Nao me Conte seus Segredos

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Eu me reconstruí tantas vezes que já não sei mais onde termina a dor e começa a coragem.

Há uma força invisível em quem decide não desistir, mesmo quando o mundo inteiro já virou as costas.

A fé não elimina o medo, mas impede que ele seja o autor da minha história.

Eu não sou o que me fizeram, sou o que sobrou depois do impacto, o que sangrou, caiu… e ainda assim se levantou.

A vida não me poupou, mas também não conseguiu me apagar.

Carregar cicatrizes é provar que a vida tentou, mas não conseguiu te vencer.

Há uma forma de existência que nasce depois do colapso, uma existência que não depende mais de sentido, apenas de permanência.

Eu não me reconstruí, eu me reorganizei em torno do que não conseguiu morrer.

Há um silêncio dentro de mim que não é ausência, mas excesso de tudo que nunca pôde ser dito.

Eu permaneci não porque havia esperança, mas porque algo em mim se recusou a obedecer ao fim.

A vida não me moldou com cuidado, ela me atravessou até que eu descobrisse o que em mim era inquebrável.

Eu não venci a dor eu aprendi a coexistir com ela sem permitir que ela decidisse o meu fim.

Há algo quase indestrutível em quem já não teme mais se perder, porque já esteve perdido e voltou.

Existe um tipo de cansaço que não pede descanso, pede sentido e ainda assim eu continuo sem nenhum.

Eu não superei o passado, eu o incorporei como parte do que me mantém de pé.

Eu não encontrei saída, eu me tornei a própria travessia.

Existe uma força em mim que não é bonita, é necessária.

Há dores que não pedem cura, pedem espaço. Porque, quando negadas, não desaparecem… apodrecem em silêncio e, inevitavelmente, destroem tudo ao redor.

Eu não fui salvo, fui atravessado pela ruína até que algo em mim deixasse de ceder, não intacto, não ileso… mas irrepetível na queda e, por isso, cada vez mais difícil de ser destruído.

Existe uma esperança que não salva, ela não acende luz alguma. Não guia, não aquece, fica ali, mínima, quase ausente, como a fresta estreita por onde o ar insiste em entrar quando tudo já deveria ter sufocado. É estranha, silenciosa, não promete futuro, nem redenção, apenas suspende o fim. Há dias em que ela pesa mais que o próprio desespero, porque continuar, mesmo sem horizonte, exige um tipo de coragem que ninguém celebra, um tipo de fé que não se nomeia. Ainda assim, ela permanece, como um resto de pulso sob a pele fria, como um corpo que não sabe mais viver, mas também não aprende a desaparecer, não é luz, mas também não deixa escurecer.


- Tiago Scheimann