Nao Acabou pra Mim
ENFIM, O MEU EPITÁFIO
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
Não chores sobre a fria sepultura;
Ali repousa apenas a moldura.
Quem fui não cabe em pedra ou inscrição,
Pois fez da própria ausência uma canção.
Passei qual sombra errante pela estrada,
Levando a alma de esperança ornada.
Perdi jardins, abracei o inverno,
Mas preservei o lume do que é eterno.
Se amei, foi com a força das ruínas;
Se caí, foi beijando as disciplinas.
Jamais verguei ao ouro ou à vaidade;
Busquei, na dor, a face da verdade.
Não tragas flores para o meu jazigo;
Prefiro o bem semeado entre o perigo.
Que cada gesto nobre em teu caminho
Transforme em luz o pó do meu destino.
Se um dia leres estas derradeiras linhas,
Não contes minhas perdas ou conquistas.
Recorda apenas que um coração sincero
Jamais morreu por ter amado austero.
E quando o tempo apagar meu nome inteiro,
Sem voz, sem retrato, sem roteiro,
Escreve apenas, simples, sobre a fria pedra:
"Aqui repousa um homem que jamais deixou de procurar a Verdade; e, procurando-a, aprendeu que o amor é a única herança que não conhece sepultura."
ENFIM, O MEU EPITÁFIO. - Parte II
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
Não venhas despertar meu pó cansado;
Silenciou meu último chamado.
A voz que outrora incendiava o vento
Dissolveu-se na cinza do momento.
Fechai meus olhos. Nada mais espero.
Bebi o fel, atravessei o austero.
Cada ilusão, qual lâmpada sem lume,
Findou perdida em seu mortal negrume.
Fui peregrino de incontáveis dores,
Colecionando espinhos, não louvores.
A cada queda, o peito se rompia;
A cada aurora, a noite renascia.
Amei além da força dos humanos;
Morri um pouco em todos os enganos.
Guardei sorrisos para quem partia,
Ocultando a própria agonia.
Jamais medi o preço do perdão;
Entreguei inteiro o coração.
Em troca, recebi o frio inverno,
Companheiro constante do meu inferno.
Agora, enfim, nenhuma voz me chama;
Extinguiu-se o derradeiro drama.
Nem glória peço, nem qualquer memória;
O esquecimento também possui vitória.
Se alguém passar diante desta pedra,
Não diga que o destino foi uma queda.
Escreva apenas, com piedade e calma:
"Aqui repousa um homem que perdeu quase tudo, exceto a dignidade. Buscou a verdade quando a mentira era mais confortável; escolheu amar quando o abandono parecia inevitável. Partiu em silêncio, mas deixou, na eternidade, a prova de que um coração ferido ainda pode iluminar o mundo."
E quando o vento apagar meu nome derradeiro,
Quando o tempo consumir meu paradeiro,
Não procurem meu rosto entre os mortais...
Procurem-no na lágrima que insiste em não cair mais, no abraço que chega tarde, na saudade que jamais encontrou sepultura. Porque há mortos que desaparecem da terra magoada e impura; e há almas que permanecem respirando dentro da dor daqueles que amaram sorvendo só amargura.
A PERMANÊNCIA DO CONVITE MORAL. DE ONTEM AOS DIAS ATUAIS.
A frase "vai e não peques mais" atravessou séculos sem perder a sua força interior. Ontem, quando foi pronunciada diante de uma mulher humilhada pela condenação pública, ela representava uma ruptura moral com a cultura da punição imediata e do julgamento implacável. Hoje, permanece como uma das mais profundas orientações éticas já dirigidas à consciência humana.
No cenário antigo, a multidão estava pronta para apedrejar. A lei, interpretada de maneira rígida, exigia punição. A sociedade daquela época estava acostumada a julgar rapidamente e a condenar sem introspecção. A intervenção de Jesus interrompeu esse automatismo moral. Ele deslocou o centro do julgamento para o interior de cada indivíduo. Antes de acusar o outro, cada um deveria olhar para si mesmo.
Esse deslocamento moral inaugurou uma nova forma de compreender o erro humano. O erro deixou de ser apenas motivo de castigo externo e passou a ser compreendido como oportunidade de despertar da consciência.
