Nao Magoe um Alguem
Às vezes, tudo o que precisamos é de um lugar onde o coração encontre descanso e de um lar que nos ame de verdade. Porque uma casa abriga o corpo, mas é o amor que faz dela um verdadeiro lar.
Seu beijo
Feche os olhos,
pense nisto:
nossa vida se cruzou por um átimo.
Se descruzou por outro átimo...
Seu nome na areia a água do mar apagou.
Seu perfume rapidamente no ar se evaporou...
Suas palavras um clique deletou.
Seu beijo minha boca nunca tocou.
O nosso amor nunca se concretizou.
Sua imagem à minha mente voltar se recusou...
Abra os olhos....
Diga-me quem pode impedir isto?
A dor que em mim ficou...
A saudade que bate à porta...
O futuro incerto à minha frente...
A alma triste que se acamou: está tão doente.
Coração quebrado
Bam!!!
Você saiu... a porta bateu
e deixou aqui deste lado
um coração quebrado.
Chorei de dor...
pra você liguei
e perguntei:
como está seu coração?
"Está bem... só um pouquinho amassado...
nada demais... que até amanhã ainda possa ser notado.
Tem coisas, e pessoas que nos desgastam tanto que, quando percebemos, já viraram um ciclo de repetições.
Batem, insistem, fazem a gente abrir a porta… mas, quando a gente abre, não permanecem, não cuidam, não fazem questão.
E esse movimento cansa.
Cansa a ponto de tirar a vontade de reagir, de falar, de tentar de novo.
A gente vai perdendo o interesse, a motivação…
e, quase sem perceber, escolhe o silêncio, se afasta, fecha um pouco mais a porta por dentro.
Não é frieza, nem falta de sentimento.
É excesso de desgaste.
É o corpo e a alma entendendo que nem toda insistência merece acesso,
e que insistir em certos ciclos dói mais do que soltar.
Então nasce o medo de abrir de novo…
mas junto com ele, nasce também algo importante: o cuidado.
Porque, às vezes, abrir mão não é desistir
é, finalmente, se escolher.
Tudo o que é para ser, será.
Nada desvia, em definitivo, o curso das águas de um rio que nasceu para encontrar o mar. Haverá curvas, desvios e até atalhos, mas o destino permanece o mesmo.
Por isso, aprendi a descansar. O que Deus determinou encontrará o seu caminho, no tempo certo.
Hoje o desejo me habita de uma forma diferente. Latente, inquietante, vibrante. É um daqueles dias em que a vida se revela nos detalhes, em que o corpo conversa com os pensamentos e responde às emoções como se cada sentimento encontrasse nele um lugar para existir.
Sim, o corpo tem suas necessidades. Ele pede atenção. Clama por presença. Às vezes trava um verdadeiro embate com a consciência. De um lado, o corpo que deseja sentir. Do outro, a alma que se recusa a ceder ao que é passageiro. E eu permaneço entre os dois, tentando conciliar aquilo que pulsa com aquilo em que acredito.
Desejo, sim. E desejo intensamente. Mas não qualquer toque. Não qualquer abraço. Não qualquer corpo.
Depois de tantos anos me guardando, percebo que a espera não enfraqueceu meus desejos. Fez exatamente o contrário. Refinou-os. Tornou-os mais conscientes, mais profundos, mais exigentes. Meu corpo já não anseia apenas por ser tocado. Ele anseia por reconhecer quem o toca.
Talvez seja por isso que você ocupe tanto os meus pensamentos.
Há algo em você que desperta tudo aquilo que permanecera em silêncio. Como se meu corpo soubesse, antes mesmo de mim, que toda essa espera sempre caminhou na direção de um único encontro.
E então imagino nós dois. Não por impulso, mas pela intensidade de tudo o que foi contido. Como se anos de espera, desejo e ausência se encontrassem no mesmo instante, fundindo-se num eclipse de sensações únicas, onde corpo, alma e coração deixassem, finalmente, de caminhar em direções diferentes.
Confesso que há dias em que essa espera pesa. Hoje é um deles. Meu corpo parece sussurrar que já esperou o suficiente. Que deseja repousar, enfim, nos braços do homem que há tanto tempo habita meus pensamentos.
