Morreu e esta em um lugar Melhor
Hoje não estou muito bem.
Há um barulho dentro de mim que ninguém ouve. Por fora, tudo parece seguir seu curso. Por dentro, os pensamentos se atropelam, as lembranças se misturam e o coração tenta organizar um caos que não cabe em palavras.
Carrego o peso de tudo o que precisei esconder. Das emoções que foram empurradas para as gavetas da alma porque não havia tempo para senti-las. Das sombras que aprenderam a morar em silêncio, atrás de portas que eu mesma fechei para conseguir continuar.
A noite sempre parece saber onde essas portas estão.
O frio toca o que passei o dia tentando aquecer. E, enquanto o mundo desacelera, minha mente percorre corredores que eu gostaria de evitar. Luto para manter tudo em equilíbrio, porque hoje não posso me permitir cair. Há responsabilidades, há caminhos que ainda precisam ser percorridos.
Mas sentir não pede licença.
Mesmo tentando seguir, eu sinto. Sinto o peso, o vazio, a exaustão de quem passou tanto tempo sustentando o próprio mundo que já nem sabe mais como descansar.
Talvez amanhã tudo pareça um pouco mais leve. Hoje, porém, só consigo admitir que existe uma batalha silenciosa acontecendo dentro de mim.
E, mesmo cansada, continuo caminhando.
Um dos caminhos à sabedoria encontra-se na prática de ouvir o próximo verdadeiramente. Nunca julgar... isso nunca, pois cria-se muros e não pontes... Ouvir verdadeiramente também é capaz de criar laços de amizade indestrutíveis.
Tem coisas, e pessoas que nos desgastam tanto que, quando percebemos, já viraram um ciclo de repetições.
Batem, insistem, fazem a gente abrir a porta… mas, quando a gente abre, não permanecem, não cuidam, não fazem questão.
E esse movimento cansa.
Cansa a ponto de tirar a vontade de reagir, de falar, de tentar de novo.
A gente vai perdendo o interesse, a motivação…
e, quase sem perceber, escolhe o silêncio, se afasta, fecha um pouco mais a porta por dentro.
Não é frieza, nem falta de sentimento.
É excesso de desgaste.
É o corpo e a alma entendendo que nem toda insistência merece acesso,
e que insistir em certos ciclos dói mais do que soltar.
Então nasce o medo de abrir de novo…
mas junto com ele, nasce também algo importante: o cuidado.
Porque, às vezes, abrir mão não é desistir
é, finalmente, se escolher.
Eu estou triste.
tão triste que já nem sei mais onde começa ou termina.
é um cansaço que não passa com descanso,
é um peso que não se explica
só se sente.
eu estou tão triste
que até existir parece esforço demais.
e o mais difícil de admitir
é que não é sobre querer ir embora…
é sobre não aguentar mais ficar assim.
eu estou cansada de estar triste.
cansada de tentar e não sair do lugar,
cansada de sustentar algo dentro de mim
que já não se sustenta sozinho.
tem dias que a vontade não é viver,
é só desaparecer um pouco…
silenciar tudo isso que não cala.
A nova era da pandemia mundial revela aos poucos um triste quadro preocupante, de uma grande quantidade de doentes físicos e biológicos, de doentes emocionais e mentais e de doentes espirituais e dimensionais.
O diabo é um gênio: arregimentou as almas “inocentes” para salvar o país, e nunca mais parou de tentar vendê-lo para se salvar.
"A maior graça é saber que os olhos de Deus estão sobre você. Isso traz um sentimento de segurança e proteção sobre tudo e todos."
—By Coelhinha
Temos em nós um lado estranho e imperfeito que vez ou outra, encanta ou espanta alguém. Amar mais o cinza de um outono que o colorido de uma primavera pode ser, quem sabe, o divino mais corrompido e desconhecido de mim.
Na vida perdemos muitas coisas, mas quando existe empatia, pode ter certeza de que existe amor, um amor tão intenso que não se perde nem no ultimo suspiro da vida!
