Nao Acabou pra Mim
OBSERVO-TE COMO GOSTO
Velas por mim nas horas amargas de dor
Adoçando os meus dias das tempestades
Das lágrimas ficamos no silêncio tão nosso
Oiço a tua voz rouca que murmura ao ouvido
No toque das memórias da minha pele na tua
Que o tempo nunca conseguirá sequer apagar
De tantas primaveras que já nos enriqueceram
No teu rosto o brilho dos teus olhos nos meus
Temperamos a nossas bocas de frutos exóticos
Onde pernoitas com a tua mão nos meus cabelos
Como eu gosto de observar-te enquanto dormes
Os meus olhos ficam embriagados de tanto amor
As minhas mãos percorreram o teu corpo a tua pele
Enquanto dormes, o meu coração voa ao teu redor
- E quando partes, deixas bocadinhos de ti em mim.
A melhor definição de mim mesmo é que mim é pronome oblíquo da primeira pessoa do singular, usado sempre com preposição.
Eu sou traidor de mim mesmo, minha opinião sobre as coisas muda o tempo todo, minha verdade nunca é a mesma, e tomo minhas decisões sem pensar.
Agora se não confio em mim, quiçá em você eu acredito!!!
Taquicardia
Possuis minha taquicardia. Tão logo te afastes de mim, te apoderas do que me resta, do que não te acompanha.
E tudo torna-se almejar. Cada passo perde-se em delírios, cada delírio de ti se angustia. Anseia ávido tua presença.
Tudo em mim dói, tudo em mim é dor, ela predomina. Afeta minha mente e meu coração, mas mesmo assim eu não deixo de levatar e seguir em frente.
E em meio a tantos erros, muitos cometidos até por mim, bateu a vontade de acertar, acertar com você, acertar por você .
Queria que ele pudesse sentir toda vontade e sinceridade que tenho dentro de mim, mostra-lo o quanto posso ser sua melhor amiga, amante e confidente.
Minha sombra é o resultado do que acho que sou multiplicado pela luz que de mim saí. Ou seja, sou um mísero deus criado a minha imagem.
Lembro-me como se fosse ontem de quando meu irmão retirou os quatro sisos e corria atrás de mim para me assustar, com a boca toda vermelha de sangue. Na época isso estava fora do protocolo cirúrgico. Ele era fora do comum!
Meu heroi que virou meu anjo pouco tempo depois. Eu tinha oito anos quando entrava em seu quarto para tentar sentir sua presença.
Abria os armários porque queria sentir seu cheiro, que até hoje está guardado na memória. Uma sinestesia deliciosa! Queria um pouco dele para mim. Abraçava as roupas; mexia nas canetas coloridas e diferentes; visualizava as assinaturas dele, algumas customizações; observava atentamente seus adornos e brincava com o globo terrestre. Então, abria seu criado mudo.
No silêncio das minhas ideias turbulentas, pegava as coisinhas dele que ficavam do jeitinho que ele havia deixado e abstraia. Em uma caixinha ficavam tais sisos! Olhava admirada pelo tamanho dos dentes e como eram bonitos! Sempre indagava: cientistas poderiam fazer um clone do Dri usando o DNA contido nessas preciosas peças brancas. Mas logo depois, raciocinava que seria preciso copiar a alma dele também. O que adianta ter meu irmão de volta fisicamente e sua alma não for a mesma?
Com todo meu jeito de criança, após as fantasias, fechava a caixinha, depois a gaveta e abria minha mente para meu mundo e para o mundo que descobria a cada momento.
