Nao me Pergunte quem sou
Tememos a simplicidade como quem teme a nudez diante do espelho. Preferimos vestir as coisas de palavras difíceis, adornar o óbvio com teorias emaranhadas, acreditar que a beleza só existe no labirinto. É como se a complexidade fosse medalha de intelecto, e a simplicidade, um vazio vergonhoso.
"Só quem já teve a alma alcançada pela presença de Deus entende o peso sagrado daquele silêncio e daquela lágrima."
"Ser amado por silêncio dói menos que ser odiado por pensar — mas só pra quem tem medo da própria consciência."
Abro o livro como quem abre uma cela
e a gramática entra com chaves de prata.
"Existo", diz o guarda. Eu assinto e, sem notar,
já aceitei que existir é estado.
Pergunta primeira, feita em voz de ponte:
quem fala quando digo "eu"?
Ato que cintila ou coisa que permanece?
Nomear é pôr moldura onde só há clarão.
Repito: penso.
E o verbo, inquieto, não se deita em camas de mármore.
Ele passa. Ele acontece.
O sujeito que o monta é aparição, não peça de museu.
No jogo de linguagem, a regra é simples e feroz:
"existir" cobra documentos de continuidade,
pedem-se sinais de reidentificação,
pedem-se cicatrizes que atravessem anos.
Mas o pensar não traz carteira;
traz pulso.
A cada batida ele inaugura um quem,
um rosto-em-ato que se desarma com o próprio eco.
Olha a armadilha:
quando digo "existo" após "penso",
troco o brilho pelo bloco,
confundo faísca com minério.
Se existir é ser algo, dize que algo és sem congelar o rio.
Dize quem retorna intacto do atravessamento.
A palavra "eu" acena, mas não garante o passageiro;
é índice, não monumento.
Releio e o leitor que sou me contradiz com elegância:
cada leitura me inventa um autor anterior.
Logo, o eu que decide entender é posterior ao entendimento,
e o entendimento, anterior ao eu que o celebra.
A gramática faz truques.
Transforma atos em estados, eventos em essências.
É ventríloqua do ser:
põe voz de mármore no que é água.
Heráclito entra, enxuto:
o nome é margem, o ser é curso.
Quem bebe duas vezes no mesmo "eu"?
Quem devolve a gota ao desenho antigo?
Então aperfeiçoo o silogismo como quem desarma um dispositivo:
se penso, há presença sem propriedade,
há comparecimento do sujeito-em-ato,
há luz que não promete estátua.
Daqui não se segue substância,
segue cena.
Não se prova o dono, prova-se o surgimento.
O cogito é bilhete de entrada, não escritura do terreno.
E se me pedem definibilidade, aponto o necrotério das narrativas:
o corpo já cessou, logo o relato pode fixá-lo.
No arquivo, sim, há estados;
na vida, há verbos.
Portanto, conduzo-te pelo corredor das palavras
até a célula onde "existo" queria trancar o ato.
Abro a porta pelo lado do uso e deixo o ar entrar:
o que havia ali era só o brilho do acontecimento.
Conclusão, escrita na água com letra firme:
penso, logo apareço.
Sou em ato, não como estado.
Cogito, ergo fluo.
– Daniel A. K. Müller
A imaginação voa longe, a quem almeja conquistar alguma coisa, seja ela adaptada ou construída do zero, passamos diversos momentos pensando no que vai ser o melhor para todos e acabamos descobrindo a espera. Que é saudável para a construção de um grande negócio.
Cada mesa tem de respira segredos de quem domina o jogo da alta performance.
Os fracassos? São cirurgiões impiedosos da tua competência — mas só se tiveres coluna para aceitar que ainda não és quem pensavas ser. Existe uma linha invisível entre quem cura as próprias feridas e quem vive maquilhando-as. Essa linha chama-se rotina da excelência.
Alta performance não é hashtag para o Instagram — é código de vida que respiras em silêncio. E escuta bem: não falo apenas de escritórios e reuniões.
Para seres congruente com as exigências daqueles que te rodeiam, tens de dominar a arte da qualidade afetiva.
Relacionamentos exigem a mesma disciplina férrea que negócios. Disciplina constrói impérios.
Motivação? Evapora-se na primeira segunda-feira difícil.
A pergunta que importa: Qual é a rotina que defende a tua vida mesmo quando tudo desmorona?
Quem aprende a se levantar das próprias ruínas, descobre que é capaz de construir palácios dentro de si.
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