Nao Magoe um Alguem
"A força que move montanhas é a mesma que move um coração cansado quando ele decide tentar outra vez."
A verdadeira riqueza trilionária reside na humildade de um coração honesto que ama o próximo, pois quem maltrata o outro está errado, independentemente de quanto dinheiro possua
Depois de vários anos
o universo finalmente nos colocou
diante um do outro.
Nós estávamos no alto da cidade,
onde os prédios pareciam pequenos
e o horizonte parecia não ter fim,
mas naquela tarde
eu não queria contemplar a cidade,
eu só queria contemplar você.
O verde de teus olhos enchia meu coração de poesia,
então eu te abracei
e cantei baixinho ao teu ouvido
que eu não conseguia deixar de me apaixonar por você.
Quando a música terminou,
meus lábios encontraram os teus
e São Paulo inteira desapareceu.
Depois disso nós fizemos amor
com a ternura de quem se conhece há muitos anos
e com a paixão de quem se encontra pela primeira vez.
E se eu pudesse escolher de minha vida um único momento
para levar comigo eternamente,
eu levaria nosso momento naquele terraço,
eu levaria o instante daquele beijo,
naquela tarde em que finalmente você foi minha,
e em que finalmente eu tornei-me teu.
Dizem que existe um fio vermelho
amarrado ao dedo de cada pessoa,
invisível aos olhos,
mas impossível de romper.
Ele atravessa distâncias,
cruza caminhos,
se perde entre despedidas
e, ainda assim,
sempre encontra o seu destino.
Talvez o meu esteja preso ao seu.
Talvez todas as pessoas que encontrei
tenham sido apenas nós pelo caminho,
e você,
o outro lado do fio
que eu ainda não sabia procurar.
Não sei se é destino,
coincidência ou apenas desejo.
Mas quando falo com você,
mesmo de longe,
sinto algo puxar dentro de mim.
E, pela primeira vez,
não quero cortar o fio.
Quero apenas descobrir
onde ele termina.
Brasil, um país tão gostoso de morar,
mas ruim para ter celular,
a cada ligação recebida,
sei lá quem liga,
o dia inteiro,
me causa até medo,
mas apenas eles vivem a ligar...
Não quero mais meu celular!
Está deitado aqui sem o calor do seu corpo e um Martinho, queria tanto se aquecido pelas sua chamas, suas mãos por todo meu corpo, aquela pegada forte que só você sabe onde me arrepia.....
O Uber, o Azulejista e o Perigo de Esquecer o Despertador
Era mais um dia normal de trabalho para o motorista peregrino. Pelo menos era o que ele imaginava quando, por volta das seis e vinte da manhã, recebeu um chamado da senhora Luana para levá-la até uma marmoraria localizada na Vila Brasília, na zona norte de São Carlos, próxima à Rodovia Washington Luís e ao campus da UFSCar. Para o motorista, uma corrida com mais de oito quilômetros naquele horário, antes das sete da manhã, normalmente significava que alguma coisa havia acontecido. Afinal, passageiro que precisa percorrer uma distância dessas logo cedo geralmente não está simplesmente passeando. Ou perdeu o ônibus, ou perdeu a hora, ou perdeu a paciência. Às vezes, perde os três de uma só vez.
Dito e feito! Ao chegar ao ponto de partida e confirmar o nome da passageira, o motorista desejou-lhe um ótimo dia e, logo em seguida, perguntou: “A senhora está atrasada para o trabalho? O ônibus não passou? Ou será que o relógio não despertou?”. Luana, uma mulher de estatura acima da média, olhou para o motorista e respondeu, com a maior tranquilidade: “E se eu lhe disser que aconteceram as três coisas que o senhor falou e ainda mais duas?”. Naquele momento, o motorista peregrino percebeu que aquela não seria uma corrida como as outras. O problema agora era descobrir quais seriam as duas coisas que faltavam naquela história.
