Nao estou Sozinha
Sede, pois, misericordiosos com os fanáticos! A falta de empatia e a intolerância deles não lhes roubam a capacidade de sentir.
E se o medo de tentar ser forte para não nos descobrir Feitos de Dúvidas, fomentar a comercialização das certezas por aí?
Não é possível conceber o que é mais nojento, se o mau-caratismo de uma parcela esmagadora de agentes do estado, ou o dos que conseguem apoiá-los.
Com tantos incomodados com as flores que os mortos recebem, nota-se que a inveja não é pelo que se pode juntar — mas espalhar.
Talvez o que realmente doa em muitos que ainda respiram, de fato, não seja a homenagem tardia, mas a lembrança silenciosa de que algumas vidas, mesmo encerradas na terra, continuam semeando.
Há os que colecionam méritos, aplausos e conquistas como quem ergue as muralhas da vaidade; e há os que, sem sequer perceberem, deixam pétalas pelo caminho.
E é justamente aí que — quase sempre — nasce a inquietude: não na flor depositada sobre a ausência, mas na constatação de que há presenças que jamais se apagam.
Os vivos que não recebem flores — que lutem!
Ajuntem menos, espalhem mais!
Porque o verdadeiro legado não é aquilo que se acumula nos bolsos — é aquilo que, mesmo depois, insiste em perfumar o mundo.
Talvez os políticos-influencers não tivessem demorado tanto para instrumentalizar as redes sociais, se soubessem que poderiam alugar as nossas cabeças pagando apenas com a moeda barata das narrativas.
Meu corpo não será velado, se alguém tiver a má intenção de lhe oferecer coroa de flores, pode se render à hombridade de convertê-la em quentinhas para tentar enganar a fome de moradores de rua.
O que torna o mundo tão medonho não são feridos gemendo, mas a invalidação pelos que ainda não precisam gemer.
Feio não é se abrir na internet…
Feio é um mundo tão abarrotado de gente, mais disposta a falar do que a escutar.
Quando alguém se arrisca a desabafar online, muitas vezes não está buscando atenção — está buscando Sobrevivência.
Chegar a esse ponto pode ser, sim, a última tentativa de encontrar um ouvido disposto a escutar, um olhar que não julgue, um coração que ainda tenha espaço para acolher.
Vivemos em tempos muito difíceis, em que quase todos têm voz, mas poucos têm paciência.
Todos opinam, mas poucos compreendem.
Quase todos estão prontos para responder, quase ninguém está disposto a ouvir.
E ouvir, nos tempos de hoje, virou quase um ato de Misericórdia.
Um gesto tão simples, mas tão raro: Parar, Respirar e Permitir que o outro exista na sua dor, sem ser Ridicularizado ou Diminuído.
Porque, no fim das contas, o Desabafo Online não revela a fraqueza de quem fala — mas a ausência de empatia de quem não quer ou não sabe ouvir.
E isso, sim, é tão Feio quanto Medonho.
Talvez não haja Atrevimento mais Bonito e Charmoso do que o dos que se aventuraram — e se aventuram — na arte de Costurar Palavras.
Se não houvesse tanta guerra no próprio Crime Organizado, o Crime Desorganizado — o Estado — acabaria se organizando.
Se não nos acautelarmos com o que consumimos, nos transformarão num Amontoado daquilo que nem sequer existiu.
Às vezes, o que nos ocupa por dentro não passa de um monte de coisas que nunca existiram de verdade.
Medos condimentados demais.
Opiniões mal passadas.
Vontades fabricadas em linha de produção emocional.
Informações que engolimos sem mastigar — e que, depois, fazem morada, como se tivessem sido escolhidas a dedo.
O perigo não está no que consumimos com a boca, mas no que consumimos com a mente.
É ali que mora a grande armadilha: transformar-se em um amontoado de ideias alheias, desejos plantados, certezas embaladas a vácuo.
E, quando percebemos… já não sabemos mais o que pensamos, apenas repetimos o que nos alimentou.
Por isso, é preciso cautela.
Porque o mundo oferece banquetes para todos os gostos, mas quase nenhum deles nutre.
Quase todos apenas enchem.
E o excesso, quando não serve para fortalecer, deforma.
No fim, somos aquilo que digerimos — não aquilo que só engolimos.
Não há jeito mais medonho de perder Tempo do que passar Tempo longe do Dono do Tempo.
Há os que erroneamente acreditam que o Tempo só se perde nas distrações, nos atrasos, nos desvios da vida…
Mas, na verdade, não há forma mais sombria de desperdiçá-lo do que tentar vivê-lo longe Daquele que o sustenta.
Distante Daquele que até dele é Senhor.
Tempo sem sentido é aquele que tentamos carregar sozinhos — como quem tenta segurar água nas mãos.
Esse é o Tempo que inevitavelmente escorre, some e evapora.
Estar longe do Dono do Tempo é caminhar com pressa, mas sem destino; é preencher os dias, mas não a alma; é envelhecer por fora sem amadurecer por dentro.
Quando nos afastamos da Fonte, até os minutos pesam.
Mas quando nos reaproximamos, até o silêncio floresce.
O Tempo ganha outra textura quando lembramos que não somos seu dono, apenas passageiros.
E que sentido maior existe do que entregar essa travessia a quem conhece todos os portos?
No fim, o maior desperdício não é o Tempo perdido — é a vida não vivida na presença de quem a criou.
É ali, e apenas ali, que os dias se encaixam, que as horas respiram e que o Tempo, enfim, encontra propósito.
Tempo bom é aquele vivido nos braços de seu Dono!
Não me preocupo com os que acreditam em Papai Noel, mas com os que alugam as cabeças e ainda acreditam que pensam com elas.
No fundo, a inocência dos que acreditam em Papai Noel ainda lhes conserva alguma forma de beleza.
O que realmente inquieta é perceber quantos, já adultos, seguem alugando as próprias cabeças — entregando seus pensamentos a quem grita mais alto, a quem promete atalhos, a quem dispensa qualquer reflexão.
Assusta menos a fantasia do bom velhinho do que a fantasia medonha de autonomia que muitos carregam.
E carregam-na com tanta convicção que quase sempre ela é bordada nos berros.
Pensam que pensam, mas apenas repetem ecos, devolvem opiniões prontas, vestem certezas emprestadas.
E, assim, vão cedendo o território mais sagrado que existe: o da consciência.
Talvez o verdadeiro e mais urgente milagre não seja acreditar em Papai Noel, mas resgatar o direito — e o trabalho diário — de pensar com a própria cabeça.
De duvidar, questionar, investigar…
De não permitir que ideias venham com contrato de aluguel, mas que sejam construídas com autenticidade, esforço e liberdade.
Porque, no fim, a maior ilusão não é a de um presente — embalado na inocência — na noite de Natal, mas a de viver sem perceber que a mente foi entregue ao comodismo, à manipulação ou ao medo.
E nada é mais urgente e necessário do que retomá-la.
Quando, liquidados os motivos de revolta, já não sabemos contra o que nos insurgir, somos tomados de tal vertigem que daríamos a vida em troca de um preconceito.
