Na Boca em vez de um Beijo um Chiclete de Menta
De vez em quando
Ainda dá tempo
Escreva mais uma página
Que seja diferente
De tudo que se imagina
Pois vai ser
Você pensa saber viver
Mas ainda não é capaz
De fazer melhor do que a vida
Pode lançar
Um último olhar de gratidão
À página arrancada
Na voz interior
O destino presente
Semana passada
Está feito
E tem sido assim
O pretérito imperfeito
Te desaconselha
A gente não precisa crer
Mas é tão bom acreditar!
Cedo entardece nas nossas vidas
Enquanto se avermelha esse horizonte
À luz do final do dia
Tem sido bem diferente
E de tão diferente
Tem parecido ser
Tão igual, de repente
E é assim que será pra sempre.
Edson Ricardo Paiva.
As verdades.
Eis-me aqui outra vez
Permanece uma pergunta
E esta vida, o que me custa?
A resposta imprecisa
Nem vasta, nem concisa e nem bonita
Basta ser aquela
Que o coração queira ouvir
Quando a alma acredita
Será bela eternamente
Verdades são mais profundas
O mundo anda meio sem tempo
Sem crédito e nem provas
E tem sido assim
Desde que o tempo
Descobriu que move o mundo
E nenhuma nova luz brilhou
E o céu se abriu
Para a nuvem que passou bem perto
Mas, que por não saber que era nuvem
Não choveu
É pra isso que servem os sonhos
Pra sonhar saber
Ilusões, decerto
O que lhes custa a vida
E o tempo de espera gasto
Atroz e nefasto
Não era meu e nem era vosso
Nosso algoz
Sem tempo prescrito
Para exceções ou balões de festa
A velha pedra de moinho, desgastada
Pelo bico de um pequeno passarinho
Nobre viajante do tempo
Rico andarilho do espaço
Há somente os excessos
O atraso se apressa
Há a ferrugem que se expressa
Em corroer estradas
e os trilhos do expresso de 2002
A solidão do pobre rei
Sem direito a admirar
A ninguém que não seja rei.
São cobranças da vida
Que a gente ignora, ocupados
Contando as horas
Sem tempo pro abraço indolente
A velha idade
Cidades inteiras felizes
Pois nada muda
Deslizes de terra e conduta
Tudo de acordo com os planos
Verdades são mais profundas
Pra que sabê--las, se em nada ajuda?
E assim passaram-se os anos
Na vida, medida justa
Tanto faz o que não nos custa
Só nos basta esquecer
É pra isso que existe o tempo
Que a tudo ajusta.
Edson Ricardo Paiva.
Não existe nada no vazio
Além do frio
Que faz arrepiar
Até a alma
Toda vez que foge a calma
Na mais pura paz da madrugada
Não faz mal
Cada qual sabe a dor que lhe cega
No calar madrugada
E ela traz
Uma dor de cada vez
Escondida, bem guardada
Pesada e desembrulhada
Não precisa assinar
Nem nada
Se ela tem que entregar
Ela entrega.
Edson Ricardo Paiva.
"Quando uma lâmpada se acende, vez ou outra observamos uma mosca se aproximar da luz, mas a sua natureza sempre há de falar mais alto e com o tempo ela procura os seus iguais no que lhe agrada e volta pro lugar de onde veio"
Edson Ricardo Paiva.
Em vez de contar
O tempo que passa
Desmonto mentalmente
A uma lembrança
Dessas, que vem com o tempo
Nessa alma de criança
Conto as peças, cresce o faz de conta
Um brinquedo feliz, a vida
Ela é
Mas quebra fácil e dura pouco
Se despedaça e desmancha
e perde a graça e a magia
...se aprende a contar os dias
Procuro o que há de mais
e de menos humano em mim
Nada chego a concluir
Mas suponho
Que ambas sejam a mesma coisa
Enquanto a criança
Seriamente
Escuta histórias que lhe contam
Sobre outra criança
Que gostava de olhar o trem
Contar vagões
Pular
Ladrilhos de quintal
Nas horas comuns de uma vida
Sem nenhuma em especial
Essas, não houve
Teve a vida, como um todo
Contava gotas de chuva
Suspensas nalgum varal
Batendo umas nas outras
Igual se tivessem
Pressa e hora marcada
E não tinham nada além
Daquilo que tem quem sabe sonhar
Sem se perder no trajeto
Entre si mesmo e a vida
Essa, passa tão despercebida
Quanto uma linda tarde de infância
Em que a gente teve medo
De sair para brincar, porque chovia
Desde então, eu parei de contar
Só me lembro que choveu naquele dia.
