Morte de uma Filha
Vida e a morte
Vida é direção
bússola trêmula apontando para o nunca.
Morte é destino
porto mudo onde o vento se cala.
Vida é teorema insolúvel,
equação escrita em sangue e suor;
morte é o resultado inevitável,
a resposta fria no rodapé do universo.
Vida é sagrado que pulsa,
é templo erguido em carne frágil;
morte é profana aos olhos do medo,
mas sussurra verdades que ninguém ousa ouvir.
Hoje me deitei com a morte.
Não em lençóis,
mas no silêncio.
Toquei sua face pálida
e ela me chamou pelo nome
como uma velha amante paciente.
Vida é divino em combustão,
é turbulência, é queda livre,
é o cotidiano que arranha e exige.
Morte é descanso
colo escuro onde o cansaço repousa.
Tenho fascínio por seus dedos frios,
pela promessa de quietude
após tanto ruído.
A morte é minha célere amiga,
companheira invisível
que caminha ao meu lado
sem jamais se atrasar.
Entre a vida que me rasga
e a morte que me acolhe,
há um romance secreto.
Uma doce união
entre o sopro que insiste
e o abismo que chama.
E eu, feito ponte,
oscilo.
Porque viver é arder
sabendo do fim.
E amar a morte
é confessar
que o descanso também seduz.
A morte é a última coisa que devemos pensar, dicas do motivo?
Pois estamos atarefados demais já e temos que resolver coisas da vida antes de pensar nela e, como disse deixá-la por último.
O desejo de morrer foi minha única preocupação; renunciei a tudo por ele, até à morte.
A solidão maior é a morte, essa passagem sem companhia para o isolamento eterno.
O próprio discípulo só respira e se emancipa com a morte do mestre.
Uma das maiores ilusões consiste em esquecer que a vida é prisioneira da morte.
Pensamentos maus,induzem a violência e morte, livtra-te deles com os prazeres da vida, amor e bons pensamentos.
Deus é a própria morte.
Metaforicamente, Deus é, na verdade, a própria morte...
Por que Deus é a morte?
A morte é onipresente, onipotente, onisciente; ou seja, está em todo lugar, é invisível, imortal, presente, eterna, é o nada — e, por ser o nada, conhece tudo; é o fim — e, por ser o fim, conhece todo o início.
A morte é justiça e, por ser justa, não tem pobre nem rico, nem inferior nem superior; tanto humano como inseto, sem exceção, cedo ou tarde, todos são condenados, todos morrem.
A morte é a reflexão mais profunda; é o que nos faz pensar, agir, mudar; é o que nos incentiva a viver, a fazer, a compartilhar e a deixar.
A morte é encontro; é para onde todos caminham, independentemente dos infinitos caminhos — o destino é o mesmo para todos; é onde todas as almas se encontram, na morte.
A morte é amor; é onde nos sacrificamos pelo próximo; é onde deixamos o legado, a ideia, o propósito; é o que fazemos pela nossa família, amigos, sociedade, natureza; é o que servimos e deixamos para o mundo antes de morrer.
A morte é o pai, é a mãe de todas as coisas; é o que veio antes de tudo existir; é o que veio antes do “bem e do mal”, do “paraíso e do inferno”, da “luz e da escuridão”; é o que veio antes do “nascimento”, da “vida”, do “Big Bang”, do “universo”; é o que veio antes de tudo existir, porque já existia e estava lá; é o que chamam de “vácuo”, “nada”, “inexistência” — é a morte, o próprio Deus.
O maior arrependimento que uma pessoa tem após estar próximo da morte é não ter acreditado que ela um dia chegaria e perceber que não viveu como gostaria.
