Nao me Importo com o que Pensam a meu Respeito
Não tenho inimigos/as do lado de fora
o medo que devora a alma
é este meu único inimigo
só ele me retém
não me deixa ser
me devora
me mata aos poucos
fora isso...
é impossível que alguém me pare!
Não sou adepta as filosofias que possam roubar meu sorriso,
esse meu sentir exagerado, sincero e descuidado
Não aceito filosofia de tipo algum que possa me causar infelicidade
Não aceito nada que roube o meu prazer
em poder viver as simplicidades da vida
Não suporto a presença de pessoas pessimistas
Meu amor próprio não me permite forçar entrada ou permanência na vida de gente sem reciprocidade e empatia.
Se você procura perfeição entre as fendas do meu corpo, não fique...
Só o físico não me contenta, não satisfaz meus desejos, não me sa-ci-a a alma.
É que eu nasci para sentir o toque que vai além da minha carne a estremecer entre os dedos teus... E, somente o físico não há de me satisfazer. Sou viciada em intensidades.
Não mudo o meu jeito de ser ou de me doar
Eu mudo o rumo, entende?
Mudo a direção...
A minha direção...
Desviando das pessoas que são rasas.
Não importa o que falam de mim, o importante é manter meu caráter, pois se faço a diferença é porque obstáculos para mim é um desafio
É na infantilidade do meu pensar, que eu reconheço que ainda não perdi a alma de menino, a verdadeira.
Se eu amanhã não tiver a esperança noutro depois, é sinal que o meu hoje anda de mal comigo e não me dá futuro.
CIGARROS QUE NÃO FUMO
Antes de sair de casa eu disse e redisse:
Até logo, eu volto já
Ao meu lar,
Vou só ali ao quiosque comprar
Cigarros,
Escarros,
De grumo
Que não fumo.
E fui ao quiosque da esquina
Do meu esquinal
E, não me levem a mal:
Foi aí que encontrei
E desejei
Uma mulher pequenina
A vaguear no seu andar sem rumo,
Junto ao quiosque do meu fumo,
Que ficava naquela esquina.
Intestina
Da minha esfumada sina
Que já foi de nicotina,
Mas ao conhecer a pequenina
Deixei tão amarga amarra
O fumo, ao som de uma guitarra.
Farra,
Louca por amar
E nunca,
Nunca
Mais voltei ao meu lar...
(Carlos De Castro, in Poesia num País Sem Censura, em 05-08-2022)
O MEU POEMA MAIS CURTO - o primeiro
Plantei uma árvore.
Sem enxada.
Não precisei de mais nada.
A não ser as mãos.
E a árvore.
(Carlos de Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 14-10-2022)
O LAR DO SOFÁ VELHO
Não chores meu velho
Como eu, a ficar a sê-lo.
Nunca pensaste como ainda penso,
Vá, pensa:
Porque o pensar é de graça,
Afinal o que nos resta.
Já não é a tua casa,
O teu cheiro
E os odores por ti criados
Naquela casita perto do mar
Onde gaivotas te iam beijar
Pela manhã, famintas,
Do teu dar
E abrigo procurar
Nas tardes fortes de tempestade.
O teu lar, agora, é o teu penar...
Outros cheiros,
Gentes que nem sempre gostam de ti,
Pelo que vi, senti e ouvi.
E então fugi, fugi dali
Tão amargurado.
Que triste, é do homem fado
Deixado num sofá velho
A tremer de medo,
Naquele cubículo sem afetos
Onde reinam os dejetos,
Muita fome amordaçada
E mais...
Aquele horrível pecado
De os não deixar morrer
Na sua velhinha cama.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 27-06-2023)
TALVEZ UM POEMA MEU DOS MAIS CURTOS
Para mim, não há ano novo
Civil, religioso ou profano,
Quando a fome ataca o povo
No pântano em que me movo,
Neste mundo demais insano.
