Muros
Com as pedras que atiram em mim, ergo muros. Não para me esconder, mas para me blindar da maldade que ameaça a minha paz.
Muros onde antes havia jardins
Eu aprendi cedo a abrir a porta sem perguntar o nome, a oferecer água antes de saber a sede, a confiar como quem acredita que o mundo responde à altura do gesto e foi assim que me feriram: não pela força, mas pelo acesso. Gente que entrou com discurso de luz e saiu levando todo o trabalho construído em conjunto, gente que vestiu a palavra “evolução” enquanto usava o esforço alheio como escada, gente que confundiu minha generosidade com permissão, minha escuta com ingenuidade, minha visão com território livre. Doeu mais porque não veio de inimigos, mas de afetos: mãos que eu segurava, ideias que compartilhei, sonhos que tratei como comuns. Há em mim uma constituição feita de entrega, de leitura profunda do outro, de desejo sincero de construir junto e é exatamente isso que me expõe. Carrego no peito um coração que não sabe operar na lógica da suspeita, mas agora pulsa em estado de alerta, cansado de aprender pela fratura. Não é que eu tenha perdido a fé nas pessoas; é que a dor ensinou limites à minha confiança, levantou muros onde antes havia jardins. Ainda assim, sigo tentando decifrar como proteger o que sou sem me tornar dura, como honrar minha essência sem continuar sangrando, como transformar essas traições em fronteiras conscientes e não para fechar o mundo, mas para, enfim, escolher melhor quem pode atravessar.
O Alicerce Invisível
Não se trata de erguer muros de pedra, nem de vestir armaduras de metal, pois o que é rígido, no impacto, se quebra, e o que é fechado, se torna refém do mal.
A verdadeira força é silenciosa e interna, é o nó que não solta, a raiz que aprofunda. É criar em si mesmo uma morada eterna, que não se abala quando a terra inunda.
Saber quem se é, com sombra e com luz, é ter o mapa e a bússola na palma da mão. É carregar o próprio peso sem que ele seja cruz, é ser o mestre da própria embarcação.
Assim, o mundo pode soprar o seu vento, pode mudar a cor, o tom e a direção, que você transita, firme em seu movimento, inteiro no corpo, intacto no coração.
Para superaste-te tens de ultrapassar os muros. Só existe vitória se existir uma dificuldade para ganhar.
"Habitamos o incerto, o não dito, o entrelugar.
Na arquitetura do achismo,
erguemos muros de insegurança
moldados por olhares que sequer nos viram.
Gastamos o sentir no peso do julgamento alheio,
esquecendo que, tantas vezes,
o mundo está ocupado demais com as próprias sombras
para notar as nossas."
— Roseli Ribeiro
Nossos corações estavam cercados de muros e cicatrizes, até que, de repente, nossos caminhos se entrelaçaram. Ali eu entendi que não era sorte, nem um esbarrão qualquer... era a vida devolvendo o brilho para dois olhares que já estavam cansados de chorar.
O tempo parece construir muros que a voz não consegue atravessar. Olhando para trás, para o caminho que percorremos desde o início, percebo que deixamos o orgulho e as mágoas do dia a dia criarem uma distância que nunca deveria ter existido.
Se eu pudesse, percorreria cada passo desse caminho novamente, apenas para mudar os momentos em que falhei com você. Eu sei que feri seu orgulho, e dói reconhecer o quanto você sofreu por isso. Mas o amor — apenas o amor — tem o poder de derrubar essas barreiras.
Peço que tente, só mais uma vez, confiar no que sentimos. Não quero que o nosso amor seja desperdiçado por erros que o tempo e a maturidade podem curar. Eu estou aqui e continuarei aqui, disposto a lutar para reconquistar o espaço que um dia foi meu no seu coração.
Dê-me essa chance de recomeçar, de transformar o que foi fim em um novo começo. Porque a verdade, nua e crua, é que eu ainda te amo. Preciso do seu amor tanto quanto preciso de tempo para te provar que posso ser quem você merece.
