Nao Machuque o meu Coracao

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Deixa eu te mostrar meu verso
Porque sou poeta
e toda lágrima ou sorriso eu escrevo
Deixa eu mostrar meu universo
Feitos de manhãs e madrugadas

As namoradas que eu pensei que tinha
Só me trouxeram desertos
As namoradas que eu jamais terei
De longe eu as amo
As namoradas sem amores são todas minhas
Quando perco uma destas namoradas
Pra alguém eu me alegro
Porque elas perderam um amor ausente
Mas terão paixão por perto

Inserida por tadeumemoria

AS MINHAS ASAS
Antes de olhares minhas cãs
Veja meu olhar de esmeraldas
Que rolavam nas correntezas de rios profundos
Com águas cristalinas onde garimpavam
O tesouro de uma vida
Ou a ilusão pelo prazer de uma paixão
Onde muitos se jogaram por pura desilusão
Ou se amaram clandestinamente em suas margens
Dando margem as mais belas
Histórias de paixões proibidas...
Os meus cabelos clarearam pelo êxtase
De nossos corpos que se fundiam
Com o pacto de uma única alma...
Olhes meus membros que vasculharão
Teu corpo como um mineiro
Em busca de diamantes...
A minha boca declamar-te-á
Os mais belos sonetos eróticos...
A minha língua sorverá a tua alma
Que correrá feito uma corsa
enlouquecida no cio pelas savanas
E voará sob minhas asas
Do céu ao inferno
E falas de algo eterno
Só pelo prazer que se esvai em alguns instantes
Então olhas com desdém as minhas cãs
E nem percebes as minhas asas...

Inserida por tadeumemoria

Mal o meu olhar perdera a pureza
Tereza já se despia
a noite mal anoitecera
ainda ingênua,
uma lua tímida no céu de chumbo
parecia o fim do mundo
o que cairia,
a chuva alagaria a rua,
a tribo dos vagabundos
de todos os mendigos
de pontes e de marquises
o que seria da chusma,
minha madre Teresa de Calcutá,
calcula a minha agonia,
Tereza presa nos meus braços
o paço guardado por vigias
o chumbo alagando o Ganges
a rua parecia o rio...

Inserida por tadeumemoria

Meu cavalo de prata,
Minhas esporas de ouro
Fustigando o seu dorso
Nessa lua opala...
A gravidade engravida a vida,
A diva dessa insanidade:
Minha paixão...
O meu cavalo de ouro,
Minha espora de prata,
Mulata galopa no meu coração...
Eu quero entender o cavalgar
Na ilusão lunar da minha solidão...
Meu cavalo de bronze
Cavalga longe
E o amor se esconde ...
Meu cavalo de ouro
Domina o touro da minha ilusão...

Inserida por tadeumemoria

Pega o meu olhar caindo na diagonal das suas ancas
meu pensamento lhe chamando de potranca
sabe que eu sou criança
e canso fácil de um brinquedo
ou tenho medo de escuro
descobre o meu delírio no seu decote
os sutiãs da côte d’azur sentem falta dos seus seios
suas águas azuis cristalinas
banhariam a menina que tem nesse corpo
e se eu não fosse poeta seria prostituto
um puto qualquer escravo de todos estes instintos
que me escravizam a paixão

Inserida por tadeumemoria

Porque o meu olhar se derramou
Quando a manhã te iluminou
feito um cometa em minha rua...

Inserida por tadeumemoria

SONETO TRISTE
Criei um soneto tão triste
Que meu soneto chorava
Saiu triste porta afora
Entristecendo a aurora

Calou mamíferos e aves
Calou os bichos das águas
Silenciou toda tarde
Choramingando suas mágoas

Nem a noite estrelada
Do meu poema tristonho
Que triste e desconsolado

Sonhava com a namorada
Que um dia saiu sem rumo
Levando todos os sonhos

Inserida por tadeumemoria

povoa, povoa o meu olhar
a índia na lagoa
o menino na canoa
um barco nos conduz
a luz vermelha cor de telha nos cabelos ,
laranja nas unhas,
quantas testemunhas,
parece uma coisa à toa
mas há paz,
há paz...
a paz na turbulência
comportada do meu peito,
é um semi-leito,
é uma canoa,
eu não sei...não sei o que é isso
amo Messejana com suas mangueiras
e viadutos, José de Alencar e todos os seus índios
amo Messejana....

