Namoro
Guardião da minha chama.
Você controlou minha mente,
Porque aprendeu a manusear minha energia vital.
Fez de mim prisioneira do teu toque,
Da tua voz rouca e aveludada,
Mestre dos meus pensamentos,
Guardião da minha chama.
Rendo-me ao teu comando,
Envolta nas tuas teias invisíveis,
Sendo puxada ao labirinto da submissão.
Faças de mim tua escrava de desejos,
E, sem resistência, me entrego.
Estou na lua cheia que você contempla,
Nos acordes que dedilhas,
Nas melodias que compõe ao vento.
Na noite escura, na brisa do mar,
À beira-mar, somos um pouco de mim, um pouco de ti,
E muito de nós, temporariamente, sem nós.
Por essa nem o futuro esperava
Que você chegasse sem hora marcada
Atropelando tudo, entrando no meu mundo
Deixando o universo confuso.
Trouxe um brilho que eu não conhecia
Mudou as cores da minha rotina
Beijo inesperado, sem avisar
Foi um encontro escrito nas entrelinhas
Coração sem freio, alma acesa
Tudo parou naquele instante
Colapso do espaço-tempo
Estou apaixonada
Me prende na órbita desse beijo
Deixa eu morar pra sempre no teu mundo.
Por que gosto de você?
Vamos lá...
Bem, não encontrei motivos para gostar de você.
Por isso acredito que é esse "tal amor", porque não há motivos; acho que é certo não haver um motivo.
Se alguém Ama por um motivo, acabará mudando de idéia quando não tiver mais motivos.
Não quero ter motivos, apenas escolher querer está ao seu lado, mesmo conhecendo sua pior versão, escolho ficar.
Peço que ouças o meu coração, para que saibas ler o teu silêncio. Mas não te puxarei se você não quiser vir.
Amores longínquo
Estou viajando em pensamentos, imagens e dos limites impostos.
Sonho: momento sublime que transpõem barreira do impossível
Coração solitário retumba: te quero, te amo, viva ao meu lado.
Quero ter um coração alado ou as asas de Ícaro roubado.
Quero voar, viajar, buscar seu olhar seu sorriso.
Ascender aos Elísios para com os deuses falar.
Eros despertado e cupido a trabalhar.
A distância fascina te faz sofrer e querer e a saudade aumentar
Ela não preocupa, entre os sonhos e realidade, sentimento maior a cultivar.
Assim finalizo: Hei de te amar e a ti solenes estrofes dedicar.
O poder dos Incas está a chamar, do parque Manú flores a ti vou levar.
Vou subir, voar ou escalar para do topo do Huascarán, esbravejar
Aqui vou ficar, coração solitário amor, despertado é com você que quero casar.
Promessas
(Marcel Sena)
Palavras destiladas com tom de romance.
Sentimento explorado, impelido ao coração achacado.
Sonhos, romances e desejos, meras ilusões de um autor alucinado.
Devaneio, crer num anjo de asas negras de amor sem emoção.
Clame a morte do sentimento, ceife, leve o beijo e o desejo.
Entregue-lhe a alma iludida por promessas de um anjo caído.
Diga adeus eternamente, sonhos transformados em pesadelos.
Imêmore e abandonado no purgatório,
Acorde Regresse do sono da morte.
Enfrentando Hades, o deus famigerado.
Viva a sobre as promessas não cumpridas,
Coração, alma e palavras enterradas,
Para luz caminhe em busca da liberdade,
Esqueça do covarde amor que não ressuscitou.
Dúvida fúnebre
(Marcel Sena)
Achava que entendia o toque das suas mãos
Achava que entendia a felicidade que o habitava
Achava que entendia meu sorriso ao seu lado
Achava que entendi esse amor outrora implantado.
Algo que não deveria sentir toda semana vem
Palavras sussurradas queimando em minha alma
Pomar de dúvidas, insegurança e medo
Dominam o coração de amor, afeto e esperança.
