Nao Abra seu Coracao

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Quem não crê na família espiritual, limitando-se apenas à carnal, está fadado à separação eterna.

Apenas quem carece de consciência social sustenta um veículo barulhento, por não respeitar o valor do silêncio em uma sociedade desenvolvida.

Um segredo de uma vida em paz é não falar tudo sobre...

Alimento não é inimigo. É informação para o corpo.

O maior concorrente

Tem coisa que não se disputa.
Não se rouba, não se toma, não se arranca à força.
O que é seu ninguém tira — porque não veio de fora, nasceu dentro.

O maior concorrente da sua vida nunca foi alguém melhor, mais forte ou mais preparado.
Sempre foi você mesmo.
Seus medos disfarçados de prudência.
Seus anseios travestidos de urgência.
Sua mente criando cenários que nunca existiram.
E, às vezes, a covardia silenciosa de duvidar da própria capacidade.

Se você não tentar, nunca vai descobrir do que é capaz.
Vai ficar refém das suposições, dos “talvez”, dos “e se”.
E a dúvida, quase sempre, pesa mais que o fracasso.

Se você não errar, não aprende.
Porque o erro não é o fim do caminho — é o mapa dizendo por onde não seguir.
Ele ensina, ajusta, amadurece.
Só não ensina quem desiste cedo demais.

Thomas Edison entendeu isso como poucos.
Foram inúmeras tentativas até a lâmpada funcionar.
Quando perguntaram a ele sobre tantos “fracassos”, a resposta foi simples e definitiva:
ele não falhou.
Apenas descobriu muitas maneiras que não funcionavam.

Enquanto muitos param na primeira frustração, outros transformam o erro em aprendizado.
Porque o sucesso não é ausência de falhas,
é persistência apesar delas.

Curioso é perceber que, muitas vezes, existem pessoas que acreditam mais na sua capacidade do que você mesmo.
Elas enxergam força onde você vê cansaço.
Veem talento onde você só enxerga falha.
Veem futuro enquanto você ainda está preso ao passado.

A vida não exige perfeição.
Exige coragem.
Coragem para tentar mesmo com medo.
Para errar e continuar.
Para acreditar quando a dúvida grita.

O que é seu já está a caminho.
Mas ele só encontra quem decide, todos os dias,
não desistir de si mesmo.

Falas Que Ferem


Falo de Deus mas não sou santo
Falo de bondade mas não sou perfeito
Falo de beleza mas sou todo sem jeito
Sou falado e sofro preconceito.
A fala ultrapassa limites
Os quais servem de proteção
Mas acabam nessa precarização
Pelo desejo de ser superior
Dos outros destrói o interior
Sem nem pensar no alheio
Fala tudo sem freio
E fere o sentimento
Faz o outro viver no tormento
De se achar a escória
Somente pelas estórias
De quem aponta o dedo.

Parece que tudo o que eu disse parecia não ter importância, por isso rasguei aquela carta. Eu prefiro acreditar que não deu mínima para o que estava escrito lá.

Às vezes, o medo é apenas um medo de não dar conta.


06/09/2025

Olá, querido Deus, saudades! Eu sei que estou distante e não tenho cumprido meus propósitos. Nunca mais te escrevi, mas algo me afasta do meu caminho. Às vezes penso que não faz tanto sentido estar aqui, mas sei que tudo tem um motivo. Às vezes sinto saudades de mim e às vezes sinto saudades de você.




25/10/2025

A gente tem medo: medo da vida, medo de nada dar certo, medo do que nos espera, medo de não ser suficiente para nós, medo de não nos encontrar. Em alguns momentos da vida, enfrentamos diversos tipos de medo.

Um dia perfeito

Hoje é um dia perfeito.

As funerárias estão vazias, quase esquecidas. Não há velórios para organizar nem despedidas para ensaiar. Ninguém morreu hoje. Não houve acidentes fatais, nem tiros encontrando pais de família no caminho de casa. O bandido não matou. O marido não feriu, não agrediu, não matou a própria esposa. Hoje, nenhuma mulher precisou temer dentro do lugar que deveria ser abrigo.