O motorista ficou todo embananado, tentando imaginar o que poderia ter acontecido com Luana. Por alguns segundos, pensou que talvez fosse melhor não perguntar. Afinal, existem passageiros que entram no carro querendo apenas chegar ao destino, e existem aqueles que parecem carregar uma novela inteira dentro da mochila. Como o peregrino adora conversar com os passageiros e, principalmente, colher histórias para o seu próximo livro, resolveu arriscar: “Então me conte o que mais aconteceu. Quem sabe isso não vira uma história engraçada para o meu livro?”. Luana imediatamente perguntou: “O senhor escreve?”. O motorista respondeu que sim. Ela então completou: “Bem que eu imaginei. Pela sua aparência, o senhor deve fazer coisas muito interessantes”. O motorista sorriu e respondeu: “Olhe, senhora, eu faço tantas coisas que, às vezes, até eu mesmo ponho em dúvida a minha sanidade mental”.
Luana caiu na risada e quis saber: “Mas que coisas o senhor faz para se achar um homem assim?”. O motorista, percebendo que a conversa estava ficando cada vez melhor, respondeu: “Primeiro a senhora me conta quais foram essas duas coisas que aconteceram e que a obrigaram a pegar um Uber. Depois eu conto as minhas”. Luana respirou fundo e começou: “Então está bem. O meu marido, na noite anterior, bateu o carro porque tinha bebido um pouco a mais. Ainda bem que foi bem perto da nossa casa. Aliás, ele chegou a tentar entrar na casa do vizinho. Imagine o estado do meu marido!”. O motorista ficou surpreso e perguntou: “Sim, mas, se isso aconteceu na noite anterior, por que a senhora perdeu o horário do trabalho hoje?”.
“Quer saber mesmo?”, perguntou Luana, já segurando o riso. “O meu marido é azulejista. Ele é um ótimo profissional, mas é muito chato quando não bebe. Eu até deixei de trabalhar com ele por causa das chatices. Quando está sóbrio, parece que o mundo inteiro está assentando azulejo errado.” O motorista começou a rir, mas lembrou que ainda faltava uma parte importante da história: “Sim, mas não me enrole, porque já estamos quase chegando ao destino da corrida”. Luana continuou: “O meu marido, quando bebe, é uma pessoa maravilhosa, muito carinhoso. Então, naquela noite, como eu estava a fim de receber uns carinhos, convidei-o para tomar umas cervejas comigo”.
A história estava começando a fazer sentido. Luana prosseguiu: “Lá pelas tantas da noite, eu o peguei pelo braço e o levei para o quarto. Quando chegamos lá, falei para ele: ‘Sobe aí na cama, agora! Se você dormir, eu te taco no chão!’”. O motorista peregrino já não sabia se deveria rir, fazer outra pergunta ou simplesmente continuar dirigindo e agradecer por ter escolhido aquela profissão. Luana, então, encerrou a explicação: “Para resumir, tivemos uma noite maravilhosa. Eu sequer me lembrei de colocar o relógio para despertar”.
Faltava pouco menos de um quilômetro para chegarem ao destino quando Luana, como quem havia acabado de descobrir a moral da própria história, disse ao motorista: “O meu destino é casar-me com gente que gosta de um mé, de cachaça, de cerveja... Sei lá, de tudo o que tem álcool. O meu primeiro marido bebia bastante, mas era violento. Agora este bebe, mas é carinhoso. Então eu estou num dilema: se ele não bebe, ele nem se lembra que eu existo; agora, se ele bebe, sou eu que não me lembro do trabalho”.
Os dois caíram na gargalhada, enquanto o motorista pensava que, definitivamente, aquela não tinha sido apenas mais uma corrida. Tinha sido uma daquelas histórias que aparecem de repente, entram no carro sem avisar e, quando chegam ao destino, deixam uma lembrança que vale mais do que o próprio valor da corrida.
E talvez seja justamente isso que o peregrino aprendeu nas estradas e também atrás do volante: **há pessoas que entram em nossa vida por alguns minutos e acabam deixando histórias que permanecem por muitos anos**. Algumas nos ensinam, outras nos emocionam, algumas nos fazem pensar e outras simplesmente nos fazem rir. E, para quem gosta de caminhar pela vida com os olhos e os ouvidos abertos, até uma corrida de Uber pode se transformar em uma página de livro.