Edson Ricardo Paiva.
De vez em quando
Pode ser que aconteça
Com certeza algumas coisas
Elas hão de acontecer
Fique atento, pra afastar da cabeça
A ideia triste de que algumas coisas
Elas são pra você
Algumas delas haverão de ser
Mas somente as belas coisas
Aquelas que a gente espera uma vida
E, que no momento exato
Em que a vida convida a sorrir
Pode ser que você se encontre aborrecido
e pensando que tá tudo errado
O mundo te sorri, mas você nem vê
E quando vir alguém chorando
Fica ao seu lado em silêncio, ampara-lhe as lágrimas
Mas jamais diga a alguém pra que não chore
Pois o choro, às vezes, é um grande alívio
E algumas pessoas sentem tanta dificuldade pra chorar
Que pra elas seria simplesmente um desastre
Ter pensado que podiam chorar em sua presença
E é possível que as lágrimas de uma vida
Nunca mais elas voltem, uma vez engolidas
Quando pensar na tristeza
Não formule nenhum pensamento que te faça vê-la
Existem coisas que vão te acompanhar a vida inteira
Mas é preciso viver uma vida, antes de sabê-las
Há estrelas de primeira grandeza no céu
Mas algumas delas estão quase tão distantes
Quanto a margem do outro lado do rio
Se esse rio não possui uma ponte
É tudo uma questão de ponto de vista e proporção
Porque cabe tudo num pequeno pensamento
Um sonho breve, um momento
Não há mãos que alcancem uma ave no céu
Assim como não pode haver olhos
Que, por mais distante vejam
Alcance ou tenha chance em vêr
Tudo que mãos vão tocar
E mesmo assim
Não há mãos neste mundo
Que possam sondar ao que existe de mais profundo
Num lugar longe que existe
Que se chama, coração da gente
Que parece perto
Uma planta que cresce no jardim da casa ao lado
Cujo muro é muito alto
E morre e seca e vira lenha, sem se ver
É uma questão de ponto de vista
Porém, quando pensar assim
Fica com os olhos fechados
Se não for a hora de ampararem teu pranto
Fica no teu canto e chora
Chora tudo que houver pra chorar
Chora tudo, até o fim.
Edson Ricardo Paiva.
Sorrir
De vez em quando
Permitir que o mundo veja
Mas, que seja perene
O que fica no ar
Chorar
e, às vezes permitir a crença
Mas é certo que fica
Entre mim e o criador
O que me vai no coração
E que seja a vida poesia
Que poderá ser lida hoje
Como um mero poema sem rima
Que vinha e que não veio
E deixou oculta a linha
Porque foi preciso
Um pranto ou sorriso
Detrás da armadura
Uma mistura
De malícia com doçura
Porque assim o mundo exige
A beleza da poesia
Pode ser que outro dia
A quem mereça
A luz que vem de longe
Há muito se apagou
A estrela finge.
Edson Ricardo Paiva.
Conselhos.
Ela existe
Sim, elas existem
Me lembro de uma velha tia
Que, de vez em quando, me dizia
Me dizia pra eu tomar cuidado
Dizia pra eu olhar pra dentro e não pros lados
Eu jamais dava atenção
Eram coisas sem sentido
Eu estava era atento ao barulho
As palavras dela eram ruídos
Mas, de vez em quando, eu percebia
Que seus olhos eram tristes
Hoje, após ter engolido todo orgulho
Penso que era tão bom
Quando ela dizia
Que as sombras que eu tanto temia, era só medo à tôa
As armadilhas do destino
São como coisas que estão à venda
Expostas à beira da estrada
Hoje, tudo faz sentido
Eu devia ter ouvido esses conselhos tolos
Se alguma sombra me causava medo
É que existia uma pequena luz
Que protegia a gente da completa escuridão
Hoje, ao olhar-me no espelho
Não vejo mais a sombra do meu velho orgulho
Prossigo com a boba alegria
Sorrir pra nuvens, dar bom dia a dia
Saber as coisas que a chuva traz
Ouvir meu silêncio em mim
E confiar em tudo que o tempo faz
Elas existem, sei que elas existem
E, se por acaso houver
Um pouco de tristeza em meu olhar
Vá dizer à minha tia assim:
Eu também aprendi
Esse bem pouco é
Tudo que a tristeza conseguiu de mim.
Edson Ricardo Paiva.