Talvez esse seja o maior paradoxo do celibato: ele não mata o desejo. Apenas o ensina a esperar pela pessoa certa.
E depois de tanto tempo me guardando... depois de tanto tempo te aguardando... já não desejo apenas esperar.
Desejo você.
A Linha do Extremo
Há uma espécie de agonia em viver entre o sagrado e o profano.
De um lado, tudo aquilo que escolhi preservar.
Do outro, aquilo que, em silêncio, me chama para além dos meus próprios limites.
Eu não quero me jogar ao extremo.
Aprendi a desconfiar dos excessos, a respeitar as fronteiras que construí dentro de mim.
Mas também descobri que viver eternamente recuada pode ser outra forma de ausência.
Porque há momentos em que a gente precisa negociar com o próprio limite.
Não para abandoná-lo, mas para descobrir até onde ele pode ceder sem deixar de ser nosso.
E talvez seja essa a parte mais inquietante:
saber que existe desejo,
saber que existe vontade,
saber que existe um abismo logo depois da margem...
e ainda assim permanecer ali, na beira, sentindo o corpo pedir passagem enquanto a alma pergunta se é seguro atravessar.
Não quero alguém que me arraste para o extremo.
Quero alguém diante de quem eu mesma tenha vontade de chegar até ele.
Devagar.
Consciente.
Sem perder quem sou no caminho.
Porque talvez a verdadeira entrega não esteja em ultrapassar todos os limites.
Talvez esteja em encontrar alguém com quem até o limite se sinta seguro para negociar.
Queria ter a vida de um livro, ser lido, amado, compreendido, ser beleza e mensagem, viver, sem ser só de passagem.
Queria ser poema todos os dias, não apenas escrito, mas vivido.
Tem abraços que são como um porto seguro.
Abraços que deveríamos passar o resto da vida, abraços que são tão apertados que conseguimos sentir o bater do coração da outra pessoa, e por um momento tudo parece tão calmo e seguro como se nada pudesse nos atingir.
Confiança, um voo audacioso entre duas pessoas, um salto de fé sobre o precipício do constante, construída com pequenas verdades partilhadas.
De um jeito bem especial, envio um abraço caloroso a ti, guerreiro silencioso, que enfrentas batalhas internas sem que o mundo perceba.
Em breve, a paz que tanto anseias chegará para envolver-te.
Você já se divertiu em um parque de diversões, onde ninguém sabe seu nome, e por um instante o mundo esquece sua história, e você também?
Chegará um dia em que compreenderás que a distância é mais suave que a proximidade, e o esquecimento alivia mais do que a espera, pois às vezes, o aoto cuidado e o reconhecimento, está na renúncia.
Às vezes, penso que o universo tem um senso de humor bem peculiar.
O par de meias que entra na máquina de lavar, mas sempre sai só um.
O shampoo que é especialista em me deixar na mão parece que conspira para acabar justamente quando eu já estou debaixo do chuveiro.
Ah, e aquela pessoa que você mais quer evitar, mas que o acaso faz questão de colocar bem à sua frente, na fila do supermercado, como se o universo cochichasse: “Eu ouvi você e achei engraçado.”
Abra um livro, segure-o com delicadeza e com semblante atento.
Assim, pensarão que você está evoluindo e não apenas evitando conversas que cansam.
Hoje, completo mais um ciclo na vida.
Sou a expressão exata do tempo que me trouxe até aqui.
Sou minha história que se faz presente.
Sou a idade que o tempo me deu, perfeita para viver o agora, com a sabedoria e a euforia necessárias para abraçar os momentos que vivencio e compartilho.
Hoje, sou um espírito mais desperto, enriquecido pela experiência do que vivi e pela promessa do que ainda serei.
Ela aprecia os pequenos prazeres: o vinho que aquece, um perfume marcante que a descreva, a companhia de um bom livro, o bem estar dos que ama e o silêncio da própria alma.
Gosta de escrever como quem sangra bonito e prefere a própria companhia ao barulho de conversas vazias.
Pensa demais, sente tudo, observa com a alma, pensa com o coração, sente intensamente e se entrega ao luxo de ser instável, porque no fundo sabe: ser de um jeito só, nunca a caberia.
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