As dúvidas me aprofundando em um rio congelado
Com esvair da vida ato dramático mas necessário
Para que a esperança ao meu alcance volte
E exume o velho amor sepultado
Uma luz cintilar na lamina do gelo tu és
Clareando o fundo desse sepulcro aquático
Onde parte de mim ainda esperar que você
Me reavive desse tumulo para juntos viver.
Condenação
(Marcel Sena)
Inocente. Homem envolvente roubando a mente;
Culpado. Contemplares olhares e palavras vazias;
Usurpado. Esperanças levadas em um afago cínico;
Assaltado. Criminoso treinado lhe tirando suspiros.
Enganado. De acusador a réu escrachado;
Desmemorie. Devaneios ilícitos reincidentes;
Julgado. Para uma sombria alcova destinado;
Condenado. Prisão de gelo Cocytus mandado.
Um simples pecador com coração enjaulado;
Um prisioneiro mergulhado em medo;
Verdes campos muito tempo não tocados;
Momentos de aflição para sempre lembrados.
Cuiabá, 07 de dezembro de 2015.
Cancioneiro sonhador.
(Marcel Sena)
O cair em um sonho embalado por simples e belas canções
Que por horas seu tempo furtado, ouvindo rimas e versos cantados
Em uma noite embriagada de sensações.
O nascer do sol no cerrado, dando rumos a um refrão.
Aventureiro de estradas, rodando dias e madrugadas
Inspirado por sua amada a sempre fiel canção.
Como um sabiá entoando, um canto por garoa.
O violão implora para que sua voz ecoe.
Cá de longe observo um sabiá a cantar
Num sonho me embalo para sua voz escutar
Saberás que não és sonho, quando aplausos ouvires
Saberás que não és sonho, quando o pranto dos olhos descerem
Saberei que não é sonho, quando a cá regressar
E desperto a dizer, meu cantar venceu por você.
Cuiabá, de setembro de 2016
Alegria, tristeza e sorriso
(Marcel Sena)
Dum sorriso uma lagrima cai, alvos dentes refletindo a luz do luar
De um embriagado momento de prazeres, divagações que a mente, mente.
Dum sorriso uma lagrima cai, doce semana corrida, trabalho, aula e academia.
Luta cotidiana, entre dizeres e fazeres, entrando e saindo sorrindo.
Dum sorriso uma lagrima cai, a face de um palhaço mascarado.
Brinca e folia, alegria levando ou tentando, aos próximos do coração
Dum sorriso uma lagrima cai. Um tormento nublando o coração e a mente
Tristeza sombria, por anos habitada, nunca notada, jamais perguntada.
Dum sorriso o planto rola, coração invernal, um apêndice das trevas
Uma hora desmonta, sobre um sorriso capenga, a tristeza repousa.
Um sorriso absorvendo as lagrimas, no corpo tenta enjaula-la.
Pronto, falso sorriso iluminando a noite. Recomeçamos a vida é um globo.
Cuiabá, 06 de maio de 2017
Sou um complexo labirinto encantador, frustrante, dominante e sereno
que guarda os seus mistérios infindáveis,
e os desejos secretos de quem queira entrar.
Entrar não é fácil, muito menos sair
Encontra-se muitas portas, mas só uma chama-se destino.
Não se pode apenas percorrer com medo do inesperado
ou ainda com confiança demais, e alguma indiferença aos detalhes do caminho
nem andar depressa, nem andar muito devagar
Muito mais do que isso, é preciso velejar
respeitando o ritmo do vento ou às vezes lutando contra ele...
Decifrando 7 mares ou simplesmente pairando em águas calmas...
