Nao Magoe um Alguem
Mergulhar é decidir afundar acreditando que o corpo ainda lembra como voltar. Há um segundo em que o ar falta, o peito arde, a cabeça avisa que talvez seja demais. E mesmo assim, fica-se mais um instante. Não por coragem, mas por curiosidade. Depois, o impulso antigo reaparece, o corpo sobe, o ar entra desajeitado, e respirar volta a ser um milagre banal. Toda transformação começa assim: um quase-afogamento seguido de reaprendizado.
Tenho vivido o estado estranho de não ser mais quem fui. Um auto-estranheirismo. Há dias em que me entristece não dar conta do que antes era fácil. Coisas que fazia sem pensar agora exigem pausa, cuidado, negociação interna. É como acordar numa casa que sempre foi sua e precisar de segundos para lembrar onde fica a cozinha. Isso dói, porque a memória do que fui ainda mora em mim.
Mas há também prazer: descobrir habilidades que não existiam, aprender com o espanto de quem começa do zero. Errar sem arrogância. Esse estranhamento não é ruptura, é transição. Caminho por ele com angústia e curiosidade. Nem sempre sei quem sou hoje, mas começo a desconfiar de quem posso me tornar.
Talvez amadurecer seja suportar a tristeza do que não somos mais sem apressar a alegria do que ainda não sabemos. Permanecer nesse intervalo instável, onde o desconforto ensina e a surpresa salva. Aceitar que não reconhecer a si mesmo também pode ser sinal de que a vida está funcionando.
Um paradoxo íntimo: querer devorar a vida e, ao mesmo tempo, aprender a degustá-la. Entender depressa só gera tensão. Olhar com calma revela profundidade. No intervalo entre um impulso e outro, entre o desejo de saber e a paciência de sentir, é onde tudo acontece. É ali que a vida realmente se mostra, silenciosa, intensa, inteira — mesmo quando nos obriga a frear.
Em silêncio, as estações da alma se sucedem, cada uma trazendo consigo um novo cenário, um novo reflexo no espelho do tempo. E nós, peregrinos da nossa própria jornada, precisamos aprender a respeitar o ritmo das mudanças.
Os fios brancos na barba são como flocos de neve que caem suavemente, silenciosamente, marcando o tempo que passa, a sabedoria que se acumula. Mas não é apenas a idade que nos traz sabedoria, é a capacidade de acolher cada fase da vida, de respeitar o processo de transformação.
As metamorfoses são como a alquimia do fogo, que transforma a matéria-prima da nossa existência. É um processo lento, doloroso, necessário, para que possamos emergir como seres novos, com uma nova perspectiva, uma nova compreensão.
No entanto, quando nos tornamos carrascos de nós mesmos, quando nos cobramos demais, quando nos julgamos sem piedade, nós nos perdemos no labirinto dos nossos próprios pensamentos, e nos esquecemos de que somos seres humanos, frágeis e imperfeitos.
A pausa é um tempo de gestação, um tempo de elaboração, um tempo de amadurecimento. É um tempo de silêncio, um tempo de escuta, um tempo de compreensão e de respeito por nós mesmos.
E quando finalmente nos respeitamos, quando finalmente nos acolhemos e nos amamos, nós nos sentimos como uma obra de arte que se completa, um ser humano que se torna mais autêntico, mais verdadeiro.
Nesse momento, nós nos tornamos capazes de enfrentar os desafios da vida com coragem e determinação. Nós nos tornamos capazes de nos reinventar, de encontrar um novo sentido para a nossa existência. E é assim que nós nos encontramos, no final do caminho, com a alma renovada, com a compreensão de que somos seres em constante transformação, e que cada fase da vida é um presente precioso.
Leva tempo até entendermos o que é poder. No início, ele parece um lugar a ser alcançado. Um topo. Uma promessa de reconhecimento, autonomia, controle. E então nos movemos, estudamos, trabalhamos, insistimos, suportamos, com a convicção de que, ao chegar lá, algo finalmente se encaixará.
E, de fato, chega-se.
O lugar de poder existe. Ele se apresenta em forma de conquista, de posição, de nome, de autoridade. Há uma certa vertigem nesse ponto. Um brilho que, por um instante, convence.
Mas há também um detalhe que não nos contam: a coroa pesa.
