Mortais
Onde há sentimentos não correspondidos — disse Hodge —, há um desequilíbrio de
poder. É um desequilíbrio fácil de ser explorado, mas não é um curso sábio. Onde há amor,
frequentemente também há ódio. Podem existir lado a lado.
— Você nunca cantou para mim.
Fez-se uma pausa quase imperceptível. Então:
— Ah, você — disse ela. — Você nunca teve medo do escuro.
— Que espécie de criança de 10 anos nunca tem medo do escuro?
— E eu tenho que ficar parado enquanto você namora outros, se apaixona por outra
pessoa, se casa...? — A voz dele endureceu. — E enquanto isso, eu morro um pouco mais a
cada dia, assistindo.
— Não. Até lá, não se importará mais — disse ela.
A maneira como mostrou a eles o que podia fazer. Fez com que olhassem para você e vissem a pessoa
que mais amavam no mundo, não fez?
Fiz — disse Clary. — Como sabe?
— Porque ouvi todos chamando nomes diferentes — disse Jocelyn suavemente. — Mas continuei vendo você.
— Tinha 18 anos quando casamos. Ele tinha 19 — disse Jocelyn com um tom de
naturalidade.
— Meu Deus — disse Clary horrorizada. — Você me mataria se eu quisesse me casar aos
18 anos.
— Mataria — concordou Jocelyn.
Provavelmente era ele que deveria ter me matado. Quase matou. Mas pensei em você, a vi lá,
claramente, como se estivesse na minha frente, me observando, e soube que queria viver, mais
do que jamais havia desejado qualquer coisa, nem que fosse só para ver seu rosto mais uma
vez.
Clary desejou conseguir se mover, poder se esticar e tocá-lo, mas não conseguia. Os
braços pareciam congelados nas laterais. O rosto dele estava próximo ao dela, tão perto que
podia ver o próprio reflexo nas pupilas dele.
— E agora estou olhando para você — disse —, e você está me perguntando se ainda a
quero, como se eu pudesse deixar de amar. Como se eu fosse desistir do que me deixa mais
forte que qualquer outra coisa. Nunca ousei dar tanto de mim a ninguém antes; apenas pedaços
de mim aos Lightwood, a Isabelle e Alec, mas levei anos para fazer isso... Mas Clary, desde a
primeira vez em que a vi, pertenci completamente a você. E continuo pertencendo. Se você me
quiser.
Você acha que os vivos que terão uma decisão final sobre você, porque os mortos não têm nenhuma reivindicação sobre sua alma. Mas talvez você esteja errado.
"Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos; passando por ele, tapávamos o rosto; tão desprezível era, não fazíamos caso dele.
A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores; e nós pensávamos fosse um chagado, golpeado por Deus e humilhado!
Mas ele foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes; a punição a ele imposta era o preço da nossa paz, e suas feridas, o preço da nossa cura." ( Iaías 53)
Esta é a única coisa que deuses e mortais compartilham: quando somos jovens, nos consideramos os primeiros a experimentar cada sentimento no mundo.
A, se eu pudesse voltar no tempo,se desfazer desses pensamentos mortais, não teria amado ,sorriria todos os dias , diria aos meus pais que os amo mais que a minha própria vida, perdoaria como uma criança , morreria todos os dias para que ao menos soubesse o quanto é bom viver.
Os três guerreiros mais mortais em toda Valoran são vinculados à casa de Du Couteau: meu pai, eu, e Talon. Desafie-nos, se tiver coragem.
Os velhos samurais não tem mais a mesma vitalidade dos jovens, porém são mais mortais e ainda podem ensinar os gafanhotos...
A inspiração é o momento em que os mortais experimentam também – por que não? – o maná dos deuses. Um instante muito especial. Mágico.
O conceito de inspiração, contudo, vem mudando no tempo e no espaço. No século XIX, ela “baixava” no poeta – ou melhor, no vate – na forma de espírito, bênção ou dom.
De lá para cá, o verbo inspirar ficou mais fácil de ser conjugado. Felizmente, “se inspirar” ficou mais acessível ao eu e ao tu, líricos ou não.
Moderno, Fernando Pessoa escreve com a imaginação e não com o coração. Moderníssimo, João Cabral enfatiza a técnica em detrimento do lirismo.
Quem vai negar que, à sua maneira, tanto Pessoa quanto Cabral são poetas inspirados e criativos?
Certo é que uma boa motivação – que pode vir duma musa, situação ou acontecimento pessoal – ajuda e muito no ato de escrever prosa e, especialmente, versos.
Assim, estou convencido de que o texto literário é resultado da equação emoção/técnica, com predomínio desta sobre aquela. Sem vice-versa.
Dizem que os vampiros têm pior destino que os mortais, e que a mais severa punição é a eternidade. Não há vampiros para a confirmação da tese. Suspeito que o verdadeiro castigo aos homens, o que causa mais sofrimento, seja a insônia, que alterna o horror da realidade com nossos demônios notívagos num ciclo perverso. Insones, somos só um punhado de carne irritável, um feixe de nervos em frangalhos, um sistema que não desliga nem funciona, sempre pronto para entrar em colapso.
Simples mortais...quem te disse, professor, que fostes tu a escolher sua "profissão"? Quem te disse que poderias, a partir de então, ter um dia sequer de sono tranquilo? Que serias invisível no meio da multidão... que te esquivarias, quando o peso da responsabilidade implorasse por ti? Que diante de uma multidão de vozes carentes e ouvidos moucos, teria que engolir o orgulho atravessado e estender a mão... Quem disse que tu escolheste isso, irmão? Alguém infinitamente maior olhaste do alto, com olhos marejados, e te deste o dom da entrega...da paternidade...do pastoril....da psicologia...e, principalmente (num país que te despreza tanto e, por isso mesmo, se torna também desprezível), o dom de economista.
Isso digo eu: Claudio Nunes...orgulhoso de ser professor de tantos, aluno de outros tantos, e uma criança brincalhona na matéria VIDA.
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