Quem elaborou o plano
Das horas e do calendário
Que rege o mundo, afinal?
Dizem que foi um mortal
Quiçá um gregoriano,
Papa, de certeza com papa
Garantida todo o ano.
Vieram os contadores dos tempos
Em épocas bem mais remotas,
Babilónias, Egípcias e Chinesas
E para maiores certezas
Perguntem lá ao Hiparco,
O grego que não Aristarco,
Nas matemáticas catedrático,
Se há justiça no relógio
Que marca sem sortilégio
Eu ter de me levantar,
Às três e meia da matina
Há trinta anos volvidos,
Matadores dos meus sentidos
Feita já minha doutrina.
Pobre o povo que continua
Sem ver o sol nem a lua,
Em dias e noites sem nevoeiro.
Não há cesto sem cesteiro,
Um dia, irá ser o primeiro
Da revolta
Presa ou solta,
Do teu ano, por inteiro.
Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-12-2023)
Meu Amigo
Para amigos não existe tempo
É estrada sem direção
Eu ando do seu lado
Você só lado do meu coração
A distância e o tempo podem passar
De você viu sempre lembrar
Um churrasco na tua casa
Longas conversas, boas risadas
Diz que és meu amigo
Mas é caso sem solução
E se foi Deus quem me deu
Vou te levar como irmão
Escrever não é deixar meu ego ter palco.
Não tenho na escrita uma plataforma de autoafirmação.
A escrita pra mim é, primeiramente, um refúgio.
Onde me escondo dos ruídos.
Um lugar de calmaria e autoconhecimento.
Exploração e expansão.
Meu ser, em identidade.
Respirando e expirando.
Tenho a escrita como uma manifestação mais que criativa.
É arte, é vida, é beleza e caos.
Conforto e confronto.
Despedida e saudade.
Acenar e abraçar.
Sentir sem ignorar.
A escrita pra mim é viva.
Um fluido orgânico e intenso da totalidade de quem eu fui, sou e quero ser.
Como ver e não pensar?
Como pensar e não sentir?
Como sentir e não externar?
Como externar e não escrever?
A escrita pra mim ocupa esse lugar.
Um lugar que é só meu, mas o torno compartilhado.
Afinal, nenhuma experiência é individual.
Escrever a minha experiência é, também, experenciar o outro.
Escrever é experenciar o ser.
Ser humano.
Ser gente.
Não vou mais perder meu sono por alguém que só existo as vezes nas horas que lhe convém.
Não vou mais me fingir de cego, por alguém que só enxerga a si mesmo e mais nada além.
Não terei mais esperança, por alguém que só tem esperança dos seus próprios sonhos, principalmente porque os sonhos não te incluem.
Posso te amar no momento, mas não me subestime pensando que só existe você nesse mundo. Eu existo e com certeza haverá alguém que me enxergue com os olhos, com o coração e queira fazer nossos caminhos juntos. Deus é bom, acredito nele.
"Gostaria de não utilizar meu cérebro atoa, mas sim, com alguém que compreendesse-o, tanto quanto compreende o seu."
Travesseiro
Rolando na cama
com uma dor no coração
meu travesseiro não reclama
das lagrimas que sobre ele derrama
É no travesseiro que abafo meus gritos
que enxugo meu pranto
que confesso meus medos
descanso a cabeça pesada de lamentos
Ah! Meu amigo ouvinte
que escuta e não retruca
meu confidente
que não me julga
Bom seria encontrar alguém assim
que me ouvisse sem críticas
que acreditasse em mim
que nunca me desse às costas.
Letras de sangue
Quando escrevo poesia
Não é só letras que gravo
É meu sangue que se esvazia
É uma grande luta que travo
Entre letras e linhas
Minha alma solta um brado
Um grito desesperado
Que só ouve quem lê
Quem tem sensibilidade
Aquele que além do superficial vê
Que minhas letras são meu sangue
É meu refúgio de toda insanidade
Que perpetua a humanidade.
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