Ontem, aquela mulher recebeu a liberdade de continuar vivendo. Mas essa liberdade não era uma absolvição inconsequente. Era uma responsabilidade nova diante da própria existência. Ao dizer "vai", Jesus devolve à criatura o direito de caminhar. Ao acrescentar "não peques mais" ele recorda que toda liberdade exige vigilância moral.
Se observamos a sociedade atual, percebemos que a mesma dinâmica continua presente. A humanidade progrediu em ciência, tecnologia e organização social. Contudo, no campo moral, muitos comportamentos ainda repetem o espírito da antiga multidão. Julga-se com rapidez. Condena-se com severidade. Pouco se examina a própria consciência.
Nas redes sociais, nos debates públicos e até nas relações pessoais, frequentemente repete-se o impulso de acusar, expor e punir. A diferença é que as pedras de ontem transformaram-se em palavras, ataques morais e condenações coletivas. O mecanismo psicológico, porém, permanece semelhante.
Nesse contexto, a frase evangélica continua extraordinariamente atual. Ela recorda que o erro humano deve ser tratado com lucidez e responsabilidade ,não com crueldade moral.
Do ponto de vista psicológic...
" Quem estudou profundamente uma ideia não teme debatê-la; quem apenas a imagina conhecida costuma combater caricaturas criadas pela própria ignorância. "
CAPÍTULO XXXVI
NÃO HÁ ARCO-ÍRIS NO MEU PORÃO.
OS AMENDOINS CRESCEM NO PORÃO DAS ALMAS.
Diálogos de Joseph Bevoiur com Camille Monfort.
Joseph Bevoiur escreve com os dedos sujos de tinta seca:
— Camille, sabes o que me espanta em ti?
Não é tua beleza: é o que ela silencia.
É como se cada gesto teu tivesse sido antes um lamento...
E agora vive, disfarçado em elegância.
Camille (entrando pela escada do porão, vestida de sombra translúcida):
— Joseph… tu ainda escutas meus silêncios?
A maioria ouve apenas meu andar de leveza, pensam que flutuo…
Mas afundo, Joseph.
Afundo nos degraus que fiz de mim.
Joseph:
— Camille, tu cultiva o sofrimento com mãos de jardineira cega…
Como se a dor fosse tua única flor.
Por que esses amendoins no porão?
O que significam?
Camille (sentando-se no chão de tábuas úmidas, sorrindo com os olhos ausentes):
— São as sementes do que não pude dizer.
Cada amendoim, uma palavra soterrada, uma emoção desnutrida…
Eles brotam dos lírios mortos que plantei com minhas renúncias.
Não sou trágica, Joseph. Sou… sedimentada.
Joseph:
— E ainda assim… és mística.
Tens uma filosofia de dor quieta…
como quem escreve tratados com lágrimas.
Camille, se o amor é tua doença, qual é teu remédio?
Camille:
— Não busco cura.
Minha psicologia é feita de permanência, não de solução.
Amo com uma constância incurável.
Minha alma é catedral em ruínas: só entra quem reza de olhos fechados.
Joseph:
— Então é isso.
Tua existência não é um tempo, é um estado.
E teus amendoins são frutos do que nunca nasceu,
mas que insiste em crescer… no escuro.
Camille (erguendo o olhar para a poeira suspensa):
— Eu sou o escuro que floresce, Joseph.
E tu és o poeta que me rega, mesmo sem saber.
Lá em cima, o mundo prossegue.
Mas neste porão, onde o amor se tornou vegetal cego, crescem amendoins líricos,
nutridos de palavras nunca ditas,
de cartas jamais enviadas,
de beijos que morreram antes da boca.
E alguém…
em algum lugar entre a lucidez e o esquecimento…
acredita que sente um leve gosto de terra e flor ao mastigar o tempo.
Não sabe que está comendo o fruto
de uma alma que nunca deixou de sonhar em silêncio.
A COROA DO ÚLTIMO EXILADO.
Não chames desventura o cárcere que abracei;
foi nele que, sem trono, meu destino coroei.
Os risos pereceram nas praças do verão;
restou-me o cetro austero da eterna solidão.
Os sinos emudeceram nos claustros da memória;
somente a sombra antiga conhecia minha história.
As luas, uma a uma, beijaram meu perfil;
nenhuma devolveu-me o jardim de abril.
Houve um tempo em que os lírios perfumavam meu caminho;
hoje florescem cardos onde outrora havia ninho.
Cada pétala tombada tornou-se oração;
cada espinho gravou teu nome no coração.
