Nao Julgue meus Sentimentos

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Aquilo que não pôde ser elaborado reaparece de outro modo. Aquilo que não encontrou palavras procura relações. E as relações, sem que percebamos, tornam-se palco de histórias muito mais antigas do que seus personagens.

Olho o mundo com lentes que não são minhas,
e chamo de meu o que ecoa do outro,
como quem tece, no fio imaginário,
uma pele compartilhada.

Algumas pessoas entram em nossas vidas não para representar quem são, mas para encenar aquilo que ainda não conseguimos compreender em nós mesmos.

O entendimento que não retalha a vida é o Amor, pois o Amor não categoriza — ele une o que a lógica insiste em separar.

A vida, meu amigo, não é um problema a ser resolvido com uma equação ou estrutura, mas uma realidade a ser testemunhada.

O universo não tem orçamentos, apenas a mente do homem conhece limites.

Não alimente um leão como se fosse um cão. O leão não tem instinto de gratidão e, uma hora, ele te devora como um cão.

⁠Sem as feridas não teríamos do que melhorar.

Deriva

Eu não me sinto em casa, pois fui eu quem se lançou para fora dela. Hoje, as paredes sabem o meu nome, mas não me reconhecem.

Eu já não me sinto em mim. Habito este corpo como quem ocupa um traje espacial em missão sem retorno, ou como quem vive em um quarto barato demais para reclamar e caro demais para abandonar.

Há dias em que caminho pela própria consciência como um inquilino com o aluguel atrasado, evitando fazer barulho para não ser expulso. Abro as gavetas da memória e encontro apenas recibos de versões antigas de mim. Todas vencidas.

Não é que o mundo tenha me posto para fora. Não. Fui eu quem saiu aos poucos, deixando as luzes acesas para fingir que ainda morava aqui.

Agora está tudo silencioso: só a expansão infinita e a própria respiração dentro do capacete. Não há grito; o som não se propaga no vácuo. Foi um afastamento quase imperceptível, um desencaixe mínimo entre rota e propósito.

Resta o eco de alguém que já fui e que, se me encontrasse na rua, talvez atravessasse para o outro lado.

Falando com a lua


Eu não sei se é sensato dizer,
mas a lua deve sentir inveja de você.
Porque toda noite, sem perceber,
eu começo a falar de ti até o amanhecer.


Converso com a lua sobre o teu olhar,
sobre o brilho que nenhuma estrela consegue alcançar.
Conto a ela da beleza que existe em você,
e como meu coração se perde só de te ver.


Eu digo que teus olhos têm um universo inteiro,
mais bonito que qualquer céu estrangeiro.
E que teu sorriso, tão raro de encontrar,
faz até as constelações pararem pra admirar.


Às vezes eu tento te transformar em poesia,
escrevo versos pela noite, atravesso o dia.
Mas nenhuma palavra consegue descrever
a imensidão da beleza que existe em você.


Então eu volto pra lua e começo outra vez,
falando de você talvez pela milésima vez.
E quanto mais eu falo, mais eu quero dizer,
porque sempre descubro algo novo pra amar em você.


A lua deve sentir ciúmes, eu imagino que sim,
porque quando ela aparece, você fala mais alto em mim.
Eu olho pro céu, mas é teu rosto que consigo enxergar,
como se tua lembrança aprendesse a me acompanhar.


E não há estrela no céu, nem galáxia a brilhar,
que consiga tua beleza sequer se aproximar.
Porque o universo é imenso, mas eu posso afirmar:


nenhum dos seus mistérios conseguiu superar
a forma como teus olhos me fazem sonhar.


Por isso escrevo, por isso volto a dizer,
por isso passo madrugadas pensando em você.
Porque tua beleza não conhece fim nem versão,


e eu poderia escrever infinitos versos
sem alcançar a dimensão


do amor que existe em meu coração.


Então, se um dia a lua te olhar diferente,
saiba que talvez ela esteja simplesmente


ouvindo eu falar de você novamente.


— Patrick Wallace

Quando a política tenta substituir a ciência

O discurso antivacina não se limita a questionar a ciência: busca deslegitimá-la e substituí-la por uma ramificação política na qual opiniões pessoais, senso comum e desinformação são colocados no mesmo patamar de pesquisas, evidências e conhecimentos cientificamente comprovados.

