Nao Existe mal que Dure pra Sempre
Existe alguém que vive sem um par?
É porque não achou a quem amar?
Talvez o tempo demore muito,
Mas quando a hora chegar, esteja pronto para falar que toda espera valeu a pena.
Somente quando o pensamento termina, existe a verdade. Não há o fim do pensamento pela compulsão, pela disciplina, por qualquer forma de resistência. (...) É a verdade que liberta, não o esforço para ser livre.
Eu não debato política com ignorantes.
Não existe debate onde falta conhecimento.
Cyntia Karla De Liz
Há um alívio secreto em se jogar sabendo que existe chão. Não falo de certezas — certezas são para quem teme a vida. Falo do chão que nasce dos próprios pés, esse solo íntimo que a gente aprende a cultivar depois de tantas quedas que já nem sabemos mais qual doeu primeiro.
É libertador sentar no meio-fio sem medo de parecer deselegante. Elegância, no fim, nunca esteve na pose, mas na coerência interna. Prefiro o cimento quente da rua me lembrando que continuo vivo do que qualquer palco que exija um personagem. Às vezes é no meio-fio que o coração finalmente se endireita.
Vestir-se de si exige propriedade afetiva. É colocar no corpo — e na vida — as camadas exatas do que se é, mesmo quando isso desagrada expectativas alheias. Sustentar as próprias escolhas é um tipo de musculatura moral: dói no começo, treme no meio, mas mantém a coluna da alma ereta.
E nas crises, é preciso gentileza. Respeitar-se como quem protege algo precioso. Gritar pra dentro, chorar pra fora, respirar onde der. Permitir-se ser humano sem desmerecer a força que existe no próprio caos.
Nas dores, ser colo. Nas alegrias, ser testemunha. Em ambas, gostar de si como quem aprende, depois de tantas tentativas, que o amor-próprio não é um estouro, mas um sussurro persistente que nos chama pelo nome quando o mundo tenta nos esquecer.
A verdade é simples e devastadora: a vida não fica mais leve, é a gente que fica mais inteiro. E quando finalmente sabemos que há sempre um chão — mesmo que seja o das escolhas que sustentamos com o peito aberto — o salto deixa de ser risco e vira rito.
Rito de fé.
Rito de coragem.
Rito de ser exatamente quem se é.
Cor de Marte
Há uma cor que não existe
nas paletas que conheço,
um vermelho antigo, quase secreto,
que parece guardar o avesso
de tudo aquilo que não confesso.
É a cor de Marte,
distante, silenciosa,
que atravessa milhões de quilômetros
sem jamais pedir passagem,
como uma lembrança teimosa
perdida na imensidão da paisagem.
Não é vermelho de rosas,
nem de fogo, nem de paixão.
É vermelho de poeira,
de tempo, de solidão,
de um planeta que aprendeu
a carregar cicatrizes
sem perder a própria direção.
Talvez por isso eu goste tanto dela.
Porque há beleza
naquilo que o tempo transforma,
naquilo que um dia foi diferente
e hoje carrega outra forma.
Marte não precisa ser azul
para ser bonito.
Não precisa de oceanos
para esconder seus abismos.
Basta existir,
vermelho e distante,
guardando em seu silêncio
mil histórias que ninguém ouviu.
E talvez seja essa
a verdadeira cor de Marte:
a cor de tudo aquilo
que sobreviveu ao tempo
e, mesmo depois de perder tanto,
ainda consegue iluminar o céu.
Uma cor que não pede para ser entendida.
Só para ser contemplada.
O acaso não existe, e, de toda existência viva,
eu quero não entender o acaso. Se, de tudo o que vivo, eu tentar compreender, eu deixo de viver para compreender o inquestionável.
Não existe ninguém muito inteligente até ser questionado, uma vez que porá ele em dúvidas da própria certeza.
Aos olhos
do nosso Criador não existe
o grande ou o pequeno; o
mais sábio ou os que ainda penam
por respostas - como não existirão as grandes ouas pequenas obras...
