Nada na Vida é do Jeito que Queremos
Estar ao lado dos pais enquanto eles envelhecem é descobrir novas formas de vida, aprender novas formas de manifestar um amor que pede reverência por sua magnitude.
A depressão é, afinal e acima de tudo, uma teoria sobre o mundo, sobre a vida.
O depressivo experiencia um isolamento do mundo da vida, de modo que o congelamento de sua própria vida interior – ou morte interior – oprime tudo; ao mesmo tempo, ele se sente evacuado, totalmente desnudado, uma concha: não há nada exceto o interior, mas o interior está vazio.
Em matéria de profetas, é melhor seguir os que foram atropelados pela vida e sobreviveram. São os únicos que têm alguma coisa para ensinar.
Os textos, mesmo em mãos de atores iniciantes, podem ganhar vida porque a própria vida é uma encenação dramática. O mundo todo não constitui evidentemente um palco, mas não é fácil especificar os aspectos essenciais em que não é.
Parafraseando o poeta Cesar Vallejo, um dos que mais admiro, há pessoas tão boas na vida, eu não sei!? São pessoas que colocam afetos acima de ideologias, confiança além de resultados, admiração em lugar de colunas Excel, a poesia acima da prosa cinza das segundas-feiras, a alegria dos encontros casuais muito acima dos compromissos agendados no celular.
O fundamental na vida é conseguir pagar as contas, e não ficar rico. Porque ficar rico é difícil, principalmente se você for honesto.
Meus dias, meus anos, minha vida viram altos e baixos, luz e trevas. Se eu escrevesse apenas e continuamente sobre a “luz” e nunca mencionasse o outro lado, então como artista eu seria um mentiroso.
O jogo de futebol é um teatro da vida, mistura de alegria e tristeza, de razão e emoção, de planejamento e improvisação, de técnica e fantasia.
É uma estranha inversão: antes da digitalização da vida humana, o retrato servia para recordar uma experiência. Hoje, as pessoas vivem experiências para justificarem o retrato.
A Invocação do Abismo
Será... que terei a sorte de tê-la em minha vida envolta em amarguras?
Eis a lua. Eis o fôlego da minha essência.
Eis a partitura do meu corpo, que ecoa e clama por amor.
Eis o esplendor, oculto neste mundo de horror.
Onde já não há amor.
Apenas dor.
Caminho e pisoteio os meus próprios cacos.
Oh... abismo, olhe para mim!
Pois agora vive em mim
A dor que eu jamais ousei sentir.
A Chama e o Fim
O medo de perder um ser...
O medo de, no escuro, desaparecer.
Sem o amor, a vida não tem sentido;
Ao perdê-la, desabo e recaio no abismo.
A luz que emana dela é o que me devolve o fôlego,
O meu único prazer.
Sem ela, já não encontro motivos para viver.
Sinto-me preso, sem asas para voar.
Ah, digam-me!
Eu quero ser livre!
Eu clamo pela liberdade!
Pequena chama que ainda arde em mim...
Por favor, não se apague!
Pois esse será o meu absoluto fim.
Ciclo de Desperdício
Se o sopro do vento da vida se esvair,
Se a chama do desejo se extinguir,
Se o contorno da tua alma se dissolver,
Se até a lembrança de ti morrer —
Nada do que foi voltará a ser.
Como as ondas, condenadas a morrer na praia,
Num ciclo silencioso que alimenta outros seres,
Como as tartarugas que, do fim daquelas, fazem nascer possibilidades.
Mas isto não é sobre “uma porta que se fecha e outra que se abre”.
Essa frase é pequena demais para o que fere.
Isto é sobre o fim do que não deveria findar,
Sobre o que, injustamente, a força maior encerra.
Há começos que sequer respiram:
Morrem ainda na intenção.
A natureza cumpre seu rito —
Cruel, insensata, soberana —
E recorda que não há vontade acima da sua,
Onipotente em sua alma selvagem.
Não reclamo de sua franqueza.
Mas como ensinar um coração que nasceu para amar
A aceitar que, nesse decreto imperativo,
Reside também o impulso para sobreviver
Neste ambiente hostil
Que pune, substitui e não hesita?
Ainda assim, há uma misericórdia escondida na tragédia:
A dor do fracasso se dissolve com o próprio sujeito,
Que se torna apenas mais um elo da regra biológica,
E, ao desaparecer, abre espaço —
Como as ondas, como a vida —
Para que outro ser comece.
DRAL
A luz que transforma o tempo em vida
Muitas vezes confundimos o tempo que se mede com o tempo que verdadeiramente se vive, e nesse engano perdemos o que torna cada instante precioso. O relógio diz que o dia começa em certa hora, mas isso é apenas uma convenção criada pelo ser humano. O verdadeiro início acontece quando abrimos passagem para que a luz penetre também em nós. Cruza a janela, toca os olhos e, enfim, chega ao coração.
Nesse momento compreendemos que não nos adaptamos apenas às horas marcadas. São os nossos olhos atentos que dão sentido e realidade ao que acontece. A luz entra e permanece, mas só cumpre todo o seu brilho se nos lembrarmos de recebê‑la com o olhar. Sem essa atenção, tudo fica como um cenário distante. Estamos dentro, mas fechados àquilo que faz cada manhã única: a possibilidade de ver com clareza, de compreender com calma e de viver com toda a profundidade que a vida nos oferece.
A vida é feita de aceitação e rejeição, vitórias e frustrações. Todos precisam aprender a lidar com essas experiências para amadurecer. Pessoas autistas também fazem parte dessa realidade e podem desenvolver resiliência e autonomia, mas é importante reconhecer suas necessidades e oferecer o apoio necessário para que consigam enfrentar os desafios da vida da melhor forma possível.
A vida é assim, feita de desafios.
Quem foca na solução, provavelmente viverá uma vida mais satisfatória.
