Nao Acabou pra Mim
Não tenho medo de arriscar. Prefiro derramar lágrimas doridas ao invés de viver perguntando porque não tentei!
a morte do nostálgico (despedida)
Não houve despedida.
Ninguém chorou. Ninguém fez um discurso bonito. Ninguém colocou flores.
Só existiu um quarto silencioso, uma arma apontada para alguém que já estava morto fazia tempo.
O disparo não foi contra um homem.
Foi contra um hábito.
Contra a necessidade de transformar toda dor em identidade. Contra o vício de revisitar feridas até esquecer como era viver sem elas. Contra o conforto perverso de acreditar que sofrer significava sentir mais do que os outros.
O corpo caiu.
Levava no bolso cartas que nunca chegaram, fotografias de pessoas que já não moravam em lugar nenhum, promessas feitas para fantasmas, apostas perdidas tentando preencher um vazio que não aceitava existir sozinho.
Morreu ali o eterno saudoso.
O homem que sempre olhava para trás como se a felicidade tivesse esquecido um casaco no passado.
Junto dele, desceu à cova o rapaz que precisava parecer quebrado para justificar o próprio silêncio. O que fazia da própria tristeza uma casa, da ansiedade uma bússola e da culpa uma religião.
Também enterraram o covarde.
Aquele que esperava o mundo mudar primeiro para só depois ter coragem de viver.
Cobriram tudo com terra.
As pessoas que um dia fizeram falta ficaram lá dentro também. Não porque deixaram de importar, mas porque já não pertencem ao mesmo mundo de quem saiu andando daquele cemitério.
Existem lembranças que merecem descanso.
E insistir em ressuscitá-las é uma forma de morrer aos poucos.
Quando voltaram para casa, algumas portas permaneceram fechadas.
Uma conta deixou de existir.
Um perfil ficou abandonado.
Algumas palavras nunca mais seriam escritas.
Não por raiva.
Por sobrevivência.
Há lugares que continuam de pé apenas porque insistimos em visitá-los.
Hoje, eles perderam o último visitante.
A melancolia sempre soube escrever. Sabia escolher músicas, filmes, metáforas e transformar qualquer cicatriz em poesia.
Mas nunca soube construir futuro.
E chega um momento em que a beleza da própria ruína vira apenas outra prisão bem decorada.
Então acabou.
Não existe mais protagonista para aquela história.
O homem que precisava sofrer para existir recebeu o único destino possível.
Uma bala.
Uma pá de terra.
Silêncio.
Quem saiu daquele quarto não era feliz.
Nem invencível.
Nem curado.
Só estava cansado de oferecer a própria vida para coisas que nunca ofereceram a delas em troca.
Pela primeira vez, decidiu gastar energia com aquilo que pode alcançar.
O resto…
Que permaneça onde sempre pertenceu.
No passado.
Hoje não nasce alguém novo.
Hoje apenas morreu alguém que já estava ocupando espaço demais.
E dessa vez, ninguém vai cavar para trazê-lo de volta.
Acredito que o dia do amor deveria ser comemorado todos os dias.
Lembrando que o amor não precisa de presente caro,grandes pacotes pois ele é de graça e todos o carregamos nos corações, expressamos por atitudes, palavras de afeto e até mesmo no silêncio.
Use e abuse do Amor.
Há tempos que faço valer as minhas vontades e não deixo nada para depois.
Amanhã pode ser muito tarde.
Ontem sozinha a pensar,
senti uma saudade imensa de você.
Um desejo que não sei dizer,
que não sei explicar.
Uma vontade louca de te ver,
Uma vontade louca de chorar...
sem saber... porque...
Olhei o céu de estrelas radiosas e
entre elas as mais formosas juntinhas...
bem juntinhas... a brilhar!
E sem saber porque crescia cada vez mais
o meu sofrer, crescia esta vontade de te ver juntinho de mim... bem juntinho...
Pra dizer-te bem baixinho... muito baixinho...
Eu gosto muito de você!
No centro da sua cura
está você.
Sempre esteve.
Sempre estará.
Não é sobre quem te feriu,
é sobre quem ficou pra te levantar.
E quem ficou foi você.
É a sua mão que te acolhe,
a sua voz que te acalma,
o seu amor que te salva.
