Não Engane a Si Mesmo
O estrangeiro, o diferente, o deslocado, carrega dentro de si um idioma secreto feito de ausências. E enquanto o mundo enxerga apenas alguém tentando seguir em frente, existe uma batalha silenciosa acontecendo entre quem ele era e quem precisa se tornar.
E o que ele repete para si mesmo todos os dias:
"Um dia isso não vai doer mais."
E, curiosamente, é essa mentira que muitas vezes o mantém vivo até que ela finalmente se transforme em verdade.
Porque nos seres humanos somos estranhos assim. Construimos pontes com ilusões temporárias para atravessar abismos reais. E, contra toda lógica, às vezes funciona.
Quando o amor pede um lugar
Há quem entregue o melhor de si sem medir esforços, sem economizar carinho, sem calcular a intensidade.
Ama com presença, com cuidado, com vontade de construir.
E, ainda assim, guarda no peito um desejo simples:
não ser um segredo.
Não por vaidade, nem por aplausos, mas porque todo amor merece um lugar ao sol.
Há uma paz diferente em saber que alguém não tem medo de caminhar ao seu lado.
No fim, não é sobre aparecer.
É sobre pertencer.
Sobre sentir que o amor, quando é verdadeiro, não precisa se esconder para existir.
“Quem entende e sabe conviver com as pessoas do seu universo certamente tem dentro de si um universo de sabedoria feito de respeito, atenção, zelo, altruísmo, caridade e paciência”
Ney P. Batista
Apr/27/2021
Cada um dá aquilo que tem !!!
Se você tem plena confiança em si, você pode confiar no seu irmão, porque mesmo que ele falhe, não lhe afetará, senão a ele mesmo.
Se você tem caridade no coração o que você distribui é bem-vindo e o que você faz é sempre digno de gratidão.
Se você no entanto tem ódio no coração, o que podemos esperar ou receber de você ? pois o Salvador Jesus Cristo disse - “do que há em abundância no coração disso fala a boca”
Ney P. Batista
May/06/2021
Um indivíduo do qual não consegue perceber quem está à sua volta e só olha para si, é típico de um narcisista. A alienação impede um desenvolvimento intelectual socialmente; a fragilidade traz o medo do envelhecimento, onde a busca em sentir-se aprovado pelos demais é constante, típico de uma mercadoria e, consequentemente, o egoísmo estético o faz olhar apenas para o próprio umbigo, ao ponto do corpo se tornar o único horizonte relevante do sujeito, infelizmente.
“Cada ser em si possui uma maneira de amar totalmente singular, muitas vezes pouco compreendida…
O deixar-se ser amado por sua vez precisa ser natural, expontâneo e livre!”
Olhe para si e veja a vida em si mesma, majestosa, como se tivesse sido desenhada no papel. Há vidas que parecem ter seguido um projeto; outras precisaram ser remodeladas; algumas tiveram de ser erguidas do zero, muitas vezes em meio à tempestade.
A regra, porém, é a mesma que sustenta a todos. Nos dias bons ou ruins, nosso mundo pode tremer, mas são os reforços que construímos que nos impedem de ceder ao peso, e os remendos que carregamos tornam-se verdadeiras medalhas de sobrevivência diante de uma finitude que contempla a todos.
Nosso mundo, por mais efêmero que seja, ainda é nosso. E dentro dele decidimos o que construir, o que preservar e quais pontes teremos coragem de atravessar. Nem tudo nasce perfeito. Algumas partes vêm do sonho; outras, da mais pura necessidade de resistir. E é justamente nessa mistura entre planejamento, improviso, queda e reconstrução que reside a grandiosidade de cada um de nós.”
Charles Eugênio
*O QUARTZO E O BASALTO*
*SiO₂*
O primeiro número apareceu na tela antes que alguém terminasse o café.
Era uma reunião de escritório.
Daquelas que começam com uma apresentação cheia de gráficos e terminam com alguém dizendo que precisamos melhorar os indicadores.
No meio, vieram os números.
Depois as queixas.
Depois mais números.
Perguntas.
Repreguntas.
Questões que não tinham sido pontuadas direito e deixaram dúvidas em alguns.
Era só ter explicado antes.
Mas isso seria esperar demais de uma reunião.
Alguns perguntaram.
Outros ficaram quietos.
Era mais seguro.
A sala era bonita. Cara. Vidros por todos os lados. Mesa grande. Ar-condicionado. Uma tela enorme na parede.
O nome da empresa também era bonito.
Dava a impressão de que ali se fabricavam soluções.
Nomes assim são úteis.
Fazem parecer que existe alguma coisa acontecendo.
Eu olhava para a tela e pensava que talvez existisse.
Mas não.
Existiam números.
E pessoas tentando fazer os números parecerem importantes.
Foi aí que uma coisa começou a me incomodar.
