Nao Magoe uma Mulher
Os olhares enganam ou podem ser mais verdadeiros que as palavras, cabe a cada um saber e sentir por si mesmo.
Homens e mulheres são diferentes e irredutíveis um ao outro, mesmo que isso seja um problema para a igualdade perante a lei e o Estado de Direito.
Dani Dandanis
Dani Dandanis, nome que dança nos lábios como um segredo encantado,
flor que desabrocha onde o sol hesita em pousar.
És a aurora vestida de silêncio,
a estrela que não pede espaço no céu —
simplesmente o ocupa com graça infinita.
Teus olhos, dois mares onde navegam sonhos,
guardam tempestades suaves,
ondas que acariciam a alma,
não a destroem — a redescobrem.
Neles, vejo mapas de mundos não escritos,
histórias que a poesia ainda ousa sonhar.
És inteligência em forma de riso,
sabedoria que dança nos gestos,
palavras que nascem como música
e não como discurso.
Falas e o tempo se curva,
como se o universo quisesse ouvir
o que só tu sabes dizer.
Não és bela por acaso,
nem por moldes que a sociedade impõe.
És bela por essência,
por seres inteira,
por carregares dentro de ti
a chama que ilumina sem queimar.
Teu sorriso é um poema não publicado,
teu andar, um verso em movimento.
Entre todas as meninas,
és a que faz o coração parar
e depois bater em ritmo novo.
Entre todas as mulheres,
és a que ensina com o silêncio,
a que cura com um olhar,
a que transforma o comum em sagrado.
Dani Dandanis, nome de melodia rara,
és o encontro do céu com a terra,
da razão com o encanto,
da força com a ternura.
Não és apenas a mais bela,
nem apenas a mais inteligente —
és o equilíbrio que o mundo
nunca soube que precisava.
E se a poesia um dia se cansar de rimar,
bastará sussurrar teu nome:
Dani.
E tudo fará sentido outra vez.
Minha timidez me impedia de interagir com os colegas da repartição. Parecia que todos já estavam inseridos em grupos ou tinham amizades sólidas formadas. Como eu não sabia me aproximar e quebrar essa barreira, me isolava ficando na praça com um livro como se estivesse em uma leitura envolvente, o que nem sempre era real.
Domingo é o dia do nada. Tudo parado e sem graça... Nem Deus aguentou a monotonia do domingo e resolveu criar o mundo. O excesso de vazio e de ociosidade pode trazer ideias interessantes.
Sábado todo mundo gosta, sabes por quê? — continuou ela, num tom como se me revelasse o maior mistério da humanidade. — Porque foi o único dia que Deus abençoou. Independentemente da religião ou do credo, de acreditar ou não, sábado é bom para todo mundo... no mundo todo. Conheces alguém que não goste do sábado?
Já sexta-feira... foi o dia que Deus criou o homem. É o dia que as pessoas gostam de sair para conhecerem outras… Tu fazes ideia de quantas crianças foram concebidas numa sexta-feira?
Nos dias que se seguiram, ele continuou a me desenhar. Erguia o meu queixo, dizendo: Posture. Bright look. Smile on the face. De tanto que ele falou, decorei. Não só decorei, como apliquei na minha vida. Postura. Olhar brilhante. Sorriso no rosto.
Tua postura é incoerente com a tua beleza. Tens um olhar tão lindo, um sorriso bonito, ombros bonitos e como te portas? Andas a encolher-te como se procurasses esconder-te. Como se não quisesses que ninguém te notasse
Sorrias mais e lembra-te sempre dessas três coisas: postura, olhar brilhante e sorriso no rosto. A beleza se resume a isso
As árvores são testemunhas silenciosas da humanidade. Ah! Se elas falassem… contariam cada história!
Imaginava que as pessoas me veriam nas ruas e comentariam umas com as outras, me apontando: “É ela!” “Será?” “Sim, é ela!” “Vamos nos aproximar?”. E se aproximariam e me veriam esplêndida. E quando eu ficasse mais velha, com minha beleza mais ofuscada, ainda me reconheceriam pelo brilho nos olhos, pela postura elegante e pelo sorriso na face. E quando eu morresse, eu não morreria, permaneceria viva, aplaudida e admirada em toda minha beleza.
Eu a amei muito antes de ter consciência do que era o amor. Eu a quis muito antes de saber o que era querer. Eu a admirei ainda infante. Na minha ingenuidade infantil talvez eu já tivesse reconhecido nela o meu grande amor, a minha mestra, a minha amiga, a minha doce companhia, a minha musa, a minha obra de arte favorita.
Ela havia conseguido mesmo o que mais queria: ser vista e admirada, tendo sua beleza eternizada num quadro para ser contemplada pelas futuras gerações.
Mulheres são hostis e competitivas. Vivem em guerra e estão sempre prontas para o combate. Só a amizade as faz baixar a guarda e dar uma trégua na batalha que silenciosamente travam umas com as outras.