Hoje o desejo me habita de uma forma diferente. Latente, inquietante, vibrante. É um daqueles dias em que a vida se revela nos detalhes, em que o corpo conversa com os pensamentos e responde às emoções como se cada sentimento encontrasse nele um lugar para existir.
Sim, o corpo tem suas necessidades. Ele pede atenção. Clama por presença. Às vezes trava um verdadeiro embate com a consciência. De um lado, o corpo que deseja sentir. Do outro, a alma que se recusa a ceder ao que é passageiro. E eu permaneço entre os dois, tentando conciliar aquilo que pulsa com aquilo em que acredito.
Desejo, sim. E desejo intensamente. Mas não qualquer toque. Não qualquer abraço. Não qualquer corpo.
Depois de tantos anos me guardando, percebo que a espera não enfraqueceu meus desejos. Fez exatamente o contrário. Refinou-os. Tornou-os mais conscientes, mais profundos, mais exigentes. Meu corpo já não anseia apenas por ser tocado. Ele anseia por reconhecer quem o toca.
Talvez seja por isso que você ocupe tanto os meus pensamentos.
Há algo em você que desperta tudo aquilo que permanecera em silêncio. Como se meu corpo soubesse, antes mesmo de mim, que toda essa espera sempre caminhou na direção de um único encontro.
E então imagino nós dois. Não por impulso, mas pela intensidade de tudo o que foi contido. Como se anos de espera, desejo e ausência se encontrassem no mesmo instante, fundindo-se num eclipse de sensações únicas, onde corpo, alma e coração deixassem, finalmente, de caminhar em direções diferentes.
Confesso que há dias em que essa espera pesa. Hoje é um deles. Meu corpo parece sussurrar que já esperou o suficiente. Que deseja repousar, enfim, nos braços do homem que há tanto tempo habita meus pensamentos.
Talvez esse seja o maior paradoxo do celibato: ele não mata o desejo. Apenas o ensina a esperar pela pessoa certa.
E depois de tanto tempo me guardando... depois de tanto tempo te aguardando... já não desejo apenas esperar.
Desejo você.
Vivo um romance psicológico
inigualável morando num carrossel
de perguntas sem respostas,
Não tem como não negar
que a gente combina por dentro,
Se de longe isso é percebido,
imagino como deverá ser quando
estivermos perto um do outro.
Admito o estupor labiríntico vertiginoso
em estado de alta costura poética,
em nome do desejo efervescente
renovado constantemente
pelo lance ignescente, sedutor
ou talvez até mesmo perigoso,
desta anatomia metafísica
que sutil ocupa constante a derme
com eflúvio vibrante e perene.
O verbo sardanapalesco tem como
rito costurado os meus poros
para receber os teus poderosos,
e tornar-me a habitante dos sonhos,
que cuida e eleva os teus impulsos,
Com sabor de Goiaba-serrana
para trazer sorriso com gosto -
para a rendição do teu corpo todo.
As palavras doces
e os mimos só cansam
quando não há uma
intenção verdadeira;
Quando há uma
intuição excessiva,
elas rompem a represa.
A Culpa do Descanso.
Existe um desconforto silencioso que aparece quando tentamos simplesmente não fazer nada.
A sensação incômoda de que deveríamos estar adiantando alguma tarefa, respondendo a uma mensagem ou produzindo algo útil. O descanso, que deveria ser um direito humano básico, passou a ser tratado como um luxo imerecido ou como uma pausa estratégica para voltar a produzir mais rápido.
Sentir culpa por parar revela o quanto fomos condicionados a medir nosso valor pessoal apenas pelo que somos capazes de entregar.
Acreditamos que a utilidade é a única métrica de dignidade. Mas quando a vida é reduzida ao desempenho, qualquer intervalo parece uma falha de caráter.
O descanso de verdade não precisa de justificativa.
Ele não é uma recompensa acumulada por horas de exaustão; é a base necessária para mantermos a lucidez e a humanidade em um mundo que nos exige aceleração contínua.
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