No começo, quase não se percebe. Há orgulho, há prazer, há a sensação de ter valido a pena. Mas, aos poucos, ela começa a apertar. Exige manutenção, performance, constância. Cobra uma versão de nós que, nem sempre, coincide com quem ainda somos.
E é aí que algo mais profundo se revela. O verdadeiro poder não está em sustentar a coroa a qualquer custo. Está em poder retirá-la. Em perceber que nenhuma conquista vale a perda de si. Que nenhuma posição justifica o sufocamento da própria verdade. Que nenhuma forma de reconhecimento compensa o preço de viver desconectado do que nos faz inteiros.
A verdadeira liberdade talvez esteja nisso. Na possibilidade de chegar e também partir. De ocupar e também recusar. De ter sem se tornar refém do que foi conquistado. O maior poder não está no topo, mas na autonomia de não permanecer nele quando ele já não nos serve.
Porque, no fim, nenhuma coroa deveria custar a própria cabeça.
Manter a ternura em tempos de ódio é um gesto revolucionário. Ser gentil é um ato político. Gentileza é resistência.
Às vezes, passamos a vida procurando um lugar para pertencer, sem perceber que o verdadeiro endereço sempre foi interno. Há casas enormes onde a alma permanece sem abrigo, e espaços pequenos capazes de acolher uma existência inteira. No fim, lar não é o lugar onde repousa o corpo, mas onde o coração não precisa se defender.
Conhecer novas paisagens nunca foi apenas mudar de horizonte. É permitir que os olhos aprendam um vocabulário que ainda não conheciam.
Existe um luto que quase ninguém nomeia: o de deixar de ser quem aprendemos a ser para abrir espaço para quem já estamos nos tornando.
Na Copa: Tenho orgulho de dizer que, em um mês, fui egípcia, sueca, cabo-verdiana e inglesa… mas argentina, nunca.
Fui renovar minha CNH e tive que fazer um novo RG.
Fui tirar o RG e agora descobri que preciso de uma nova certidão de nascimento.
Tô com medo de ir ao cartório e me pedirem pra nascer de novo só pra conseguir esse documento.
Sonhos de verão, todo dia é um bom dia para viver um verão inteiro.
#maninhovive
Um amigo poeta, que escreveu um livro, me disse certa vez, com a maior tranqüilidade do mundo, que me considerava uma amiga de anos. Nós nos conhecíamos havia pouco mais de uma semana.
Naquele momento eu entendi uma coisa que a vida demorou a me ensinar: não é o tempo que marca os encontros extraordinários. Algumas pessoas passam anos ao nosso lado sem atravessar nossas muralhas. Outras chegam e, em questão de horas, encontram um lugar que parecia estar reservado para elas desde sempre.
Quando penso no Alan, penso nos verões.
Antes dele já existiam verões. Existiam piscinas, amigos, festas, domingos ensolarados e noites simples que terminavam em risadas. Mas depois dele, os verões ganharam outro significado. Havia algo de especial em dividir a vida com alguém que tornava tudo mais leve. Mesmo quando faltava dinheiro, nunca faltava motivo para celebrar. Não havia limite para a nossa capacidade de nos divertir, de sonhar, de acreditar que o próximo fim de semana seria mais uma memória feliz.
Então a doença chegou.
E, com toda a fé que existia em mim, eu acreditei que aqueles verões voltariam. Acreditei que ainda teríamos muitos sábados, muitas conversas, muitos mergulhos, muitos planos. Acreditei que o amor, a amizade e a esperança seriam suficientes para nos devolver aquilo que parecia tão nosso.
Mas a vida nem sempre responde aos nossos desejos.
Hoje a piscina está suja. Não porque ninguém possa limpá-la, mas porque ainda não fez sentido fazê-lo. Porque existe uma parte de mim que continua esperando um verão que talvez não volte da forma como eu imaginei.
E talvez seja essa a coragem que ainda preciso encontrar: a coragem de olhar para um mundo onde o Alan não esteja presente da maneira que eu gostaria e, ainda assim, reconhecer tudo o que ele deixou.
Porque o que ele me deu não foi apenas companhia. Foi pertencimento. Foi acolhimento. Foi a sensação rara de encontrar alguém que não me julgava, que não ria das minhas loucuras, que me aceitava exatamente como eu era.
