Nao me Importo com o que Pensam a meu Respeito
Sob o brilho das luzes neon e a escuridão do céu noturno, o mundo se revelava,
mas a imagem que meus olhos captavam era distinta daquela vista pelas outras pessoas;
jamais me encaixei, desde o primeiro choro na infância difícil
— e ali, no quarto escuro do começo, meu futuro já estava traçado: o diferente, o sonhador com uma visão única.
Me distanciei da fonte comum, onde todos saciavam a sede com as mesmas paixões banais,
os mesmos desejos de um jardim perfeito e uma vida confortável com as contas em dia;
não conseguia beber daquela fonte contaminada pela tradição, daquela água estagnada da mesmice.
Meu coração, essa engrenagem solitária e incansável, despertava ao som de um chamado indomável,
uma gaita de foles à margem do caminho, um blues rouco e melancólico da noite,
uma revelação intensa que a escola jamais apresentou e que meus pais nunca sequer mencionaram.
Que lancem as críticas, os diagnósticos, os conselhos cheios de boas intenções:
Eu amei, sim, eu amei profundamente o mundo e a beleza de sua desordem,
mas cada pulsação, cada alegria, cada desilusão, cada traço de afeto
— eu amei em solidão, dentro da caixa de ressonância do meu crânio, na imensidão deserta do meu quarto,
completamente e de forma extraordinária sozinho, sem ninguém além do teto empoeirado e do eco do meu corpo ardente.
NOVOS PÉS
Esfriei o teu canto nas minhas entranhas,
Pois perdeste o sentido no meu sentimento,
Foi um vento sutil que me arejou pra vida
E limpou este pátio para um novo ciclo...
Não insista que pense numa reciclagem,
Relação como a nossa nem é sustentável,
Desmatamos demais o nosso fundo ambiente;
Fomos algo intragável para qualquer tempo...
Resolvi declarar esta vaga em aberto,
Sem cair nas lacunas que já me fecharam;
Vou a busca do incerto; não quero remakes...
Joguei fora o café que não vou requentar,
Quero ter sob o mapa ou a planta do pé,
A leveza insondável de novas poeiras...
Se por enquanto estou no céu outono inverno, pouco importa. Meu coração está sempre aberto à luz que pode chegar... por isso nunca deixo a esperança, por mais grilos que saltem aos olhos.
Estou à espera do amor para ser estação definitiva dos meus passos. Muitos torcem para que minh´alma jamais receba esse dom... Para que a felicidade não seja definitiva nos domínios do que há de mais profundo e reservado em mim.
Serei feliz assim mesmo... Contra todas as previsões. Receberei essa graça numa hora inesperada. Quem olhar nos meus olhos verá flores... Os que duvidam de minha primavera... verão.
EDUCAR É VIVER
Demétrio Sena, Magé - RJ.
A criança confere o meu discurso
no percurso das minhas atitudes;
na firmeza ou na fuga dos meus olhos;
na transparência do que a fala diz...
O menino defere ou indefere
meus conselhos, as recomendações,
quando a própria postura me autentica
ou as contradições me desmascaram...
Valem mais as leituras das ações;
das lições de vivência consistente
no contexto real de minha vida...
Sou estrada pros passos do meu filho;
sou espelho da fé que o meu aluno
tem ou não neste mundo; nas pessoas...
PAIS, MÃES E FILHOS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Nunca tive saudades do meu pai. Tive, sim, saudades do pai que meu pai não foi. Na verdade, saudades de qualquer saudade que teria, se a minha história e de meus irmãos com ele fosse outra.
Ao me tornar e “retornar” pai, passei a ter medo. Um medo imenso de que minhas filhas algum dia não tenham saudades do pai que tiveram, mas, do pai que não fui. Ou que tenham saudades de qualquer saudade que pudessem ter, se nossa história fosse outra. Se tivéssemos história, pelo menos que valesse a pena lembrar.
Pais e mães deveriam refletir mais a respeito disso. Deveriam se preocupar em construir com seus filhos, histórias relevantes. De amor e presença. De atenção e cumplicidade. Se houver sofrimento - e sempre há -, que o sofrimento seja compensado por esses atributos indispensáveis à relação pai, mãe e filhos.
