Nao Magoe um Alguem
O MUNDO ESPIRITUAL.
Esse tema de O Livro dos Espíritos é um dos mais profundos de toda a Codificação, porque estabelece uma inversão completa da maneira comum pela qual a Humanidade costuma enxergar a existência.
Kardec pergunta qual dos dois mundos é o principal: o espiritual ou o material. A resposta dos Espíritos é categórica:
"O mundo espírita, que preexiste e sobrevive a tudo."
Isso significa que o mundo espiritual não é uma consequência do mundo físico; ao contrário, o mundo físico é que constitui uma condição transitória dentro da realidade espiritual.
O significado de "Mundo Normal Primitivo"
A expressão "mundo normal primitivo" não deve ser entendida como algo rudimentar ou atrasado.
Na linguagem empregada por Kardec, "primitivo" significa primeiro, originário, fundamental.
Assim, o mundo dos Espíritos é chamado de:
Mundo normal, porque nele os Espíritos vivem em seu estado natural.
Mundo primitivo, porque ele existe antes da encarnação e permanece depois da desencarnação.
A vida corporal é temporária; a vida espiritual é permanente.
O Espírito não foi criado para ser homem ou mulher, rico ou pobre, jovem ou velho. Essas são circunstâncias passageiras da experiência terrestre. Sua verdadeira condição é a de ser espiritual.
A matéria é secundária
A questão 86 é extraordinária:
"O mundo corporal poderia deixar de existir, ou nunca ter existido, sem que isso alterasse a essência do mundo espírita?"
"Decerto."
A resposta mostra que o universo material não é a base da realidade.
Se toda a matéria desaparecesse, os Espíritos continuariam existindo.
Isso não significa que a matéria seja inútil. Pelo contrário. Ela é instrumento de progresso.
Em O Livro dos Espíritos, Kardec demonstra que a encarnação é uma necessidade educativa. O Espírito utiliza a matéria para desenvolver inteligência, sentimentos, experiência e responsabilidade moral.
A matéria é escola.
O Espírito é o aluno.
Os Espíritos estão por toda parte
A questão 87 talvez seja uma das mais impressionantes de toda a obra.
Os Espíritos afirmam:
"Estão por toda parte. Povoam infinitamente os espaços infinitos."
Não existe um "céu" localizado em alguma região específica do universo.
O mundo espiritual não é um lugar isolado.
Ele interpenetra toda a criação.
Os Espíritos vivem ao nosso redor, movem-se entre nós e compartilham os mesmos espaços físicos sem serem percebidos pelos sentidos corporais.
Por isso os Benfeitores acrescentam:
"Tendes muitos deles de contínuo ao vosso lado, observando-vos e sobre vós atuando."
Essa observação possui enorme consequência filosófica e moral.
Jamais estamos verdadeiramente sós.
Nossos pensamentos, sentimentos e atos repercutem no ambiente espiritual que nos cerca.
Criamos afinidades.
Atraímos companhias.
Estabelecemos sintonia.
Daí a importância que toda a Codificação dá à vigilância dos pensamentos, à reforma moral e à elevação das intenções.
Uma potência da Natureza
Outro ponto frequentemente ignorado é quando os Espíritos afirmam:
"Os Espíritos são uma das potências da natureza."
Kardec não apresenta os Espíritos como seres sobrenaturais.
Para o Espiritismo, não existe sobrenatural.
Os Espíritos fazem parte das leis divinas da criação, assim como a gravidade, o magnetismo, a eletricidade ou qualquer outra força natural.
A diferença é que a ciência da época ainda não possuía instrumentos adequados para estudar plenamente essa dimensão da realidade.
Por isso Kardec insistia que o Espiritismo não veio destruir as leis da Natureza, mas revelar leis ainda desconhecidas.
Regiões interditas aos menos adiantados
A resposta termina com uma observação importante:
"Nem todos, porém, vão a toda parte, por isso que há regiões interditas aos menos adiantados."
Não se trata de castigo arbitrário.
É uma questão de afinidade vibratória e moral.
Assim como uma criança não acompanha um curso universitário porque ainda não possui preparação intelectual, os Espíritos inferiores não conseguem permanecer em esferas mais elevadas porque lhes faltam condições morais para isso.
Cada Espírito habita naturalmente o ambiente compatível com seu grau de adiantamento.
O progresso moral amplia os horizontes da alma.
Quanto mais o Espírito se purifica, mais vasto se torna o universo ao qual pode ter acesso.
Reflexão:
Essas quatro questões (84 a 87) condensam uma das teses centrais da Doutrina Espírita:
Nós não somos seres materiais que ocasionalmente possuem uma alma. Somos Espíritos imortais que temporariamente utilizam um corpo.