Em vez de viver minha vida
eu passo o tempo procurando
dizer o que nunca foi dito
fazer o que não pode ser feito
encontrar o que o tempo esqueceu
desvendar o que a vida escondeu
procurar o que é preciso perder
em vez de viver simplesmente
quero entender o que aflige tanto a gente
e consertar o que incomoda tanta gente
desativar o que controla tantas mentes
falar, onde o tempo se cala
desamarrar onde a corda prende
dormir, enquanto o mundo acorda
discordar quando você concorda
caminhar enquanto a Terra se abala
calar, sempre que o Mundo fala
ouvir, sempre que um mudo cala
Lembrar, no lugar de esquecer
morrer ao invés de viver
Era uma vez
não sei bem
se foi bem assim
não sei nem
ao menos de mim
seria então
o fim
se soubesse
de vocês
acho que na verdade
nem era uma vez
não sei se era
e nem se seria
só sei que nunca
tive vez
eu acho
que na verdade
eu nunca
nem estive aqui
deixo um abraço
pra vocês
mas eu não
posso abraçá-los
se nunca tiver
estado aqui
eis a questão
Você olha pro Céu
de vez eu quando
e a claridade
a vista ofusca
há coisas que a Luz oculta
e depois nem vai saber
Se foi rápida ou lenta
essa busca
Senta-se em frente
a um pedaço de papel
não sabe se desenha
ou escreve
viver
simplesmente tornou-se
uma espécie
de doença sem cura
Uma empreitada sem ganho
Uma janela onde se olha
e a paisagem é muito escura
Não há mais
porque prosseguir
na infinda procura
pela alegria sem tamanho
que sabes não existir
assim como a busca
Pelo lugar
onde nascem os sonhos
levou-te então a encontrar
apenas e tão somente
O ponto
Aonde morre a esperança
Você olha para o Céu
e descobre simplesmente
haver chegado finalmente
ao dia
Em que novamente
nasce o Sol
Porém
Não nasce alegria.
Uma vez
Quando eu era criança
Uma das mães
Que a vida deu
Me contou
Que a vida cansa
E
Que não seria mansa a minha
Mas
Que era a missão
Que alguém escolheu
A ausência de mansidão
Que o tempo trouxe
Não deu-me tempo
de parar para pensar
Em muita arte
Que fiz ou
Queria ter feito
Mas nunca permitiu
Que se afastasse
A lembrança do Rosário
Que desfiou
Aquela Mãe
de nome doce
Que nunca afastou-se
de verdade
E eu a vejo às vezes, ainda
Quando abro os olhos pela manhã
Isso permite
Que eu suporte a saudade
De minha velha Mãe Maria
E aquela expressão, tão linda!
De me olhar
Como quem olha a um filho
Que nunca haveria de pisar
Um tapete vermelho
Eu queria apenas vislumbrar
As lágrimas
Que ela previu naqueles dias
Sentado em seu colo quente
Não calculei mágoas tão frias
Hoje sei
Que caminhei por boa parte
Sei também
Que não foram mais sombrias
Devido àquela doce companhia
Que me fez e faz ainda
Minha doce e amada Avó Maria
Que cedo assim
partiu para o Mundo
Porém,
nunca apartou-se de mim.
De vez em quando as coisas são
Exatamente o que parecem
As pessoas não te esquecem
Simplesmente
Nem se lembram de você
A noite cai
Bruxas em sorriso de fada
Tristes sorrisos insulados
Vozes melancólicas como um fado
Exploram os recônditos da sua mente
Com sua elegante languidez
Atraindo simpatias
Preparam seus ardis
A aparente fragilidade
Te conduz às suas ilhas
Trilhas mal iluminadas
Armadilhas nas quais
Você é insensível à dor
Quando percebe
Está envolvido por algo
Que parece ser amor
Aquele
do qual você fugia
Fingia ser imune
O odor que te atraiu
Não era sequer perfume
Aquilo que te fez
Cair na armadilha do mal
era algo bom e natural
Que te faz não crer na fé
E aquilo que parecia amor
Agora não mais parece
Simplesmente é.
De vez em quando eu vou à Lua
Hoje, não sei se voltei de lá
E fui direto ao fundo do Mar
Este lugar é tão pequeno
Me deixes ao menos querer
Assim como sempre me deixaste
Partir e ir embora
Sei que nem ao menos percebeste
Mas viajaste comigo no tempo
A sessenta minutos por hora
Achando tudo errado
O que quero, o que penso e o que faço
Neste tempo e neste espaço
Criticando o meu sucesso
e aplaudindo meus fracassos
Não sei se te deste conta
Mas um dia estarei partindo
E pra sempre estarei por lá
Aproveites hoje o meu abraço
Pois não voltarei jamais
Pra este lugar ao seu lado
e tu, que tanto me preteriste
Finalmente há de saber
O que é ser triste.