Peregrino Nino Carneiro
William Contraponto — Parágrafo 175
Um dos poemas mais políticos e historicamente situados de William Contraponto, Parágrafo 175 transforma a perseguição aos homens homossexuais na Alemanha em uma reflexão sobre os limites morais do poder.
O poema parte de duas vidas comuns e de um afeto vivido sob discrição. Aos poucos, a intimidade é invadida pela lei, pela classificação e pela violência institucional. O percurso é claro: o homem amado torna-se suspeito, o indivíduo torna-se número e a identidade torna-se marca.
O triângulo rosa é o principal símbolo histórico da composição. Mais do que representar a perseguição, ele evidencia a tentativa de reduzir pessoas inteiras a uma categoria imposta pelo Estado. O poema contrapõe essa desumanização à simplicidade do vínculo entre os dois homens.
A força de Parágrafo 175 está em não transformar seus personagens em figuras abstratas. Antes da norma, havia um quarto, uma janela, conversas, livros e dias partilhados. A violência histórica aparece, portanto, como aquilo que invade e destrói uma existência que poderia ser absolutamente comum.
No final, William Contraponto ultrapassa o episódio histórico. A crítica não é dirigida apenas ao nazismo ou à antiga legislação alemã, mas a qualquer poder que pretenda decidir quais afetos são legítimos e quais existências merecem reconhecimento.
“Parágrafo 175” é, assim, um poema de memória e resistência: uma defesa da ideia de que nenhuma instituição possui autoridade moral para transformar o amor em culpa.
nenommarques@gmail.com
Matamos um leão por dia, frase muito falada nas rodas de meus amigos. Eu nunca quis matar leão nenhum, então, imaginei a vida como um livro. Alguns capítulos são cheios de suspense, outros de tristeza, mas todos são necessários pra minha história fazer sentido. Hoje pode parecer difícil, mas é apenas uma página. Amanhã, uma nova narrativa se desdobra, cheia de possibilidades. Tudo ficará bem, porque somos o autor dessa história e temos o poder de transformar cada desafio em triunfo. Continuo virando as páginas com coragem. O melhor ainda está por vir. Estamos exatamente onde precisamos estar nessa Vida! Parabéns Mulheres nas páginas da Vida!
Ah, a Vida...
Vida de Solteiro
Alexandre Sefardi
Ah! ... O beijo..., Como se o tempo parasse, e o mundo também, nàquele único momento. Um recomeço, uma despedida...
Às vezes, o beijo mais marcante é aquele que nunca aconteceu. Fica suspenso no ar, como uma promessa não cumprida, um desejo que nunca se materializa. Ele habita os sonhos, os olhares trocados e os quase-encontros. É o beijo que vive na imaginação, perfeito e intocado, sem as imperfeições da realidade. E, talvez, seja justamente por nunca ter existido que ele se torna eterno, um símbolo de tudo o que poderia ter sido, mas nunca foi.
Beijo da Gente
Vida de Solteiro
Alexandre Sefardi
Sim, já Amei! Senti um amor discreto para uma só pessoa…O mais perfeito foi o encontro. Sim, eu já Amei e senti aquela coisa boa, um pensamento. Sim, já Amei uma única vez, eu me recordo disso, assim, vivi esse sabor, o cheiro, a falta, tenho certeza que nunca pensei tanto em alguém... Sim , já Amei, mas o relacionamento acabou e hoje o mundo se resume, onde não enxergo, mas me sinto. As paixões, já nem lembro, são respostas que não me servem, ...
Porque, sim eu já Amei!
Minha alma descansa Sozinha.
Vida de Solteiro,
Alexandre Sefardi
Aquí, onde moro, ouço falar trem bom ou aquele trem... Um Paulista nos trilhos de pessoas lindas, onde o primeiro vagão é o do sentido da vida. O segundo vagão é o do silêncio. O terceiro vagão é o da simplicidade. O quarto vagão é o do sentimento. Aprendi que um dos segredos da felicidade é saber criar condições pra que a vida dependa de nós. Viver é a arte de realizar sonhos. Viver é ser o artista de si .As mudanças ficam mais fáceis quando o que se passa dentro de você é explicado. Aqui, isso é a Vida.
Vida de Solteiro
Alexandre Sefardi
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