Antes do nascimento já existíamos.
Depois da morte continuaremos existindo.
A encarnação é apenas um capítulo da jornada infinita da alma.
O mundo espiritual não é um lugar distante para onde iremos um dia. Segundo Kardec, ele nos envolve neste exato instante, constituindo o verdadeiro cenário da vida universal.
A Terra é uma estação de aprendizado.
O Espírito é o viajante eterno.
E o mundo espiritual é sua pátria de origem e de destino.
Fonte: O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.
A ONÇA, O URSO E O MORANGO.
Há uma profunda lição escondida nesta singela narrativa.
Um homem encontra-se suspenso entre dois perigos inevitáveis. Acima dele, um urso feroz ameaça sua vida. Abaixo, seis onças aguardam o instante de sua queda. Não existe saída fácil. Não existe segurança. Não existe garantia de sobrevivência.
E, no entanto, em meio ao terror, ele percebe um morango.
Um fruto simples.
Pequeno diante da imensidão dos problemas.
Insignificante diante da ameaça da morte.
Mas real.
Ao levar o morango à boca, ele experimenta algo extraordinário: a vida continua acontecendo naquele instante.
O urso não desapareceu.
As onças não fugiram.
O barranco continuou perigoso.
Mas o sabor do morango também era verdadeiro.
Assim é a existência humana.
Quase todos carregamos preocupações acerca do amanhã. Há contas a pagar, enfermidades a enfrentar, saudades que machucam, conflitos familiares, decepções afetivas, inseguranças e receios quanto ao futuro. O urso e as onças mudam de forma, mas estão sempre presentes.
Muitas vezes acreditamos que somente seremos felizes quando todos os problemas forem resolvidos.
Entretanto, a vida raramente nos oferece um período completamente livre de dificuldades.
Quando vencemos uma preocupação, surge outra.
Quando ultrapassamos uma prova, uma nova experiência nos convida ao crescimento.
Se condicionarmos nossa felicidade à ausência de desafios, talvez jamais a encontremos.
O morango representa aquilo que ainda existe de belo, mesmo quando tudo parece ameaçador.
Representa o sorriso de uma criança.
A voz de um amigo.
A chuva sobre a janela.
O abraço sincero.
A oração silenciosa.
Um livro inspirador.
A paz de uma consciência tranquila.
O perfume de uma flor.
O nascer do Sol.
Os pequenos milagres cotidianos que frequentemente ignoramos por estarmos excessivamente concentrados nos perigos.
Sob a ótica espiritual, essa história nos recorda que a vida não é feita apenas das provas que enfrentamos, mas também das bênçãos que recebemos durante a caminhada.
Quem aprende a perceber os morangos espalhados pelo caminho desenvolve gratidão.
E a gratidão não elimina as dificuldades, mas ilumina a maneira como as atravessamos.
Os desafios continuarão existindo.
Os ursos continuarão rugindo.
As onças continuarão esperando.
Mas também continuarão existindo morangos amadurecendo nos galhos da existência para aqueles que conservam a sensibilidade de percebê-los.
Não adie a alegria para um futuro incerto.
Não espere que tudo esteja perfeito.
Não aguarde a ausência das tempestades para contemplar o céu.
O melhor instante para viver, amar, agradecer e ser feliz é este que pulsa agora diante de você.
Olhe ao redor. Talvez o seu morango esteja mais próximo do que imagina. E a vida, silenciosamente, esteja convidando você a saboreá-lo.
REVISTA ESPÍRITA DE JUNHO DE 1860, INTITULADO:
" O Espírito e o cãozinho ”, é um relato interessante de Allan Kardec sobre a RELAÇÃO ENTRE O MUNDO ESPIRITUAL E A SENSIBILIDADE DOS ANIMAIS.
Marcelo Caetano Monteiro.
A passagem apresenta três pontos centrais dentro da perspectiva espírita:
1. A PERCEPÇÃO DOS ANIMAIS ALÉM DOS SENTIDOS FÍSICOS.
O caso narrado pelo Sr. G. G..., de Marselha, descreve um cão que, durante as evocações do antigo dono desencarnado, aproximava-se da cesta mediúnica, cheirava-a e demonstrava sinais de reconhecimento. A comunicação atribuída ao Espírito do rapaz confirma:
“Meu valente cachorrinho, que me reconhece.”
Kardec não aceita o relato apenas por sua aparência extraordinária; ele o analisa dentro dos princípios de observação que caracterizavam sua metodologia. A questão fundamental levantada é: o animal reconheceria o Espírito através de algum elemento material do perispírito ou possuiria uma percepção espiritual própria?