Não eram as cobranças.
Cobrança faz parte do trabalho.
Todo mundo cobra alguém.
E quase sempre existe alguém cobrando quem está cobrando.
É uma cadeia alimentar.
Só que, naquela sala, havia uma combinação que me incomodava.
Número e ser vivo.
Caso 1847.
Protocolo 3921.
Atendimento concluído.
Meta atingida.
Parece simples.
Só que o número não acorda de madrugada.
O número não perde o emprego.
O número não tem uma mãe doente.
Não fica olhando para o teto tentando descobrir como vai pagar uma conta.
Não sente vergonha.
Não sente medo.
Não se arrepende.
O número não sabe que existe.
O sujeito atrás dele sabe.
E essa diferença parecia não caber naquela sala.
Precisamos dos números.
Eu sei.
Seria idiota dizer o contrário.
É preciso registrar.
Classificar.
Medir.
Organizar.
Sem isso, ninguém sabe quantos entraram, quantos saíram, quantos foram atendidos.
O problema começa quando o número deixa de ser ferramenta.
Quando passa a ser o objetivo.
Quando a pessoa deixa de ser alguém que precisa de uma solução e vira apenas mais um caso atendido.
Atendido.
Essa palavra me incomodou.
Atendido não significa resolvido.
Uma ligação é atendida.
Um telefone é atendido.
Uma torneira pode ser atendida.
Uma pessoa também.
Mas uma pessoa não é uma torneira.
Embora, naquela sala, às vezes parecesse.
As pessoas que queriam os números estavam longe.
Não em quilômetros.
Em outra coisa.
Talvez nunca tivessem visto um daqueles rostos.
Talvez tivessem visto.
Depois de algum tempo, isso não faz muita diferença.
Um rosto vira estatística quando você precisa justificar uma meta.
E o mais engraçado era que essas pessoas também estavam sendo pressionadas.
Por quem?
Por gente que queria solução.
Aí estava a piada.
Queriam solução.
Cobravam números.
Queriam mais casos assistidos.
Mais atendimentos.
Mais produtividade.
Mais eficiência.
Mais indicadores.
E, no final, mais números.
Poucas soluções.
A máquina estava funcionando perfeitamente.
Só não estava resolvendo nada.
Foi quando pensei no quartzo.
Não porque eu entendesse de geologia.
Não entendia.
Mas algumas coisas aparecem na cabeça quando você está cansado de ouvir a mesma conversa.
O quartzo é comum.
Está por toda parte.
A matéria-prima não tem nada de especial.
Talvez nós também sejamos assim.
Gostamos de acreditar que somos únicos.
É uma necessidade humana.
Ajuda a suportar a própria existência.
Dizemos que somos diferentes.
Que temos nossa história.
Nosso jeito.
Nossos problemas.
Mas a matéria-prima é quase sempre a mesma.
Medo.
Desejo.
Raiva.
Solidão.
Vergonha.
Esperança.
Vontade de ser reconhecido.
Todo mundo carrega alguma coisa disso.
O que muda é a formação.
E então pensei no basalto.
Na minha cabeça, ele era o mundo.
A pressão.
O lugar.
A família.
O trabalho.
As perdas.
Os fracassos.
As humilhações pequenas.
As pessoas que ficaram.
As que foram embora.
As que deveriam ter ficado.
Tudo aquilo que chega de fora e, depois de algum tempo, deixa de parecer de fora.
O basalto não fica simplesmente ao redor.
Ele entra.
Deixa marcas.
Algumas ficam tanto tempo que começamos a chamá-las de personalidade.
Foi aí que percebi que talvez a reunião tivesse alguma coisa a ver com isso.
O sistema também entra na gente.
Começa pedindo um número.
Depois pede uma meta.
Depois um resultado.
Depois uma justificativa.
Quando você percebe, está falando como a planilha.
Usando as mesmas palavras.
Pensando nos mesmos números.
Medindo pessoas pelo que pode ser contado.
Talvez fosse isso que me incomodava.
O mundo nos forma.
O sistema nos classifica.
E nós confundimos as duas coisas.
Uma coisa deixa marcas.
A outra coloca etiquetas.
Uma participa daquilo que nos tornamos.
A outra quer saber onde nos colocar.
É mais fácil assim.
Cargo.
Função.
Resultado.
Histórico.
Currículo.
Nome.
Número.
Tudo cabe numa planilha.
Menos a parte que interessa.
A planilha não quer saber quem você era antes.
Não pergunta o que fizeram com você.
Não pergunta o que você fez consigo mesmo.
Quer uma célula preenchida.
E nós preenchemos.
Porque é mais fácil.
Talvez seja essa a parte mais miserável.
Nós mesmos ajudamos a desaparecer.
Depois reclamamos que ninguém nos enxerga.
É uma piada ruim.
Mas também não dá para jogar o basalto fora.
