Nao Acabou pra Mim

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A paz não é deixar de enxergar o lado sombrio da existência. É não permitir que a sombra apague toda a luz que também conseguimos criar.

A energia não escreve sozinha o caminho da evolução. Mas nenhum caminho vivo é percorrido sem ela.

Não estamos simplesmente entrando em uma nova era.
Estamos sendo perguntados se somos capazes de construí-la.

O futuro não está apenas chegando; ele já está sendo construído pela maneira como cada pessoa participa agora. OMNYA

Não existe separação.
Existe diferença em relação.
Existe limite em troca.
Existe singularidade em participação.
Existe uma vida inteira comunicando-se através de suas partes.
Existe OMNYA.

Talvez o poder não tenha desaparecido porque fosse impossível, mas porque a humanidade ainda não possuía consciência suficiente para sustentá-lo.

Negar a matéria não me tornou mais espiritual; apenas me deixou menos preparada para habitá-la.

As labaredas não desapareceram. Transformaram-se. O fogo que antes parecia destruir tornou-se direção, presença e força para continuar. Já não queima para reduzir tudo a cinzas. Queima para iluminar o próximo passo.

Quem cultiva inimigos desperdiça o próprio tempo, perde o foco do essencial, azeda o humor e, não raro, termina por imitar aquilo que combate.

Se minha insistência operasse em sentido inverso, o mundo não avançaria nem recuaria: estacionaria num empate de alta precisão técnica.

Não é a suntuosidade que torna algo grandioso, mas o valor que tem e a crença que o sustenta.

A bondade não se impõe, não conhece limites e não faz distinções sociais.

Arrisque mais agora, para não ter de corrigir depois; não aguarde convites, produza o acontecimento.

A arte e a cultura não estão condicionadas à classe social, etnia ou credo; sujeita-se às manifestações de um povo que preserva seus costumes e respeita sua gente.

A letargia não edifica pontes; imobiliza e separa a aptidão da mediocridade.

A solidão tem uma vantagem prática:você não se decepciona com ninguém.

O mundo não é unilateral; personalizá-lo à nossa imagem é negar sua pluralidade.

A lua daqui

Eu não vou mentir: por onde quer que eu vá, sinto que o luar nunca é igual ao de minha cidade, Apodi. Aqui não há montanhas gigantes, nem encostas que façam o luar ser único. Mas, no Calçadão da Lagoa do Apodi, na parte meridional da cidade, a lua se matiza de prata, refletindo sobre a água como se o céu tivesse derramado um bujão de gás luminoso. Ela fica tão reluzente que encanta, apaixona e já fez gente simples se tornar famosa só por morar na cidade da lua platinada.

Percebo que as grandes cidades, com suas selvas de pedra ou litorais recortados por ilhas, nem de longe produzem luas como a daqui. Nossa jaci é uma verdadeira belezura: casais se enamoram e até brigam, mas, ao perceberem o luar, desarmam-se das intrigas e voltam a se amar.

Aqui nem pensar em lobisomens. Pelo contrário, o que a lua enfeitiça são os gatos, que deixam de ser apenas gatos e ganham nomes dignos de celebridade: Nâno, Tufão, Fábio Assunção, Nega Véia, Melissa Mel, Florinda, Bob Mel, Frida Mel, Pedro de Canoanés, Ceguinha, Morcego e até Paulo Jorge. Longe de quererem se tornar feras, eles só se deixam encantar. E, assim como nossos felinos se transformam em personagens, nossa cidade carrega consigo uma rica gama de apelidos, que vão desde as crianças até os idosos, passando por todos que têm história e memória por aqui.

A lua daqui parece tornar nosso povo ainda mais hospitaleiro, e quem bebe da água de Apodi tende a não sair jamais, encantado pelo luar, pela lagoa e pelo calor silencioso da nossa gente.

A política partidária nacional chegou a um estágio em que já não se escolhe o melhor candidato; resta a cada eleitor optar pelo menos ruim, segundo sua própria avaliação.

Não sou seguidor de Dídimo; acredito em muitas coisas que sei estarem longe de existir.