Os únicos muros
a serem construídos
são as barragens
dos rios da ignorância...
Que se rompam
as correntes do medo
que se desfaçam
os grilhões da mentira...
A verdadeira fortaleza
é feita de livros
de olhos
que ousam ver
e de vozes
que não se calam...
Pois
só floresce o futuro
quando a mente
se abre
como terra fértil
depois da chuva...
✍©️@MiriamDaCosta
“Quando corações nobres se unem em fraternidade, transformam muros em pontes e constroem um futuro para todos.
Ela sabe que eu gosto dela.
Não precisei escrever em muros,
nem gritar ao vento o que sinto.
O meu silêncio fala por mim
toda vez que meus olhos encontram os dela.
Eu não preciso disse “eu te amo”
com a voz tremendo nos lábios,
mas confessei mil vezes
no jeito demorado de olhar,
na calma que me invade
quando ela simplesmente sorri.
Ela conhece o meu carinho
sem que minhas mãos a toquem.
Sente no ar o que guardo no peito,
como quem escuta uma canção
mesmo antes da música começar.
Quando nossos olhares se cruzam,
há um acordo mudo entre nós.
Um amor invisível,
que não precisa de testemunhas,
nem promessas em voz alta —
porque ele já vive.
O nosso presente nos denuncia.
No cuidado discreto,
no riso compartilhado,
no silêncio confortável
que só dois corações alinhados entendem.
E mesmo que o mundo nunca ouça
uma declaração formal,
ela sabe.
Eu sei.
E o agora sussurra baixinho:
nós nos amamos.
Dúvidas
Às vezes, construímos muros e esquecemos por onde sair — ou talvez não queiramos lembrar.
Nessas horas, chuvas de dúvidas persistem e trazem pensamentos tempestuosos.
São esses pensamentos que oscilam a paz do ser humano.
A cada esquina, ruas se formam, e nós continuamos aqui, vivos, em nuvens de interrogações que cobrem a nossa mente.
vi meu caminho desaparecer
em uma floresta emaranhada, entre muros de arbustos densos e na terra sangrando
meus pés estavam cravados, criaram raízes
e por um momento pude ouvir
as folhas ensinando sua canção
e quis me erguer alto
florescer com elas
conheci as gotas de chuva
que se acumulavam em mim, caíam sob mim
e o vento, frio e desesperado,
me congelou, pesou sobre mim
e por um momento pude tocar
o fim da dor cinzenta
e quis me erguer alto
ver a luz
dizem que o céu é azul acima de nós
cheio de luzes
talvez um dia eu também consiga ver
ver...
e caí à terra, em silêncio
fechei os olhos, selei meu coração
e senti como eu estava me despedaçando
por todas as minhas dores, por toda a minha solidão
e por um momento pude fugir
como uma pena na asa de um pássaro
e fui capaz de me erguer alto
ver a luz
Experimentei uma época em que as residências possuíam muros baixos, de cerca de 1 metro, e costumávamos deixar as janelas abertas durante a noite, enquanto as pessoas trocavam saudações mesmo sem se conhecerem. Hoje, mesmo com muros de 3 metros e cercas elétricas, ainda enfrentamos o problema de invasões. Que tipo de maldade afetou a sociedade? Essa é a dúvida!
A sua voz é a música que me faz esquecer que a cidade é feita de muros, cada palavra sua derruba a muralha da minha solidão.
As palavras dos profetas estão escritas e gravadas nos muros e nos saguões, mas permanecem escondidas e sussurradas dentro dos sons do silêncio.
Não vejo as formas que eles tentam me vender, nem as cores das mentiras que eles pintam nos muros...eu vejo o rastro de calor...vejo a intenção por trás do gatilho. enxergo a saída porque parei de olhar para onde todos apontam! Nesse tiroteio de informações, de cobranças e de gente estranha, a minha visão é o que sobrou de algo que eu nem sei o que é....
DeBrunoParaCarla
- Relacionados
- Serenidade
- Construa Pontes ao Invés de Muros
