Nao Mereco tanto Amor
A mulher elegante não disputa:
ela se retira.
Porque sabe quem é
e tem dignidade;
não precisa provar nada com palavras,
pois suas ações falam mais que discursos.
A mulher elegante não disputa
porque não desce ao nível.
Ela não disputa
porque entende que tudo tem limite.
Sabe conquistar o seu espaço
e, se o espaço não lhe pertence,
ela o deixa ir.
O fato de termos laços de sangue
não me obriga a amá-lo.
Há pessoas que, se não fossem nossas parentes,
não seriam nada nossas.
Nem sempre perdoar
significa permanecer.
Cortar laços com quem te faz mal
não é frieza
é proteção.
Às vezes precisamos do distanciamento mínimo
para não ser feridos,
para não ser magoados de novo.
O fato de termos laços de sangue
não me obriga a amá-lo.
Há pessoas que, se não fossem nossas parentes,
não seriam nada nossas.
Teu valor não ecoa na voz alheia,
não é moeda nas mãos do mundo;
ele nasce fundo, em silêncio e raiz,
tronco que cresce inteiro por dentro.
E mesmo quando a tempestade ruge,
tuas folhas resistem, firmes no vento;
porque és árvore que sabe quem é,
e não se curva ao peso do momento. 🌿
O propósito não é algo fixo. Ele muda, amadurece e se ajusta às fases da vida. Muitas vezes acreditamos que precisamos “descobrir o propósito da vida”, como se fosse uma única resposta definitiva
Historia, não drama
Minha ansiedade me acompanha
como um ruído constante,
um alerta que nunca desliga,
e junto dela
o medo de exagerar,
de sentir demais,
de parecer dramática
por simplesmente sentir.
Ela nasceu cedo.
Entre olhares atentos demais,
expectativas grandes demais,
e a sensação de que sentir
era sempre exagero.
Cresci ouvindo
que tinha tudo.
Casa, cuidado, conforto,
um berço chamado de ouro
— como se isso anulasse
qualquer vazio que coubesse em mim.
Quando doía,
não era dor:
era drama.
Quando eu reclamava,
era vitimismo.
Aprendi cedo
a engolir sentimentos
antes que alguém dissesse
que eu estava exagerando.
Meus irmãos gritavam mais alto,
quebravam mais coisas,
ocupavam mais espaço.
O do meio, o mais difícil,
recebeu colo em excesso,
atenção dobrada,
como se o amor fosse um prêmio
para quem dá mais trabalho.
E eu?
Fiquei quieta.
Aprendi a merecer afeto
sendo fácil.
Sendo compreensível.
Sendo grata.
Mesmo quando algo em mim
pedia socorro —
em silêncio.
Hoje, no amor,
minha ansiedade aparece
com cuidado demais,
palavras medidas,
e o medo constante
de ser intensa demais.
Não é ciúme,
é receio.
Não é cobrança,
é medo de perder.
Carrego um receio silencioso
de depender,
porque no fundo
ainda busco validação
como quem pede permissão
para existir
sem pedir desculpas.
Já disse a ele
sobre meu medo de abandono.
Não nasceu agora.
Veio de casa.
Veio das vezes em que fui ouvida
só quando não incomodava.
Tenho amor,
mas também tenho feridas.
Tenho entrega,
mas carrego alertas.
Não sei sempre explicar
nem organizar o que sinto,
e ainda assim
sinto —
mesmo com medo
de parecer dramática.
Não quero amar por carência.
Não quero ficar por medo.
Quero escolher.
Inteira.
Mesmo ainda aprendendo
a confiar
que meus sentimentos
não são exagero,
são história.
Pedido por gentileza
Queria me desculpar.
Não com você,
mas comigo.
Pelas vezes em que me cobrei demais,
em que fui dura com meus próprios passos,
em que agi sem me ouvir.
Me desculpar por ter carregado culpas
que não eram minhas,
por ter me olhado com severidade,
por ter esquecido de me tratar com carinho.
Me desculpar pelos julgamentos silenciosos,
até quando me afastei da fé,
como se eu precisasse ser inteira
para continuar sendo amada.
Há coisas que ainda pesam,
mesmo sem nome,
mas aos poucos
aprendo a soltá-las.
E também peço desculpas
pelas dores que causei,
pelos sentimentos que endureci,
pelo ego, pelo rancor
que falaram mais alto que o cuidado.
No fim,
talvez tudo isso seja apenas
um pedido simples:
aprender a me amar
com mais gentileza.
Eu me sentia invisível ao teu lado,
doía admitir — ausência não se apaga,
o tempo apenas cala o que é calado
e ensina a dor a descansar na vaga.
Segui meu rumo, outra mão tenho amado,
te contei, e o teu “feliz” soou vago:
era verdade ou gesto educado
pra esconder o indizível, sufocado?
Nunca soube se era defesa ou medo,
a tua condição, teu silêncio espesso;
fiquei — porque isso, ao menos, era afeto.
Hoje amo, e mesmo assim penso no avesso:
se um dia me amaste, guardo o segredo
e peço perdão por culpas que não peço.
Entre nós
Entre nós
existe um silêncio pesado,
daqueles que não nascem da paz,
mas da falta de conversa.
Vocês me olham
como se meus passos
fossem erros inevitáveis,
como se amar
fosse algo a ser condenado.
Palavras duras
pisam em assuntos frágeis,
e o que poderia ser cuidado
vira julgamento.
Até pediram
que outra pessoa falasse por vocês,
numa conversa fria,
desconfortável,
como se meus sentimentos
pudessem ser resolvidos
sem o calor de um abraço.
E eu me pergunto:
por que tentar se aproximar
se cada gesto
acaba me afastando mais?
Pai,
seu silêncio pesa
como uma porta fechada.
Mãe,
suas reclamações
ecoam mais alto
do que qualquer tentativa de entender.
Eu estou cansada
de lutar sozinha
por um espaço
que deveria ser meu por direito.
Só quero que entendam
uma coisa simples,
mas difícil de aceitar:
o tempo passou.
Eu cresci.
E embora ainda seja filha,
já não sou mais criança
para viver presa
às correntes do controle.
Calma, as vezes o recuo do mar não mostra coisas bonitas, mas, esse recuo é temporário e necessário....
para uma boa limpeza
Há uma solidão que só conhece quem vive entre dois mundos, pertencendo a tudo e não se sentindo dono de nada.
"Nem sempre a luz me guia. Às vezes é a própria escuridão que me revela por onde não quero mais voltar."
“Não sou meus pensamentos nem minhas emoções, mas o processo consciente que pode dialogar com ambos.”
Não há verdade que resista ao olhar do homem que aprendeu a contemplar o caos dentro de si com serenidade.
