boca, as covinhas nas costas, ou meus dentes grandes, e os lábios finos. É engraçado como sabem vocês das minhas tantas dores, ansiedades e complexidades, e nunca, nem sequer, tenham me visto cara à cara. Pensei nisso enquanto entrava no supermercado e comprava barras de cereal, e uma menina me fitou. E concluí com uma frase que já ouvi por aí, não sei aonde e nem a autoria: de perto, ninguém é normal.
Como o Bis em partes. Primeiro a parte de cima, depois o recheio, a parte do meio, de novo o recheio e só apenas a parte meio oca do final. Caminho rápido pelas ruas: sou quase um foguete. Coço o nariz mesmo quando não minto; é a rinite, que me ataca sempre. Tenho falado cada vez mais sozinha. Converso comigo mesma no calçadão, quando seco os cabelos, e antes de dormir. Quando sou pega em flagrante, ensaio um tom meio musical, que passe a mensagem mais sã de que "não sou louca, estou apenas cantando.". Quando me deito, os cabelos não podem encostar a pele: pra cima, e longe de se enroscar nas orelhas, de atrapalhar o meu sono de princesa. Fujo de semi-conhecidos (chega a ser incrível a quantidade de chaves, celulares e papéis que eu TENHO que pegar na bolsa, sabem como é...). Interrompo os outros, para não me fugir a idéia no ponto alto de conversas - e me arrependo, minutos mais tarde. Ensaio diálogos que quase nunca se concluem, ao telefone. E muito menos ao vivo. Quase chuto pessoas que caminham devagar, quando na minha frente. Não dialogo com coerência assim que acordo. E nunca, em hipótese alguma, tente discutir comigo pela manhã - ainda mais, se não quiser ouvir algo que te machucará. Será i-ne-vi-tá-vel.
Faço eu mesma meu leite desnatado, colocando metade do leite integral, e outra metade de água mineral. Não como tomate. Detesto telefone. Nunca tive o hábito de roer as unhas, mas puxo as peles que ficam em volta da unha. Hoje não quero, amanhã necessito. Sou ríspida, e hora depois, amável. Discuto por futebol, e abraço por gosto musical parecido. Na rua, não olho pro lados. E nem para qualquer psiu, fiu-fiu. Pra frente, e reto. Alheia, e indiferente - quem me conhecer, me chamará pelo nome. Algumas vezes, escuto Tetê Espíndola e Belchior, para não cair na mesmice. Passo rímel com a boca aberta. Tropeço mesmo parada, e não consigo dormir em lugares públicos. Ando como uma desabrigada em casa, com roupas velhas e uniformes dos meus antigos colégios. Sempre confirmo o preço, mesmo sabendo de cor. Não durmo sem saber meu signo do dia seguinte. E não pego no sono se a porta do armário estiver aberta. Necessito de pelo menos quatro litros de chimarrão e uma paçoca, por dia. Minto meu nome em festas, e à pessoas indesejáveis. Leio o jornal de trás pra frente, e abro a geladeira pra pensar. Além do mais, dobro a ponta das páginas, ao invés de usar o marca-página. Sou estranha? Talvez sim, acredito que não. Nem me importo. Sempre busquei o diferente, e talvez até tais diferenças sejam batidas, manjadas ou então, populares. Vai saber!
Dizem que mania, cada louco tem a sua. Essa são algumas das minhas, ou apenas, as que consigo perceber. E claro, como de perto, ninguém é normal, aqui está minha assinatura, logo embaixo de tudo isso. Porque sem apenas um desses meus pequenos defeitos, poderia ser você, poderia ser a sua irmã, ou a sua amiga. Mas de perto, a uns cinco centímetros, essa é uma face de mim. Apenas uma, das tantas e tão distintas. Gosta quem quiser, e detesta quem puder. Não dizem que são os defeitos que marcam, aprisionam, e apaixonam? Acredito também, ué.
O exagero é a arte dos poetas, que enxergam as coisas com o brilho certo, e não com a banalidade dos olhos cansados.
Sobre a morte?
Sobre a morte nada conheço, não sei dizer.
Mas acho que a morte é esquecimento.
E quem parte continua vivendo
nas lembranças
e nos corações de quem fica.
Nós não fomos ensinados à enxergar a verdade! O sistema nos ensinou a ser cegos, só abrem os olhos quem não se permite ser enganado.
Hoje, algo não muito agradável me despertou uma imensa reflexão a respeito da existência humana...esse curto momento que passamos na terra, que a primeiro momento parece ser eterno, torna-se tão cômico e trágico que não percebemos que as coisas são tão rápidas, tão intensas, tão tristes, felizes...
Sempre foi cheio de objetivos, e isso se perpetuou durante toda minha adolescência: vestibular, universidade, provas, trabalho, na busca de uma vida um pouco melhor. Por incrível que pareça, nunca me liguei muito em felicidade pessoal...pensei sim em realização pessoal, o que é totalmente diferente. Talvez a questão seja essa: nunca refletir que as duas coisas são totalmente distintas...
Hoje aprendi uma coisa muito importante, que talvez eu leve como bandeira de defesa para todos os dias de minha vida: há coisas mais significantes no mundo que o nosso próprio mundo...nossas realizações, objetivos, modo de vida, convicções, atitudes, ideologias, filosofias, sentimentos....tudo isso não se resume em tudo....há sempre algo novo a ser conquistado e que por alguns segundos se transforma em realização pessoal, FELICIDADE.
