Nao me Deixa te Odiar

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O tempo não cura tudo, apenas muda o lugar onde a dor se acomoda. Às vezes ela se torna menor, às vezes muda de forma, às vezes se transforma em sabedoria. E em raros momentos, vira força. Mas nunca desaparece totalmente.

Não nasci para ser inteiro, nasci para ser verdadeiro. E a verdade, por vezes, é feita de fragmentos difíceis de aceitar. Mas são eles que compõem quem realmente somos.
E isso basta para caminhar.

Há perguntas que não fazem sentido hoje, mas salvarão o futuro. Perguntas que parecem punição, mas são preparação. E quando a resposta finalmente chega, percebemos que o caminho era necessário. Mesmo quando doía.

Meu coração carrega cicatrizes que não conto
a ninguém. Não por vergonha, mas porque algumas dores não cabem em palavras. Elas apenas me lembram do caminho que trilhei.
E por mais tortuoso que tenha sido,
ainda estou aqui.

Quem atravessa a noite com os olhos abertos aprende que a aurora não é escolha, é promessa escrita nas frestas da madrugada.

Não existe fracasso, existem histórias mal lidas, esperando a luz exata para revelar seu sentido.

A fé humilde não nega o medo, atravessa-o com mãos trêmulas
e passos pequenos, sem
desviar o olhar.

A dor não é fim, é página espessa que engrossa a letra da coragem e nos obriga a reler a vida.

Esperar não é inércia, é plantar coragem todos os dias no terreno instável do tempo.

Aos tolos, eu gritei que não sabem que o silêncio cresce e se espalha de forma destrutiva, como se fosse um câncer social.

O amor não é uma escolha, mas um precipício: ou se vive por ele ou se cai para o eterno silêncio.

Se o destino não me permitir este amor, que o rio da desilusão me engula por inteiro.

A luz que espero não é a do sol, mas a que brilhará no momento em que eu te fizer minha.

Cada batida do meu coração é uma nota em luto pela vida que não terei se não for a teu lado.

A dor que não cala transforma-se em matéria-prima da compaixão oferecida ao outro.

Há músicas que não se ouvem: vibram nos ossos, correm nas veias e repousam no silêncio da pele.

Que a fé seja ponte para mãos trêmulas, não muro erguido pelo medo do outro.

Não carregue o passado como fardo, transforme-o em trilha que ensina onde pisar.

Estive entre ossos secos e almas já sem brilho, um cemitério de olhos que não mais ardia. Corvos pousavam nas minhas falhas, cravando olhares como pregos, aguardando o instante em que eu iria finalmente ceder. O vento cheirava a metal e pó, passos distantes soavam como facas nas paredes do peito. Como um carvalho retorcido pela tormenta, segurei o que restava de mim. Juntei raízes como dedos enegrecidos, afundei-os na terra estilhaçada e bebi, com avareza, o pingo de água que sobrava. A umidade tinha gosto de lembrança e sangue seco. Numa fenda da planície estéril, meu cárcere aberto ao sol, apareceu uma lâmina tão pequena que quase se escondia, uma promessa miúda, de luz, como se a aurora tivesse voltado com as unhas quebradas.
Cada fibra do meu corpo lutava contra o esquecimento, contra a areia que roçava os tendões e tentava sepultar a centelha final. A areia não era neutra: sibilava, entrava pelas gengivas, raspava a língua. Sobreviver não bastava. Havia que coagular a dor, transformá-la: o peso da solidão, o sussurro venenoso da desistência, tudo virou húmus amargo para uma vontade que recusava morrer.
O solo rachado não ofereceu descanso, ofereceu lições. Rachaduras cuspiam pó que cheirava a ossos e foi nelas que aprendi a perfurar, a furar a crosta do desespero com unhas encravadas. Busquei, com um fervor áspero, uma nascente que se escondia debaixo do olhar dos mortos, uma força profunda, mútua com a escuridão, que não se entrega ao alcance.
As sombras permaneceram comigo, não como inimigas, mas como mapas invertidos: eram faróis que apontavam para onde eu jamais devia olhar de novo. E então, o tronco que antes dobrava sob o sopro do mundo começou a endireitar, não por graça, mas por insistência, por teimosia sórdida. Mesmo naquele deserto que parecia ter consumido até a fé, a vida voltou, torta e obstinada, rasgando a casca do nada para cuspir, por um instante, seu próprio clarão, sujo, ferido, impossível de apagar.

Acordo com a sombra de um ontem na garganta, onde palavras não ditas fermentam como feridas abertas. Seguro o silêncio entre os dentes, conto as batidas do escuro, e aprendo que a esperança às vezes nasce de uma cicatriz que respira.