O Dono da vida
(Mauro A Evaristo)

Não dependa de outros viventes
Tenha sempre em mente
De que tudo que você precisa
É só pedir ao Dono da vida.

Não se prenda em crenças limitantes
Faça valer cada instante
Se há algo que você precisa
É só falar com o Dono da vida.

Não careça de atenção
Tampouco de outros viventes
Se há muito o que necessita

Basta conversar com gratidão
No seu canto, em sua mente
Confie no Dono da vida.

feradapoesia.blogspot.com

O CICLO QUE NINGUÉM VÊ
Há uma folha desenhada sobre a madeira velha deste balcão. Não está realmente aqui. Está apenas na minha cabeça, entre um copo de uísque barato, a fumaça de um cigarro que insiste em sobreviver e o silêncio que os bêbados confundem com paz.
A vida inteira cabe numa folha.
Ela nasce verde, arrogante, convencida de que o vento é liberdade. Dança porque acredita que escolheu dançar. Depois aprende que era apenas o galho decidindo por ela. Mais tarde, o tempo amarela suas certezas, rouba o brilho, seca suas vaidades e, por fim, a entrega ao chão, onde ninguém mais olha.
Engraçado... fazemos exatamente o mesmo.
Neste bar há homens falando sobre carros que nunca comprarão, mulheres sorrindo para pessoas que jamais amarão e jovens planejando futuros que venderão na primeira promoção de estabilidade. Todos parecem ocupados demais para perceber que estão envelhecendo enquanto discutem banalidades.
A correnteza não faz barulho.
Ela apenas leva.
Leva os sonhos, a curiosidade, a coragem de dizer "não". Leva aquele impulso infantil de observar uma chuva, ouvir um disco inteiro, sentir o cheiro da madeira molhada ou reparar como a fumaça desenha fantasmas sob a luz amarela do teto.
As pessoas chamam isso de amadurecer.
Eu chamo de desistir.
Não falo da resistência dos heróis estampados nos livros. Essa costuma render medalhas e discursos. Falo da resistência silenciosa, quase invisível: a de não acreditar em todas as mentiras que vendem como felicidade; a de não transformar a própria existência numa fila de boletos, relógios e domingos ansiosos; a de continuar enxergando beleza numa folha caída enquanto o resto do mundo só enxerga sujeira para ser varrida.
Porque morrer não começa quando o coração para.
Começa quando deixamos de notar os detalhes.
Quando o café perde o aroma, o abraço vira protocolo, o beijo vira rotina e a janela deixa de ser uma moldura para o mundo e passa a ser apenas vidro.
Olho para o fundo do copo. O gelo já desapareceu, como desaparecem tantas coisas sem pedir licença.
A folha da fotografia teve uma vida inteira. Nasceu, brilhou, alimentou a árvore, envelheceu e caiu. Nunca fingiu ser outra coisa.
Nós, ao contrário, passamos décadas fingindo viver.
E talvez seja essa a tragédia mais elegante da espécie humana: não a morte, mas a facilidade com que entregamos nossa vida à correnteza, chamando de destino aquilo que foi apenas falta de coragem para abrir os olhos.
No fim da noite, o garçom apaga as luzes. A fumaça desaparece. O balcão continua ali, velho como sempre.
E, em algum lugar, outra folha começa a nascer.
Tomara que ela aproveite melhor o vento do que nós.

Mesmo cansado, não pare. Desistir é para quem perdeu a esperança. Olhe mais adiante e verá que Deus está preparando algo grandioso para a sua vida. Confie no tempo d'Ele. O melhor ainda está por vir, e cada passo de fé valerá a pena.

A verdadeira fé não depende do que os olhos veem, mas da confiança no agir de Deus. Mesmo em meio às tempestades, ela nos mantém firmes, lembrando que o Senhor está no controle e fará acontecer no tempo certo.

Deus está preparando uma bênção tão grande para a sua vida que você ficará sem palavras. Não desanime diante das dificuldades. O céu já está movendo tudo ao seu favor, e o melhor ainda está por vir. Amém!

Não são as aparências que enganam, é você que valoriza pela aparência.

Eu não me importo em me doar, se você me trai é porque você sabe que não me merece.

Eu não sei mentir, se você não sabe acreditar então foda-se

⁠Não adianta posar de madame, o rato sempre volta pro esgoto!