O que na verdade existe
é o justo e necessário atribuído
a cada espírito - portanto se apegue
e viva o necessário
de cada dia!
QUANDO A DOR APRENDE A ESCUTAR.
Existe uma forma de sofrimento que não grita.
Ela apenas senta-se silenciosamente dentro do peito humano e observa a alma perder a cor das próprias manhãs. Há dores que não desejam destruir. Desejam apenas ser compreendidas. Porque a emoção que agoniza não pede aplausos, nem discursos heroicos. Ela pede escuta. Pede delicadeza. Pede alguém que tenha coragem de permanecer diante do abismo sem fugir dele.
Muitos acreditam que vencer é sufocar a tristeza. Entretanto, algumas das maiores reconstruções interiores começaram exatamente no instante em que alguém deixou a lágrima terminar o seu percurso. A emoção ignorada transforma-se em ruína psíquica. A emoção acolhida converte-se lentamente em lucidez.
Há um cansaço invisível que nasce quando o indivíduo passa anos fingindo fortaleza. A alma começa a perder substância quando é obrigada a esconder continuamente os próprios cortes emocionais. Nenhum espírito permanece saudável vivendo em guerra contra si mesmo. Até mesmo as árvores mais antigas rangem diante do vento. Até mesmo os oceanos possuem tempestades subterrâneas.
A dor possui uma linguagem muito particular. Ela não fala através de palavras refinadas. Ela manifesta-se através do silêncio prolongado. Do olhar perdido. Da exaustão sem causa aparente. Da vontade de desaparecer por alguns instantes apenas para não sentir o peso do mundo pressionando o coração. E justamente nesse território sombrio nasce uma das mais profundas possibilidades humanas. A reconciliação consigo mesmo.
Escutar a própria agonia não é fraqueza. É maturidade emocional. O homem verdadeiramente forte não é aquele que nunca cai. É aquele que consegue olhar para a própria devastação sem transformar-se em pedra. Porque endurecer demasiadamente a alma talvez seja uma das formas mais discretas de morrer ainda em vida.
Existem sentimentos que precisam atravessar o peito como uma chuva atravessa a terra seca. Negar a dor não elimina sua existência. Apenas a aprisiona em regiões mais profundas da consciência. E tudo aquilo que permanece encarcerado dentro do espírito acaba retornando mais tarde sob a forma de ansiedade, angústia ou vazio existencial.
Por isso, quando a emoção agonizar dentro de você, não a humilhe. Não a trate como inimiga. Sente-se ao lado dela em silêncio. Escute o que ela deseja ensinar. Algumas dores chegam para revelar excessos. Outras chegam para mostrar ausências. Algumas vêm para destruir ilusões perigosas. Outras aparecem para lembrar que o coração humano ainda permanece vivo.
Toda travessia interior exige paciência. Nenhuma madrugada permanece eterna. O sofrimento modifica a percepção da existência porque obriga o espírito a enxergar aquilo que antes era ignorado pela distração cotidiana. E muitas vezes é precisamente na exaustão que o ser humano descobre sua capacidade mais sublime. Recomeçar sem perder a sensibilidade.
Aqueles que sobrevivem às próprias noites interiores tornam-se diferentes. Não necessariamente mais felizes o tempo inteiro. Mas mais profundos. Mais conscientes. Mais humanos. Aprendem que a verdadeira grandeza não consiste em jamais sentir dor, mas em não permitir que ela destrua a capacidade de amar, de acreditar e de continuar caminhando.
Porque existe uma beleza silenciosa em toda alma que sofreu profundamente e ainda assim escolheu permanecer gentil diante da vida.
ENTRE O MEDO E A VERDADE.
O ESPIRITISMO NÃO NASCEU PARA O SILÊNCIO.
Existe uma enfermidade silenciosa que atravessa parte do Movimento Espírita contemporâneo. Não se trata da ausência de estudo, nem da falta de obras, reuniões ou instituições. Trata-se do medo. Medo de investigar. Medo de questionar. Medo de evocar. Medo de ouvir. Medo até mesmo de aplicar integralmente o método que o próprio Allan Kardec estruturou.