A felicidade nem sempre está nas coisas boas, férteis. Às vezes é necessário a tristeza, a saudade a solidão para percebermos que ela existe, e mais ainda... para percebermos que ela não é algo transcendental, longe, intocável, pelo contrário...ela estar tão perto, mais tão perto que nem a percebemos.
Às vezes tenho uma imensa vontade de fazer-me pensar de que as coisas podiam ser bem mais fáceis, sei lá...a vida podia ser bem mais aproveitável! Pra que viver num sistema ignorante que nos leva ao trabalho, ao estudo, as regras sociais, por que não ser livre??...pois bem....graças a Deus que isso é apenas uma vontade psicótica, e não uma vontade realística, menos mal.
Confesso que tinha uma velha convicção. Confesso também que pensava que convicções eram convicções: irrefutáveis. E mais uma vez a vida me ensinou que nada é para sempre, as coisas mudam, o mundo muda...e porque não as pessoas?
Por muito tempo vivi isolado. Pensava que o isolamento, talvez era de certa forma normal. Mas o mundo é imenso!! Existem tantas diversidades, tantas culturas, tantas pessoas...quanta gente!
Hoje meu dia valeu por anos já vividos! Descobrir o verdadeiro valor da felicidade! Descobrir que a verdadeira felicidade não estar no meu trabalho, na minha casa, nas minhas convicções, na minha posição social e até mesmo na minha liberdade! Hoje descobrir que a verdadeira felicidade está nas pessoas! E são nelas que encontramos os verdadeiros motivos de seguir em frente, de continuar a luta pela existência e mais ainda...é nas pessoas que descobrimos o verdadeiro sentido da vida, aquela força que te faz levantar todos os dias e enfrentar tantos desafios, certas vezes, da nossa própria ignorância.
Hoje aprendi que a felicidade está no amor, e que o amor está aí...solto, livre, de portas abertas, como uma piscina imensa que te convida a se jogá-la.
Não há vida sem morte, como não há morte sem vida, mas há também uma “morte em vida”. E a “morte em vida” é exatamente a vida proibida de ser vida.
"Você procura por alguém que cuide de você quando está doente, que não reclame em trocar aquele churrasco dos amigos pelo aniversário da sua avó, que jogue “imagem e ação” e se divirta como uma criança, que sorria de felicidade quando te olha, mesmo quando está de short, camiseta e chinelo."
Eu não sou linear, eu não sou uma pessoa terminada, eu não quero rótulos nem roteiros prontos, não existe começo nem fim em mim. Eu existo. Não sou produto, sou só coração. Vivo em um meio que me parece eterno. Um meio que me faz escrever, ser e mudar a cada dia. Se eu começasse a escrever minha vida, seria assim: Eu sou reticências. Sou 3 pontinhos. Sou o não-dito. Sou emoção e desejo. Palavras são o meu antídoto. Anti-monotonia, anti mau-humor, anti todo o amor que não há.
Reclamar não é uma estratégia. Temos que lidar com o mundo tal como ele é, e não tal como gostaríamos que ele fosse.
As decepções não são motivos para rejeitar o amor. Muito pelo contrário, elas são a prova de que sempre é hora de recomeçar.
Não saber.
Não há nada mais irritante do que respostas não-respostas.
Engarrafamento irrita, trânsito de sexta-feira, buzina ignorante, gente contraditória, fila que não anda, vizinho com rádio potente e nenhum bom gosto irrita.
Falta de educação, respostas atravessadas, atitude desnecessária, tudo isso. Mas nada mais desconcertante que um "não sei".
"Não sei" é termo que não vale, "não sei" não é resposta, "não sei" não é cabível. Falo daquele "não sei" inteligente e esperto não o desprovido de informação.
Aquele que é parente próximo do "talvez", vizinho do "pode ser", amigo fiel do "quem sabe".
"Não sei" não rende assunto, não dá chance nem esperança. Não dá audiência. É preguiça, provocação.
"Não sei" é arrancar as páginas de possibilidades e reflexões de um livro bom, é posição de impedimento, é tirar o corpo fora. Puro descaso, covardia. O boicote das justificativas. A alergia dos práticos. A úlcera dos ansiosos.
É ter todas as respostas guardadas, preparadas, apontadas e ainda assim se esquivar. Ter a mancha de um crime nas mãos e negá-lo.
"Não sei" é a fuga dos que não se comprometem. É vazio de sentido, tentativa frustrada de absolvição. Inconveniente, conservador, teste e tortura da paciência.
"Não sei", piada mal contada. Cretina, infundada. Se esconde atrás da sombra e do suposto respaldo das abstenções.
"Não sei" compactua com o "porque sim" e o "porque não" como escape de continuação do asssunto. Simbióticos e injustos. Tenta parar o trânsito da prosa, mas é atropelado pelas interrogações.
É a pressa e o pecado da língua insana, o tormento das personalidades combativas, o desespero dos descordantes.
"Não sei" é a negação do recurso. Não remete ao passado e não liga ao futuro, é a pedra no caminho da decisão, a pedra no sapato dos objetivos.
"Não sei" como comodismo, escolha mais conveniente.
Nada bobo o "não sei", bastante sábio. Um perigo, um abuso. Deveria ser censurado, abolido, abortado. Ahhh o "não sei"... descabido e desnecessário!
Responda "não sei" pra mim e prepare-se para o show de questionamento. Tenha certeza de sua resposta, de sua falta de posição. Esteja seguro e armado. Armado de argumentação.
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