Em todas as incertezas e variáveis existentes
a única certeza é de que a porta de entrada é a mais ímproba de encontrar
E encontrando, deixarei adentrar-se
E adentrando-se, será guiado
Ora por você mesmo, ora por mim
E ora pelo próprio destino, e pelo que se não pode explicar
Aliás, explicar é o que menos se pode
E não entendendo, achará o entendimento
E agindo pelo coração, encontrará a razão
E agindo pela razão, nada encontrará
O que parece ser nem sempre é
As verdades dos homens e do mundo
neste mundo meu, nada valem
nada significam
mas tudo neste mundo meu, tem significado
E tendo significado, então fazem parte dele.
O que será encontrado depois da porta certa
caberá a uma única alma desfrutar.
Não é fácil ser um labirinto
não há escolha, há infinitos óbices
mas sendo ele, não se quer ser mais nada
Pois se é guardiã de algo a ser protegido a sete chaves
E, se há algo que merece ser protegido de tal forma
É porque é um raro e delicado tesouro
imperceptível aos olhos de todos, e até mesmo banal,
diria que inacessível, incompreensível a quem não cabe ver ou sentir
à espera de ser encontrado por outro erário e gracioso tesouro,
ah, outro único e singular guardião.
A inocência é um delicado perfume de fragrâncias e essências harmonizadas,
guardado em frágil frasco.
Em contato com a superfície do amor
volatiliza de forma única,
compondo notas e acordes penetrantes que elevam o sentimento,
tornando-o mais puro e leve, fresco e genuíno,
diria que quase cristalino...
Mas se o frágil frasco se quebra,
libera de forma contínua a alma e o corpo desta harmonia, e por fim, as notas de fundo se vão com todos os aromas almiscarados
e a candura de um autêntico e íntegro amor.
O coração de uma mulher que ama nunca fica sossegado. Está sempre palpitando forte... às vezes muito triste. Às vezes muito feliz.
Quando logo de manhã procura por Deus em seu coração, você automaticamente se enche de misericórdia, amor e luz... Porque Deus é isso. É sabedoria... É misericórdia... É amor demais, e nada mais.
A alegria em servir o outro floresce dentro de nós à medida que decidimos amá-lo mais... Amá-lo de verdade.
Para o sexto sentido das mulheres, todas elas, e o sentir infinitamente poderoso:
Quando sentir que alguém te ama, acredite, é verdade.
Quanto sentir que alguém não te ama, acredite, é verdade.
Quando reivindico algumas coisas,
quando luto pelos meus direitos,
quando me revolto com algumas situações,
é quando minha consciência me diz:
"você precisa se amar mais."
Percebi que quando uso minha mente, já tão doente e problemática, para me comunicar com o outro, ela irá automaticamente se conectar com outra mente tão doente e problemática quanto. Os resultados são catastróficos. Mas quando fujo da mente e acesso o coração, que carrega meu verdadeiro eu interior, minha alma, Deus e uma capacidade incrível de acolhimento, ele irá se comunicar diretamente com o coração e o eu verdadeiro do outro, fazendo com que tudo seja genuinamente simples e puro, sem contradições. Eu falo o que realmente quero falar. Demonstro o que realmente gostaria de demonstrar, livre do meu próprio e contraditório julgamento e do julgamento alheio. O resultado é a felicidade plena de poder ser quem sou, e de proporcionar a oportunidade do outro encontrar quem ele realmente é, de encontrar-se consigo mesmo. Não existe propósito maior no mundo do que o de conseguir conectar coração com coração.
Mesmo que você não siga alguma religião, filosofia ou crença, é preciso aprender a viver da melhor forma. Trago hoje um bom exemplo de um homem que, em meio aos seus mistérios, deixou algumas lições de como ter um bom relacionamento consigo mesmo, com a vida e os demais ao seu redor.
Jesus, apesar de suas boas intenções, boas obras e amor, recebeu uma morte terrena um tanto quanto cruel e desumana. Hoje em dia, nós podemos acompanhar pelos noticiários tantas vidas inocentes que são tiradas injustamente, acidentalmente, tragicamente. Assim foi sua morte, sem provas de que tenha cometido algum crime ou feito algo realmente ruim e prejudicial, pelo contrário, bons testemunhos eram espalhados por onde ele passava, levando cura, milagres, libertação e uma palavra de esperança e ensinamento.