2. O INSTINTO ANIMAL COMO UMA FACULDADE MAIS AMPLA.
A resposta atribuída a Charlet amplia a reflexão. Ele afirma que o cão possui uma organização sensitiva muito particular, destacando sua capacidade de compreender o homem, acompanhar seus sentimentos e demonstrar afeição.
A ideia apresentada é que o animal não seria apenas um ser movido por mecanismos instintivos cegos, mas possuiria uma sensibilidade capaz de perceber estados e presenças que escapam aos sentidos humanos comuns.
Charlet afirma:
“Por que não adivinharia a sua alma e por que, mesmo, não a veria?”
Dentro da visão espírita, essa afirmação se harmoniza com o princípio de que os animais possuem um princípio espiritual em evolução, embora em estágio diferente do espírito humano.
3. O PERISPÍRITO E A SINTONIA ENTRE OS SERES.
A explicação posterior atribuída ao Espírito Georges apresenta uma interpretação ainda mais profunda: o cão não necessariamente sentia uma emanação material do perispírito, mas percebia a presença espiritual através de uma espécie de sintonia.
O trecho afirma:
“Todo o seu ser estava advertido da presença do dono.”
Essa ideia se aproxima do conceito espírita de influência fluídica. Para o Espiritismo, os seres estão envolvidos por uma atmosfera espiritual, e a vontade, o pensamento e os sentimentos possuem capacidade de estabelecer relações entre encarnados e desencarnados.
RELAÇÃO COM O LIVRO DOS MÉDIUNS.
Esse estudo também se conecta ao capítulo XXII de O Livro dos Médiuns, onde Kardec analisa a chamada “mediunidade nos animais”. Ali ele estabelece uma diferença essencial: os animais podem possuir percepção extraordinária e sensibilidade espiritual, mas isso não significa que exerçam mediunidade no mesmo sentido humano.
Para Kardec, a mediunidade exige uma faculdade consciente de comunicação entre o espírito comunicante e o médium, algo relacionado ao desenvolvimento intelectual e moral do ser humano.
O animal, portanto, pode perceber, sentir, pressentir, mas não necessariamente atuar como intermediário consciente de uma comunicação espiritual.
A GRANDEZA MORAL DO EPISÓDIO.
O aspecto mais profundo desse relato não está apenas na possibilidade de um cão perceber um Espírito, mas na demonstração de que o vínculo afetivo não termina com a morte física.
Na visão espírita, o amor é uma força espiritual que ultrapassa as barreiras da matéria. A afeição existente entre o homem e o animal participa desse movimento evolutivo, pois os sentimentos desenvolvidos pelos seres contribuem para o progresso do princípio inteligente.
A questão 597 de O Livro dos Espíritos afirma que os animais possuem um princípio independente da matéria, embora diferente do espírito humano. Kardec estabelece uma continuidade evolutiva, onde todos os seres caminham para estados superiores de consciência.
CONCLUSÃO.
O episódio do cãozinho publicado na Revista Espírita de 1860 permanece como um estudo simbólico e filosófico sobre a sensibilidade animal e a sobrevivência dos laços afetivos após a morte.
Sob a ótica espírita, ele revela que a criação divina não está dividida por abismos absolutos, mas por diferentes graus de desenvolvimento. O animal, embora não possua a razão humana, manifesta sentimentos, memória afetiva e uma percepção que pode alcançar dimensões ainda pouco compreendidas.
O ensinamento central é que a vida espiritual não se limita ao homem: toda a criação participa de um processo de aperfeiçoamento, conduzido pela lei divina de progresso.
FONTES:
Allan Kardec — Revista Espírita, junho de 1860, “O Espírito e o cãozinho”.
Allan Kardec — O Livro dos Médiuns, Segunda Parte, capítulo XXII — “Da mediunidade nos animais”.
Allan Kardec — O Livro dos Espíritos, questões 592 a 610 — sobre a natureza espiritual dos animais.
TRISTEZA.
Há uma tristeza antiga, obscura e fria,
que desce sobre a tarde, lentamente,
como um sino perdido, cuja agonia
se dissolve no espaço inutilmente.
Não sei de onde ela vem, talvez do chão
onde repousam mortos esquecidos,
ou desse imenso e fúnebre sertão
que guarda os sonhos todos sepultados.
A noite cresce. O céu, desabitado,
derrama sobre a terra um véu profundo;
e o vento, entre os ciprestes fatigados,
parece prantear o fim do mundo.