É no seu colo que a alma descansa,
é no seu abraço que o coração encontra paz.
É você que se levanta.
É você que supera.
Sempre você.
E mais uma vez estou me curando sozinha, não espero mais empatia, nem compreensão, a minha dor é minha, e ninguém vai me tirar dela.
O entendimento que não retalha a vida é o Amor, pois o Amor não categoriza — ele une o que a lógica insiste em separar.
A vida, meu amigo, não é um problema a ser resolvido com uma equação ou estrutura, mas uma realidade a ser testemunhada.
Não alimente um leão como se fosse um cão. O leão não tem instinto de gratidão e, uma hora, ele te devora como um cão.
Deriva
Eu não me sinto em casa, pois fui eu quem se lançou para fora dela. Hoje, as paredes sabem o meu nome, mas não me reconhecem.
Eu já não me sinto em mim. Habito este corpo como quem ocupa um traje espacial em missão sem retorno, ou como quem vive em um quarto barato demais para reclamar e caro demais para abandonar.
Há dias em que caminho pela própria consciência como um inquilino com o aluguel atrasado, evitando fazer barulho para não ser expulso. Abro as gavetas da memória e encontro apenas recibos de versões antigas de mim. Todas vencidas.
Não é que o mundo tenha me posto para fora. Não. Fui eu quem saiu aos poucos, deixando as luzes acesas para fingir que ainda morava aqui.
Agora está tudo silencioso: só a expansão infinita e a própria respiração dentro do capacete. Não há grito; o som não se propaga no vácuo. Foi um afastamento quase imperceptível, um desencaixe mínimo entre rota e propósito.
Resta o eco de alguém que já fui e que, se me encontrasse na rua, talvez atravessasse para o outro lado.
Falando com a lua
Eu não sei se é sensato dizer,
mas a lua deve sentir inveja de você.
Porque toda noite, sem perceber,
eu começo a falar de ti até o amanhecer.
Converso com a lua sobre o teu olhar,
sobre o brilho que nenhuma estrela consegue alcançar.
Conto a ela da beleza que existe em você,
e como meu coração se perde só de te ver.
Eu digo que teus olhos têm um universo inteiro,
mais bonito que qualquer céu estrangeiro.
E que teu sorriso, tão raro de encontrar,
faz até as constelações pararem pra admirar.
Às vezes eu tento te transformar em poesia,
escrevo versos pela noite, atravesso o dia.
Mas nenhuma palavra consegue descrever
a imensidão da beleza que existe em você.
Então eu volto pra lua e começo outra vez,
falando de você talvez pela milésima vez.
E quanto mais eu falo, mais eu quero dizer,
porque sempre descubro algo novo pra amar em você.
A lua deve sentir ciúmes, eu imagino que sim,
porque quando ela aparece, você fala mais alto em mim.
Eu olho pro céu, mas é teu rosto que consigo enxergar,
como se tua lembrança aprendesse a me acompanhar.
E não há estrela no céu, nem galáxia a brilhar,
que consiga tua beleza sequer se aproximar.
Porque o universo é imenso, mas eu posso afirmar:
nenhum dos seus mistérios conseguiu superar
a forma como teus olhos me fazem sonhar.
Por isso escrevo, por isso volto a dizer,
por isso passo madrugadas pensando em você.
Porque tua beleza não conhece fim nem versão,
e eu poderia escrever infinitos versos
sem alcançar a dimensão
do amor que existe em meu coração.
Então, se um dia a lua te olhar diferente,
saiba que talvez ela esteja simplesmente
ouvindo eu falar de você novamente.
— Patrick Wallace
O trigo não é o joio, a luz não é a treva, e o amor que tudo perdoa não é o mesmo que o indiferentismo que tudo aceita.
Há algo profundamente inquietante em ti.
Não é a tua aparência.
É a forma como pareces caminhar entre a inocência e a ruína sem pertencer verdadeiramente a nenhuma delas.
És como uma rosa que nasceu no jardim errado, rodeada de cinzas, e mesmo assim obrigou o próprio inferno a admitir que nem tudo pode ser destruído.
Se a melancolia tivesse escolhido um rosto para habitar, creio que teria escolhido o teu.
