Mulher com Cara de Menina
O cara mais livre do mundo
O amor era amargo, mas não doía. Era saber que ele nunca ligaria, mas apareceria pra aguentar meu corpo cheio de cicatrizes e evitar comentários infelizes sobre o dia. Era nunca ter rancor, não carregar tijolos e não lutar contra o invisível. Ia além das portas de igreja, anéis de compromisso e dos sonhos de família, porque era presente, existia enquanto pulsava estrondoso na hora, não tinha pretensões. Não tinha escolha.
É por isso que hoje eu entendo que essa coisa – o amor, vai além das declarações e das flores em datas especiais. É compaixão e sinceridade. É querer sem possuir, e aceitar (com franqueza) quando alguém não está pronto.
A cada tapa na cara ela sucumbirá e exalava seu cheiro de ira mal resolvida.
A cada nó na garganta depois da sua rigidez brutal, ela sentirá que a vida ressurgia a cada espasmo cerebral.
A cada volta de corda que a envolvia, sentia que não era apenas seu corpo, mas sua vida te pertencia.
A cada pingo queimado da sua vela perversa, queimava cada vazio que existirá dentro dela.
A cada dor eminente que ela achava que poderia padecer, seus olhos famintos a faziam renascer.
Ela viverá a vida pra sua vida, transbordaria e não apenas completaria.
A cada raiva sentida no dia a dia, ele guardava com sua postura rígida.
A cada vontade dos seus desejos insanos, acumulava semente para o plantio bucal humano.
A cada hora que longe passava da sua escrava da vida, com maestria traçava as penitências doentias.
A cada marca deixada pelos seus apetrechos perversos, ele sentia sem mágoa que ela iria do “céu ao inferno”.
A cada grunhido, gemido, suspiro ou birra que ele retirava daquela que dele era, sentia sua dominância era para ele fundamental.
Ele viverá sua vida pra própria vida e fez de propriedade sua, uma outra vida.
06.02.2019
Tu merece alguém que abra os olhos diariamente e pense: “cara, eu tô com ela, eu sou o namorado dela!”. Que goste da tua boca, do teu ombro, do teu cabelo bagunçado, do teu calcanhar, da tua cintura, das tuas mãos, do cheiro da tua pele.
Adoro essa sua cara de sono, e o timbre da sua voz que fica me dizendo coisas tão malucas, e que quase me mata de rir ,quando tenta me convencer ,que eu só fiquei aqui ,porque nós dois somos iguais. Até parece que você já tinha, o meu manual de instruções, porque você decifra os meus sonhos, porque você sabe o que eu gosto, e porque quando você me abraça o mundo gira devagar.
E eu não sou mais aquele cara de dezenove anos. Eu cresci, me modifiquei, ganhei algumas rugas, tirei lições, tenho um punhado de experiência, e até agora ninguém entrou com pedido de beatificação.
(Nunca mais li poesia pra ninguém)
Um dia eu fui á cracolândia jogar pedra, papel e tesoura, eu joguei pedra e os cara fumaram minha mão.
E eu sei que você ainda vai conhecer vários outros babacas, mas um dia você vai conhecer um cara que vai te tratar do jeito que você realmente merece. Como se a vida dele não existisse sem você.
Aprendemos a viver cara a cara com o descaso. Nossa sociedade impõe o fracasso. Já estou acostumado ao café e ao tabaco. A doença é consequência desse presente passado. Meus grandes ídolos são odiados. Meus gostos são amargados. E, as grandes farsas e mentiras modernas, preparadas pra aquelas, pessoas que, sinceras, se deixam levar pela pressa, de tentar ser alguem, de viver o hoje, e esquecer o amanhã, pensar sem consiência, e agir sem consequências...
Ser desprezado é pior que qualquer ofensa, ser ignorado é pior que qualquer tapa na cara. Se amar é não aceitar nada disso. Se amar é saber que merece mais, mesmo que aquele a quem tanto te despreza e ignora seja o amor da sua vida.
Eu nunca mais vou me envolver com alguém de novo. Cansei de quebrar a cara. Essa frase marca o início de um ciclo e o começo desse clichê que a gente repete na tentativa de se proteger na próxima vez. É mais ou menos como um mantra que já prepara o coração para o que vem: segura a surpresa, manda aquela alegria inicial de ter encontrado alguém bacana embora, dá uns tapas na expectativa e te faz prometer para si mesmo que dessa vez vai ser diferente: dessa vez você não vai se envolver.
Essa frieza é característica de quem já sofreu por amor ou por menos que isso. Mas frieza é uma palavra forte, então digamos que seja uma proteção. Essa proteção é a armadura impenetrável de quem foi convocado para a guerra, mas sofre de apatia. É o brigadeiro de panela quente para quem já queimou a língua. Essa proteção é a hesitação de quem não quer repetir um novo ciclo de descasos e esperanças. Ela funciona de forma radical e direta, porque descarta qualquer um antes mesmo dele chegar a algum lugar.