Há vozes que não chegam aos meus ouvidos,
mas vivem na penumbra da memória;
são nomes, rostos, amores já perdidos,
cinzas errantes de uma antiga história.
E a lua, espectral, sobre o ermo,
contempla a solidão dos caminhos;
seu clarão parece um olhar enfermo
vagando entre sepulcros e espinhos.
Oh, morte! Tu, silenciosa soberana,
que igualas rei, mendigo, sábio e incréu,
quando recolhes a matéria humana,
que abismo abres entre a Terra e o céu?
Talvez sejamos apenas poeira
levada pelo vento dos destinos;
talvez a alma, eterna forasteira,
atravesse outros mundos e caminhos.
Mas hoje, não. Hoje somente a dor
me fala ao coração com voz soturna;
e até o próprio silêncio, ao meu redor,
parece ter saudade da vida diurna.
Se há depois da morte alguma aurora,
se existe além do túmulo outra estrada,
que a alma encontre aquilo que implora
quando a existência termina desolada.
Enquanto isso, permaneço junto ao nada,
ouvindo a noite em sua imensidão;
e, sobre a terra fria e abandonada,
deposito uma lágrima, e uma oração.
Porque a tristeza, quando é verdadeira,
não grita, não suplica, não reclama:
é como uma árvore derradeira
que morre lentamente dentro da alma.
" Nas linhas do vento suave,
a noite repousa em silêncio,
cada estrela é um verso breve,
que ilumina o coração em início. "
Hoje é um daqueles dias em que a minha rebeldia aflora de uma forma Incontrolávelmente selvagem 🐺💕LadyRed❤️
Um dia todos nós iremos embora...E tudo que restará serão apenas lembranças e recordações...Seja grato pela oportunidade de viver... A vida é um grande processo de aprendizado e evolução viva seja feliz...Gratidão a Deus sempre 💕
Quando olho para um espelho, vejo completamente meu reflexo, que traz satisfação pelo que reflete ou a decadência do que enxergo.
Que busca nesse mundo para suprir minha necessidade de ter um reflexo sobre o dia que já passou, ter esperança pelo dia que vai chegar, sempre buscando compreender melhor ou poder fazer para não morrer sem entender os propósitos da vida.
Quando falar em felicidade, lembre-se de que é um sentimento que exige muito de você para ser consolidado.
Na resiliência cósmica, infinitamente caótica, as evidências se desdobram em um estado primitivo, divergente da visão tridimensional. Compreender a quarta dimensão abre a perspectiva dos antigos deuses e astros míticos, tornando a imersão da mente no caos ambiental alternadamente sutil e complexa. As paredes da existência cognitiva — responsáveis por desenhar nossas reações — transformam-se em fardo; contudo, o olhar cubista compreende que o estado físico não exige forma estática ou frequência fixa, mas sim a existência em um estado de percepção inata.
Nossa mente projeta fantasias dentro de uma realidade simulada para alcançar entendimento: do fogo ao foguete, carregamos as marcas e as consequências de nossas próprias criações. Aceitar o que somos, para além do que podemos ser, confronta a estrutura cognitiva que guia nossa evolução. Para muitos, basta o conforto da percepção bidimensional, na qual a consciência permanece confinada a padrões previsíveis de perguntas e respostas.
Quando ocorre a fuga dessa zona de conforto e os sentidos se transmutam, surge o movimento em direção à loucura: o gênio isolado por ideias fractais, inerentes à ampliação cognitiva. Este fenômeno paradoxal abre a realidade em um mosaico de possibilidades, concedendo a solitude dos versos divinos em um universo onde os pigmentos do real são pintados para dar sentido ao todo.
Dissolver-se no caos absoluto revela a beleza hipnotizante do tornado. Compreender a tempestade e a calmaria em seu centro é reconhecer que tudo segue uma ordem rígida, conectando o microcosmo ao macrocosmo. Essa configuração transdimensional oscila entre probabilidades no tecido do espaço-tempo, tornando a visão cubista a leitura pragmática de dimensões sobrepostas em camadas.
Enquanto a geometria simples exige dois pontos para definir uma linha, a cognição ampliada enxerga três pontos ancorados. No centro do olhar, um horizonte de eventos engole as variáveis na função da singularidade. Vivemos entre páginas sobrepostas de uma realidade alternativa e ambígua; observar o próprio pensamento no âmago da mente é dar funcionalidade ao tempo e ao espaço, transcendendo a própria existência em sua magnitude.
