Nao Machuque o meu Coracao
A criança que fui sussurra por debaixo do meu terno gasto, mendiga atenção entre o ruído das rotinas. Ela tem dedos que contam as horas em marcas na pele, e olhos que sabem o preço secreto de cada dia cinzento.
Eu tentei seguir, mas o vazio caminha comigo. Ele senta ao meu lado, dorme na minha cama, repete suas lembranças como uma oração torta. Seguir em frente, às vezes, é apenas aprender a carregar o peso sem deixar que ele nos destrua por completo.
Graduei-me em simular estabilidade, mas meu corpo é um delator que desmente cada vírgula que minha boca ensaia.
Há uma guerra silenciosa em meu peito, sem plateia, sem trégua e sem ninguém para recolher os escombros das minhas derrotas diárias.
Meu respeito a todos os corações que, mesmo feridos, recusam-se a endurecer. Vocês são a luz do mundo.
Meu maior receio é a domesticação da dor, o dia em que eu parar de estranhá-la e passar a chamá-la de rotina.
Guardo um grito educado que pede licença para ecoar. Como ninguém responde, ele fez do meu peito sua morada definitiva.
Cansado de ser o pilar silencioso, mas consciente de que, se eu falar, o estrondo do meu desabafo assustaria a todos.
Minhas cicatrizes criaram relevos na minha alma, elas limitam meu alcance, mas definem a singularidade da minha jornada.
A escrita é o meu suporte de vida. Nada romântico, apenas o oxigênio necessário para quem se sente sufocado pelo real.
Há um ranger de tábuas velhas em cada pensamento meu, um eco de presenças que partiram e deixaram apenas o vácuo como inquilino.
Escrever é o meu jeito de dizer ao tempo que, embora ele esteja vencendo a batalha contra o meu corpo, minha voz ainda ecoa nos vãos das horas. Cada palavra é um prego que martelo na parede do esquecimento, tentando segurar o retrato de uma alegria que já não reconheço.
A solidão é uma amante fiel que nunca reclama do meu mau humor ou da minha falta de apetite para a vida social de fachada. Ela senta-se comigo à beira da cama e, no escuro, somos dois velhos amigos discutindo o que restou de luz nas frestas da janela.
Sou o resultado de todas as vezes que eu disse "está tudo bem" enquanto meu mundo interno estava sendo devastado por um tsunami de incertezas. A resiliência é uma forma de exaustão que aprendeu a usar maquiagem, uma força que nasce da total falta de opção.
A escrita é o meu suporte de vida, o oxigênio que inalo quando o real tenta me sufocar com sua mediocridade e falta de sentido. Sem as letras, eu seria apenas um corpo ocupando espaço, com elas, sou um universo em expansão, mesmo que em direção ao vazio.
Há um ranger de tábuas velhas em cada pensamento meu, um eco de presenças que partiram e deixaram apenas o vácuo como inquilino da minha memória. Eu converso com as sombras, não porque perdi o juízo, mas porque as sombras são as únicas que sabem ouvir sem interromper.
Às vezes sinto que estou gritando debaixo d'água, vendo as bolhas do meu desespero subirem à superfície sem que ninguém entenda a mensagem que elas carregam. Escrever é aprender a desenhar na areia do fundo do mar, esperando que a maré alta leve o recado para alguém que saiba nadar.
Meu desejo nasce da conexão. Só me entrego intimamente a quem enxerga além do visível e habita a essência de quem eu sou.
Priscila de Araújo
Se o vento soprar e a saudade doer no teu peito, lembra que o meu amor por ti nunca terá fim; pois nem o tempo apaga o teu toque perfeito, e a minha alma chora implorando que voltes pra mim.
💞✨️"...nas noites frias...geladas e chuvosas...uma lembrança me sufoca...aperta meu coração...meu pai chorando...a morte do meu irmão...seis anos...uma criança...um anjo...amigo dos animais...protetor...em seu túmulo um dos seus animais...la ficou...a amiga Bolinha...uma bela cachorrinha...o tumulo guardou...acompanhou...foram tempos difíceis...lembranças tristes...meu pai bebia e chorava...nas noites frias de uma Curitiba que ja não existe mais...dizia ele...vou até o cemiterio...neste frio...nesta chuva...vou abraçar meu filho...que ja repousava em seu tumulo...meu pai chorava...eu também...até hoje ainda choro...perdido nas lembranças...de um tempo que não volta mais...saudades da Bolinha...do meu pai...e do irmão que não tive a felicidade de conviver...brincar...somente a dor de uma saudade e de um eterno chorar."✨️💞
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