Mundo
SOCIEDADE CRIMINOSA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Inadvertidamente, o homem feio chega e senta na outra ponta do banco em que a moça bonita está. Sem nenhuma palavra ou aproximação, ele vira o rosto e dá um leve sorriso para ela, como se para sossegá-la. Pouco depois abre um livro e se perde no silêncio da leitura.
Então a moça bonita se levanta, meio atabalhoada, e cai. O homem feio percebe o tombo e vai socorrê-la; no entanto, ela o manda sair. Grita para deixá-la em paz. Pelo visto, a moça tem pavor de homem feio para o seu provável conceito aristocrático de beleza. Sobretudo, externa. Imediatamente algumas pessoas bonitas, conforme o mesmo conceito, vêm ajudá-la. Com elas, o possível namorado bonito, que antes de beijar a namorada quer saber do homem feio qual foi a gracinha que ele fez. Pergunta e lhe dá um empurrão.
O homem feio não gosta e devolve o empurrão, enquanto diz que nada fizera. os empurrões viram briga, e as outras pessoas bonitas aderem, evidentemente contra o homem feio que abusara da moça bonita. Fosse de uma moça feia, tudo bem, mas não da moça bonita. Ele tenta correr, ao tomar consciência da proporção do equívoco, mas não consegue. Logo se forma um grande júri que não só o condena sem direito a defesa, como também aplica o castigo merecido.
Só ao ver que a polícia chega e que aquilo se torna um linchamento, a moça bonita, então recomposta do seu trauma, grita para que todos parem. Nem era mais necessário, porque a polícia já dissolvera o grupo. Um policial, que segurava a cabeça do homem feio e ferido no chão do shopping center, chama pela moça bonita e pergunta se ela, como a vítima de fato, quer fazer sua queixa.
A moça bonita diz que não. Que não houve nada. Só um engano. Ela simplesmente se assustou com o homem. E o homem feio, reanimado pela inocência generosamente reconhecida, ouve do policial a recomendação de que seria melhor esquecer o episódio. Afinal, tudo acabou bem. A moça não fez nada, e os que fizeram, inclusive o seu namorado, nem estão mais ali.
O homem feio percebe o que ocorre. Por que seus agressores conseguiram não estar mais ali. Por que razão não daria em nada querer processar a moça, pois no fundo, ela não é mesmo culpada. Não sozinha. E além do mais, ele sabe o quanto seria difícil prender ou processar a sociedade.
A vida em Deus nos basta, deixamos de ser um desajeitado individuo operador singular e passamos a ser parte ínfima mas eficiente da perfeita engrenagem de tudo.
A felicidade do sorriso ingênuo de uma criança é toda esperança que esperamos acontecer, a cada novo amanhecer, para nos mover de volta a tudo de novo, outra vez.
A falta das politicas publicas educacionais e culturais efetivas geradoras de bons sonhos existenciais a médio prazo e a crescente escassez de oportunidades profissionais, incentiva de forma injusta e equivocada a falsa felicidade e realização pessoal de vida, para as meninas pela maternidade precoce. São elas esquecidas órfãs sociais em um papel despreparado de irmãs-mães, cada vez mais cedo que dificilmente conseguem dar prosseguimento de vida. O agravamento desta situação, não para por aqui pois em poucos anos e muito mais desesperador, pela invisibilidade de uma crescente população geração abandonada de meninas mães e filhos sem pai, via o fomento culposo institucional de ausência politicas preventivas e de programas educacionais da maquina publica, contraporá uma mão de obra cada vez mais barata, farta e fácil, desqualificando a virtude da vida para toda uma sedenta marginalidade crescente e cada vez mais dominante, aliciadora e impositora de uma falsa felicidade efêmera e imediatista de consumo fácil, tão presente nos grandes bolsões de miséria urbana nas periferias sombrias das grandes cidades deste nosso tempo.
Felizes e abençoados todos aqueles que acordam cedo todos os dias para o trabalho gratificante e se preparam para um novo e mais bonito alvorecer.
A educação, arte e a cultura por indicação meramente politica em qualquer governo, é um verdadeiro desastre.
A vaidade nos faz acreditar em coisas sem importância real, como se fosse uma grande homenagem conquistada por distinção.
A agencia de inteligência em uma democracia tem que ser independente do estado para melhor angariar verdadeiras imparciais informações.
Chegamos a contemporaneidade desgovernados e mau acostumados, com os amores líqüidos. Diante da assertiva inteligência artificial e a internet 5G, flutuamos por sombras em uma avalanche de informações falsas e verdadeiras, diante de todas insensibilidades do mundo. As transgressões são aceitas como a terceira mão indigna, de vida. A falência da família tradicional distanciam conceitos morais de sobrevivência, a religiosidade sem pudor venal mas se cala que responde e o patriotismo partidário polarizado, reaparece como um destorcida facção politica. A desordem e o medo no caos. Infelizes dias hão de vir.
Tempos de politica de " Coliseu ", não mais eleitores mas sim torcedores se alegrando com a barbárie alheia.
Aproximo me da universal fraternidade maçônica na construção de um mundo, mais livre, mais digno, mais justo e melhor mas distancio me de todos que apadrinham escolhidos, na construção de um mundo pequeno, recobrindo eleitos por orgulhos toscos e pelas tolas finitas vaidades.
Os hipócritas, os covardes e os infelizes, adoram chutar e difamar a vida da personalidade publica notória, depois de morta.
O amor é a linguagem universal vibracional de existência viva entre todos os reinos, seja animal, vegetal e mineral.
O autismo é uma super capacidade objetiva de compreensão, e com isto pode tornar o individuo autista um super capacitado para desenvolver uma ação que normalmente precisaríamos de muitos indivíduos normais.