Quem contempla o precipício escuta outra linguagem:
não pertence aos ouvidos, mas à última coragem.
Ali o medo dissolve a máscara da razão,
enquanto a alma desperta na suprema provação.
Vi palácios sucumbirem ao cansaço das eras;
vi impérios converterem-se em esquecidas quimeras.
Todavia, tua lembrança permaneceu de pé,
como chama invencível sustentada pela fé.
Minha princesa... havia ouro na curva do teu riso;
bastava tua presença para inventar o paraíso.
Agora, cada alvorada parece funeral;
cada crepúsculo encerra um adeus monumental.
Procurei teu reflexo na vidraça do destino;
encontrei somente o rosto do silêncio peregrino.
Interroguei os astros sobre tua direção;
responderam com o idioma da constelação.
As montanhas envelhecem, os oceanos vão secar;
todo mármore dissolve, todo bronze há de tombar.
Entretanto, o sentimento que me deste por herança
não conhece sepultura, nem renuncia à esperança.
Se o universo apagar a derradeira estrela,
guardarei tua imagem onde ninguém pode vê-la.
Nem o tempo, soberano, vencerá semelhante ardor;
há eternidades nascidas do impossível amor.
Quando enfim meus olhos cerrarem o horizonte derradeiro,
não haverá lamento, nem adeus derradeiro.
Apenas tua lembrança, serena como um altar,
esperando meu espírito além do último mar.
Então, se Deus permitir que as almas voltem a florir,
hei de reconhecer teu olhar antes mesmo de sorrir.
Porque quem ama através da ausência, da saudade e da aflição,
já não pertence ao mundo: pertence à eternidade do coração.
E, caso nunca voltes...
Não chores por meu destino.
Procura-me na chuva que repousa sobre os telhados antigos;
na folha que abandona o galho sem protestar;
na estrela solitária que insiste em cintilar quando todas as outras adormecem.
Ali estarei.
Não como homem.
Nem como lembrança.
Mas como a parte do teu silêncio que jamais deixou de te amar.
Marcelo Caetano Monteiro .
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Capítulo XVIII -
O TESTEMUNHO DO FILÓSOFO DO ABISMO.
Livro: NÃO HÁ ARCO-IRIS NO MEU PORÃO.
Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
Joseph bevouir - Escritor. .
Eu o vi.
Não com os olhos, pois estes sangrariam, mas com a lucidez que somente a dor oferece aos que vivem à margem da existência.
Vi o instante em que o lírio branco mas vermelho e insano nasceu entre os dedos trêmulos de Joseph Bevoiur. Nenhum motivo biológico. Nenhuma explicação botânica. Era arte.
Ou era Camille.
Mas o lírio nasceu no porão.
E isso muda tudo.
Sou o que restou da razão depois que a beleza foi assassinada pela obsessão.
Sou o filósofo do abismo.
E aqui, neste antro de memórias devoradas, trago palavras que não salvam — apenas explicam, em linguagem febril, o que nem o amor soube justificar.
Camille...
Tua presença é o próprio grito calado.
Tua ausência, a certeza de que Joseph jamais poderá voltar ao mundo dos homens.
Porque te amou.
E amar o impossível é o primeiro crime de toda alma sensível.
A gaita de fole, aquela maldita gaita, toca em descompasso com as teclas secas de um piano que não deveria sequer existir.
Mas existe.
Assim como Joseph, que ama e fere na mesma mão.
Assim como Camille, que aceita e morre com o mesmo olhar.
Talvez Joseph nunca tenha querido te ferir, Camille.
Mas há amores que nascem fadados à crueldade… como lírios em porões sem luz.
E eu…
eu apenas escrevo.
Escrevo como quem sangra para que vocês dois não sejam esquecidos, mesmo que nunca tenham existido fora das páginas deste livro.
Capítulo XXXIX
LIVRO: NÃO HÁ ARCO-ÍRIS NO MEU PORÃO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
– Camille Entre Véus.
Era sempre noite onde Camille existia agora.
Não uma noite vulgar, com estrelas e promessas, mas uma noite de veludo pesado, onde o tempo se desmanchava em arabescos de angústia. Ela caminhava sobre corredores que não tinham chão, por entre espelhos que não devolviam seu reflexo. Tudo era silêncio e cintilação opaca. Tudo era espera.
E ela esperava por ele.
Joseph.