Após ser julgado injustamente e ser condenado a um triste fim, Jesus nos deixa uma das mais lindas lições de sua curta vida. O perdão verdadeiro e o amor incondicional até mesmo aos que lhe causaram dor, aflição e uma injustiça e crueldade tamanha. Pendurado em uma cruz, após ter pedido água e, ao invés disso, ter recebido vinagre para beber... após tanta humilhação, açoitamento, após ter mãos e pés pregados, ter sido perfurado à espada, sentir o latejamento do couro cabeludo cravado de espinhos, e ter vivido para escutar tantas coisas ruins que lhe berraram aos ouvidos... após uma longa caminhada com uma cruz imensa nas costas e a dilacerante dor de um chicote arrancando-lhe as carnes... ele foi capaz de perdoar a todos aqueles seres humanos que lhe tiraram, à custa de dores insuportáveis, sua dignidade, suas vestes, sua pele, sua carne e seu sangue. Talvez ele tampouco conhecesse nenhuma daquelas pessoas, sua história ou seu coração. Mesmo assim, pegou para si uma verdade que pudesse lhe proporcionar a possibilidade de perdoá-los: eles não sabem o que fazem. Tal como o fato de uma criança que, ao se aproximar de alguém, puxa-lhe os cabelos, e esta pessoa não codifica uma mensagem de raiva em seu coração para com aquela criança, ao contrário, apercebe-se da inocência e se enche de ternura. Para esta pessoa, não há o que perdoar, já que a criança não sabe o que faz. O perdão, no caso, é intrínseco e automático em seu coração. Creio que, para Jesus, acreditar verdadeiramente que pessoas que praticam o mal realmente não sabem o que fazem, por falta de uma consciência mais elevada, pelo motivo que for, permite que o perdão esteja intrínseco em seu coração para perdoar tamanha maldade e humilhação.
Às vezes, por tão pouco, já que a maioria de nós nunca será, espero eu, crucificada injustamente, nos achamos no direito de julgar, discriminar e não perdoar os demais. Às vezes, somos ofendidos, humilhados, injustiçados, e por isso acreditamos que não devemos admitir tal conduta contra nós. Mas veja bem, se até mesmo Jesus foi humilhado daquela forma, que dirá de nós? Devemos nos defender e sim, nos proteger... mas além de nos ensinar o perdão, Jesus nos ensina o amor. Somente por um amor evoluído existente em seu humano coração, é que poderia vir sincero perdão daquilo que sofreu. E somente pelo perdão de tantas falhas existentes em nós, seres humanos, é que poderia amar de tal forma a este mundo, dando a vida por quem não merecia. Por isso, quando nos depararmos com o mal, por maior que seja, tentemos, por um minuto, nos conectar a esta história, a esta cena, de amor pago com dor, e de dor paga com perdão. Se nos transportarmos ao exemplo que Jesus nos deixou como herança, poderemos melhor compreender este mundo, de que todos somos falhos, todos somos imperfeitos, todos estamos sujeitos de cometer injustiças e sermos injustiçados, humilhados, ou sofrermos dor. Não devemos aceitar uma vida de sofrimento, mas ao nos depararmos com ele, será melhor para todos que possamos rapidamente praticar o perdão e o amor incondicional de forma evoluída, acreditando que um ser evoluído jamais cometeria mal contra nós, portanto, se o fez, é por não saber o que comete ou faz, por não possuir uma consciência maior. Para mim, fica a lição de que, se Jesus, diante do que passou, foi capaz de perdoar a todos, inclusive a mim, quem sou eu para não perdoar o meu próximo? E se até mesmo Jesus passou por tamanho desgosto e dor, quem sou eu para achar que não devo passar por tais situações?
