Nao me Deixa te Odiar

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Quase não restam lembranças boas da minha infância. Talvez nunca as tenha vivido, ou talvez algo em mim tenha morrido antes mesmo de aprender a ser feliz, deixando apenas um vazio frio onde deveriam habitar memórias e calor.

Escrevo poemas tristes não por gosto, mas porque aprendi a viver assim, mergulhado em dores silenciosas, em lembranças que não se dissipam, e em uma tristeza que se tornou meu idioma, apenas transmito o que realmente sinto.

Não posso ensinar nada, porque ainda vivo em construção, minhas certezas são andaimes e meu eu, uma casa inacabada.

Meus professores não tinham nomes gentis, foram a tristeza, o sofrimento e a incerteza. Nunca fui um bom aluno, por isso ainda tento decifrar suas lições.

Feridas abertas não são fraqueza, são a coragem brutal de cicatrizar, onde o sangue se ergue em semente de eternidade.

Persistir é a revolução mais feroz, não o confronto que derrama sangue, mas a guerra secreta que recria o próprio ser.

Cada lágrima cai como aço incandescente, não é fraqueza, é raiz, é a dor que germina força no deserto da alma.

O medo ronda, mas não governa, é sombra frágil diante do peito em chamas, um invasor que nunca tomará morada.

Antes, esta página abrigava frases com densidade e sensibilidade, não havia espaço para superficialidade. Agora transformou-se num repositório de textos gerados por IA ou bordões de ônibus, um empobrecimento que, infelizmente, se repete em muitos lugares.

Eu escrevo para não transbordar, o papel se torna meu confidente, onde meus pensamentos escorrem em rabiscos que carregam todas as minhas cicatrizes invisíveis, que além de mim, ninguém consegue as ver.

Caminhamos para um futuro incerto, vindos de um passado que não nos pertencia, a vida oferece-nos não escolhas, mas estradas traçadas, onde o impossível e o inevitável se entrelaçam a cada passo.

O fim não existe, é apenas o instante em que a dor vira recomeço, quando a queda se converte em força.

O passado não me arrasta, me arma, não é peso, mas fundação, é raiz indestrutível da árvore que sou.

"Dayenu"

Se Ele nos tivesse tirado do Egito, e não tivesse feito justiça contra os egípcios,
teria sido suficiente.

Se Ele tivesse feito justiça contra os egípcios,
e não tivesse destruído seus ídolos, teria sido suficiente.

Se Ele tivesse destruído seus ídolos,
e não tivesse matado seus primogênitos,
teria sido suficiente.

Se Ele tivesse matado seus primogênitos,
e não tivesse dado suas riquezas ao nosso povo, teria sido suficiente.

Se Ele tivesse dado suas riquezas ao nosso povo, e não tivesse aberto o Mar Vermelho diante de nós, teria sido suficiente.

Se Ele tivesse aberto o Mar Vermelho diante de nós, e não tivesse nos feito atravessá-lo em terra seca, teria sido suficiente.

Se Ele tivesse nos feito atravessá-lo em terra seca, e não tivesse afogado nossos opressores no mar, teria sido suficiente.

Se Ele tivesse afogado nossos opressores no mar, e não tivesse nos sustentado no deserto durante quarenta anos, teria sido suficiente.

Se Ele tivesse nos sustentado no deserto durante quarenta anos, e não tivesse alimentado com o maná, teria sido suficiente.

Se Ele tivesse alimentado com o maná,
e não tivesse nos dado o Shabat,
teria sido suficiente.

Se Ele tivesse nos dado o Shabat,
e não tivesse nos aproximado do Monte Sinai,
teria sido suficiente.

Se Ele tivesse nos aproximado do Monte Sinai,
e não tivesse nos dado a Bíblia, teria sido suficiente.

Se Ele tivesse nos dado a Bíblia, e não tivesse nos introduzido na Terra de Israel, teria sido suficiente.

Se Ele tivesse nos introduzido na Terra de Israel, e não tivesse construído para nós o Templo Sagrado, teria sido suficiente.

O mal não é uma falha ocasional da humanidade, mas um traço indelével de sua essência, irreversível como o tempo.

Não há estrada que volte, nem pegada que se refaça. O tempo não devolve nada,
ele apenas arranca.

No breve tempo que me ausentei, ao regressar, percebi que já não era o mesmo. Os sentimentos haviam se esvaído como água entre as mãos, e em meu peito apenas o silêncio se aninhava. Aquele eu que um dia partira, morreu no exílio do tempo e jamais retornaria. Em seu lugar, restou apenas uma sombra errante, um eco de mim mesmo, condenado a habitar a casa, mas nunca mais a pertencer a ela.

Não sou triste; sou um deserto onde a felicidade se perdeu como miragem. Caminho por suas areias quentes, carregando sede de algo que jamais tocarei. Cada passo levanta nuvens de lembranças secas, e o vento que passa parece sussurrar risos que não me pertencem. Aqui não há flores, apenas o eco vazio de promessas que evaporaram antes de nascer.

Meu coração não é ferida, é forja onde nascem vitórias.

Cair é só parte da estrada de quem não desiste do voo.