Curiosamente, muitos homens afirmam defender a razão enquanto transformam prudência em interdição absoluta. E nisso nasce um paradoxo psicológico profundo. O mesmo Espiritismo que surgiu através do intercâmbio entre encarnados e desencarnados passa a ser defendido por pessoas que demonstram receio do próprio fenômeno mediúnico que lhe deu origem.
É necessário compreender algo fundamental. Kardec jamais proibiu evocação. Pelo contrário. O Livro dos Médiuns dedica capítulos inteiros ao estudo das evocações, dos métodos, das condições morais e dos perigos envolvidos. O codificador não construiu um sistema de silêncio espiritual. Construiu um método de discernimento.
A diferença é gigantesca.
O problema nunca esteve no ato de evocar. O problema sempre esteve na intenção moral do evocador.
Existe enorme distância entre evocação séria e curiosidade frívola. Entre investigação filosófica e espetáculo mediúnico. Entre estudo criterioso e dependência psicológica dos Espíritos.
Quando alguns afirmam que não se deve colher informações de Espíritos como André Luiz, Emmanuel ou Humberto de Campos, inevitavelmente acabam mergulhando numa contradição lógica. Porque grande parte da literatura espírita posterior à Codificação nasceu precisamente de comunicações espirituais.
Se toda comunicação posterior é automaticamente suspeita apenas por ser mediúnica, então muitos dos próprios pilares culturais do Movimento Espírita moderno seriam colocados sob desconfiança permanente.
Entretanto, também seria ingenuidade aceitar tudo indiscriminadamente. Kardec jamais ensinou credulidade cega. Ele advertiu severamente acerca da fascinação, da mistificação e do orgulho mediúnico. Eis o ponto frequentemente negligenciado. O Espiritismo não exige ingenuidade emocional. Exige análise racional aliada ao critério moral.
A evocação não constitui pecado doutrinário. A irresponsabilidade moral, sim.
Quando Moisés proibiu práticas necromânticas em Israel, o contexto era profundamente sociológico e civilizatório. A humanidade antiga encontrava-se mergulhada em magia tribal, idolatria, manipulação sacerdotal e superstições violentas. A proibição mosaica possuía caráter disciplinador para uma sociedade ainda dominada pelo instinto coletivo.
O próprio Espiritismo reconhece o progresso gradual da Revelação divina. Kardec jamais tratou os textos mosaicos como congelamento eterno da compreensão espiritual humana.
Além disso, existe uma questão psicológica raramente discutida. Muitos homens não temem os Espíritos. Temem perder o controle interpretativo sobre a Doutrina. Temem o surgimento de novas análises, novos estudos, novas comunicações e novas perspectivas. O receio da fragmentação transforma-se então em centralização do pensamento.
E toda centralização excessiva produz muros intelectuais.
O chamado “controle universal dos ensinos dos Espíritos”, elaborado por Kardec, jamais foi concebido como mecanismo de censura doutrinária. Tratava-se de um método comparativo, racional e universalista para evitar personalismos mediúnicos e sistemas isolados de revelação.
Porém, quando homens emocionalmente inseguros se apropriam de princípios metodológicos, frequentemente transformam discernimento em policiamento ideológico.
Então surgem divisões.
Discussões intermináveis.
Disputas de autoridade.
Grupos que se observam mutuamente como se fossem guardiões exclusivos da legitimidade espírita.
Tudo isso enquanto o fator moral íntimo permanece relegado ao segundo plano.
O próprio Kardec advertiu que o verdadeiro espírita reconhece-se pela transformação moral e pelo esforço em domar suas más inclinações. Não pela quantidade de proibições que impõe aos outros.
Existe também um orgulho intelectual extremamente sofisticado dentro dos ambientes religiosos. Não é o orgulho agressivo e visível. É o orgulho da convicção absoluta. O orgulho de acreditar que somente determinado grupo possui capacidade legítima para validar comunicações espirituais.