Existem pessoas que passam pela nossa vida. E existem pessoas que se tornam parte dela.
O Alan foi um verão inteiro dentro da minha existência.
E talvez a dor seja tão grande justamente porque alguns verões são bonitos demais para que a gente aceite o fim quando ele chega.
A Janela e o Silêncio
A vida entre nós tinha muros, limites e chão,
Um respeito guardado no fundo do meu coração.
Fomos o que foi possível, com o peso que a vida nos deu,
Entre conversas difíceis e o que o tempo acolheu.
A notícia chegou num sopro, num dia qualquer,
Sem aviso, sem hora, sem o tempo que a gente quer.
E eu fiquei ali, no silêncio daquele salão,
Sem saída, sem pranto, presa na minha própria mão.
Ao teu lado o tempo todo, como quem guarda um altar,
Na anestesia do peito que ainda não sabe chorar.
Parecia um sonho distante, um filme sem cor,
Onde a dor não tinha nome, não era nem raiva nem amor.
Mas na hora da despedida, olhando além da janela,
Entre flores e pedras, na paisagem fria e singela,
Um choro prendeu na garganta, abafado e profundo,
Um choro pra dentro, teu gesto, despedida do mundo.
Olhei para o fim sem sentir que era o fim de verdade,
Pois o que se viveu não se apaga na eternidade.
Fica a paz do respeito, a história que a vida escreveu...
A tua alma partiu, e a minha, em silêncio, entendeu.
“Em um mundo cada vez mais rendido à razão científica, para alguns, professar a fé deixou de ser sinal de convicção e passou a ser tratado como loucura.”
Me sinto um super-homem
Por trás de todo grande homem
Existe uma grande mulher
Que você é
Verdadeiro presente divino
Te encontrar foi destino
E não sorte
Te amarei até depois da morte
Prometo ser sempre fiel
Seja na terra, ou no céu.
Coração bate a mil
Com o seu perfil
Se encaixa
Te conquistei com palavras
E vou te valorizar com atitude
Os outros que lutem
Nada vai acabar com o nosso romance
Só precisava de uma chance
Pra mostrar o valor
Que tem no meu amor.
Me sinto o homem mais feliz
Do jeito que sempre quis
Do jeito que sempre sonhei
Quando te olhei
Foi á primeira vista
Minha maior conquista
Largo o mundo
Pra nós ficar juntos
E pra terminar esse depoimento
Te peço em casamento.
Poema - Namorados
Feliz Dia dos Namorados
Pra quem tem do lado
Uma pessoa companheira
Uma pessoa parceira
Quem ama cuida
Quem ama muda
Amar é conquistar
Amar é respeitar
Unir duas pessoas em uma só
Na fase boa ou na pior.
Dia 12 de junho
Estamos juntos
Estamos aqui
O que Deus unir
Nada pode separar
E assim vai continuar
Hoje, amor
Te entrego um buquê de flores
E uma aliança de compromisso
Unir as almas é o mais preciso.
As pessoas confundem conhecimento, inteligência e sabedoria.
É normal, mas cada um desses conceitos representa um estágio distinto do desenvolvimento social e cognitivo da espécie humana.
O conhecimento é a junção das informações adquiridas ao longo da vida. Isso não quer dizer que uma pessoa com 100 anos seja necessariamente inteligente, muito menos sábia. O tempo pode acumular informações, mas não garante compreensão.
A inteligência é a construção do processamento cognitivo adquirido a partir das experiências e dos conhecimentos, que serão utilizados nas situações do cotidiano. Sei que a água é constituída por moléculas de H₂O; sabendo disso, conheço sua composição e sua fórmula. Entretanto, não sei fazer água.
A sabedoria seria, então, a junção das duas anteriores. Contudo, nela surgem elementos que vão além do conhecimento e da inteligência: experiência de vida, reflexão, humildade, discernimento e outros conceitos que são continuamente refinados e explorados para que possam ser utilizados não apenas em benefício próprio, mas também em benefício dos outros.
Nessa lógica, percebo que ainda estou na Religião, entendida como uma das formas primitivas pelas quais a humanidade buscou explicar sua existência e o mundo ao seu redor. Segundo determinada leitura filosófica da história do pensamento, esse percurso pode ser dividido em três etapas: religião, metafísica e ciência.