A roleta vai girando
Qual roda da vida
Um conto de fadas
Uma Estrada Florida
ou Caminho difícil
Lamacento
Tudo é vida
e nada funciona
Cem por cento
Se não choverem flores
No teu caminho ruim
Faça acontecer
Mesmo assim
A vida é e sempre será
Uma jóia muita cara
Mas alguns de nós
Precisam saber
A maneira correta
de a lapidar
Um dia a roleta pára
No início
ou no fim
E tudo que restar
Medos e segredos
Guardados e esquecidos
Sob a égide de uma lápide
E, talvez
Algo muito bonito
Esteja escrito ali.
Edson Ricardo Paiva
Eu sinto a tua presença
Aqui, bem pertinho de mim
E penso também assim
de um jeito que você mesma
Poderia deixar-se ficar
Abismada
Sem explicação, nem nada
Por pensar que nem você pensa
Quando sozinha
Escuridão à meia-luz
Um denso silêncio
Entristece as madrugadas
Mesmo assim
Eu sei que ri
Sabendo-se também aqui
Pois esta minha imensa vontade
Me traz a sua presença
e põe aqui, pertinho de mim
E não me sinto mais, tão sozinho
E é muito doce
Essa presença
que meu pensamento trouxe
Enquanto isso...compromisso
Em olhar os ponteiros lentos
Contar momentos
e devorar cada hora que separa
A mim mesmo dessa alegria
Há tanto tempo adiada
de simplesmente olhar
e saber o quanto é bom
e respirar o mesmo ar
na escuridão da madrugada
Te olhando e olhando
e mais nada
Edson Ricardo Paiva
Ando
Meio que lerdo
de pensamentos
Ando
Meio que surdo
Um vento muito brando
Me acalenta
de vez em quando
Uma tormenta
Me atormenta
Quando, por falta de sorte
Venta mais forte
Ando
Pensando
Com minha cabeça de vento
e meus ouvidos moucos
Que não são poucos
Os motivos
Pelos quais eu me esquivo
de dar-lhes
Um tanto assim de atenção
Enfim
Se fosse ouvir meu coração
Seguiria a direção do vento
Que orienta o pensamento
E quando chegasse o dia
Que alegria
Estaria muito longe
da voz da razão
Esta
Abrange
Tudo que demais me guia
Então
Sempre que acaba o dia
Recolho meu sorriso
Adio
Outra vez minha alegria
Preciso
Fazer coisas que tanto odeio
O início me fez fazer assim
O fim não chegou
Estou ainda no meio
No meio de um sonho
Um sonho meio tristonho
Tristemente
Sonho acordado
Uma história linda
Portanto
Enquanto o dia não finda
e nem tampouco inicia
Paro um pouco
Me recolho
No mesmo canto onde guardo
A tristeza e a alegria
Mescladas
Ambas tem cara de nada
Aguardo um tempo
Que tarda a chegar
No tempo onde estou
Meu coração não parou
E nem minha alma morreu
Olho no espelho pra ter certeza
de que eu
ainda sou eu
E não há como negar
Nasce novamente uma lembrança
de que existe, sim
Uma esperança latente
Antes que seja tarde
Eu sei
No meu coração que arde
Nada
Nunca mais
Haverá de afastar a gente
e durmo em paz
Edson Ricardo Paiva
Se Eu Soubesse Que a Vida
Se eu soubesse que a vida
Era um barco à deriva
Mas que nem sempre ela o era
Não ficava lá, parado na esquina que não se dobra
Nem perdia meu tempo a olhar horizonte
Não se deixe iludir pelo tempo, ele não é nosso amigo
Teria dormido menos, teria sonhado mais
Se soubesse que há fases na vida
Cujos sonhos quase sempre são verdade
E há verdades que são só palavras que vão no vento
Elas teriam sido o que são:
Só verdades de momento
Momentos importantes, de mudarem vidas.
Saía da esfera da dúvida
Fecharia as portas do meu coração
Para assim eu nunca sentir saudade
Pois saudade é uma semente
Que precisa antes madurar
Pra depois ser percebida
Eu não sei se é uma falha da vida
Que a espalha aos montes pelos caminhos
A teria sentido menos
E teria sido apenas
Se valesse a pena de ser sentida
Teria direcionado as velas do barco
E mirava um ponto no horizonte
Lhe teria dado outro rumo
Ah, se eu soubesse
Que de vez em quando há sonhos mais reais que a vida
E que há sonhos, de tão parecidos o são
Eles dão sentido às vidas, tão sincronizadas
Que nem as batidas das penas
Nas asas coloridas de um pequeno beija-flor
Me fartava todo dia, de tanta alegria
Se eu soubesse que todo tempo do mundo
Não era tanto tempo assim
Enfim, creio que nem tempo havia.
Edson Ricardo Paiva
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