Essa é a parte desagradável.
Se eu arrancar tudo o que me formou, o que sobra?
Não sei.
Talvez uma pedra.
Talvez nada.
Durante muito tempo pensei que identidade fosse encontrar alguma coisa escondida dentro de nós.
O verdadeiro eu.
Uma espécie de núcleo intacto.
Hoje acho isso bonito demais para ser verdade.
O que existe em mim antes do mundo?
Não sei.
O que o mundo colocou em mim?
Isso eu sei.
Algumas coisas eu aceitei.
Outras eu recusei.
Algumas tentei arrancar.
Não consegui.
Outras entraram tão fundo que passaram a parecer minhas.
É difícil separar.
Talvez não seja para separar.
O basalto me feriu.
Também me deu contorno.
Não agradeço pelo que doeu.
Não sou tão idiota.
Mas reconheço as marcas.
Existe uma diferença.
Talvez identidade seja isso.
Não uma coisa pura.
Não uma essência esperando ser descoberta.
Uma disputa.
O que sou.
O que fizeram de mim.
O que aceitei.
O que recusei.
E o que ainda consigo fazer com tudo isso.
Foi quando pensei novamente no homem dentro do protocolo.
Talvez fosse esse o problema.
O protocolo não era o homem.
O número não era o homem.
Mas, depois de algum tempo, todos começaram a agir como se fosse.
E fazemos isso fora do escritório também.
Transformamos alguém em um erro.
Em uma dívida.
Em um cargo.
Em um passado.
Em uma aparência.
Em uma opinião.
Depois esquecemos o resto.
É mais confortável.
Um ser humano inteiro dá trabalho.
Um número não.
Saí da reunião com a sensação de que havíamos contado tudo.
Menos o que importava.
Os números estavam corretos.
As planilhas fechavam.
Os indicadores provavelmente seriam apresentados como bons.
No dia seguinte, tudo estaria ali novamente.
As metas.
Os protocolos.
As cobranças.
Os gráficos.
As pessoas.
Ou o que sobrasse delas depois dos gráficos.
Fiquei pensando no quartzo.
No basalto.
No número.
Talvez os três tivessem mais em comum do que eu gostaria.
O quartzo não escolheu onde nasceu.
Nós também não.
O basalto participou da formação.
O mundo também.
O número veio depois.
Esse, pelo menos, deveria ser apenas uma ferramenta.
Mas talvez a pior coisa não seja virar número.
Talvez seja começar a acreditar que somos um.
E aí fica difícil saber onde termina o que somos e começa aquilo que colocaram em nós.
Talvez seja isso que chamamos de identidade.
Não saber exatamente quem somos.
Mas ainda conseguir perceber quando estão tentando nos transformar em outra coisa.
Somos quartzo.
Somos basalto.
Somos a pressão.
Somos as marcas.
E, às vezes, somos também o idiota que olha para tudo isso e tenta entender.
Saí da sala.
Ninguém perguntou pelo homem dentro do protocolo.
Também não esperava que perguntassem.
Afinal, a reunião tinha terminado.
E o indicador precisava fechar.
Pensar diferente não significa ser preconceituoso; ter liberdade de opinião é relevante e não sinal de preconceito.
MEU JEITO DE SER, POETIZANDO
Meu jeito de chegar,
é pelos cantos.
Meu jeito de falar,
é simples e alegre!
Meu jeito de sorrir,
é fácil e largo!
Meu jeito de olhar, é sempre perceptivo,
mesmo que às vezes: distante.
Meu jeito de sentir é interno,
explorando!
Meu jeito de expressar é calado,
demonstrando…
Meu jeito de amar não é frio,
nem morno...
Meu jeito de pensar é intuitivo,
indagando...
Meu jeito de viver é fantasioso,
acreditando...
Meu jeito de sonhar é acordada,
imaginando!
Minha linha de pensamento não é tênue.
Patrícia Pontes de Moraes Tancler Campos.
"Eu não quero criar seguidores. Quero despertar seres humanos capazes de pensar por si mesmos. Uma mente livre não é aquela que concorda comigo; é aquela que possui coragem de questionar tudo, inclusive as minhas próprias palavras. Porque a verdadeira liberdade não nasce da obediência, mas da consciência."
O Facebook não passa de um marketplace de demagogias, imposições e caos! É um cada um por si, numa terra sem lei!
Os EUA estão com a moral tão baixa que bombardeiam a si mesmos! Um bombardeiro B-52 caiu e não deixou sobreviventes!
Essa Copa é um atestado de indiferença, idolatrismo e permissividade que a humanidade dá a si! Nada é proibido, tudo é permitido!
Aí você diz para si mesma que não vai mais cometer aquele erro, quando vê já fez novamente. É aprendizado ou é burrice?! As vezes me sinto como o apóstolo Paulo.
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