Que seja por egoísmo. Pelo simples deixar saudades. Não tem problema, porque esse egoísmo tem a capacidade mágica de salvar os filhos de uma frustração eterna.
NOCAUTE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Eram gritos demais pra pouco eco;
meu silêncio chegou a ficar rouco;
fui um louco incurável por você,
pela minha insistência em ficar são...
Foi usura sem bens, nenhum valor,
porque sempre sonhei lhe ter do nada,
sem falar desse amor trancafiado
no meu medo; na minha timidez...
Muita espera pra nenhuma procura,
tanta era e nenhuma ocasião
pro desvão dos meus olhos inibidos...
Deveria ter dado som aos gritos,
corpo ao mito, equilíbrio ao coração
que bateu até ser nocauteado...
CESTO DE LEMBRANÇAS
Demétrio Sena - Magé
Nas maçãs do meu rosto,
as lembranças de amoras
que vivi.
Dos meus pés atolados
em jacas e jambos...
eram como molambos
daqueles quintais...
Quando a gíria da hora
era chamar gente de bicho,
eu comia mais bicho
do que goiaba.
Gostava de carambola
por parecer estrela...
de banana ouro,
por enriquecer a barriga.
E para mim,
era distante, o figo... duma figa.
No coco da minha cabeça,
a vida manga de outrora,
porque me faz relembrar
que destas frutas
com que brinco agora,
umas nem eram pro meu bico.
Hoje são poesia
como a melancia
que já como,
como já como a pera.
Caqui pra nós;
pra mim sozinho:
O tempo passa
como as uvas
viram passas ou vinho.
... ... ...
Respeite autorias. É lei.
MEDO DO CLARO
Demétrio Sena Magé
Eu tenho medo do claro;
meu corpo todo estremece,
porque me sinto inseguro...
é justamente no claro
que a escuridão aparece...
e me dá medo do escuro...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
“Teus olhos são a bússola onde o meu destino repousa, navegando sereno entre o mistério e o desejo que murmureja no silêncio.” ©JoaoCarreiraPoeta.
“Teus olhos são estrelas que guiam meu destino, e no teu abraço, descubro que o tempo é apenas um sussurro pejado de infinitéssimos diante da eternidade do nosso amor.” ©JoaoCarreiraPoeta.
Campinas, 05/12/2025.
Tenho absoluta certeza de que meu lar é um refúgio acolhedor, onde cada ambiente irradia calor, amor e serenidade. As paredes guardam risos e memórias felizes, os cantos transbordam conforto e harmonia, e cada detalhe convida à paz, à união e ao bem-estar. É um espaço onde o coração se sente seguro, nutrido e profundamente em casa.
MEU INTERIOR
Eu banhava de cuia
E sabão d`cuada
O barro do riacho
Encardido ficava
Desnuda na praia
Só passava a boiada
Eu tibungava nos açudes
Saia da água renovada
Chovia em mim chuva de versos
Minha alma saia lavada
Nas ribanceiras caçava ingá
Manducava todo o jatobá
Depois eu pegava caminho
No atalho do carreirinho
Apreciava o casulo
E o ninho do passarinho
Atravessava a cerca de arame farpado
Pra catar canapum do mato
Quando eu chegava à casa de vó
Era hora do arroz pinicado
Parecia infindo o caminho do riacho
Era hora de acender as candeias.
Como eu vivia um lado avesso
Tudo em mim já estava aceso!
Eu sou o poder absoluto, dono do meu destino, e atraio justiça, clareza e força em todas as situações legais; com paciência, foco, confiança e determinação, tudo o que preciso para conquistar a vitória e ver a verdade reconhecida vem até mim, manifestando-se plenamente em minha vida.
Sangue igual ao meu, uma pessoa importante que Deus me deu o prazer de compartilhar uma vida até meus últimos dias, seja de tristeza ou alegria, que dure pra sempre esse amor, de irmão, ou seja, qual for, o importante é que nunca vou deixar de senti-lo!
Para minha irmã, Débora Caleffi de Almeida
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