Se esse caminho representa uma espécie de amadurecimento do pensamento humano, então ainda tenho muito a caminhar.
Dos Homo sapiens sapiens, talvez eu seja o mais néscio de todos.
E talvez reconhecer a própria ignorância seja o primeiro conhecimento necessário para começar a buscar a sabedoria.
Te Dollu
Te Dollu...
Uma palavra simples,
mas com um significado que o coração jamais conseguiria traduzir por inteiro.
Passei por tempestades
que muitos sequer imaginariam existir.
Caí, chorei, recomecei,
e fiz das cicatrizes
o caminho que me trouxe até aqui.
Lutei tanto para ser quem sou,
que hoje sei:
ninguém é capaz de impedir
os passos de quem aprendeu
a caminhar sobre a própria dor.
Encontro abrigo
em um café quente,
na imensidão da praia,
no abraço do mar
e no silêncio dourado do sol
que me ensina, todos os dias,
que até o fim da tarde
pode ser belo.
Minhas filhas...
são o maior presente
que a vida depositou em minhas mãos.
Meu motivo,
meu orgulho,
meu amor sem medida.
Ensino com carinho,
porque acredito
que toda criança merece crescer
cercada de afeto.
E, no brilho de seus sorrisos,
também encontro paz.
Amo as corujas,
símbolos da sabedoria,
da calma
e da capacidade de enxergar
o que muitos não conseguem ver.
Minha paz,
meu sossego,
meu lar...
são lugares sagrados.
Ninguém os tira de mim.
E quando algo dentro da alma
sai do lugar,
não faço guerra.
Apenas me afasto.
Porque aprendi
que preservar a própria paz
também é uma forma de amar a si mesma.
Talvez seja isso
o significado de Te Dollu:
a força que resiste,
a ternura que permanece
e a paz que sempre encontra
o caminho de volta para casa.
E se um dia perguntarem
quem sou eu,
direi que sou feita
de recomeços silenciosos,
de cafés que aquecem a alma,
de mares que lavam o coração,
de crianças que me ensinaram
que o amor mora nos pequenos gestos,
e de filhas
que transformaram minha existência
no mais bonito dos propósitos.
Sou abrigo para quem amo,
mas também aprendi
a ser abrigo para mim.
Porque quem encontrou a própria paz
já não precisa provar força a ninguém.
Basta continuar caminhando.
E se, durante o caminho, eu precisar parar, que seja apenas para ouvir o barulho do mar, sentir o aroma do café, abraçar minhas filhas e lembrar que a vida sempre floresce outra vez.
No fim, talvez seja isso o verdadeiro significado de Te Dollu: um coração que resistiu às tempestades, sem deixar de acreditar na beleza das manhãs, na inocência das crianças, na sabedoria das corujas e no amor que faz da alma o lugar mais bonito para morar.
Minha Cachinhos Dourados.
Minha cachinhos dourados...
Você é tão doce quanto um pedaço de algodão-doce, daquelas doçuras que encantam sem fazer esforço.
Sua alegria contagia, sua imaginação não conhece limites e seu jeito de enxergar o mundo colore até os dias mais comuns.
Ver você brilhando nos palcos do balé ou nas apresentações da escola faz meu coração acreditar que os anjos realmente caminham entre nós.
Você é tão pequena, mas carrega uma presença imensa, capaz de iluminar qualquer lugar por onde passa.
Amo sua sinceridade, sua leveza, seu sorriso e a pureza que existe em cada gesto seu. Amo tudo aquilo que faz de você a menina tão especial que é, minha princesa.
O destino uniu vocês a nós, e nós a vocês. Desde então, construímos um laço que o tempo apenas fortaleceu: uma ligação de almas, de carinho, de anos compartilhados e de um amor que escolheu permanecer.
E se um dia o tempo tentar levar as lembranças, que ele saiba que algumas delas foram feitas para permanecer.
Porque existem pessoas que passam pela nossa vida, e existem aquelas que se tornam parte da nossa própria história.
Você é uma delas, minha cachinhos dourados.
Que seus passos continuem leves, que seus sonhos nunca deixem de dançar e que a luz que existe em você jamais se apague.
Enquanto houver amor, sempre haverá um lugar onde o seu sorriso será lembrado com a mesma doçura com que um dia iluminou o meu coração.
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