A formação de defesa de pessoas que optaram por “esconder os sentimentos” e viver na desconfiança é pesada. Os que não se declaram solitários por acidente, acabam pode depositar essa postura em outros. Isso porque sempre calha de aparecer alguém que finalmente “valha a pena” para você e essa pessoa vai ser o alvo de todas as suas inseguranças e negações passadas. A frustração de já ter se arrependido, faz com que você manipule as suas vontades e apare as atitudes. Vez ou outra, isso tudo te faz mais amargo, onde o sabor agridoce vai embora e você não percebe que está exagerando. Na sua cabeça, tudo funciona como um teste para o coitado (ou coitada) que tentar algo com você. É que eles estão vivendo a sua síndrome do “Dessa vez vai ser diferente. Eu não vou me envolver.”
Mas existe uma premissa certa nisso tudo: você vai quebrar a cara de novo. Independente da postura que se assuma, você vai passar por alguma frustração. Seja a frustração de estar sozinho, quando não é isso que se quer ou a frustração de finalmente se abrir de novo e se decepcionar. Parece um tanto quanto pessimista, mas é que você encara o “quebrar a cara” como algo negativo. Só que é uma experiência que faz parte de uma vivência maior. Quebrar a cara ensina, e muito, sobre nós mesmos. Ensina sobre padrões de comportamento que nós podemos cometer e erros que dizemos ser dos outros, mas na verdade nos pertencem. Ensina a aprender mais sobre as nossas expectativas e a forma com que lidamos com elas, além de mostrar que pessoas constituem a nossa vida de forma plena e quais podem ser descartadas quando há decepção. Aliás, isso ensina mesmo se foi decepção ou insistência, quando o problema da vez era com a gente. E ensina mais ainda que o ser humano, por mais burro e teimoso que possa ser, ainda possui a capacidade de amar de novo.
Você vai se encantar de novo e se perguntar se dessa vez vai ser diferente, por mais frio ou receoso que seja. Você vai engolir em seco e fingir que nada mudou, mas vai pensar em baixar a guarda. Essa esperança bonita que motiva e que também nos torna um pouco mais bobos e um pouco mais cegos é o que faz com que relacionamentos não sejam apenas relacionamentos. São situações que engrandecem e servem de auto-análise. E elas dizem muito sobre a gente e o nosso modo de ver o mundo. Revela vontades que a gente nem imaginava ter e devolve uma maturidade que vai sendo lapidada ao longo do jogo, com seus ganhos e perdas. E esfrega na nossa cara que a gente vai quebrar a cara de novo e que vai amar de novo. Por mais “evitáveis” que tenhamos nos tornado, ainda somos apaixonantes e apaixonáveis. E essas defesas que a gente cria, com um pouco de persistência e afeto, acabam caindo por terra. E isso pode ser bom ou pode ser ruim. Mas a gente só vai descobrir se der a cara à tapa. Mesmo que isso signifique quebrá-la depois e se apaixonar logo em seguida.
Eu já quebrei muito a cara acreditando em tudo o que me falavam. Já me iludi muito com frases feitas, com clichês baratos. Foi me perdendo em palavras vazias, que eu me encontrei. Foi apanhando muito da vida, que eu amadureci. Ainda que certas palavras me doam, o silêncio me machuca ainda mais. Gosto de sinceridades, de olho no olho. Gosto de gente que não se esconde, mas também não mente.
Pra cair, é preciso estar em pé. Pra aguentar mais uma, é preciso ter quebrado a cara. Pra seguir em frente, é necessário levantar e fazer tudo de novo. E assim vai indo, até chegar a hora em que você vai cansar e resolver mudar.
Cara a cara e de coração para coração
Estamos tão perto e tão distantes
Eu fecho meus olhos, eu me afasto
Isso é só porque eu não estou bem
Mas eu permaneço firme, fico forte
Me perguntando se ainda pertencemos um ao outro
Será que algum dia vamos dizer as palavras que estamos sentindo?
No fundo, por baixo
Derrubam todas as paredes
Será que alguma vez teremos um final feliz?
Ou será que vamos sempre fingir?
Estaremos sempre fingindo
Quanto tempo eu fantasio
Faço de conta que ainda está vivo
Imagine que eu sou bom o suficiente
Se pudermos escolher aqueles que amamos
Mas eu permaneço firme, fico forte
Me perguntando se ainda pertencemos um ao outro
Será que sempre mantendo segredos seguros
Cada movimento que fazemos
Parece que ninguém está abrindo de mão
E é uma vergonha
Porque se você sente o mesmo
Como eu vou saber
Será que algum dia vamos dizer as palavras que estamos sentindo?
No fundo, por baixo
Derrubam todas as paredes
Será que alguma vez teremos um final feliz?
Ou será que vamos sempre fingir?
Será que iremos sempre fingir?
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