Nao estou Sozinha
Pensamento soprado
Não adianta voce querer enxergar, se seus olhos estão vendados.
Não adianta voce querer ouvir, se seus ouvidos estão tapados.
Não adianta voce querer buscar, se seus passos estão parados.
Pare e reflita:
Não adianta mudar o caminho e reescrever o livro.
Por que?
- Podes perder a veracidade da história de sua vida.
Como assim:
- Já está escrita!
Me sopraram...
Tudo nos chega por merecimento e não adianta se escabelar, gritar, espernear,quem nem criança birrenta (nosso ego).
Se não chegou é porque não merecemos e ponto.
O negócio é desfazer o beiço, descruzar os braços e ir dormir (quem sabe no sonho a gente mereça e nossa alma evolua e cresça?) Enquanto isso desapega e pensa!
Não adianta argumentar com pessoas que não estão dispostas a nos ouvir pois o máximo que fazem é distorcer tudo que a gente diz.
Fiz a mala e parti com todos os meus sonhos de outrora não vejo ninguém na estação de trem apenas um relógio embaçado que minha alma não consegue definir a hora.
Nos momentos em que a vida sangra, a verdadeira grandeza não está em aparecer, mas em amparar. A dor do outro não é palco; é chamado à humanidade.
A solidão não é vazio quando o absoluto permanece. É ali, entre você e Deus, que a ideia de insuficiência deixa de existir.
Às vezes a prudência de não tomar uma atitude hoje é que pode ocasionar consequências dolorosas no amanhã.
Nem tudo que quero pode ser bom pra mim, assim como tudo que tenho não necessariamente tenha que ser bom pra mim.
A roda está aberta
Quando eu era criança,
o mundo não explicava nada,
apenas acontecia.
As árvores falavam baixo,
os rios riam alto,
e o céu trocava de roupa
sem pedir opinião.
Eu acreditava.
E isso bastava.
Os antigos sabiam:
em algumas aldeias do Sahel,
as crianças nascem velhas
e vão ficando leves com o tempo.
Entre os hopis,
elas chegam trazendo histórias
que os adultos esqueceram de escutar.
Por isso brincam.
Para lembrar.
Quando virei jovem,
o sangue quis correr mais rápido que o destino.
Aprendi com Inanna
que descer aos infernos
também é iniciação.
Com Oxum,
que beleza é força em estado líquido.
Com os gregos bêbados de Dioniso,
que o corpo pensa
quando dança.
Errei muito.
E cada erro
abriu uma janela.
Os astrônomos da Babilônia diziam
que o céu é um livro em movimento.
Os povos do Pacífico navegavam
lendo ondas invisíveis.
Eu também aprendi a me orientar
pelo que não se vê.
Hoje caminho como anciã
mesmo rindo como menina.
Carrego o tempo dobrado nos bolsos.
Sei que o mundo nasce, quebra,
renasce torto
e continua.
As avós da floresta dizem
que a morte é só uma mudança de canto.
Os xamãs da neve
sabem que o silêncio também ensina.
Os griôs guardam universos inteiros
numa pausa bem colocada.
Dentro de mim,
todas as idades conversam.
A criança puxa minha mão
para correr atrás de borboletas.
A jovem acende fogueiras
onde disseram que era perigoso.
A velha sopra brasas
e chama isso de bênção.
E eu canto.
Mesmo sem afinação.
Eu danço.
Mesmo sem plateia.
Eu celebro.
Porque estar viva
é o maior segredo já contado.
Se você chegou até aqui,
não é por acaso.
Os antigos dizem
que quando um texto toca o peito,
é porque ele te reconheceu primeiro.
Então entra.
A roda está aberta.
Tem riso, tem tambor,
tem vida passando agora.
A idade encontra-se, não nos caminhos rugosos que preenchem a face do tempo pretérito, mas no espírito sem trilhos de sulcos, como se a alma fosse um tecido sintético imune aos vincos do transcurso feito de milhões de minutos.
O tempo do esquecimento é um tempo com margens incertas. Não sei que idade tinha quando li certos livros nem se os li depois de nascer ou antes de existir.