Inserida por tadeumemoria

ANGÚSTIA ETÍOPE
A minha mãe rezava pra todos os santos
E para alguns deles cantava
Meu irmão era umbandista e queria fazer a cabeça,
Jogar búzios e trazer a pessoa amada...
A minha vó, como eu, era louca de perder a cabeça
E guardava as estrelas que podia
Num saco de papel crepom
Um dia saiu de casa
E tomou banho de mar na praia do Leblon,
Depois foi vista na mata do governo,
Desde então nunca mais apareceu
Agora a vejo de vez em quando pelas praças
Como vejo todos os que já morreram,
Carrega um saco cheio de luzes cambiantes...
Nossos destinos se perdem quando perdemos o tino
Acho que minha avó foi vítima da paixão,
Já que perdera o marido que um dia partiu
Meu irmão foi vitimado pelo coração
Morreu solitário, mas não sozinho
Minha mãe sempre cantou com muita afinação
As canções de amor e devoção que com ela aprendi
Herdei seus cabelos em desalinho
O olhar perdido no vazio
E a angústia etíope de nossos antepassados...

Inserida por tadeumemoria

FANTASMAS
meu pai chegava do trabalho
sempre com algum alimento nas mãos
minha mãe alegre fazia uma oração
havia muita harmonia e poucos deslizes
era uma época que eu não sabia que éramos felizes

agora desbota o passado em fotos amareladas
meus fantasmas vão perdendo seus sorrisos suas faces
mas um ou outro olhar vai além de fotografias
se aconchega às reminiscencias do dia à dia


um dia meu pai chegou com um cara muito alto,
era um amigo do trabalho,
aquele cara seria o marido da minha irmã
e foram felizes para sempre,
sempre que foi possível

minhas últimas lembranças de meu pai
mostram ele num canto
com dificuldades pra respirar e muito pigarro
foram sequelas deixadas pelo cigarro

então numa tarde, na editora, enquanto eu empacotava a vida
um telefonema de minha mãe avisara que meu pai tinha partido...
jamais consegui empacotar aquele momento...

Inserida por tadeumemoria

SAGA
Meu bem, me diz que a vida é bela
E o amor é como o diamante
Que reluz no teu dedo
E amar não tem segredo
É só se dar e acreditar no amanhã...
Me diz amor que seremos felizes
E não haverá dor nem deslizes
Na nossa história,
Nossas memorias
Serão lembranças inesquecíveis ...
Me diz amor que a vida é linda
E mesmo que não dure é infinda a sua saga
A vida é tão bonita
Que brinca de luzir no teu olhar
A luz da lua
Me diz amor que a rua é minha e tua
A noite é eterna e o amor é infinito...

Inserida por tadeumemoria

Acho que a noite é infinita
como o meu amor
e quando penso
que a noite é tão bonita
o dia já chegou
eu acho que te amo
eu acho que te amo,
não sei por quanto tempo
mas já faz tanto tempo
que eu acho
acho, faz mais de trinta anos...

Inserida por tadeumemoria

POESIA
A poesia invadiu o meu quarto
Estava despida de paredes e tetos, de muros e torres,
Ilimitava os horizontes
E acolchoava o solo de relvas, folhas e pétalas
A poesia floriu de satélites, estrelas e pirilampos
Os pinhos, os coqueiros , e os jequitibás
E derramava os rios das montanhas
Como promessa infinita de safras, lagos e açudes
Aprendi que caminho no horizonte de outros olhares
Nos paralelos e meridianos que fatiam o mundo
Como referencias e fronteiras
A poesia invadiu o meu mundo
E eu mergulhei profundo na insanidade de brincar de Deus
E essa loucura divina
É o que me conduz incólume
Entre os abutres do absurdo,
Me ajuda a tingir o firmamento com bolinhas grenás e magentas
E me inspira a este amor infinito
Que me incita a acreditar na harmonia sagrada
Entre o silencio e as palavras, que eu chamo de poesia...

