Morte de Alguém Querido
Tenho mais medo da perda do que da morte... e é por isso que de cada vez que alguém que eu amo morre, eu desejo ter sido eu a morrer...
Hoje falo da Morte com a mesma frieza com que ela se apresenta quando vem e leva da gente alguém que gostamos: sem medo e sem lágrimas.
Li, refleti e escrevi tanto sobre a morte que quando alguém fala para mim da "alegria de se ter Deus no coração" eu costumo pensar: "O termo técnico para isso é 'prolapso da válvula mitral'".
Não entendo de verdade como alguém diz acreditar em Deus, se afirma cristão e defende a morte de bandidos, incoerente demais!!
Mas detalhe, se um dia o filho se tornar bandido, com certeza não vai concordar, porque vale só para os outros!
Se creio em Deus, consequentemente acredito no potencial do outro, porque Deus vive nele, e as mudanças são possíveis, obviamente que depende do livre arbítrio de cada um...Não acreditar na mudança humana é incoerente com a ideia de crer em Deus, é possível que essa ideia retrógoda venha da concepção arcaica e errônea de um Deus carrasco, que fica longe só observando e castigando!!
Muito triste escutar essas atrocidades e não venha dizer:
"Ah deixa um bandido desse matar um familiar seu pra ver que rapidinho muda de ideia"!!!
Meu bem, já aconteceu e nem por isso concordo com essa teoria de morte aos "maus", minha fé não deixa!!
Mais Amor Por favor
Humanidade Onde Estás?
A vida, é claro, jamais captura toda a atenção de alguém. A morte é sempre interessante e nos atrai. Assim como o sono é necessário à nossa fisiologia, a depressão parece ser necessária à nossa economia psíquica. De alguma forma secreta, Tânatos, além de se opor a Eros, também o nutre. Os dois princípios atuam em oculta harmonia; embora Eros predomine na maioria de nós, em ninguém Tânatos está totalmente subjugado.
Crença é a morte da inteligência. Assim que alguém acredita em uma doutrina de qualquer tipo, ou assume certeza, deixa de pensar sobre esse aspecto da existência.
Aceitar a morte não quer dizer que você não vai ficar arrasado quando alguém que você ama morrer. Quer dizer que você vai ser capaz de se concentrar na sua dor, sem o peso de questões existenciais maiores como "Por que as pessoas morrem?" e "Por que isso está acontecendo comigo?". A morte não está acontecendo com você. Está acontecendo com todo mundo.
Quando se perde alguém para a irreversível morte, permanece em nós aquela eterna saudade de casa.
É como se fizéssemos uma viagem que jamais nos permitisse retornar.
Quando a morte chega de repente a alguém, ficamos surpresos, mas o motivo de sermos surpreendidos não se explica, se todos estamos com os dias contados, apenas não temos o conhecimento de a quanto anda a nossa contagem.
A morte raramente muda aquilo que sentimos por alguém. Só aumenta o sentimento, na maioria das vezes.