Ele ainda escrevia. Ela sentia o tremor do papel quando seu nome era desenhado nas entrelinhas. O calor úmido de seus olhos, a respiração suspensa quando ele ousava descrevê-la. E cada letra lançada por ele sobre o papel feria-a como se a inscrevesse num mundo onde ela não mais podia existir por inteiro. Era como ser costurada por agulhas de vento, reconstruída em palavras que a reanimavam e a exilavam ao mesmo tempo.
“Joseph,” ela sussurrou, mas sua voz não saía do limbo.
Nem eco, nem ruído. Apenas uma presença que implorava para ser sentida.
Ela vagava, prisioneira de uma imagem que ele esculpira dela, tão bela quanto incorreta. Ele nunca a viu como ela realmente era. E, mesmo assim, foi o único que a amou até a febre da loucura. O único que lhe ofereceu um lugar fora do mundo, mesmo que esse lugar fosse sua própria ruína.
Camille não chorava. As lágrimas, naquele plano, vinham em forma de luz que vacilava, de memórias que se refaziam por segundos e depois se estilhaçavam como porcelanas finas. Seu rosto era um campo de auroras interrompidas, e seu corpo parecia feito de lembranças densas demais para permanecerem na terra.
Ela sabia: a cada nova página escrita por Joseph, parte de si retornava…
…e parte de si era despedaçada de novo.
Quis chamá-lo, dizer-lhe que parasse, que deixasse o luto se calar. Mas também desejava ardentemente que ele continuasse, pois só nas mãos dele ela ainda era algo mais do que um eco.
E então ela o viu.
Através de uma fresta entre véus e véus, o poeta diante do túmulo, a mão trêmula, o olhar perdido como um menino que perdeu sua morada. O filósofo do abismo observava ao longe, mas não intervia.
Camille compreendeu, então, o que a prendia:
ela era a morada de Joseph, mas ele nunca soube sair.
E se ela voltasse por completo, ele não sobreviveria à verdade de sua presença.
Ela virou o rosto, como quem teme o próprio reflexo. A eternidade se dobrava em sua espinha como um véu demasiado pesado para carregar. Ainda assim, ela quis… quis ver mais uma vez o que ele escreveria.
Mas o capítulo acabou ali.
E ao virar a página, o papel estava em branco.
Poa está ficando boa! Não basta, Melo, fechar farmácias distritais e UBS; agora estão faltando insumos, como insulina!
Política é o jogo no qual adversários se enfrentam buscando a vitória, mas o resultado não afeta só o indivíduo, e sim o coletivo!
Com a força em cada pedalada e o vento no rosto, a pessoa não apenas conquista a estrada, mas prova que construiu o seu próprio destino.
Não entendo essa idolatria pelo menino Ney! O cara é um prego, uma estrela apagada e apoiador de golpista! Cria fascista!
O menino Ney deve estar com vergonha! Não serve nem para mito! Messi, com 39 anos, é artilheiro da Copa! Lenda do futebol!
A prova definitiva de que títulos e grau de instrução não fazem ninguém mais inteligente são os Bolsonaro! Cavalgaduras diplomadas!
Ás vezes não precisamos apagar alguém do passado para seguir em frente. Precisamos apenas colocá-lo no lugar correto dentro da nossa história.
Nem todo amor precisa terminar em reencontro.
Alguns amores terminam se transformando em memória.
Outros se transformam em perguntas.
Alguns permanecem como uma pequena cicatriz emocional que já não dói, mas nos lembra de quem fomos.
Existem estruturas sustentando nossa vida que também não conseguimos enxergar.
Memórias.
Experiências.
Crenças.
Medos.
Esperanças.
Valores.
Relacionamentos.
Tudo aquilo que sustenta nossas decisões, embora não apareça como uma parede ou uma coluna.
Você não é mais a menina que espera ser escolhida.
Você é alguém que também construiu uma vida que pode ser observada.
Pela morte da amiga Elfriede Galera
E* difícil não sentir tristeza
L*embrando de suas alegrias
F*rida e os seus belos sorrisos
R*evigorando todas nossas vidas
I*ncrivelmente focada em sua luta
E*strela inspiradora de luz eterna
D*eixa-nos nesta saudade em vida
E*mbeleza o céu com sua presença
Que Deus a receba em seus braços!!!
“Não herdamos apenas nomes e lugares. Herdamos lembranças de pessoas que nunca chegamos a conhecer.”