Inserida por tadeumemoria

MUNDO BONITO
Meu amor,
O mundo é tão bonito,
A natureza é sábia,
A sabiá declama seu encanto,
As estações têm suas cores singulares,
A lua tem seus loucos,
Seus lobos e suas fases
E o amor tem a beleza da vida,
Os mares têm suas ressacas
E os bêbados têm cirroses hepáticas
E as calçadas,
Têm angústias que embriagaram seus dias
Lembranças vadias a namorar nas praças
Em passados remotos
Quando não menos que tolos
E de paixão embevecidos
Achavam que o amor era belo
E o mundo bonito.

Inserida por tadeumemoria

faço o meu verso
como se soubesse
que amanhã é sexta feira santa,
a sexta feira da paixão,
como se a santa da feira,
com seus olhos azuis turquesa
e peras por sob a blusa
ornamentndo seu colo
não alimentassem a rima
que completam a minha estrofe
deixando a mente confusa
tornando paixão tão forte
pra santa de qualquer dia
faço esse poema
como se houvesse harmonia
e a santa da novena
santa como santa maria
de filho pregado e morto
e no horto sepultado
deixando alma vazia
e coração angustiado
por mais que se prometesse
um Deus ressuscitado
que aliviaria as mentes
e lavaria os pecados
mas mesmo a mãe de Deus
sofreria por seu filho
porque carne é carne
assim como o meu poema
que sangra queima e arde
e assim faço o meu poema
que também se sacrifica
e crucifica a gramática
mas é um verso sincero
terno suave e austero
dentro da realidade

Inserida por tadeumemoria

o nome do mundo é tudo
seu ouvir é surdo
o falar do mundo é ruído
e no meu ouvido rui o mundo

Inserida por tadeumemoria

SOBRE TODAS AS COISAS E SOBRE COISA NENHUMA
Nada sobre o meu poema;
Meu poema sobre todas as coisas
E sobre coisa nenhuma
Sobre o inexato e o imponderável
Nada, nada sob um rio, o olhar perdido num vazio
De um deserto perto de um longe,
Longe de tudo e perto de nada,
Nada, nada, nada, nada na morada;
Namorada nada; besta é a ilusão
De auroras com flores orvalhadas,
Ocasos ao acaso de mochos,
Pardais e morcegos
A tristeza profunda de lagos;
Lagos chorados pelos deuses da solidão
E pela solidão dos deuses
Pelos insetos que amam as flores
E faz frutificar a vida compondo a primavera
Inspirando os poetas
Nada sobre o meu poema,
Meu poema sobre todas as coisas
E sobre coisa nenhuma
Onde só cabe Iracy Tupinambá e sua tribo comeu são jorge
Na lua onde proliferam os dragões
Comeu os franceses que colonizariam o Brasil
E se um dia eu diria je t'aime
Hoje eu digo te amo
Pois aprendi com os portugueses
Sem nenhuma convicção de amor ou paixão

Inserida por tadeumemoria

meu piano
ando tão piano
tão piando
feito frango
prestes à rango

Inserida por tadeumemoria

Eles verão este inverno no meu olhar...
Eles verão e eu inverno a derramar...

Inserida por tadeumemoria

POÉTICA
Disperso meu olhar em ouro turvo
Desperto aturdido e atônito
Ainda existo, ainda existe o mundo
Das coisas vãs e supérfluas, antônimo
Quem se dedica a tal amor profundo

Nuvens magentas salpicam o horizonte;
O outono dourado dos faustos mitos
Desfolham sem alardes as florestas
A calmaria duma brisa no infinito
Sussurra a estação dourando em festa

A relva tem a idade dos delírios
Pluma leve pros tombos do passado
Momentos lacônicos de paixão suavizados
Pela insanidade de um lírico visionário

Inserida por tadeumemoria