O tempo e a necessidade
Transformam uma simples trilha
Em uma cada vez mais longa Estrada
Meus pés apenas fizeram esse caminho
E não há nada que eu queira abandonar
Ao longo de suas margens
Além das flores que plantei
Enquanto fazia esta viagem
À qual nós chamamos de vida
Cujos passos ninguém conta
Muito menos as perdas
de Pequena, média e grande monta
As vitórias
Estas deixo à Humanidade
No dia em que minhas pernas
Não mais puderem caminhar
E meus olhos não mais conseguirem
Vislumbrar seus horizontes
Mas hoje eu ainda caminho
Com meus passos cada vez mais lentos
pois hoje nada é como antes
Talvez por não haver
Mais nenhum lugar aonde eu ir
Pois descobri que ainda preciso
buscar a mim mesmo
Aquele que deixei ficar
Em algum lugar desta jornada
Hoje eu sei
O tempo e a necessidade
me ensinaram
Que a mim mesmo preciso encontrar
Mais nada.
Uma vez eu falei pra ela
Que eu não era uma propriedade
da qual ela pudesse dispor e mandar
Ela não entendeu nada
Na verdade, ficou revoltada
e então comecei a dizer
Meu coração pertence a ela
Minha alma pertence a ela
Assim como a minha vontade,
meu amor, meus dias presentes e futuros,
todas as frases que vier a criar
Num livro, num caderno
ou quem sabe...escrever num muro
Todas as minhas poesias e poemas
minhas alegrias grandes ou pequenas
e todas as lágrimas
seja de qual sentimento forem
todas as canções que escrevi
e as palavras de carinho que criar
Todo o tempo que eu tiver
E tudo que ela pedir
Estas coisas pertencem a ela
o resto é meu
A saudade que eu sinto
Quando ela não está por perto, por exemplo.
Uma vez e apenas uma vez
nesta longa vida
Repleta de sentimentos mundanos
a gente acaba por conhecer alguém
uma vez e apenas uma vez
nesta curta vida
a gente acaba por amar
uma pessoa, que outra igual, não tem
uma vez e apenas uma vez
o que restava da minha, eu quis dividir
meus próximos cinquenta
talvez, sessenta anos
ela se chamava Nadir
Me fazia feliz
Me fez chorar e me fez rir
Me fez sentir
Vontade de ficar
Quando era hora de partir
Vontade de voltar
Sempre que precisava ir
E uma saudade
que ficava além de qualquer vontade
Uma vez e apenas uma vez a gente ama
e sente vontade de dividir tudo que tem
dá vontade de nem ter nada
dá vontade de trocar tudo
pelo som de uma risada
Que há de ecoar
Na lembrança e no coração
por anos e anos e anos
Ficar longe
é algo que não estava nos planos
uma vez e apenas uma vez
nesta tão ingrata vida
Acaba aquilo que a gente tentou
e a gente tenta de novo
e tenta e tenta e tenta
tenta quarenta, talvez cinqüenta
mas, se mesmo assim algo se acaba
o coração se fecha
E ali ninguém mais entra
O mundo desaba
vem a dor
vem a saudade
mesmo assim
Nunca se acaba o amor
Quando ele é de verdade.
Viver no automático; Casa trabalho casa, caminhadas à beira-mar e de vez em quando mergulhos ao mar, uma cerveja que acabava em três quando a sede tomava conta de mim, algumas e muitas visitas aqui e acolá, tudo isto fez-me um homem automatizado. Agora estou num emaranhado com soluções disfarçadas nesta mistura. Vivo conscientemente e se levantar-se questões reestruturo-me e separo partes em componentes para a solução da questão. Já não vivo no modo automático, mas no modo consciente. Viver mais consciente é um dos ingredientes da inteligência emocional, mas o normal é viver no automático mesmo não sendo o melhor normal.
Agora e assim decidir cuida de mim em vez de chora vou sorrir ficarei melhor assim sentir que já era hora de mudar sentimentos não é doença posso controlar antes de amar alguém primeiro vou me amar.
"Eu aprendi que toda vez que eu sangro a minha alma, toda vez que eu removo as arestas, mesmo que isso cause alguma ferida, mas com a intenção pura e simples de limpeza e purificação, um broto germina naquela ferida e uma bela flor chamada Renascimento nasce."
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