Nao me Comove mais

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Para os que Virão: VI

Se algum dia lerem estas palavras, saibam: nossa maior doença não foi a depressão, mas a cegueira que nos impediu de vê-la como tal. Durante séculos, tratamos a dor da alma como fraqueza, o desespero como falta de caráter, o vazio existencial como preguiça. Transformamos sofrimento em vergonha, e a vergonha em silêncio. Enquanto negávamos diagnósticos, construímos um mundo doente: competitivo até a exaustão, individualista até a solidão, rápido até a desconexão.

A depressão não é "falta de Deus" ou "modinha". É o corpo gritando que a vida pesa mais que os ossos podem carregar, nós ignoramos a química cerebral, menosprezamos traumas, romantizamos a resistência. E, assim, permitimos que milhões definhassem em leitos invisíveis, sem remédio ou acolhimento.

Vocês, que herdarão o futuro, não repitam nosso erro. Enxerguem a saúde mental como direito, não luxo, ouçam os suspiros antes que virem colapso. Construam uma sociedade que não precise adoecer para descansar. Lembrem-se: a humanidade só avança quando cuida dos que caem não quando os chuta para frente.

Sejam mais sábios. Sejam mais humanos.

Inserida por CesarKaabAbdul

Para os que Virão: Parte VII

Não permitam que a infância seja engolida por retângulos de luz, pois, as telas são um veneno doce, que adormece mãos curiosas e aprisiona olhos que deveriam decifrar o mundo. Exijam que as crianças caiam no chão, risquem os joelhos, sintam a terra úmida escorrer entre os dedos. A lama não é sujeira: é tinta, é mapa, é o primeiro diálogo com a vida real.

Há uma conspiração silenciosa para substituir o cheiro de grama molhada por notificações, o susto de uma minhoca por likes. Resistam. Brincar na terra não é nostalgia é treino para ser humano, é ali que se aprende a criar com o que existe, a frustrar-se com as formigas que invadem o castelo, a celebrar a tempestade que arrasa tudo. A tela ensina a consumir; a terra, a transformar.

Não tenham medo do tédio, do barro nas unhas, do silêncio que parece vazio. É nele que a imaginação cresce raízes. Seu futuro não será salvo por algoritmos, mas por mãos que sabem semear.

Desliguem. Cavem. Existam.

Inserida por CesarKaabAbdul

Para os que Virão: VIII

Não se enganem: todo sistema que aprisiona sonhos, engessa corpos e cala vozes nasce frágil. Sua força vem do medo que plantam em nós. Rebelar-se não é apenas queimar estruturas; é recusar-se a engolir mentiras vestidas de normalidade.

Olhem em volta: as grades são invisíveis, mas estão lá nos salários que não alimentam, nas regras que humilham, nos corpos que definem quem merece existir. Resistir é honrar os que vieram antes, com nomes apagados e histórias roubadas. Cada passo contra a opressão é um fôlego novo no pulmão da humanidade.

Não tenham medo da desordem. O mundo que prometem "seguro" é o mesmo que adoece, exclui e apaga. A verdadeira pergunta não é "O que vamos perder? ",mas"O que mais podemos ganhar se ousarmos?".

Rebelião não é destruição: é cura. É dizer "não" quando o sistema exige seu "sim" silencioso. Herdem esta chama. Não a deixem morrer na comodidade do esquecimento.

Aos inquietos do futuro, com fé.

Inserida por CesarKaabAbdul

Para os que Virão: Parte X

A desigualdade não é um acidente da história, mas uma escolha repetida. Herdam um mundo onde riqueza, oportunidades e dignidade foram distribuídas como privilégios, não como direitos. Saibam: a justiça não brota por conveniência. Exige ruptura.

Não se enganem com discursos que culpam os pobres por sua pobreza ou glorificam o mérito em um tabuleiro desigual. A luta contra a desigualdade começa quando reconhecemos que ninguém é livre enquanto há pessoas reduzidas a números, corpos descartáveis, vozes abafadas pelo ruído do poder.

Seus antepassados combateram sistemas, mas muitos preferiram negociar migalhas em vez de redistribuir o pão. Não repitam o erro. Sejam radicais: eduquem, redistribuam, desmontem hierarquias. Não basta amenizar sintomas; curem a doença. A terra, o trabalho, o conhecimento tudo deve ser comum.

Desconfiem de quem diz "é assim mesmo". O futuro não é um destino, mas um projeto. Escolham: perpetuar pirâmides ou construir círculos. Lembrem-se: enquanto um existir de joelhos, a humanidade não estará de pé.

A luta é longa, mas a semente da igualdade só germina quando plantada com as mãos sujas de ação.

Inserida por CesarKaabAbdul

⁠Morrer é não viver a Realidade.

Inserida por youlubs_company

Aos que Virão: Não Deixem de Ser Comunistas

Não confundam comunismo com dogmas ou estátuas caídas. É, antes, a recusa eterna à exploração do homem pelo homem. Lembrem-se dos que ousaram: Marx, que desnudou as engrenagens do capital; Lenin, que transformou teoria em revolução, mesmo entre erros; Che Guevara, médico que trocou a bisturi pela guerrilha, buscando curar a América Latina da opressão. Angela Davis, mulher negra que uniu marxismo à luta antirracista. Salvador Allende, morto defendendo a democracia com pão e livros. Thomas Sankara, que em Burkina Faso plantou árvores e ideais anticoloniais. Ho Chi Minh, que expulsou impérios do Vietnã.