Os hospitais, acostumados ao excesso de dor, estão estranhamente calmos. Leitos vazios, corredores silenciosos, plantões que não correm. Não há filas, não há sofrimento esperando prioridade. Médicos e enfermeiros, desacostumados da paz, redescobrem o peso leve de um sorriso.

Mas, nas maternidades, é diferente.

Ali, a vida faz barulho. Há choro que anuncia começo, não fim. Mulheres que um dia ouviram que não poderiam engravidar agora seguram nos braços a resposta mais bonita que o corpo pode dar. O dia chegou. O filho chegou. O sonho também.

Hoje, ninguém passa fome.

A comida chega a todas as mesas. Talvez não seja banquete aos olhos de quem sempre teve fartura, mas, para quem já teve nada, aquele prato simples vale mais que festa. É o almoço dos sonhos. É dignidade servida quente.

Hoje, não há pessoas em situação de rua.
Não há corpos esquecidos nas calçadas.

Todos têm um lar, um endereço, um lugar onde descansar o corpo e a alma. Todos têm trabalho, o que comer, o que vestir. Vivem, finalmente, com dignidade.

Hoje, o mundo decidiu não machucar ninguém.

E talvez isso seja o mais assustador: perceber que esse dia perfeito não exigiu milagres, apenas escolhas. Não precisou de tecnologia nova nem de discursos bonitos. Precisou apenas de humanidade em prática.

Mas então o despertador tocou.

Acordei.

As funerárias voltaram a funcionar.
Os hospitais encheram outra vez.
A violência retomou seu turno sem atraso.

Tudo aquilo não passou de um sonho breve, desses que parecem possíveis demais para serem verdade. Ao abrir os olhos, vi que o mundo seguia fiel a si mesmo: o que não era para ser normal continuava normal.

A morte voltou a trabalhar.
A fome voltou a rondar.
A injustiça não perdeu o endereço.

Ainda assim, algo do sonho ficou.

Porque talvez o dia perfeito não precise começar no mundo. Talvez ele comece dentro de você. Se o mundo insiste em ser duro, ser melhor já é um ato de rebeldia. E, se houver a chance de ser gentil, exagere. Exagere mesmo. Sem cálculo, sem economia.

Talvez eu não consiga salvar o dia inteiro.
Mas posso salvar um gesto.
Uma palavra.
Um instante.

O mundo não mudou quando acordei.
Mas eu posso mudar antes de dormir.

Crescer é não caber mais.
Aconteceu no ventre.
Depois, no berço.
No quarto.
No emprego.
No bairro.
Nas amizades.
Nos assuntos.
Na forma de ver as coisas.
Na fala.
E, por fim, no pensamento.

⁠E a eternidade começou, mas o homem não nasceu para ser eterno. Nascemos para morrer, para nos tornarmos matéria orgânica. Para nos tornarmos memórias e esquecimento no coração dos homens.

Cem Anos de Solidão (série)
1ª temporada, episódio 4.

Não abro mão dos meus momentos de lazer, transformo um dia simples em um evento especial. A vida ganha cor quando cada pausa se torna, na verdade, uma celebração da própria existência.

Máscara
Disfarça e segue, até porque a neve não está caindo.
A inexistência de frio é marcante; apenas o seu coração permanece gelado.

A minha vontade é vê-lo puxar a janela do seu âmago e atirar ao chão a sua máscara, para que, lá embaixo, eu enxergue os seus olhos frios. Mas, ao me levantar e encarar a sua face, percebo que tudo não passa de uma farsa libidinosa para me atrair — um anjo sem escrúpulos.

É isso que séculos de escuridão fazem: transformam uma chuva de verão em tempestade fria. Vou dar um tempo, até que a brisa quente chegue. Temo, às vezes, que ao dormir eu escute o barulho da chuva cair em flocos, que a tempestade gélida retorne e o tremor me atinja.

