Nao Mereco tanto Amor
Alguns sentimentos não cabem em palavras. Apenas apertam o peito e nos fazem ansiar pelo incontrolável. Caminhamos assim, meio inteiros, meio devorados por aquilo que não sabemos nomear.
Insistimos no que não vale a pena até nos ferirmos por sentimentos e ilusões que criamos. A vida, porém, sempre acerta as contas: geralmente com algo que dói, mas que também abre os olhos.
Eu me apaixonei por você não pela sua aparência, e sim pela pessoa que você é. Desde o primeiro instante, eu sabia que seria você; o meu coração te escolheu. A tua risada e o teu jeito de falar... tudo em você me completa. Você é a única coisa que eu quero.
Amar não é ter posse, é ter parceria. Se eu a amo de verdade, eu a deixo viver, porque ela é dona de si mesma e não uma propriedade minha.
É impossível não se perder na doçura desse olhar e se encontrar na luz desse sorriso. Você é a definição perfeita de um anjo que caminha entre nós.
O seu valor real está na paz de deitar a cabeça no travesseiro e saber que a sua honestidade não está à venda. Caráter é o que você é, religião é apenas o que você diz seguir.
O que realmente me assusta nessa engrenagem religiosa não é o eco cansativo da palavra 'submissão'. O que me revira o estômago é o silêncio cirúrgico que vem depois. Há um arsenal de versículos prontos para moldar o corpo, o tom de voz e o tamanho da saia da mulher. Mas quando essa mesma fiel senta no banco do templo com a alma em frangalhos — ou com manchas roxas que o casaco comprido tenta sufocar —, a teologia deles convenientemente perde a voz.
Não existe um sermão de domingo contra o terrorismo doméstico praticado por maridos que, do lado de fora, simulam santidade. Não há clamor no altar contra o homem que usa as Escrituras como mordaça e o lar como cativeiro. Ao empurrarem a obediência cega e ignorarem o espancamento e a tortura psicológica, essas instituições não estão salvando casamentos; estão blindando criminosos. A igreja, que deveria ser o refúgio, escolhe ser o biombo que esconde o monstro.
Há uma pressa vergonhosa em exigir o perdão da agredida, obrigando-a a engolir o próprio choro para manter as aparências de uma 'família tradicional'. Mas na hora de estender a mão para arrancá-la daquele inferno, o discurso muda: dizem para ela orar mais, aguentar mais, carregar a cruz. Esse abandono não é apenas covardia, é cumplicidade de púlpito. A lição urgente que essas lideranças precisam aprender é que Deus não habita onde a violência é acobertada. Se a sua fé serve para controlar a vida de uma mulher, mas falha miseravelmente na hora de salvá-la da morte dentro de casa, ela não é religião; é apenas um pacto de silêncio mascarado de santidade.
Não precisamos de grandes
gatilhos de conexão,
porque temos muita disposição;
abro os segredos do coração
para nos convidar:
Vem, faça de conta
que estamos noutro lugar!
Permita-se comigo flutuar,
deixe fruir a imaginação
pelas vias da sedução
se encarregar de tudo aquilo
que não podemos recusar,
e não desejamos parar:
Vem, com vontade de perder
a hora e não querer mais
nada nesta vida encontrar!
Nós dançaremos e colheremos
nesta festa particular debaixo
da Araucária ou da Guabiroba
os frutos da paz amorosa
com a leveza de nos enveredar.
As palavras doces
e os mimos só cansam
quando não há uma
intenção verdadeira;
Quando há uma
intuição excessiva,
elas rompem a represa.