Critiquem seus excessos, mas não joguem fora a utopia com a água suja da história. O comunismo não é museu: é horizonte. Enquanto houver um patrão sugando o suor alheio, um favelado sem teto, um indígena sem terra, o comunismo será necessário. Não por fanatismo, mas por justiça.

Aos que herdarão a Terra carbonizada: lutem, mas lutem sem perder a humanidade. O futuro é uma trincheira que exige tanto coração quanto crítica. Não desistam. Reinventem.

Inserida por CesarKaabAbdul

Não Deixem que as Folhas dos Livros se Apaguem

Vocês que chegarão depois, escutem: os livros não são apenas tinta e papel, são ventrículos de mundos que respiraram antes de vocês. Cada página guarda o suor de quem pensou, o tremor de quem duvidou, a coragem de quem imaginou o impossível. São mapas de sonhos e cicatrizes, e seu silêncio é um sussurro ancestral.

Não permitam que a pressa do futuro transforme essas folhas em pó. Cuidado com as telas que brilham, mas não aquecem; com as palavras que voam, mas não criam raízes. A tecnologia pode armazenar dados, mas não sabe traduzir o cheiro de um livro antigo, o peso da história na palma da mão.

Se as folhas se apagarem, seremos órfãos de nós mesmos. Cada livro esquecido é um véu rasgado no espelho da humanidade. Toquem as páginas, sublinhem frases, emprestem histórias. Façam dos livros pontes, não relíquias.

O futuro será árido se enterrarmos a voz dos que vieram antes. Lembrem-se: um mundo que despreza suas narrativas é um mundo que perdeu a alma.

Não carreguem apenas o amanhã nas costas. Carreguem o fogo das palavras. Assim, quando o vento soprar, ele não apagará as folhas apenas as fará dançar.

Inserida por CesarKaabAbdul

⁠ ***O cérebro é o único órgão do corpo humano que não sente dor, porem é a fonte de todas as dores que o ser humano pode sentir.***

Inserida por edson_mateus

⁠Corujinha, corujinha
Que peninha de você
Fica toda encolhidinha
Sempre olhando, não sei o quê.

O seu canto de repente
Faz a gente estremecer
corujinha, pobrezinha
Todo mundo que te vê
Diz assim, ah! coitadinha
Que feinha que é você.

Quando a noite vem chegando
Chega o teu amanhecer
E se o sol vem despontando
Vais voando te esconder.

Hoje em dia andas vaidosa
Orgulhosa como quê
Toda noite tua carinha
Aparece na TV.

Corujinha coitadinha
Que feinha que é você!

Vinicius de Moraes
A arca de Noé. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1993.

Nota: Poema A corujinha.

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Inserida por viviane_1

⁠Não teve flores
Não teve velas
Não teve missa
Caixão também...
Foi enterrado
Junto à maré
Por operários
Mesmos do trem...

A flor de orvalho
Pendeu da nuvem
E pelo chão
Despetalou...
O céu ergueu
A hóstia do sol
E o mar em ondas
Se ajoelhou...

Cortejo lindo
Maior não houve
Do que o da morte
Desse amiguinho:
Iam vestidas
Com a lã das nuvens
Todas as almas
Dos carneirinhos!

Os gaturamos
Trinaram hinos
No altar esplêndido
Da madrugada;
E o vento brando
Desfeito em rimas
Foi badalando
Pelas estradas!

Vinicius de Moraes
A arca de Noé. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1993.

Nota: Poema A morte de meu carneirinho.

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Inserida por viviane_1

⁠Eu sei que não vai ser fácil, mas prometo que qualquer barreira que vier, eu tô contigo, nada vai abalar nosso amor.

Inserida por airton_rodrigues

⁠" INVEJA "

Na boca não lhe amarga a nicotina,
mas, sim, o fel da inveja ali sentida!
Julgara que a paixão fôra, em partida,
e que voltara a armar à própria sina!...

Sua alma, machucada, ressentida
perante a solidão, tão pequenina
lhe impulsa essa vontade má, ferina,
de dar vingança a tal paixão perdida.

O olhar propaga o fel que está presente
no sentimento incauto que, ora, sente
e já não faz segredo de que existe…

A nicotina não lhe amarga a boca,
mas essa inveja, intolerante, louca,
que, sem olhar pro tempo, ali persiste!

⁠Há momentos na vida em que olhamos para trás e não conseguimos explicar exatamente o que aconteceu. Só sabemos que desde que aconteceu, nunca mais nada voltou a ser o mesmo.

Inserida por viviane_1

⁠Ficar sozinho é um antídoto, um período de liberdade para eu ser quem sou e não o que sou obrigado a ser. Estar sozinho é o que tem me mantido a salvo da loucura e principalmente de outras pessoas.

Inserida por viviane_1

⁠Por muitas vezes, sinto-me como se não pertencesse a lugar nenhum.

Inserida por viviane_1

Um sonho não vivido
Um passo não dado
Um caminho não percorrido
Saudade do que não vivi

Inserida por ulisses_formiga

⁠Existem momentos que nos mudam para sempre. Dores que não podem ser esquecidas.

Inserida por viviane_1

⁠Silêncio estou a ouvir o vento bramir
Mas não digas que o silêncio é mentiroso.

⁠DECLARO

(...)

Eu quero ser um sorriso em seu rosto,
mas se você não puder sorrir,
fique tranquila, eu irei guardar esse sorriso somente em mim, e irei suportar.

Inserida por acessorialpoeta

Você foi chamado para o campo de batalha e não para o parque de diversões.

Inserida por glena_olliver