Você já ouviu o silêncio de quem desiste? Não é o silêncio da paz,
nem o do descanso. É um silêncio pesado, carregado de palavras
nunca ditas e de passos jamais dados. Como profissional que atuou
no resgate e na emergência, ouvi esse silêncio ecoar em quartos de
hospital e em cenas de acidentes. Contudo, o lugar onde ele é mais
ensurdecedor é na vida de quem ainda está de pé.
Lembro-me de um atendimento. Um homem saudável, sem traumas
físicos aparentes, mas com o olhar de quem já havia partido há
anos. Ele estava ali, cercado por uma vida segura, um emprego
estável e uma rotina impecável. Ao conversarmos, porém, a verdade
surgiu: ele tinha pavor. Não da morte — a morte era algo distante,
um conceito abstrato. Ele tinha pavor de viver.
Confessou-me que passava os dias calculando como evitar o erro,
como não ser julgado, como manter a redoma de vidro intacta.
Estava tão ocupado em não morrer que se esqueceu de estar vivo.
Era um mestre da existência biológica, mas um indigente da vida
existencial. Naquele momento, percebi que a maior tragédia não é o
coração que para de bater, mas o coração que bate apenas por
hábito.
Existir é uma condição biológica. Viver é uma decisão filosófica.
Você está apenas ocupando espaço ou realmente habitando sua
vida?
Sua tarefa hoje é o confronto: identifique uma situação onde você
está “lutando para não morrer” — evitando o conflito, fugindo do
risco ou silenciando sua verdade apenas para manter a paz. Agora,
responda com honestidade ácida: o que você está protegendo é sua
vida ou apenas seu conforto?
Dê um passo hoje que não tenha garantia de sucesso. Sinta o
desconforto. É ali que a vida começa.

Hoje eu lembrei de você enquanto me maquiava.
Não por saudade anunciada,
mas por um gesto pequeno,
desses que moram no cotidiano e doem depois.
O delineado seguia firme,
parava no meio do olho,
como sempre parou.
E foi aí que você apareceu —
na memória, não no espelho.
Lembrei daquele dia em que você percebeu
o detalhe que quase ninguém nota.
Metade do traço,
metade do olhar,
inteiro na atenção.
Fiquei encantada não pelo elogio,
mas pela forma como você me via.
Como quem enxerga
o que não grita,
o que não pede,
o que só existe.
É estranho como o tempo faz isso.
Meses passam,
o nome silencia,
o sentimento dorme.
Mas basta um traço torto,
uma manhã qualquer,
e o passado volta sem pedir licença.
Você não voltou.
Foi só a lembrança.
Mas ela ficou ali,
sentada no canto do meu reflexo,
me olhando terminar aquilo
que nunca chegou ao fim.
Talvez algumas pessoas
não foram feitas pra ficar.
Foram feitas pra aparecer de repente,
num espelho,
num detalhe,
numa memória que insiste
em não desaparecer.

Perder o chão é o vício de quem não valoriza o que tem.

O ser humano perdido vive apenas para satisfazer o próprio ego. Todas as áreas de sua vida, não são nada. Nada além de ferramentas pra convencer a si mesmo de quem ele acha que é. Isso o leva ao sofrimento incessante de insistir em bater em portas que ao abrir, não tem nada a oferecer. E assim, ele vive em uma busca interminável, de mais e mais, para no fim, morrer insatisfeito, porque no fundo, ele escolheu viver na covardia de tentar ser quem ele não é.

Olhar pra cruz é entender que não sou perfeito, mas que sou capaz de desenvolver minhas qualidades divinas dada pelo meu Deus. Porque quando ele dizia: "Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra.", ele estava me ensinando que todos somos iguais, e temos a graça de ainda poder escolher todos os dias se vamos alimentar nossos defeitos, ou nossas qualidades, que foram plantadas por Ele em nós, antes mesmo de nascermos.