E nisso reside uma tragédia silenciosa.
Porque nem mesmo uma eventual comunicação atribuída ao próprio Kardec seria unanimemente aceita hoje. Muitos a rejeitariam antes mesmo de analisá-la. Não por critério racional legítimo, mas porque o homem frequentemente teme aquilo que ameaça suas estruturas psicológicas de segurança doutrinária.
Enquanto isso, esquecem-se da essência.
O Espiritismo não nasceu para fabricar tribunais espirituais entre encarnados. Nasceu para iluminar consciências.
Se um homem evoca apenas por curiosidade vazia, colherá perturbação.
Se evoca com orgulho, encontrará Espíritos orgulhosos.
Se busca espetáculo, atrairá mistificação.
Mas se investiga com seriedade, humildade e equilíbrio moral, estará apenas utilizando um mecanismo que o próprio Espiritismo reconheceu como legítimo dentro de critérios elevados.
A pergunta mais importante nunca foi “podemos evocar”.
A pergunta correta sempre foi “com que finalidade moral desejamos fazê-lo”.
Porque nenhuma evocação será mais perigosa do que a própria inferioridade psicológica do evocador.
No fim, muitos discutem Espíritos enquanto negligenciam a própria alma. Debatem fenômenos enquanto ignoram a reforma íntima. Erguem muralhas doutrinárias enquanto o orgulho continua intacto no interior da consciência.
E talvez por isso exista tanta inquietação.
O homem teme ouvir os Espíritos porque ainda não aprendeu completamente a ouvir a própria consciência.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
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Sobre originalidade
Demétrio Sena - Magé
Se existe algo que me incomoda é não ser original. Ter uma ideia, desenvolvê-la cheio de mim, expor o produto e depois descobrir que alguém já tivera essa ideia. Mesmo não sendo plágio, e sim uma ideia semelhante, é incômodo para um sujeito besta como eu, ter uma ideia semelhante à de alguém.
Recentemente achei que tive uma ideia genial, na composição e edição de um trabalho fotográfico. Compus um cenário, fotografei, editei caprichosamente com ferramentas de aplicativo fotográfico e fiquei todo bobo. Não demorei a descobrir que alguém já tivera essa ideia. Com cenário e fotografia diferentes, mas a mesma ideia. Isso me frustrou bastante; retirei a publicação, que não me causaria problema, pois não era um plágio, mas não ser original na própria ideia mexe profundamente com os meus brios.
Não consigo entender quem se orgulha de repetir uma fórmula de projeto. Eu me torturo com isso. Mas existe pior: não consigo aceitar que alguém se orgulhe de um plágio (mudar o processo de uma obra já existente e chamar de sua). E existe pior ainda: simplesmente expor a obra de alguém sem citar a autoria. E bem mais grave, expor e assinar o próprio nome. Achar-se com a prerrogativa de se tornar o dono/a dona dessa obra.
Existem as coincidências (compor, pintar, fotografar, escrever algo semelhante), mas precisamos ter o hábito de desconfiar de nós mesmos, quando algo nos incomoda no que fizemos. Há grande chance de uma coincidência ou "plágio coincidencial". Retirarmos uma postagem será fácil, depois de pesquisarmos (ao desconfiamos de nós)... mas como fica, se fizermos um livro, uma exposição de artes em local público, com um ou mais plágios, por termos ligado o "que se dane" ao percebermos algo estranho em uma de nossas obras?
Sim; existem as coincidências ou os "plágios coincidenciais". Mas tem que haver a consciência do certo, errado, adequado, inadequado, antiético, ético ou criminoso. Quem vive de "cometer coincidências", e por isso as normaliza, não se policia, torna-se plagiador ou copiador costumaz. É um pulo.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
A jornada não revela uma essência; ela a constrói. Não existe um “eu verdadeiro” esperando ser descoberto — apenas aquilo que você escolhe se tornar. E, na era da tecnologia, cada um ocupa seu papel, moldado pelas escolhas que faz.
_KANGAL
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